Nuno Vasconcellos
Nuno Rocha dos Santos de Almeida e Vasconcellos (Lisboa, 21 de Novembro de 1964) é um empresário luso-brasileiro com uma carreira voltada para a área de telecomunicações, mídia, tecnologia e negócios imobiliários tanto em Portugal como no Brasil. É presidente do portal de notícias IG e mantém no jornal O Dia, do qual é diretor, a coluna dominical Um Olhar Sobre o Rio — com temas relacionados com a vida e a política na cidade e no estado do Rio de Janeiro.
Formação
Nasceu em Lisboa, onde viveu até aos 11 anos. Nesta época, foi para a Bélgica, onde cursou o secundário em um colégio interno. Depois frequentou um colégio militar[1] nos Estados Unidos, no Estado da Georgia.
Carreira
Projeção no mercado
Aos 41 anos, depois de quase 20 anos trabalhando em multinacionais, Nuno pediu um investimento à sua família para criar a Ongoing Strategy Investments. O grupo teve um crescimento rápido e se beneficiou da venda de vários ativos, como a área de cabo da Portugal Telecom e a venda da Vivo, a maior empresa de celular do Brasil. Em 2007, a Ongoing apresentou resultados líquidos de 375 milhões de euros e entrou no top 10 de empresas portuguesas. O sucesso projetou Nuno como figura pública. Naquele mesmo ano, a família Rocha dos Santos já era apontada como a 21ª mais rica do país.
Nuno Vasconcellos travou com seu padrinho Francisco Pinto Balsemão uma batalha pelo controle do grupo Impresa, que na época era o maior conglomerado privado de mídia de Portugal. O estremecimento começou quando Nuno propôs um aumento de capital com o objetivo de reduzir dívida e capitalizar a Impresa. Balsemão[2] reprovou o atrevimento do afilhado de querer ampliar a sua participação acionária na empresa e rompeu relações. Vasconcellos vendeu, então, sua participação na Impresa, mas tentou adquirir 35% das ações da Media Capital, outro importante grupo de mídia em Portugal. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) interveio e não permitiu, alegando que o negócio constituiria um "excesso de concentração".
O grupo Ongoing era multisetorial, mas estava focado em áreas de Telecomunicações, Mídia e Tecnologia. Quando integrava o conselho de administração da Portugal Telecom (Pharol), Nuno possuía o controle da companhia em conjunto com o Banco Espírito Santo, cada um com 10% das ações. Em 2003, a Portugal Telecom era sócia majoritária da Vivo com 50% das ações, participação que foi liquidada em 2010 com a venda de todos os ativos para a Telefônica. Dois anos antes, em 2001, a empresa já havia investido no UOL, na época um dos maiores provedores de internet do Brasil. Inicialmente a participação era de 50%, mas após o IPO, em 2005, o percentual caiu para 30%. No final de 2010, todos os ativos foram vendidos para o empresário João Alves de Queiroz filho. No setor dos meios de comunicação, detinha ainda o jornal Diário Económico e o canal de televisão Etv [3], líder do mercado de informação econômica em Portugal, e uma posição de quase 30% no Grupo Impresa.
Nuno Vasconcellos, então presidente da Ongoing, se juntou a Ricardo Salgado[4], ex-líder do Grupo Espírito Santo (GES), para travar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Sonaecom sobre a Portugal Telecom, em 2007. Com pouco mais de 2% das ações e ajuda de alguns private equities ingleses, usou a sua posição no grupo para votar contra a OPA da Sonae sobre a PT.[5] O empresário articulou uma engenhosa ação com a criação de uma associação de pequenos acionistas minoritários da PT, com 1% de capital (cedido por Nuno), e convenceu a opinião pública que a OPA seria desfavorável à Portugal Telecom. A associação era composta também por políticos de diferentes linhas ideológicas, o que lhe trouxe maior credibilidade. A artimanha custou caro a Nuno, que passou a ser alvo frequente do jornal Público, controlado pela Sonae.
A projeção fez com que integrasse a Clinton Global Initiative, movimento criado em 2005 pelo ex-presidente dos EUA Bill Clinton, com o objetivo de estabelecer uma comunidade de líderes globais para encontrar soluções inovadoras para os desafios mais prementes no mundo. Foi o único empresário português a participar no encontro anual de 2010, em Nova Iorque.[6]
Integra a Maçonaria como membro da Loja Mozart, n.º 49, da Grande Loja Legal de Portugal, na qual foi Venerável Mestre.[7][8].
Reviravolta nos negócios
Ao mesmo tempo que o seu grupo ganhava importância também acumulou resistências, polêmicas e inimigos. O Ongoing entrou em quase todas as guerras empresariais ao longo de sua trajetória.
A falência em Portugal do Grupo Ongoing ocorreu em 2016 pela inesperada derrocada do Banco Espírito Santo. Uma das empresas controladoras do banco acaba devendo a Portugal Telecom 950 milhões de euros, sem conhecimento das outras partes envolvidas. O montante não foi pago e derrubou a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo[9], levando todo o mercado financeiro português quase ao ponto de ruptura, arrastando empresas familiares à falência.
Referências
- ↑ https://www.sabado.pt/vida/amp/especial-sabado-12-anos---entrevista-de-vida-a-nuno-vasconcellos-estou-habituado-a-trabalhar-com-espioes-reformados
- ↑ https://books.google.com.br/books/about/Francisco_Pinto_Balsem%C3%A3o.html?hl=pt-BR&id=9F86DwAAQBAJ&redir_esc=y
- ↑ «media: nuno vasconcellos diz que economico tv é já uma marca global». Consultado em 19 de Março de 2013[ligação inativa]
- ↑ https://books.google.com/books/about/O_%C3%9Altimo_Banqueiro.html?hl=pt-BR&id=8vEtBAAAQBAJ
- ↑ https://books.google.com/books/about/A_Implos%C3%A3o_da_PT.html?hl=pt-BR&id=-ifhCgAAQBAJ
- ↑ «Crise: «Quem tem mais, tem de dar mais»». Consultado em 28 de fevereiro de 2017
- ↑ «A SÁBADO mostra os segredos da Maçonaria». 12 de janeiro de 2012. Consultado em 12 de janeiro de 2012. Arquivado do original em 1 de janeiro de 2012
- ↑ Como a maçonaria tomou conta do poder, Expresso, 17 de Janeiro de 2013, de o livros Segredos da Maçonaria Portuguesa, por António José Vilela
- ↑ https://books.google.com.br/books/about/Neg%C3%B3cios_da_China.html?hl=pt-BR&id=QTd0DQAAQBAJ&redir_esc=y
Ligações externas
- «Entrevista com ionline.pt: Nuno Vasconcellos: "Se Balsemão quiser, vendo-lhe as acções"». recuperado 10 de Agosto de 2009