Oldemiro César

Oldemiro César
Nascimento25 de agosto de 1884
Porto
Morte27 de março de 1953 (68 anos)
Lisboa
CidadaniaPortugal
Ocupaçãojornalista, crítico literário, tradutor

Oldemiro César de Lima (Vitória, Porto, 25 de agosto de 1884Lapa, Lisboa, 27 de março de 1953), mais conhecido por Oldemiro César, foi um jornalista, crítico literário, ensaísta e escritor, que se destacou como camilianista apaixonado, tradutor de obras clássicas, escritor de teatro e de livros de crónica.[1]

Biografia

Era filho do negociante José Augusto de Lima, natural do Rio de Janeiro, e de Silvana Augusta Laranjeira de Lima, natural de Amarante (freguesia de Telões).[2]

Estreou-se como jornalista em 1903, passando a trabalhar profissionalmente no jornalismo a partir de 1910. Fundou, em 1906, a revista de crítica literária Livres, de que saíram 24 números.

A 26 de março de 1912, casou civilmente em Lisboa com Maria Guimarães Iglésias (Cedofeita, Porto, 1886), doméstica, filha de Francisco Guimarães Teixeira, natural do Porto (freguesia de Miragaia), e de mãe galega. A 25 de março de 1953, dois dias antes da morte de Oldemiro, casaram catolicamente na igreja da Lapa, em Lisboa.[3]

Partiu para a cidade do Rio de Janeiro, onde durante alguns anos trabalho para diversos jornais. Fixou-se posteriormente em Lisboa, onde integrou a redacção de, entre outros periódicos, A Capital e O Século. Chefiou a redacção do República, mas ganhou grande notoriedade com as reportagens de viagens que realizou em múltiplas regiões de Portugal e colónias e que foram publicads pelo Diário de Notícias.[1]

Foi como repórter do Diário de Notícias que acompanhou, em 1924, a visita dos intelectuais organizada por José Bruno Carreiro, publicando em livro, Terras de Maravilha, as crónicas que então escreveu, prefaciadas por Trindade Coelho, um dos visitantes. Em 1934, de novo como jornalista, acompanhou a visita do ministro Sebastião Ramires, à Madeira e aos Açores, preparando uma reedição do seu livro de crónicas, a que acrescentou outras dessa segunda viagem. em resultado dessa viagem, estabeleceu amizade e cumplicidade política com os conservadores açorianos, que manteve até ao fim da vida.[1]

Foi tradutor de clássicos e é autor de algumas obras destinados a teatro. Era considerado um grande especialista na obra de Camilo Castelo Branco, sobre a qual publicou vários trabalhos.

Morreu vítima de carcinoma gástrico a 27 de março de 1953, em sua casa, na Rua do Sacramento à Lapa, n.º 76, 1.º andar, freguesia da Lapa, em Lisboa. Foi inicialmente sepultado no cemitério da Ajuda, em Lisboa, e depois trasladado para o cemitério de Agramonte, no Porto, em 1958.[4]

Obra

  • Camilo Castelo Branco. Sua Vida e Obra, Porto, 1914.
  • Verdades amargas. Jornal de um mal humorado. Empresa Lusitana Editora. Lisboa, 1918.
  • Pão que o diabo amassou. Crónicas e Estudos na Vida e Na Arte. Renascença Portuguesa, Porto, 1918.
  • Terra de mistério – Marrocos. Emp. do Diário de Notícias, Lisboa, 1925.
  • Terras de Maravilha. Os Açores e a Madeira. Porto, Ed. da Empresa Literária Fulminense, 1924. [Os Açores e a Madeira. Notas de duas viagens de estudo. 2ª ed. 1944, revista e aumentada, Lisboa, José Francisco de Oliveira].
  • Raul Xavier : Escultor. Colecção Artistas Portugueses. Lisboa: [s.e.], 1943.
  • O conselheiro Acácio académico. À margem das comemorações centenárias de Eça de Queiroz. Liv. Peninsular Ed., Lisboa, 1945.
  • Os Amores de Wenceslau de Morais (em colaboração com Ângelo Pereira). Editorial Labor, Lisboa, 1937.
  • Camilo e o Amor de Pedição. Porto, Editorial Domingos Barreira, 1947.

Referências

  1. a b c Enciclopédia Açoriana: «César, Oldemiro».
  2. «Livro de registo de batismos da paróquia da Vitória - Porto (1884)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital do Porto. p. 102, assento 198 
  3. «Livro de registo de casamentos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1912-01-01 - 1883-09-05)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 165 e 165v, assento 167 
  4. «Livro de registo de óbitos da 5.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1953-01-01 - 1953-05-06)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 124v, assento 248