Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica

 Nota: Para outros significados, veja Oba.

Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica
imagem ilustrativa de artigo Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica
Medalha de ouro da XXVI edição da olimpíada
Generalidades
Desporto Olimpíada de Conhecimento
Criação 1998
Organizador Sociedade Astronômica Brasileira
Agência Espacial Brasileira
N.º de edições 28 (desde 1998)
Nome anterior Olimpíada Brasileira de Astronomia
Formato olimpíada de astronomia (d)
Edição 28ª (2025)
Disciplinas Astronomia e Astronáutica
Provas 1 (fase única)
Sítio eletrónico www.oba.org.br

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) é um evento nacional realizado nas escolas brasileiras previamente cadastradas desde 1998 pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB)[1].

Originalmente denominada Olimpíada Brasileira de Astronomia, recebeu o nome atual após o ingresso da Agência Espacial Brasileira (AEB) na organização da competição, em 2005[2].

A empresa Furnas participou da organização da olimpíada em anos anteriores, como em 2013.[3]

Objetivos

A OBA tem como objetivo principal declarado a difusão do conhecimento pela sociedade brasileira sobre Astronomia, fomentando o interesse dos jovens pela Astronomia e pelo conhecimento científico em geral.[4]

História

A primeira edição da Olimpíada Brasileira de Astronomia aconteceu em 1998, a partir do contato entre o professor Daniel Fonseca Lavouras a e o astrônomo russo Mikhail Gavrilov, presidente da Olimpíada Internacional de Astronomia (IAO)[5].

A partir da segunda edição edição, a Sociedade Astronômica Brasileira abraçou o evento, através do professor João Canalle[6]. Nessa edição, 15 mil estudantes participaram.

De todas as olimpíadas brasileiras, a OBA é a que alcança o maior número de séries escolares, indo do primeiro ano do ensino fundamental ao último ano do ensino médio[carece de fontes?].

Já em 2011 foram mais de 800 mil[7]. Em 2021, a prova foi realizada em formato híbrido, devido à pandemia de COVID-19, e bateu o até então recorde de participantes[8], com 900 mil inscritos. No entanto, ele vem sendo superado a cada nova edição, contando com 1 milhão e 800 mil estudantes em 2022[9] e mais de 2 milhões de inscritos em 2023 e em 2024[10], quando destribuiu um total de 81.153 medalhas de ouro, prata e bronze — um crescimento de 38% em relação ao ano anterior, atingindo o seu recorde de medalhas[11].

Realização

A OBA é um evento aberto à participação de alunos do primeiro ano do ensino fundamental até os do último ano do ensino médio, de todas as escolas brasileiras e do exterior, desde que o idioma da instituição seja o português, ocorrendo dentro da própria escola, em fase única e num só ano letivo[4].

A participação dos alunos é voluntária e não há obrigatoriedade de número mínimo ou máximo de alunos, ou seja, o número de alunos participantes não é determinado previamente[4].

A OBA é realizada anualmente, no mês de maio, em todos os estabelecimentos brasileiros de ensino cadastrados[4].

As provas se distribuem em quatro níveis, dispostos na tabela abaixo[4].

Nível Série escolar Tempo de prova Questões
1 1º ao 3º ano do fundamental 2 horas 10 (7 de astronomia; 3 de astronáutica)
2 4º ao 5º ano do fundamental
3 6º ao 9º ano do fundamental
4 Ensino Médio 3 horas

Importância acadêmica

Medalhista de ouro Israel Carvalho, juntamente com o então ministro Marcos Pontes.

Os estudantes participantes e vencedores da Olimpíada frequentemente recebem homenagens em suas cidades e aparecem na mídia. É o caso, por exemplo, de estudantes de Brasília[1], Brusque[12], Dourados[13], Santa Cruz[14], do Triângulo Mineiro[15] e de todo o Brasil.

