O Judoka
The Heroic Trio
O Judoka
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| Formato de publicação | formato americano |
| Arte | Frank McLaughlin, Pedro Anísio, Mário Lima e Eduardo Baron, Juarez Odilon, Cláudio de Almeida, Floriano Hermeto de Almeida Filho, Francisco Sampaio, Fernando Ikoma e Alberto Silva. |
| Personagens principais | Mestre Judoca (1 ao 6) Carlos, Minamoto e Lúcia (7 a 52)[1] |
OJudoka foi uma revista em quadrinhos publicada pela EBAL com história envolvendo artes marciais.
Histórico
A revista O Judoka foi lançada pela EBAL em abril de 1969, trazendo inicialmente histórias do personagem Judomaster, criado pela Charlton Comics e posteriormente incorporado ao catálogo da DC Comics.[2] Nos Estados Unidos, o Judomaster havia sido publicado em apenas dez edições, o que levou ao encerramento precoce da série. O Judomaster foi publicado nas seis edições da revista da EBAL. Diante dessa situação, Adolfo Aizen, fundador da EBAL, sugeriu a criação de uma nova série de histórias em quadrinhos protagonizada por um herói brasileiro, aproveitando o título já estabelecido da revista.[1] Assim surgiu o Judoka, personagem criado por Pedro Anísio e Eduardo Baron.[3]
A estratégia adotada pela EBAL foi semelhante à utilizada no Reino Unido quando, após o cancelamento do Capitão Marvel pela Fawcett Comics, a editora britânica L. Miller & Sons, Ltd. solicitou ao quadrinista Mick Anglo a criação do personagem Marvelman, posteriormente renomeado como Miracleman.[4]
O Judoka permaneceu em publicação até 1973. No ano seguinte, o cenário cultural passou a ser fortemente influenciado pela popularização do kung fu, impulsionada por produções como a série televisiva Kung Fu, estrelada por David Carradine, e pelos filmes protagonizados por Bruce Lee.[5][6] Em sintonia com essa tendência, a EBAL lançou em 1974 a revista Kung Fu, inspirada na publicação norte-americana em preto e branco The Deadly Hands of Kung Fu, da Marvel Comics, que tinha entre seus destaques o personagem Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu.[6] Pouco depois, a editora perdeu a licença dos personagens da Marvel para a Bloch Editores[7] e, novamente, recorreu à criação de um herói próprio. Dessa vez, Hélio do Soveral e José Menezes criaram o personagem Kung Fu, inspirado nas feições do ator David Carradine.[8]
O nome Judoka também foi reutilizado no título O Judoka Apresenta, publicado em formato formatinho, reunindo histórias originalmente lançadas nas revistas Richard Dragon, Kung Fu Fighter! e Karate Kid, da DC Comics.
Décadas mais tarde, em junho de 2018, foi lançado um projeto de financiamento coletivo na plataforma Catarse com o objetivo de publicar um álbum reunindo as cinco histórias produzidas por Floriano Hermeto de Almeida Filho. O projeto incluía ainda uma entrevista com o autor, um panorama histórico e cultural da época e quinze páginas inéditas.[9] Em outubro do mesmo ano, foi anunciado que a AVEC Editora publicaria o livro.[10] Em 2023, a Ucha Editorial lançou uma edição encadernada com histórias desenhadas por Eduardo Baron, além de republicar o material anteriormente dedicado a Floriano Hermeto de Almeida Filho.[11]
O Judoka (herói brasileiro)
A origem do Judoka apresenta semelhanças com a do Judomaster, personagem da Charlton Comics. Nas histórias brasileiras, o protagonista é Carlos da Silva, um jovem que trabalha durante o dia no ateliê de arquitetura de seu tio[12] e estuda à noite, enquanto sonha em ingressar na faculdade de arquitetura. Sua vida muda radicalmente quando ele salva um senhor de ser atropelado por um caminhão e descobre que se trata de Minamoto, um shihan, ou mestre de judô. Em agradecimento pelo ato heroico, Minamoto decide transmitir a Carlos seus conhecimentos em artes marciais, ensinando-lhe as técnicas do judô e moldando seu caráter. A partir desse treinamento, Carlos assume a identidade de Judoka, passando a atuar na defesa da justiça e dos mais fracos. Com o tempo, sua namorada Lúcia também inicia o treinamento em judô e passa a lutar ao seu lado, desempenhando um papel semelhante ao de uma parceira de aventuras.[13][14]
