Noudar
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Noudar foi uma vila e sede de um antigo concelho português, extinto em 1825. Encontra-se hoje despovoada, correspondendo o antigo concelho ao atual município de Barrancos,[1] com o seu termo a corresponder ao norte do atual concelho.
A antiga vila situava-se no interior do Castelo de Noudar, mandado edificar pelo rei Dom Dinis e concluído em 1308.
Origem e natureza
Não se sabe ao certo qual a origem do nome Noudar, mas pensa-se que poderá vir do árabe nadara ou nadare, que significam avistar ou olhar. Tal pode sugerir uma uma ligação com a função de vigilância do território.[2]
Apesar de se denominar como vila, muita da documentação da época fazem crer que Noudar nunca o foi, na aceção de espaço urbano, sendo sempre referido como "vila do Castelo de Noudar" ou apenas como "Castelo de Noudar", pelo facto da população da localidade habitar dentro do referido castelo.[3] Tal aponta para a função exclusivamente militar da região e que sempre dificultou a fixação de população civil no território.[3] Aliás, tal dificuldade influenciou na denominação do orago, que a partir do século XVIII se passa a chamar Nossa Senhora do Desterro.[3]
História
| Fundação do concelho | 1295 |
| Extinção do concelho | 1825 |
| Sede(s) do concelho | Noudar |
| Freguesias do concelho | Nossa Senhora do Desterro |
| Antigos Concelhos de Portugal | |
Situada num monte elevado, circundado pela Ribeira de Murtega e pelo Rio Ardila, foi mandada povoar pelo rei Dom Dinis em 1295.[4] Nesse mesmo ano, foi concedida a carta de foral, com os seus domínios a serem doados à Ordem de Avis, em 1303.[5]
Em abril de 1491, o rei Dom João II ordenou que fossem demarcados os termos da vila de Noudar com a vila de Moura, trabalho que viria a ser executado por João Jorge. No ano seguinte, enviou a Castela Vasco Fernandes como seu procurador para com os representantes daquele reino definir os termos de Noudar com os de Anzina Sola, hoje conhecida como Encinasola.[6] Já o termo de Noudar dividia-se, internamente, em duas partes: o território entre o Rio Ardila e a Ribeira de Murtega; e o território entre a Ribeira de Murtega e o limite criado pelo ribeiro de Gamos e a ribeira do Murtigão após a confluência do dito ribeiro, e onde se situava a aldeia de Barrancos.[3]
Em 1513, foi concedida uma nova carta de foral, desta vez, pelo rei Dom Manuel I, em que reconfirmava as honras e privilégios da carta concedida em 1295.[7]
Foram comendadores de Noudar os Condes de Linhares, até 1610, tendo sido sucedidos pelos Duques de Cadaval daí em diante.[4][8]
Em 1708, possuía cerca de 400 habitantes, com o termo de Noudar a contar apenas com 50.[3] Nessa altura, constituía uma paróquia invocando Nossa Senhora do Desterro, tendo como prelado o prior da Ordem de Avis. Dispunha de uma Santa Casa da Misericórdia, com hospital, assim como de três ermidas. Nessa época, nas suas imediações, eram cultivados trigo, cevada e centeio e era criado gado.[4]
A praça militar foi extinta em 1805, com a sede do concelho transferida para Barrancos em 1825. No entanto, já desde o final do século XVI que o município se denominava como "conselho da dita Villa de Noudar e lugar de Barrancos", com os oficiais da vila a habitarem em Barrancos desde 1532. Para além disso, Noudar não dispunha de câmara municipal.[3]
Em 1896, Noudar já tinha apenas 11 habitantes e 5 habitações, encontrando-se completamente desabitada em 1919. [9]
Património
- Castelo de Noudar
- Igreja de Nossa Senhora do Desterro
- Parque de Natureza de Noudar
Referências
- ↑ «Cópia arquivada». Consultado em 17 de dezembro de 2012. Arquivado do original em 18 de abril de 2012
- ↑ «Parque Natureza de Noudar: natureza, produção e ecoturismo». Florestas. Consultado em 27 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e f Ramos, João. «Fronteira e Relações de Poder. Noudar e Barrancos no Antigo Regime» (PDF). Consultado em 28 de setembro de 2025
- ↑ a b c Corographia portugueza e descripçam topographica do famoso Reyno de Portugal, Tomo II, Padre António Carvalho da Costa, 1708
- ↑ Silva, André Lourenço e; Cordeiro, João. «Castelo de Noudar: A reconstrução da torre sudoeste» (PDF). Boas Práticas. 51: 18-19. Consultado em 28 de setembro de 2025
- ↑ Quadro elementar das relações políticas e diplomáticas de Portugal com as diversas potências do mundo, desde o princípio da monarquia portuguesa até aos nossos dias, Visconde de Santarém, Tomo primeiro, J. P. Aillaud, 1842
- ↑ «Foral». Câmara Municipal de Barrancos. Consultado em 28 de setembro de 2025
- ↑ Boletim architectonico e d'archeologia, volumes 4-11, 1907
- ↑ O terremoto do 1º de Novembro de 1755 em Portugal e um estudo demográfico, Francisco Luiz Pereira de Sousa, 1919