Niccolò Caracciolo Moschino

Niccolò Caracciolo Moschino
Cardeal da Santa Igreja Romana
Penitenciário-Mor da Penitenciária Apostólica
Atividade eclesiástica
Ordem Ordem dos Pregadores
Diocese Diocese de Roma
Predecessor Eleazario da Sabrano
Sucessor Francesco CarboneO. Cist.
Ordenação e nomeação
Cardinalato
Criação 18 de setembro de 1378
por Papa Urbano VI
Ordem Cardeal-presbítero
Título São Ciríaco
Dados pessoais
Nascimento Nápoles, Reino de Nápoles
Primeira metade do século XIV
Morte Roma, Estados Papais
29 de julho de 1389
Funções exercidas -Camerlengo do Colégio dos Cardeais (1378-1386)
-Administrador Apostólico de Messina (1380-1387)
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Niccolò Caracciolo Moschino, O.P. (s. XIV - 1389) foi um cardeal italiano do século XIV, um dos personagens do Grande Cisma do Ocidente, partidário do Papa Urbano VI.

Biografia

Niccolò Caracciolo Moschino nasceu na primeira metade do século XIV, em Nápoles, de família nobre e ilustre. Era parente do Cardeal Corrado Caraccioli (1405). Também consta como Caracciolo, Nicola Moschino (Misquinus, Moscinus). Seu segundo sobrenome também consta como Misquin. Era chamado de Cardeal de S. Ciriaco.[1]

Entrou para a Ordem dos Pregadores ainda muito jovem. Não se sabe quando foi ordenado. 1363, o capítulo geral de sua Ordem, reunido em Magdeburgo, nomeou-o leitor de teologia no convento de Florença. Mais tarde, lecionou teologia no convento de S. Domenico, em Nápoles. Inquisidor do reino da Sicília, onde manteve excelentes relações com a Rainha Joana I. Esta o enviou a Roma para felicitar o novo Papa Urbano VI por sua eleição ao pontificado.[1][2]

Em Roma, ele rapidamente se envolveu na acalorada atmosfera, onde já surgiam os primeiros desacordos e dúvidas sobre a validade da escolha do novo papa. Já em maio daquele ano, ele, como hóspede de Nicola Eymerich, inquisidor do Reino de Aragão, teria tido discussões com seu colega monge, cujas simpatias se inclinavam cada vez mais para o partido antiurbanista.[2]

Durante o verão de 1378, Caracciolo continuou seu trabalho como Grande Inquisidor do Reino, conseguindo mantê-lo solidamente leal a Urbano VI, embora a corte estivesse mudando de lado e a Rainha Joana se preparando para reconhecer Roberto de Genebra como papa. Em setembro, ele ainda estava em Gaeta, onde teve um último encontro com Eymerich, que se preparava para embarcar para seguir Clemente VII até a França. O Inquisidor de Aragão tentou atrair Caracciolo para a facção de Avignon, mas este permaneceu fiel a Urbano. Contudo, o Reino já não lhe era seguro; poucos dias após a visita de Eymerich, Caracciolo estava em Roma.[2]

Como recompensa por sua lealdade, foi criado cardeal-presbítero de S. Ciriaco alle Terme no consistório de 18 de setembro de 1378, o primeiro do novo papado, onde renovou o Colégio depois da debandada em favor de Clemente VII.[1][2] Logo o novo cardeal Caracciolo foi chamado para intervir nas disputas dentro de sua ordem, entre o Capítulo de Carcassonne, que tomou o lado do antipapa, e os frades ingleses, depostos por Carcassonne, decidindo a favor destes.[2] Camerlengo do Sacro Colégio dos Cardeais de 1378 a 1386, quando renunciou ao cargo. Nomeado grande penitenciário em agosto de 1379 ou em 3 de março de 1389.[1]

Ele também participou ativamente da política de Urbano VI, que visava substituir a cismática Joana no trono de Nápoles por Carlos de Durazzo. Em 1381, o Papa coroou o novo rei Carlos III em Roma, que havia prometido a Francesco Prignani, sobrinho do pontífice, a investidura de grande parte do Reino a ser conquistado. Ao entrar em Nápoles, Carlos III não cumpriu suas promessas e, assim, em outubro de 1382, o papa enviou uma embaixada para pedir ao seu antigo protegido que cumprisse sua palavra. A legação incluía, além de Caracciolo, Bartolomeo Mezzavacca e Ludovico Donato.[2]

Os três cardeais não tiveram sucesso; mas o papa viu no resultado negativo uma prova de infidelidade e destituiu Bartolomeo de seu título, enquanto Ludovico, preso, morreu alguns anos depois sem ter recuperado sua liberdade. O único a manter intacto o favor papal foi Caracciolo, que no ano seguinte foi enviado a Bolonha para reformar os estatutos da faculdade de teologia daquela universidade. Nos anos seguintes, ele também é creditado com embaixadas bem-sucedidas a Florença, que ele manteve sob obediência romana, a Veneza e Gênova, que ele induziu a fazer a paz, e finalmente a Perugia (1387).[2]

Cardeal Caracciolo foi administrador da sede metropolitana de Messina de 1380 a 1387. Autor de uma Suma sobre o sacramento da penitência e outras obras, todas não encontradas.[1]

Ele faleceu em 29 de julho de 1389, Roma, com odor de santidade. Sepultado na igreja dominicana de S. Maria sopra Minerva. É venerado como beato.[1][2]

Referências

  1. a b c d e f «The Cardinals of the Holy Roman Church - Biographical Dictionary - Consistory of September 18, 1378». cardinals.fiu.edu. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  2. a b c d e f g h «CARACCIOLO, Nicola Moschino - Enciclopedia». Treccani (em italiano). Consultado em 1 de outubro de 2025