O Elevador da Glória
| O Elevador da Glória | ||||
|---|---|---|---|---|
| Álbum de estúdio de Rádio Macau | ||||
| Lançamento | novembro de 1987[1] | |||
| Gravação | Setembro de 1987[1] | |||
| Estúdio(s) | Estúdios Paço D'Arcos[1] | |||
| Género(s) | Rock; Rock alternativo; Pós-punk; New wave | |||
| Duração | 40:44 | |||
| Idioma(s) | Português | |||
| Formato(s) | CD, vinil | |||
| Editora(s) | EMI-Valentim de Carvalho | |||
| Produção | Flak e Amândio Bastos[1] | |||
| Cronologia de Rádio Macau | ||||
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O Elevador da Glória é o terceiro álbum de estúdio da banda portuguesa Rádio Macau, lançado em Novembro de 1987 pela EMI-Valentim de Carvalho.[1] Representa o apogeu comercial e artístico do grupo, tendo-se tornado o álbum mais vendido da sua carreira e levado a banda ao topo das tabelas portuguesas.[2] O trabalho ficou marcado pelo êxito do single "O Anzol", que alcançou a 9ª posição nas tabelas radiofónicas nacionais[3] e se tornou uma das canções mais reconhecíveis da música portuguesa dos anos 80.[4]
O título do álbum referencia o Elevador da Glória, o funicular lisboeta que liga a Baixa ao Bairro Alto, transformando-o numa metáfora poética sobre ascensão social e artística que se tornou icónica da música portuguesa dos anos 80.
Contexto e produção
Após a complexidade conceptual do álbum anterior Spleen (1986), os Rádio Macau optaram deliberadamente por uma abordagem mais directa e acessível. Segundo declarações de Flak, a banda "quis fazer um disco mais simples", privilegiando o regresso das guitarras ao primeiro plano e abandonando as experimentações com sintetizadores mais elaboradas.[2]
O álbum foi gravado nos prestigiados Estúdios de Paço d'Arcos durante o mês de Setembro de 1987, com produção de Flak e Amândio Bastos.[1] A formação contou com uma alteração significativa: Alberto Garcia substituiu Emanuel Ramalho na bateria, trazendo uma abordagem rítmica diferente que se adequava ao novo direccionamento musical da banda.[3] O processo de masterização foi concluído a 30 de Outubro de 1987.[1]
Faixas
- "O Elevador da Glória" (Flak, Pedro Malaquias) - 4:38
- "Cidade Fantasma" (Flak, Pedro Malaquias) - 4:12
- "O Holandês Voador" (Flak, Pedro Malaquias) - 3:06
- "O Homem a Quem Chamaram Cavalo" (Flak, Pedro Malaquias) - 2:36
- "Aos Meus Amores" (Flak, Pedro Malaquias) - 5:17
- "O Anzol" (Flak, Pedro Malaquias) - 3:11
- "A Luz Azul" (Flak, Pedro Malaquias) - 4:38
- "Os Kiromantes" (Flak, Pedro Malaquias) - 4:39
- "O Corsário" (Flak, Pedro Malaquias) - 4:27
- "Santa Guernica" (Flak) [instrumental] - 3:56
Recepção crítica e comercial
O Elevador da Glória obteve uma recepção excepcionalmente positiva tanto da crítica especializada quanto do público. A imprensa musical portuguesa deu amplo destaque ao trabalho, consolidando os Rádio Macau como protagonistas da cena musical nacional.[5]
Comercialmente, o álbum levou a banda ao topo das tabelas portuguesas e tornou-se o mais vendido da sua discografia.[2] O single "O Anzol" manteve-se em rotação radiofónica durante décadas, permanecendo como uma das canções mais reconhecíveis da música portuguesa.[4] Em 1987, ano do lançamento, a banda realizou cerca de 60 concertos, demonstrando a intensa procura do público.[3]
Controvérsia de plágio
Uma das histórias mais conhecidas associadas ao álbum relaciona-se com as alegadas semelhanças entre "O Anzol" e "Just Like Heaven" dos The Cure.[6] Ambas as canções foram lançadas praticamente em simultâneo - "Just Like Heaven" a 5 de Outubro de 1987 e O Elevador da Glória em Novembro do mesmo ano.[6]