Em maio de 1970, o Judoka e Lúcia apareceram na edição especial da revista Epopéia, intitulada Chamada Geral, publicada em comemoração aos 25 anos da Editora EBAL. A história apresentou um amplo crossover reunindo diversos personagens publicados pela editora desde sua fundação, em uma celebração de seu catálogo editorial. Essa edição marcou a única ocasião em que o desenhista Eugênio Colonnese ilustrou o Judoka e Lúcia..[15][1][16]
Outra curiosidade relevante ocorreu na história Irma La Dolce, publicada em O Judoka número 27, em junho de 1971. Nessa narrativa, o artista Floriano Hermeto de Almeida Filho demonstrou forte influência do quadrinista norte-americano Jim Steranko, conhecido por seu trabalho inovador em histórias de Nick Fury para a Marvel Comics. A homenagem foi explícita, chegando a incluir o próprio personagem Nick Fury na trama.[17][18]
Adaptação
Cinema
Em 1973, foi lançado um filme baseado no personagem dos quadrinhos O Judoka, distribuído pela Ipanema Filmes e dirigido por Marcelo Ramos Motta, com Pedro Aguinaga e Elizângela e Elizângela nos papéis principais. Produzido em um período marcado pela popularização das artes marciais no cinema mundial, o longa-metragem surgiu em meio à chamada febre dos filmes de kung fu, impulsionada pelo sucesso internacional das produções estreladas por Bruce Lee e pela difusão das artes marciais no Brasil durante o início da década de 1970. Nesse contexto, o filme é frequentemente apontado como um dos primeiros longas-metragens brasileiros a abordar de forma direta as artes marciais como elemento central de sua narrativa.
Após sua exibição inicial, o filme teve circulação limitada e acabou desaparecendo do circuito comercial, sendo considerado durante décadas um filme perdido. Em 2017, fragmentos do longa-metragem foram exibidos pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.[19]
Em 2022, um novo avanço ocorreu com a descoberta e restauração de um trailer do filme por Fábio Vellozo, ligado à Cinemateca do MAM.[20] O material restaurado foi divulgado publicamente, permitindo um vislumbre mais amplo da obra e reacendendo o interesse de pesquisadores, historiadores e fãs dos quadrinhos e do cinema brasileiro. Em janeiro de 2026, novas informações indicaram a existência de indícios de que uma cópia completa do filme possa estar preservada no acervo da Cinemateca Brasileira, em São Paulo.[21]
O Judoka
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| 1973 • cor • 93 minutos[22] min | |
| Gênero | ação, artes marciais |
| Direção | Marcelo Ramos Motta[22] |
| Produção | Walter Schilke[22] |
| Roteiro | Marcelo Ramos Motta; João Renato Correia, Marina Saraiva e Danilo Marcondes de Souza Filho (diálogos)[22] |
| História | Pedro Anísio |
| Baseado em | revista em quadrinhos O Judoka, publicada pela EBAL |
| Elenco | Pedro Aguinaga Elizângela Eiichi Iwata Walter Schilke Fernando José Marcus Alvisi Margaret Bittar Geraldo Gonzaga Yara Vitoria Ivan de Almeida Antonio Carlos Pereira CelsoMurce Jackson Uchoa Jose Carnicer João Renato Correia Banzo Guarilha Arthur Castilho[22] |
| Companhia produtora | Ipanema Filmes |
| Distribuição | Ipanema Filmes e Embrafilme |
| Lançamento | 2 de Dezembro de 1973 |
Sinopse
Carlos salva o mestre japonês Minamoto que resolve lhe ensinar técnicas de judô e torna-se o herói Judoka.
