Olga Fossati

| Olga Fossati | |
|---|---|
| Nascimento | 1898 |
| Morte | 1995 |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | violinista |
Olga Fossati (Porto Alegre, 11 de abril de 1897[1] – Pelotas, depois de 1995) foi uma violinista e professora brasileira.
Biografia
Filha de César Fossati e Emilia Fettermann, Olga nasceu numa família de músicos e artistas. Aos seis anos de idade, iniciou seus estudos com o pai, que havia se formado no Academia Nacional de Santa Cecília em Roma.[2]
Seu talento incomum se manifestou cedo. Em 1907, apresentando-se em público em Porto Alegre, já era vista como um um prodígio, tocando peças difíceis de cor e sem esforço,[3][4][5] e recebendo "tempestades de aplausos".[6] Em 1908, apresentou-se em Bagé, Pelotas e Rio Grande e a imprensa publicou louvores ainda mais entusiasmados, chamando-a de "prodigiosa menina-artista que encanta e assombra quantos a ouvem",[7] de "engenho estupendo, fenômeno inexplicável, uma revelação divina",[8] "a sua assombrosa agilidade no manejo do arco, a facilidade pasmosa com que supera as passagens mais difíceis das músicas que executa são verdadeiramente de espantar. Tudo isso o faz Olga sem a menor preocupação, sem a mínima demonstração de esforço", e já se profetizava para ela um futuro brilhante.[9] No mesmo ano fez suas primeiras apresentações em São Paulo[10] e no Rio de Janeiro, sendo igualmente louvada. Foi "uma das notas de maior sensação" da Exposição Nacional. Nesta época também já tocava piano, cantava e compunha.[11]
Aos onze anos viajou a Bruxelas financiada pelo Estado para iniciar seu aperfeiçoamento no Conservatório Real, estudando com César Thompson, diplomando-se quatro anos depois com distinção, recebendo dois primeiros prêmios do Conservatório[2] e vencendo um concurso internacional.[12] Voltando ao Brasil em 1913, foi recebida festivamente[13] e iniciou uma série de excursões pelas principais cidades do país, sendo invariavelmente aclamada.[2]

No fim da década de 1910 lecionou no Conservatório de Música de Porto Alegre,[14] em 1925 foi homenageada pelo violinista e compositor Levino da Conceição, que apresentou no Rio sua Grande Valsa de Concerto, a ela dedicada,[15] em 1928 foi spalla da orquestra sinfônica formada pela Sociedade Rio-Grandense de Cultura Musical para uma série de concertos no Theatro São Pedro sob a regência de Francisco Braga,[16] e no mesmo ano foi convidada a dar aulas no Conservatório de Música de Pelotas. Foi spalla da Sociedade Orquestral de Pelotas, além de dar concertos nas rádios locais.[2] Também deu aulas no Conservatório de Rio Grande.[17]
Angelo Guido em 1940 resenhou um concerto que deu no Theatro São Pedro, dizendo que o evento foi...
- "[...] uma afirmação vigorosa de um cintilante talento de artista. Já tivemos a oportunidade de assinalar [...] o equilíbrio admirável que se encontra, na arte de Olga Fossati, entre a técnica e a emoção. No concerto de ontem pudemos apreciar com mais amplitude, através de peças de diversos estilos, como é claro e penetrante, na talentosa artista do arco, o sentido da forma. Sua arquitetura musical é sempre sólida e de contornos claramente definidos, como são de uma admirável precisão os efeitos de claro-escuro que dão às suas execuções tão viva plasticidade. Nota-se, além disso, dentro de uma grande nobreza de estilo, uma maneira segura de conduzir o ritmo e um fraseado cheio de força expressiva. Dentro desses belos requisitos de técnica, que incluem um agudo sentido de musicalidade, flui uma sonoridade límpida e quente, que é um veículo vivamente sugestivo e palpitante do grande poder expressivo desta admirável violinista. [...] O público soube fazer justiça à distinta recitalista aplaudindo com entusiasmo".[18]