As semelhanças musicais são evidentes, particularmente nas introduções e na progressão de acordes de ambas as composições.[6] Flak defendeu-se das acusações, alegando que "O Anzol" foi gravada e masterizada antes do lançamento da canção dos The Cure. Numa entrevista ao Diário de Notícias, afirmou ter "factos que provam que não se tratou de plágio".[6]
Apesar da polémica nunca ter resultado em consequências legais, permanece como um dos casos mais documentados de alegado plágio na música portuguesa dos anos 80.[6] A controvérsia, longe de prejudicar o sucesso da canção, contribuiu para a sua notoriedade duradoura.[4]
Temáticas e letras
As letras do álbum, maioritariamente da autoria de Pedro Malaquias, revelam uma sofisticação literária notável.[7] A temática central gira em torno da experiência urbana lisboeta, transformando elementos quotidianos da cidade numa linguagem poética de grande eficácia comunicativa.[5]
A faixa-título exemplifica esta abordagem: o Ascensor da Glória torna-se metáfora da ascensão social e artística, com o percurso entre a Baixa e o Bairro Alto simbolizando a transformação entre anonimato e estrelato.[3] "Cidade Fantasma" constrói uma atmosfera onírica de suspensão temporal, enquanto "O Anzol" desenvolve uma meta-reflexão sobre originalidade e criação artística.[8]
Ficha técnica
Rádio Macau
- Xana - voz e guitarra
- Flak - guitarras e produção
- Alex - baixo
- Alberto Garcia - bateria
- Filipe Valentim - teclados
Produção
- Produtores: Flak e Amândio Bastos
- Engenheiro de som: Amândio Bastos
- Gravado: Estúdios de Paço d'Arcos, Setembro de 1987
- Editora: EMI-Valentim de Carvalho
Arte
- Arranjo gráfico: Álvaro Rosendo
- Fotografia: Álvaro Rosendo
Legado
O Elevador da Glória permanece como uma obra de referência da música portuguesa, frequentemente citado entre os álbuns essenciais dos anos 80 nacionais.[8] O seu impacto transcendeu o âmbito puramente musical, com a expressão "elevador da glória" a integrar o vocabulário cultural português como metáfora para ascensão e reconhecimento.[4]
A obra consolidou os Rádio Macau como pioneiros na fusão entre as linguagens do rock alternativo internacional e a sensibilidade cultural portuguesa, estabelecendo um modelo que influenciaria dezenas de bandas posteriores.[9]
Catálogos
- EMI-Valentim de Carvalho - LP EMC 1621
Referências
- ↑ a b c d e f g «Rádio Macau - O Elevador Da Glória». Discogs. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b c «O início dos Rádio Macau: "Tudo o que aconteceu não é normal. Com que dinheiro? Não importa. Ainda hoje não sabemos"». Observador. Consultado em 4 de Setembro de 2025
- ↑ a b c d «Rádio Macau». Sinfonias de Aço. Consultado em 4 de Setembro de 2025
- ↑ a b c d «Rádio Macau». Infopédia. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b «Rádio Macau por João Carlos Callixto». RTP Memória. Consultado em 4 de Setembro de 2025
- ↑ a b c d e «Flak, "O Anzol" e as semelhanças com The Cure: "Tenho factos que provam que não se tratou de plágio"». Diário de Notícias. Consultado em 4 de Setembro de 2025
- ↑ «Rádio Macau, Grupo Radio Macau, banda, Xana, Rock Português». Música Portuguesa. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b «O Elevador da Glória by Rádio Macau». Rate Your Music. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ «Rádio Macau». Museu do Boom. Consultado em 4 de Setembro de 2025