- Elenco
- Pedro Aguinaga como Carlos/O Judoka
- Elizângela como Lúcia
- Eiichi Iwata como Mestre Minamoto
- Walter Schilke como Professor
- Fernando José como Marcos Antunes
- Marcus Alvisi como Ricardão
- Margaret Bittar como Sininho
- Maria Pompeu como Tia Lilú
- Carlos Aquino como Beltrão
Referências
- ↑ a b c Ota; Ucha, Francisco (janeiro de 2011). «Cronologia dos Quadrinhos - Parte 2». Associação Brasileira de Imprensa. Jornal da ABI (362)
- ↑ Felipe Eduardo Ferreira Marta (2008). «Artes marciais e ditadura brasileira: as histórias se cruzam? Incursões pelas páginas de O Judoka». Universidade Nove de julho
- ↑ Toni Rodrigues (31 de março de 2005). «Ebal 60 anos: uma celebração». Universo HQ. Consultado em 18 de março de 2010
- ↑ Jotapê Martins (14 de agosto de 2000). «Miracleman, o plágio que deu certo». site Omelete. Consultado em 9 de agosto de 2009. Arquivado do original em 31 de janeiro de 2010
- ↑ Santos, Gilberto M. M. (1 de dezembro de 2005). «KUNG FU # 1». UNIVERSO HQ. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Toni Rodrigues (2007). «Kung Fu #2 (Ebal)». Universo HQ
- ↑ «Artista faz palestra sobre a História dos Quadrinhos na Casa de Cláudio de Souza». Museu Imperial. 10 de Junho de 2013
- ↑ de Rosa, Franco (2019). Prado, Joe; Freitas da Costa, Ivan, eds. Grande Almanaque dos Super-Heróis Brasileiros. Brazil: Chiaroscuro Studios. p. 134
- ↑ Naranjo, Marcelo (14 de junho de 2018). «Livro em campanha no Catarse traz de volta o Judoka». UNIVERSO HQ. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ Avec Editora publicará antologia que resgata histórias de O Judoka
- ↑ Naranjo, Marcelo (22 de março de 2023). «Álbum resgata histórias em quadrinhos do Judoka». UNIVERSO HQ. Consultado em 19 de agosto de 2024
- ↑ Marta, Felipe Eduardo Ferreira. «Artes marciais e ditadura brasileira: as histórias se cruzam? Incursões pelas páginas de O Judoka». UNINOVE. Dialogia. ISSN 1677-1303. Consultado em 27 de novembro de 2021
- ↑ Cláudio Roberto Basílio (30 de novembro de 2006). «As Artes Marcias nas HQs - Parte 4». HQManiacs
- ↑ Roberto Guedes (30 de julho de 2005). «Judoka: Do Gibi para o Cinema». site Bigorna.net. Consultado em 18 de março de 2010
- ↑ Pedro Anísio e Eugênio Colonnese (1970). EBAL. Chamada Geral - Epopéia
- ↑ Gilberto M. M. Santos. «Chamada Geral -Epopéia». Universo HQ
- ↑ Chico, Paulo; Ucha, Francisco (janeiro de 2011). «O golpe certeiro de um mestre do desenho». Associação Brasileira de Imprensa. jornal da ABI (362)
- ↑ «Irma La Dolce». EBAL. O Judoka (27)
- ↑ «Setembro 2017». mamrio.org.br. Consultado em 30 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 7 de setembro de 2017
- ↑ Fábio Vellozo; Araújo, Luciana Corrêa de; Freire, Rafael de Luna (2024). «A mágica do cinema — O resgate de trailer de O Judoka (Marcelo Ramos Motta, 1973), primeiro longa-metragem brasileiro baseado em histórias em quadrinhos». Cinema sob medida: diversidade de formatos, circuitos e consumo no Brasil. [S.l.]: PPGCINE/UFF. pp. 135–149
- ↑ Vítor, Antunes. «"O Judoka": Filme brasileiro pioneiro do gênero de super-heróis tido como perdido é localizado em São Paulo. Entenda». Heloisa Tolipan (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e «O Judoka». Cinemateca Brasileira
- Web
- Roberto Guedes. (30/07/2005) «Judoka: Do Gibi para o Cinema». Bigorna.net