A premiação na olimpíada também contribui no currículo acadêmico dos estudantes, que pode ser avaliado por universidades dos Estados Unidos para admissão[1], ou mesmo servir como forma de entrada para o ensino superior, como no caso da Universidade Federal de Itajubá, que em 2020 reservou "vagas olímpicas" para medalhistas da OBA e de outras olimpíadas para ingresso em alguns de seus cursos[16].

Nos anos recentes, outras instituições de ensino superior acrescentaram premiações em olimpíadas científicas, em especial a OBA, em suas possibilidades de ingresso, como a Universidade de São Paulo (USP)[17] e a Universidade Estadual Paulista (UNESP)[18].

Estatísticas

A organização da Olimpíada publica anualmente em seu website relatórios de cada edição realizada da olimpíada[19].

Eventos atrelados

Olimpíada Brasileira de Foguetes

A Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG) faz parte da OBA e consiste em demonstrações com construção de foguetes pelos estudantes. Para passar para a segunda etapa, os foguetes construídos devem demonstrar que são seguros e voarem uma distância mínima de 60 metros.

Em 2010, estudantes de Brazlândia (DF) foram classificados para a etapa nacional com um foguete feito de garrafa PET e movido a bicarbonato de sódio e vinagre.[20]

Escola de Astronomia

Desde 2001, alguns dos estudantes do ensino médio, dentre os melhor classificados do Brasil, são convidados para uma Escola de Astronomia. Organizada pelo Corpo de Criação e Desenvolvimento da olimpíada (CCD-OBA), ela é inspirada na Semana Olímpica da OBM mas tem um enfoque mais holístico, usando a astronomia como um ponto integrador de conhecimentos de matemática, física, filosofia e outros conhecimentos.

A escola acontece anualmente, durante uma semana, entre os meses de agosto e setembro. A Escola de Astronomia ocorreu entre 26 de Setembro e 01 de Outubro de 2010, na cidade de Águas de Lindóia.[21]

À Escola segue-se um curso à distância de formação geral em astronomia, de duração de cerca de seis meses, que usa material didático próprio. Ao fim do curso é realizada a seleção das equipes brasileiras para a IOAA e a OLAA.

Seleção para a OLAA e IOAA

A seleção para a equipe brasileira é feita pelo Comitê Organizador da OBA, respeitando as normas estipuladas pela Olimpíada Latinoamericana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) e, a partir de 2008, pela Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA).

A equipe brasileira na IOAA, segundo as regras da própria, é composta de cinco alunos que estejam no ensino médio no ano da respectiva olimpíada (2011), e que tenham no máximo 21 anos (em relação ao ano seguinte à competição).

Já a Equipe Brasileira na OLAA é composta de até cinco alunos que não tenham concluído nenhuma disciplina na universidade (estando matriculado nela) até a data da olimpíada e que tenham no máximo 20,00 anos em relação ao ano seguinte da olimpíada. A OLAA também exige que toda equipe não-unitária tenha participantes masculinos e femininos (pelo menos um de cada gênero).

O processo de seleção era, até 2013, todo conduzido pelo Comitê Científico e Didático da OBA (CCD-OBA).

Controvérsias

O Comitê Olímpico Brasileiro entrou na justiça para garantir a exclusividade do uso da palavra "olimpíada", notificando diversas olimpíadas de conhecimento do país para que parassem de utilizar a palavra. A OBA foi uma das notificadas. Manteve o nome, mas mudou seu logotipo, que possuía órbitas de planetas formando formato semelhante ao dos cinco anéis olímpicos. Pelo mesmo motivo, a Olimpíada Brasileira de Foguetes mudou seu nome para Mostra Brasileira de Foguetes.[22]

