Neocalanus plumchrus

Neocalanus plumchrus
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Copepoda
Ordem: Calanoida
Família: Calanidae [en]
Género: Neocalanus [en]
Espécie: N. plumchrus
Nome binomial
Neocalanus plumchrus
(Marukawa, 1921)
Sinónimos[1]
  • Calanus plumchrus Marukawa, 1921
  • Calanus tonsus plumchrus Fulton, 1968

Neocalanus plumchrus é uma espécie grande de copépode encontrada nos oceanos Pacífico e Ártico. Foi descrita em 1921 por H. Marukawa.[1] N. flemingeri era anteriormente considerada coespecífica, provavelmente como uma forma [en], até ser separada em 1988 por Charles B. Miller.

Taxonomia e etimologia

Neocalanus plumchrus foi originalmente descrita por Marukawa em 1921.[1] Posteriormente, em 1974, Janet Bradford e John Jillett transferiram a espécie do gênero Calanus [en] para seu posicionamento atual em Neocalanus [en]. A espécie N. flemingeri foi separada desta em 1988, sendo considerada por Charles B. Miller como tendo sido classificada como f. [en] typica.[2]

Descrição

Neocalanus plumchrus é considerado um copépode grande,[3] com fêmeas geralmente variando de cerca de 4 a 6,3 mm de comprimento. Os machos costumam medir entre aproximadamente 4,2 e 5 mm.[4] Os copépoditos do estágio V geralmente têm mais de 4,3 mm de comprimento.[5] As fêmeas de N. plumchrus, em contraste com as de N. flemingeri, apresentam o primeiro tagma urossomal convexo. A proporção entre o comprimento do cefalossoma e o do prossoma é geralmente superior a 0,44. O espermatóforo depositado nas fêmeas não apresenta espirais. Nos machos, a proporção entre o comprimento do cefalossoma e o do prossoma varia geralmente entre 0,55 e 0,56. A primeira antena estende-se além dos ramos caudais por vários segmentos. Nos copépoditos do estágio V, a coloração e a segunda seta caudal medial (ou cerda II) podem ser usadas para distinguir esta espécie de N. flemingeri. Em N. plumchrus, há coloração vermelho-alaranjada ao longo de ambas as primeiras antenas, listras verticais de cor ao longo dos lados do tórax e nos ramos caudais. A cerda II tem cerca de 0,28 mm de diâmetro a 0,5 mm de sua base e é mais de três vezes o comprimento do urossoma quando inteira.[2]

Distribuição

No Pacífico, N. plumchrus ocorre no mar do Japão, no norte do Pacífico e ao largo da Califórnia. Também é encontrada no oceano Ártico.[4]

Ecologia

Ciclo de vida e reprodução

O período reprodutivo de N. plumchrus é variável; no estreito da Geórgia, reproduz-se entre dezembro e abril,[6] enquanto na estação P [en] ocorre entre julho e fevereiro.[5] Em ambos os casos, a reprodução ocorre em profundidade, geralmente abaixo de cerca de 300 m no primeiro caso e abaixo de aproximadamente 250 m no segundo.[6] Provavelmente utiliza reservas lipídicas para a reprodução, em vez de alimento recém-consumido. Após a reprodução, os adultos morrem; primeiro os machos, depois as fêmeas.[7] Os estágios copépoditos I a V desenvolvem-se nas águas superficiais (os estágios II a IV são encontrados nos primeiros 250 m durante todo o ano em águas ao largo do Japão, por exemplo) no final do florescimento fitoplanctônico.[8] Os copépoditos do estágio V entram em diapausa em profundidades abaixo de 250 m[5] durante o final do verão.[3] Na estação P, o número de copépoditos em diapausa permanece aproximadamente constante até setembro, quando diminui devido à mortalidade e ao desenvolvimento em adultos.[6] Isso contrasta com o estreito da Geórgia, onde a diapausa ocorre de julho a janeiro, e a maturação acontece em janeiro e fevereiro.[5]

Alimentação

Neocalanus plumchrus é, no geral, onívoro, embora haja variações regionais. No estreito da Geórgia, por exemplo, este copépode é principalmente herbívoro, enquanto no oceano aberto a onivoria é mais prevalente; isso afeta a composição lipídica, com amostras oceânicas apresentando (provavelmente como adaptação a menores concentrações de alimento) mais gorduras monoinsaturadas com 20 ou 22 átomos de carbono.[9] É capaz de absorver glicose diretamente da água do mar por meio de glândulas dérmicas e do intestino médio, algo que se pensava ser impossível para artrópodes devido ao seu exoesqueleto rígido.[10]

Referências

  1. a b c T. C. Walter & G. Boxshall (2023). «Neocalanus plumchrus (Marukawa, 1921)». World Copepoda database. World Register of Marine Species 
  2. a b Miller, Charles B. (1988). «Neocalanus flemingeri, a new species of Calanidae (Copepoda: Calanoida) from the subarctic Pacific Ocean, with a comparative redescription of Neocalanus plumchrus (Marukawa) 1921». Progress in Oceanography. 20 (4): 223–273. doi:10.1016/0079-6611(88)90042-0 
  3. a b Batten, Sonia D.; Welch, David W.; Jonas, Tanya (2003). «Latitudinal differences in the duration of development of Neocalanus plumchrus copepodites». Fisheries Oceanography. 12 (3): 201–208. doi:10.1046/j.1365-2419.2003.00233.x 
  4. a b Razouls C.; de Bovée F.; Kouwenberg J.; Desreumaux N. (2018). «Diversity and Geographic Distribution of Marine Planktonic Copepods». Sorbonne Université, CNRS. Consultado em 15 de julho de 2018 
  5. a b c d Miller, Charles B.; Frost, Bruce W.; Batchelder, Harold P.; Clemons, Martha J.; Conway, Richard E. (1984). «Life histories of large, grazing copepods in a subarctic ocean gyre: Neocalanus plumchrus, Neocalanus cristatus, and Eucalanus bungii in the Northeast Pacific». Progress in Oceanography. 13 (2): 201–243. doi:10.1016/0079-6611(84)90009-0 
  6. a b c Conover, R. J. (1988). «Comparative life histories in the genera Calanus and Neocalanus in high latitudes of the Northern Hemisphere». Hydrobiologia. 167 (1): 127–142. doi:10.1007/BF00026299 
  7. Evanson, M; Bornhold, EA; Goldblatt, RH; Harrison, PJ; Lewis, AG (2000). «Temporal variation in body composition and lipid storage of the overwintering, subarctic copepod Neocalanus plumchrus in the Strait of Georgia, British Columbia (Canada)». Marine Ecology Progress Series. 192: 239–247. doi:10.3354/meps192239Acessível livremente 
  8. Kobari, T. (2001). «Ontogenetic vertical migration and life cycle of Neocalanus plumchrus (Crustacea: Copepoda) in the Oyashio region, with notes on regional variations in body sizes». Journal of Plankton Research. 23 (3): 287–302. doi:10.1093/plankt/23.3.287 
  9. El-Sabaawi, R; Dower, JF; Kainz, M; Mazumder, A (2009). «Interannual variability in fatty acid composition of the copepod Neocalanus plumchrus in the Strait of Georgia, British Columbia». Marine Ecology Progress Series. 382: 151–161. doi:10.3354/meps07915Acessível livremente 
  10. Chapman, Peter M. (1981). «Evidence for dissolved glucose uptake from seawater by Neocalanus plumchrus (Arthropoda, Copepoda)». Canadian Journal of Zoology. 59 (8): 1618–1621. doi:10.1139/z81-223