Nicolas Tiangaye
Nicolas Tiangaye | |
|---|---|
![]() Nicolas Tiangaye em 2013 | |
| Primeiro-ministro da República Centro-Africana | |
| Período | 17 de janeiro de 2013 – 10 de janeiro de 2014 |
| Presidente | François Bozizé Michel Djotodia (interino desde 18 de agosto de 2013) |
| Antecessor(a) | Faustin-Archange Touadéra |
| Sucessor(a) | André Nzapayeké |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 13 de setembro de 1956 (69 anos) Bocaranga, Ubangui-Chari, República Centro-Africana |
| Partido | Político sem partido |
Nicolas Tiangaye (Bocaranga, 13 de setembro de 1956) é um político e advogado centro-africano que foi primeiro-ministro da República Centro-Africana de 17 de janeiro de 2013 até sua renúncia em 10 de janeiro de 2014. Ele foi presidente do Conselho Nacional de Transição de 2003 a 2005.
Após um acordo de paz entre o governo e os rebeldes, Tiangaye foi indicado pela oposição e pelos rebeldes como seu candidato ao cargo de primeiro-ministro em janeiro de 2013. Ele renunciou (juntamente com o presidente Michel Djotodia) em 10 de janeiro de 2014.
Biografia
Tiangaye nasceu em Bocaranga em 1956 e tornou-se advogado. Em 1986, Tiangaye foi um dos três advogados centro-africanos selecionados pelo ex-presidente Jean-Bedél Bokassa para defendê-lo em seu julgamento. Ele também foi advogado de defesa de François Bozizé em 1989, quando Bozizé foi acusado planejar a destituição do governo.[1] Bozizé foi absolvido. Anos depois, quando Tiangaye e Bozizé se tornaram oponentes políticos, Tiangaye disse sobre o caso que "estava cumprindo seu dever como advogado" e que não se arrependia de ter defendido Bozizé.[1]
Ele foi presidente da Liga Centro-Africana de Direitos Humanos (LCDH) desde a sua fundação em 1991 até 2004 e se tornou advogado de defesa do político ruandês Jean-Paul Akayesu no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda em 1996, condenado por genocídio.[1] Tiangaye também atuou como advogado de defesa de Jean-Jacques Demafouth, ex-ministro da Defesa da República Centro-Africana, quando este foi julgado por supostamente planejar um golpe de Estado contra o presidente Ange-Félix Patassé em 2001; Demafouth foi absolvido em outubro de 2002. Durante a presidência de Patassé, Tiangaye chegou a receber a oferta do cargo de primeiro-ministro, que foi recusada.[1]
Em 14 de junho de 2003, ele foi então eleito Presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT). Nesse cargo, ele ajudou a redigir a constituição de 2004; segundo Tiangaye, Bozizé estava insatisfeito com o limite de dois mandatos presidenciais previsto na constituição e, consequentemente, descontente com Tiangaye.
Carreira política
O CNT permaneceu no poder por dois anos, durante o período de transição que antecedeu as eleições presidenciais e parlamentares de março – maio de 2005. Tiangaye candidatou-se ao parlamento, mas após o segundo turno das votações, em 2005, a comissão eleitoral anunciou que Tiangaye havia sido derrotado por uma pequena margem em seu distrito eleitoral por um candidato do Kwa Na Kwa, pró-Bozizé, e tumultos irromperam entre os apoiadores de Tiangaye em Bangui. Tiangaye insistiu por um abrandamento "para evitar um banho de sangue". Mais tarde, ele frisou que a votação em seu distrito eleitoral foi fraudada por ordem de Bozizé. Outros, hostis a Tiangaye, argumentaram que ele não tinha popularidade digna e que seria mais adequado aos tribunais.
Em 2010, Tiangaye era porta-voz do Coletivo Forças da Mudança, composto por partidos da oposição e ex-rebeldes, numa altura em que o governo tentava organizar eleições presidenciais e parlamentares. O Coletivo queria que a votação fosse adiada para além da data definida pelo presidente Bozizé. Em declarações feitas a 9 de abril de 2010, Tiangaye afirmou que a oposição boicotaria as eleições caso não houvesse adiamento, argumentando que, se a votação se realizasse na data prevista, em maio de 2010, não seria credível devido às condições inadequadas. Mais tarde, nesse mesmo mês, a 29 de abril de 2010, Bozizé reconheceu a necessidade de adiar as eleições até que "todas as partes envolvidas nestas eleições, incluindo a comunidade internacional, estivessem preparadas".
Em dezembro de 2012, uma coligação de grupos rebeldes chamada Séléka lançou uma ofensiva contra o exército e rapidamente tomou o controle de uma grande parte do país, ameaçando a capital, e colocando o governo do Presidente Bozizé numa situação crítica. Nas negociações de paz realizadas em Libreville, em janeiro de 2013, Tiangaye chefiou a delegação da oposição política; o governo e os rebeldes também coordenaram delegações. Um acordo foi formalizado em 11 de janeiro de 2013, permitindo que Bozizé terminasse o seu mandato como presidente, mas também exigindo que aceitasse um primeiro-ministro escolhido pelos seus opositores;[2] Bozizé não teria permissão para destituir o novo primeiro-ministro do cargo.[3]
O presidente Bozizé nomeou Tiangaye como primeiro-ministro em uma cerimônia realizada na capital Bangui em 17 de janeiro de 2013. Tiangaye declarou que prometerá "trabalho árduo" pela frente, mas também prometeu "paz no horizonte"; ele disse que "o governo deve abordar urgentemente... a pacificação do país e a reestruturação do exército". Ele enfatizou a importância da cooperação e disse que não tinha "nenhum problema pessoal com o presidente". Por sua vez, Bozizé desejou boa sorte a Tiangaye.
De acordo com os termos do acordo de paz, uma nova eleição parlamentar deveria ser realizada após um ano, enquanto a próxima eleição presidencial seria realizada conforme originalmente programado em 2016; tanto Bozizé quanto Tiangaye seriam impedidos de concorrer como candidatos presidenciais naquela época.
As negociações relativas à composição do governo de unidade nacional seguiram-se à nomeação de Tiangaye. Finalmente, a composição do governo foi anunciada em 3 de fevereiro de 2013. As pastas ministeriais foram divididas entre os apoiadores de Bozizé, os rebeldes e a oposição política; notavelmente, o líder rebelde Michel Djotodia foi nomeado Primeiro Vice-Primeiro-Ministro da Defesa Nacional. O próprio Tiangaye ficou com o setor das Finanças.[4]
A violência sectária aumentou nos meses seguintes à tomada do poder pela Séléka e, no final de 2013, Djotodia enfrentou forte pressão de líderes regionais e da comunidade internacional devido à sua aparente incapacidade de controlar a situação. Nessa altura, a relação entre Tiangaye e Djotodia era caracterizada como "notoriamente má".[5] Sob pressão de líderes regionais que consideravam a situação insustentável, Tiangaye e Djotodia demitiram-se numa cimeira realizada em N'Djamena a 10 de janeiro de 2014.[6][5]
Referências
- ↑ a b c d "Nicolas Tiangaye: C.Africa PM and 'man of integrity'", Agence France-Presse, 27 de março de 2013.
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasOppo - ↑ Patrick Fort, "Tiangaye named Central African PM, says 'hard work' begins", Agence France-Presse, 17 de janeiro de 2013.
- ↑ Brian Titley, Dark Age: The Political Odyssey of Emperor Bokassa (1997), page 184.
- ↑ a b "CAR president Djotodia and PM Tiangaye resign", Radio France Internationale, 10 de janeiro de 2014.
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasSummit
