Nelson Wilbert
Nelson Wilbert (São José do Ouro, 1969) é um pintor, desenhista e galerista brasileiro.
Formou-se em Artes Plásticas no Instituto de Artes da UFRGS em 1993.[1] Fez sua primeira individual em 1994 no Projeto João Fahrion do Instituto Estadual de Artes Visuais, dedicado a novos talentos,[2] e depois no Farol Santander, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, na Casa de Cultura Mário Quintana e em galerias privadas,[3] e participou de muitas coletivas em diversas cidades do Brasil, bem como na França, Itália e Estados Unidos.[1]
Seu trabalho faz constante referência a ícones da arte ocidental, buscando dar-lhes novos significados. A partir de 2004 passou a utilizar recursos digitais para sobrepor imagens de obras famosas com padronagens decorativas, transferindo depois o resultado para a pintura e o desenho em grandes formatos. Sua produção tem sido reconhecida pela sofisticação estética e refinamento técnico.[1][4] Tem uma longa e consolidada carreira,[5] destacando-se entre os artistas gaúchos de sua geração.[6] Em 2012 foi um dos indicados para o Prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria Melhor Exposição Individual.[7] Tem obras na Fundação Vera Chaves Barcellos,[8] no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul[9] e na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo.[10]
Para o crítico Roger Lerina, "Nelson Wilbert conduz o público a um universo onde a arte se torna uma orquestração ousada de referências, uma exploração audaciosa da apropriação e reinterpretação. Nesse cenário, o artista se revela como um maestro contemporâneo, habilidoso em conceber novos arranjos visuais. [...] Assim como um DJ combina samples diversos para forjar novos sons, o artista extrai elementos visuais de retratos renascentistas, padrões clássicos e populares, conferindo-lhes uma contemporaneidade vibrante em suas telas".[11] Na interpretação de André Severo, "ao transformar e ser transformada pela apropriação, a imagem torna-se capaz de estender a forma que lhe possibilitou existência: relação, proximidade, adjacência. Ao que se afigura, o sensível possui o atributo especial – ou o poder sobrenatural – de tornar-se apropriável de um modo não exaurível; de instaurar a apropriação como um estado de sobrevivência da criação – sendo a imagem, em última instância, aquilo que permite ao artista realizar a possessão de algo sem esgotar (sem nem mesmo transformar) o objeto com o qual estabeleceu relação de contiguidade. Imaginar é se deixar atravessar e permitir que os resultados desse atravessamento sejam transmitidos; se faz assim, através da imagem, no domínio do sensível, a possibilidade de metamorfose, de travessia do lugar estreito onde estamos incorporados".[12]
É um dos sócios da Ocre Galeria, voltada para a arte contemporânea brasileira, dando espaço para artistas emergentes e outros já consagrados.[13]
Ver também
Referências
- ↑ a b c Marra, Paulo. "Farol Santander Porto Alegre exibe Imagem Metamórfica – com obras do artista gaúcho Nelson Wilbert". Farol Santander, 20 de dezembro de 2021
- ↑ "Pintura figurativa de Wilbert em exposição". Jornal do Comércio, 26 de abril de 1994
- ↑ "Observar é crer; pintar é crer duas vezes". Fundação Ecarta, 5 de dezembro de 2024
- ↑ "Remix – a pintura vai à guerra". Nonada, 9 de agosto de 2011
- ↑ Rotter, Mariane. O Corpo como Medida: desarquivando arquivos, constituindo uma identidade. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2022, p. 90
- ↑ Gomes, Paulo. "Sobre a poética do artista". In: Conversas: Grupo 3×4. Catálogo de exposição. Galeria Bolsa de Arte, 2016
- ↑ "Hoje, a entrega do VI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas". Suil 21, 8 de maio de 2012
- ↑ Barcellos, Vera Chaves (org). Sem Metáfora. Fundação Vera Chaves Barcellos, 2004, p. 56
- ↑ "Nelson Wilbert". Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, consulta em 15 de maio de 2025
- ↑ Gomes, Paulo (org.). Pinacoteca Barão de Santo Ângelo. Catálogo Geral 1910-2014, volume I. Editora da UFRGS, 2015, p. 32
- ↑ Lerina, Roger. "Ocre Galeria e Maiojama inauguram novo espaço expositivo com obras de Nelson Wilbert". Nonada, 14 de novembro de 2023
- ↑ Severo, André. "Apresentação". In: Imagem Metamórfica. Catálogo de exposição. Farol Santander, 2021
- ↑ Abreu, Silvia. "Quando a pintura dispensa os pincéis". Correio do Povo, 6 de maio de 2023