O Táxi nº 9297
O Táxi Nº 9297
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| Portugal 1927 • p&b • 116 min | |
| Gênero | ficção (tragicomédia) policial |
| Direção | Reinaldo Ferreira |
| Produção | Repórter X Film, Lda |
| Produção executiva | Reinaldo Ferreira |
| Roteiro | Reinaldo Ferreira |
| Elenco | Alves da Costa Maria Emília Castelo Branco Alberto Miranda |
| Música | Filipe Raposo (edição de 2018) Igor C Silva (2020) |
| Direção de fotografia | Maurice Laumann |
| Direção de arte | Pedro Santos |
| Companhia produtora | Invicta Film |
| Distribuição | Companhia Cinematográfica de Portugal |
| Lançamento | |
| Idioma | mudo (com intertítulos em português) |
O Táxi Nº 9297 (1927) é um filme português em média-metragem de ficção do jornalista português Reinaldo Ferreira, Repórter-X, polémico e sensacionalista, com estilo oportunista conhecido como «reinaldismo». O filme resulta da investigação feita pelo jornalista à morte da atriz Maria Alves, com o enredo a ser publicado em folhetim no jornal O Primeiro de Janeiro.[1]
O filme estreou na cidade portuguesa do Porto, no cinema Trindade a 9 de julho e, na cidade de Lisboa no cinema Salão Foz – Olympia a 30 de julho de 1927.[2]
Sinopse
O adido militar americano tenente Hair (Alves da Costa) é um jovem militar que, chegado a Lisboa, trava conhecimento com Arsénio de Castro (Alexandre Amores), que se apresenta como «o homem de pior fama em Portugal». Ambos são convidados pelo extravagante milionário Horácio de Azevedo (Alberto Miranda) a passar uns dias na sua propriedade de Bretolho. Tomam um táxi com a matrícula 9297 no qual foi morta, um ano antes e em circunstâncias misteriosas, a atriz Raquel de Monteverde (Maria Emília Castelo Branco).
Em Bretolho, Hair descobre uma estranha fauna social que inclui um homossexual drogado, uma velha alucinada e Eva (Fernanda Alves da Costa), dama de companhia, escrava e mártir nesse «hospital de loucos», filha da malograda Raquel. Hair sente-se por ela atraído e acaba por descobrir na cómoda do seu quarto jornais que relatam a morte sinistra de Raquel e de uma outra actriz, anos antes.
Eva, sentindo-se protegida pelo tenente Hair, dá-lhe um medalhão dentro do qual, diz ela, «encontrará o nome do meu tirano». Apesar de a jóia lhe ser roubada, Hair obstina-se em descobrir quem será o tal monstro. Félix do Amaral (Henrique de Albuquerque) é assassinado a tiro. Eva, por desespero e vergonha, aceita fugir com Arsénio de Castro, apesar de amar o americano.
(Fonte: Fitas que Só Vistas, de José de Matos-Cruz, ed. Instituto Português de Cinema, 1978).
Enquadramento histórico
O Repórter-X, que escreveu História com notícias inventadas, também foi seduzido pelo cinema. Não pretendia fazer arte, em sua literatura explorava uma forma mais viva de expressão a seduzir para o inacreditável, quem pelo choque do inaudito, pelo consumo do escândalo sobrevivia à monotonia do quotidiano.
O gosto por imagens animadas cresceu na Espanha, como assistente de Aurélio Sidney, realizador e actor, desde que o seu folhetim «O Mistério da Rua Saraiva de Carvalho[3]» fora adaptado a cinema como O Homem dos Olhos Tortos (1918), um serial de nove partes de Leitão de Barros que não foi concluído. É em 1923 que consegue que um produtor espanhol financie um seu primeiro filme, em cinco partes: El Botones del Ritz (O Groom do Ritz), estreado em Lisboa no ano seguinte: uma história de polícias e ladrões, filme desaparecido. Finalmente funda em Lisboa, em 1927, a sua própria produtora: a Repórter X – Film e parte para nova aventura, a do táxi 9297.
Segue o folhetim dos jornais: o empresário Augusto Gomes, que vive com a actriz Maria Alves, apanha com ela um táxi depois de um espectáculo a dar uma longa volta para falarem de um assunto melindroso. Exaltam-se. Ele deita-lhe as mãos ao gasganete e ela vai-se. O motorista é obrigado a calar-se e o cadáver aparece depois em local que leva a crer que a mulher fora vítima de um assalto.
