Nova Oeiras

Nova Oeiras
bairro, conjunto de edifícios, conjunto habitacional
PaísPortugal Editar
Localizado na unidade administrativaOeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias Editar
ArquitetoLuís Cristino da Silva, Pedro Falcão e Cunha Editar
Estilo arquitetónicoarquitetura modernista, Carta de Atenas Editar
Arquiteto paisagistaGonçalo Ribeiro Telles, Edgar Sampaio Fontes Editar

Nova Oeiras é um bairro residencial modernista no concelho de Oeiras (distrito de Lisboa), considerado um dos conjuntos mais emblemáticos do urbanismo do século XX em Portugal.[1]

Iniciado na década de 1950, o projeto visa combinar espaços verdes amplos com habitação multifamiliar e unifamiliar. Em 1939 o empresário Arthur Brandão adquiriu as antigas quintas do Marquês de Pombal na zona (Quinta de Cima e Quinta de Baixo), e em 1940 foi criada a Sociedade Nova Oeiras, Lda. para promover o loteamento dos terrenos agrícolas. O plano urbanístico foi elaborado a partir de 1953 e aprovado oficialmente em 1954, sendo desenvolvido ao longo de duas décadas. Entre 1953 e 1974 o projeto foi conduzido pelo arquiteto Luís Cristino da Silva, com o jovem colega Pedro Falcão e Cunha na arquitetura e por Gonçalo Ribeiro Telles na paisagística.[2] O núcleo inicial, incluindo o centro comercial, as primeiras torres e blocos residenciais, ficou concluído em 1961. Em 1962 o plano sofreu revisão para incluir uma mega-torre de 20 pisos (não executada) e ajustes no traçado viário. A partir daí foram instaladas infraestruturas complementares, como o clube de ténis CETO (Clube Escola de Ténis de Oeiras), a igreja de Santo António e o atual Centro de Juventude, mantendo-se os princípios modernistas originais.

Planeamento urbanístico

O planeamento de Nova Oeiras seguiu os preceitos do urbanismo moderno e da Carta de Atenas, conjugando-os com o ideal da cidade-jardim e da unidade de vizinhança . O conjunto foi concebido para baixa densidade: ao redor de um vasto parque central de cerca de 13 hectares distribuem-se as edificações principais. Seis torres residenciais de dez pisos, implantadas em planta triangular, ocupam o coração do projeto, junto a três blocos de três andares levantados sobre pilotis. No centro situa-se um núcleo cívico-comercial (hoje Átrio Comercial) com lojas ao nível térreo e habitação acima. Fora desse miolo definidor há cerca de 250 moradias unifamiliares com logradouro, distribuídas em arruamentos mais ajardinados na periferia. As vias internas favorecem a circulação pedonal e priorizam o convívio comunitário. Este arranjo procura uma gradação entre a escala de “cidade-jardim” das moradias do entorno e a grande escala das torres centrais , articulando-as numa malha integrada de espaços verdes e vias de lazer.

Arquitetura e características modernistas

No centro de Nova Oeiras erguem-se as torres residenciais de dez pisos, projetadas por Luís Cristino da Silva e Pedro Falcão e Cunha. A arquitetura dessas edificações é puramente modernista: formas geométricas simples, fachadas lisas e amplas janelas enfatizam o funcionalismo. Em contraste, várias moradias unifamiliares apresentam elementos do estilo “Português Suave” (telhados inclinados, molduras tradicionais), enquanto outras seguem linha contemporânea mais minimalista. O recurso aos pilotis (pilares que erguem o corpo do edifício acima do solo) e a integração harmoniosa com o entorno ajardinado são evidências claras da influência de Le Corbusier e da Carta de Atenas. No geral, a composição arquitetónica de Nova Oeiras alterna tipologias mais tradicionais (nas moradias) com tipologias modernistas (nos blocos e torres), refletindo o período de construção prolongado de 1955 até início dos anos 1970.

Património e classificação como conjunto de interesse público

Devido ao seu valor arquitetónico e urbanístico, Nova Oeiras é reconhecida em inventários de património moderno. Em 2017 o conjunto foi incorporado no registro do DOCOMOMO Ibérico como obra exemplar de Luís Cristino da Silva e Pedro Falcão e Cunha.[3] Os moradores locais consideram o bairro um “oásis” a preservar para as gerações futuras, defendendo a sua classificação oficial.[4] Embora ainda não exista um decreto de proteção específico, discute-se o interesse em reconhecer Nova Oeiras como Conjunto de Interesse Público, dada a sua importância histórica e arquitetónica. A integração em roteiros culturais e a atenção de entidades patrimoniais refletem o reconhecimento de que o bairro é um património arquitetónico relevante.

Referências

  1. «História». Associação de Moradores Nova Oeiras. Consultado em 20 de julho de 2025 
  2. «NOVA OEIRAS – O PLANO DO BAIRRO RESIDENCIAL». Estudo Prévio. Consultado em 20 de julho de 2025 
  3. Montse (7 de setembro de 2017). «INCORPORACIÓN DE OBRAS a los Registros DOCOMOMO Ibérico». Fundación Docomomo Ibérico (em inglês). Consultado em 26 de julho de 2025 
  4. «História». Associação de Moradores Nova Oeiras. Consultado em 26 de julho de 2025 

Ligações externas