Ver também

Referências

  1. a b c Pompeu, Ana (14 de maio de 2011). «Apaixonados pelo espaço». Brasília. Correio Braziliense (DF): 39. Consultado em 21 de junho de 2021 
  2. Canalle, João. «Histórico da VIII Olimpíada Brasilia de Astronomia e Astronáutica» (PDF). Olimpíada Brasileira de Astronomia. Consultado em 2 de março de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 3 de dezembro de 2023 
  3. «Prova será realizada nesta sexta (10)». IFRN - Instituto Federal do Rio Grande do Norte. 9 de maio de 2013. Consultado em 24 de junho de 2023 
  4. a b c d e «Regulamento da 28ª OBA (2025)» (PDF). Olimpíada Brasileira de Astronomia. Consultado em 2 de março de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 3 de março de 2025 
  5. Leite, Antônio Carlos; Junior, Pedro Donizete Colombo (16 de agosto de 2020). «Olimpíada Brasileira de Astronomia do Ensino Médio: entre textos e contextos». Research, Society and Development (9): e237997092–e237997092. ISSN 2525-3409. doi:10.33448/rsd-v9i9.7092. Consultado em 14 de fevereiro de 2023 
  6. Erthal, João Paulo Casaro; Vieira, Andriele da Silva (15 de julho de 2019). «VINTE ANOS DE OBA: UMA ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DO EXAME AO LONGO DOS ANOS». Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia (27): 35–54. ISSN 1806-7573. doi:10.37156/RELEA/2019.27.035. Consultado em 14 de fevereiro de 2023 
  7. João Batista Garcia Canalle (11 de dezembro de 2012). «Potência olímpica do saber». Jornal do Commercio: A-15. Consultado em 21 de junho de 2021 
  8. «Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica tem número recorde de inscritos na edição de 2021». Agência Espacial Brasileira. 1 de junho de 2021. Consultado em 22 de junho de 2021 
  9. Agência Espacial Brasileira (12 de julho de 2022). «25ª OBA supera a edição do ano passado e tem número recorde de participantes». Consultado em 26 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2025 
  10. «Cerca de dois milhões de estudantes participam da prova da Olimpíada de Astronomia e Astronáutica». Consed. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  11. «Olimpíada de Astronomia e Astronáutica (OBA) tem recorde de medalhas». Agência Espacial Brasileira. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  12. Daiane Benso (13 de outubro de 2016). «Alunos conquistam medalha na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica». O Município: 8. Consultado em 21 de junho de 2021 
  13. Borges, Lúcio (17 de junho de 2021). «Estudante do SESI recebe 'ouro' na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica». EnfoqueMS. Consultado em 22 de junho de 2021 
  14. «Estudantes são medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica». Portal IFRN. Consultado em 22 de junho de 2021 
  15. «Alunos do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba ganham quase 500 medalhas na 23º Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica». G1. Consultado em 22 de junho de 2021 
  16. «Aluno conquista vaga na Unifei com nota de olimpíada escolar». Curso G9. 8 de março de 2020. Consultado em 22 de junho de 2021 
  17. «Jornal da USP» (PDF). Consultado em 2 de março de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 3 de março de 2025 
  18. «Acesso à universidade pela trilha olímpica». Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Notícias. 21 de agosto de 2023. Consultado em 3 de março de 2025. Cópia arquivada em 3 de março de 2025 
  19. «Oba - Olimpíada Brasileira de Foguetes, OBAFOG - Olimpíada Brasileira de Foguetes». www.oba.org.br. Consultado em 3 de março de 2025 
  20. Rayanne Portugal (12 de novembro de 2010). «Agora, o céu é o limite». Brasília. Correio Braziliense - Cidades: 38. Consultado em 21 de junho de 2021 
  21. Colégio Militar de Porto Alegre. «Aluno é selecionado para a X Escola de Astronomia». Consultado em 29 de Janeiro de 2010 
  22. Braitner Moreira (8 de novembro de 2012). «COB quer fim das "olimpíadas"». Brasília. Correio Braziliense (DF) - Super Esportes: 13. Consultado em 21 de junho de 2021 

Ligações externas