O assassino entretanto veste-se de luto, compra uma linda coroa de flores para a morta e vai ao enterro. Mostrando-se desolado, intima a polícia e os jornalistas a descobrir o criminoso. A ideia do filme baseia-se neste caso, que o próprio Reinaldo Ferreira investigara como jornalista. O filme é um sucesso.
Elenco
- Alves da Costa - Tenente Hair
- Maria Emília Castelo Branco - Raquel de Monteverde
- Alberto Miranda - Horácio de Azevedo
- Fernanda Alves da Costa - Eva
- Alexandre Amores - Arsénio de Castro
- Manuel Silva - Don Afonso
- Henrique de Albuquerque - Félix do Amaral
- Roberto Fernandes - Roberto Dinis
- Antónia de Sousa - Isabel Rodrigues
- Adriano Guimarães
- Luis Magalhães
- Sá
- Dina Pereira
Lançamentos posteriores
O filme foi lançado em livro, destacando-se, pelo menos, quatro edições (1927, de onde resulta o filme, publicado em folhetim no jornal O Primeiro de Janeiro;[1][4] 1974, pela Arcádia Editora;[5] 1986, pelo Círculo de Leitores; e 2019, pelo Relógio D'Água)[6]. Também foi adaptado para teatro, pelo próprio Reinaldo Ferreira, em 1935.[1][6]
Em 2018, a Cinemateca Portuguesa lançou o filme em DVD, com banda sonora de Filipe Raposo, e incluindo a curta-metragem Rita ou Rito?, e o ensaio audiovisual Os Motivos de Reinaldo, de Ricardo Vieira Lisboa, sobre o estilo de Reinaldo Ferreira.[7][8]
O filme voltaria a estrear em 2020, na Casa da Música, no Porto, em formato de cineconcerto, com o lançamento de uma banda sonora inédita, da autoria de Igor C Silva, e interpretação dos Remix Ensemble.[9][10]
97 anos após a sua estreia, em 2024, o filme foi incluído no cartaz do festival de cinema sérvio Nitrat, organizado pelo Arquivo de Filmes Iugoslavos.[11][12] Já antes, em 2018, havia sido exibido no Festival de Cinema Lumière em Lyon, França.[13]
Ver também
Bibliografia
- Singularidades do Cinema Português, de Roberto Nobre, pp 88–94, ed. Portugália Editora, 196?
- O Cais do Olhar, de José de Matos-Cruz, pp. 37 e 38, ed. Cinemateca Portuguesa, 1999
Referências
- ↑ a b c «Remix Ensemble - Casa da Música» (PDF). Casa da Música. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ Pina, Luís de. «O Táxi nº 9297/1927» (PDF). Cinemateca Portuguesa. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ «O Mistério da Rua Saraiva de Carvalho, de Repórter X, - Pim! Edições». pim-edicoes.pt. Consultado em 10 de agosto de 2017
- ↑ «Museu de Lisboa». museudelisboa.pt. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ «O TÁXI Nº 9297». CM Calheta Madeira. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ a b «O Táxi N.º 9297 - Relógio D'Água». Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ «Nova edição DVD da Cinemateca: O TÁXI N.º 9297, de Reinaldo Ferreira». Cinemateca Portuguesa. 9 de julho de 2018. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ DN, Redação (28 de julho de 2018). «Redescobrir o Repórter X numa excelente edição DVD». Diário de Notícias. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ «O Filme do Repórter X». Casa da Música. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ «Filme do Repórter X "O Táxi 9297" nos cine-concertos do Invicta Música Filmes». Rádio e Televisão de Portugal. 12 de fevereiro de 2020. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ «Nitrate 26». Arquivo de Filmes Iugoslavos (em inglês). 24 de maio de 2024. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ «Nitrat 26 Program» (PDF). Arquivo de Filmes Iugoslavos. Consultado em 7 de julho de 2025
- ↑ DN, Redação (13 de setembro de 2018). «Filme mudo de Reinaldo Ferreira exibido em outubro em França». Diário de Notícias. Consultado em 7 de julho de 2025
Ligações externas
- «O Táxi Nº 9297». em Cinema Português, pág, do Instituto Camões
- «O Táxi Nº 9297». em CinePT-Cinema Portugues (base de dados)
- «Repórter X Film». em Cinema Português, pág, do Instituto Camões