Na década de 1950 integrou o Trio Lemos-Pagnot-Fossati com Milton de Lemos e Jean Jacques Pagnot, realizando diversas excursões pelo sul do Brasil,[2] também com grande sucesso. O Jornal do Dia, por exemplo, celebrou as "interpretações superiores de elementos profundamente conhecedores da música e da inspiração poética dos compositores. Perfeição em todos os detalhes. Segurança e compreensão. Uma beleza total".[19] Sua última aparição pública ocorreu em 1958, quando foi solista em um concerto da Sociedade Orquestral de Pelotas.[20]
Em 1979, para uma pesquisa do folclorista Paixão Cortes, tocou um tango que ela havia gravado em 1914 para o selo Odeon Records. Cortes disse na ocasião que Fossati era a última sobrevivente da geração do gramofone.[21] Ainda vivia em 1995, recolhida em um asilo de idosos de Pelotas.[22] Após sua morte seu violino foi doado ao Museu da Baronesa.[23] Olga Fossati teve muitos alunos, entre eles seu celebrado primo Radamés Gnattali, e foi uma das poucas mulheres gaúchas de sua geração que conseguiu se afirmar profissionalmente na música.[24]
Ver também
Referências
- ↑ Ofício de registro civil da 4ª. Zona de Porto Alegre (12 de abril de 1897). «Assento de nascimento de Olga Fossati». FamilySearch. Consultado em 30 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e Nogueira, Isabel Porto & Michelon, Francisca Ferreira. "Mulheres intérpretes: representação e música em fotografias em branco e preto do acervo do Conservatório de Música da UFPEL". In: Trans — Revista Transcultural de Música, 2011 (15)
- ↑ "Olga Fossati". A Federação, 8 de novembro de 1907
- ↑ "Olga Fossati". A Federação, 9 de novembro de 1907
- ↑ "Olga Fossati". A Federação, 13 de novembro de 1907
- ↑ "Theatros e diversões". A Federação, 26 de novembro de 1907
- ↑ "Uma creança genial". A Opinião Publica, 14 de março de 1908
- ↑ "Palcos e salões". A Opinião Publica, 20/03/1908
- ↑ "Concerto". O Dever, 12 de março de 1908
- ↑ "Topicos do Dia". Jornal do Commercio, 20 de novembro de 1912, p. 1
- ↑ Rego, Armando. "Olga Fossati". O Degas, 12 de setembro de 1908, p. 24
- ↑ Canaud, Fernanda. O virtuosismo e o "Swing" revelados na revisão fonográfica de Flor da Noite e Modinha & Baião de Radamés Gnattali. Doutorado. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2013, p. 40
- ↑ "Olga Fossati". O Brazil, 17 de abril de 1913
- ↑ Conedera, Leonardo de Oliveira. Músicos no novo mundo : a presença de musicistas italianos na banda municipal de Porto Alegre (1925-1950). Doutorado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2017, p. 250
- ↑ "Concerto de despedida do violinista cego Levino Conceição". Gazeta de Notícias, 7 de maio de 1925, p. 3
- ↑ Corte Real, Antônio. Subsídios para a História da Música no Rio Grande do Sul. 2ª ed. revista e aumentada. Movimento, 1984, p. 82
- ↑ Atallah, Gianne Zanella. Trajetórias musicais de alunas e professoras do Conservatório de Música de Rio Grande. Mestrado. Universidade Federal de Pelotas, 2011, p. 60
- ↑ Guido, Angelo. "O concerto de Olga Fossati". Diário de Notícias, 14 de janeiro de 1940
- ↑ "Trio Lemos-Pagnot-Fossati". Jornal do Dia, 18 de abril de 1953, p. 4
- ↑ "Sociedade Orquestral". Diario de Noticias, 31 de maio de 1958, p. 6
- ↑ Nocchi, Cláudia. "Tango Argentino". Jornal do Brasil, 1 de setembro de 1980, Caderno B, p. 4
- ↑ Oliveira, Sônia André Cava de. Um estudo sobre música e qualidade de vida na terceira idade com base em princípios da Educação Ambiental. Universidade Federal do Rio Grande, 2013, p. 10
- ↑ Braga, Sylvia Maria (coord.). Patrimônio Vivo 7 — Pelotas. IPHAN / Programa Monumenta, 2007, p. 65
- ↑ Weimer, Günter. A vida cultural e a arquitetura na fase positivista do Rio Grande do Sul. EDIPUCRS, 2018, p. 142