Sienito nefelínico
Sienito nefelínico (também nefelina sienito) é uma rocha plutônica de composição félsica que é constituída principalmente por feldspato alcalino, nefelina[1], clinopiroxênio (±), anfibólio (±) e biotita (±). É classificado com uma rocha alcalina típica conforme suas composições química e mineralógica (Sørensen, 1974). Esta rocha forma corpos intrusivos. É uma importante matéria-prima de rocha ornamental.

Aspectos macroscópicos
Aspectos macroscópicos de sienito nefelínico são similares àqueles do granito. A presença de nefelina e a ausência de quartzo são a diferença fundamental. Biotita é geralmente pouca e os minerais máficos principais são clinopiroxênio (±) e anfibólio (±). A cor macroscópica é cinza, sendo pouco mais escura do que o granito.
Textura
A rocha é holocristalina, geralmente equigranular, equidirecional e grossa com granulometria geral de 2 mm a 5 mm. Em certos casos raros, a rocha contém fenocristais de feldspato alcalino de 2 cm a 5 cm de comprimento e 5 mm a 2 cm de espessura. Os fenocristais são orientados e apresentam eventualmente textura cumulática. Existe, porém muito raramente, a rocha metamórfica de alto grau originada de sienito nefelínico que é caracterizada pela textura do gnaisse. Essa é chamada de nefelina sienito gnaisse ou litchfieldito. Um exemplo é encontrado na Vila Canaã, Estado do Rio de Janeiro, Brasil.
Composição mineralógica
Os minerais principais são feldspato alcalino, nefelina, clinopiroxênio (±), anfibólio (±) e biotita (±). Nefelina é o principal feldspatóide. Não há quartzo e ortopiroxênio. De acordo com a nomenclatura de classificação da IUGS (International Union of Geological Sciences, Streckeisen, 1978), o sienito nefelínico tem 10%<F/(F+A+P)<60% e P/(A+P)<10% (F - feldspatóides; A - feldspato alcalino; P - plagioclásio. Proporção volumétrica). Fonolito é a rocha de granulometria fina do mesmo clã. Existe, porém raramente, a rocha que contém pseudoleucita e, é chamada de pseudoleucita nefelina sienito. Caso nefelina é menos de 10%, a rocha é chamada de álcali sienito com nefelina ou pulaskito. A rocha similar sem quartzo e nefelina é denominada sienito alcalino ou sienito. Devido à presença de feldspatóides, o sienito nefelínico é classificado como uma típica rocha alcalina.
O feldspato alcalino não é potássico, mas geralmente sódico-potássico caracterizado por pertita complexamente entrelaçada, denominado anortoclásio. Podem-se observar domínios constituídos de albita quase pura. A nefelina geralmente apresenta alteração parcial em natrolita e cancrinita. O clinopiroxênio é sódico cuja composição varia de hedenbergita a egirina-augita. Este mineral apresenta eventualmente textura de refusão. A borda de reação composta de anfibólio e/ou biotita é comumente observada. O anfibólio é de alto álcali, tais como hornblenda alcalina, barquevicita e riebeckita. Os clinopiroxênios e anfibólios alcalinos são característicos de rochas alcalinas típicas. Biotita é annita com alta taxa de Fe/Mg.
Os minerais acessórios são magnetita, ilmenita, apatita e titanita. Observa-se eventualmente sodalita ao longo das fraturas hidrotermais. Ao contrário do granito, o zircão é raro e, quando ocorre esse é xenocristal. Por outro lado, o gnaisse de sienito nefelínico contém abundantes grãos grandes de zircão.


O sienito nefelínico é caracterizado por altas taxas de (Na2O+K2O)/SiO2 e (Na2O+K2O)/Al2O3, que são representadas respectivamente por existência de nefelina e minerais máficos alcalinos. Desta forma, é classificado geoquimicamente como uma rocha alcalina. Esta rocha tem baixo teor de ferro e magnésio, cerca de 3% em total, e portanto, é classificada como uma rocha félsica. Entretanto, o teor de sílica não é muito alto, sendo 53% a 62%, o que é equivalente a andesito e diorito. Neste sentido, essa corresponde a rocha intermédiaria. Elementos terras raras leves são altamente concentrados, indicando que o magma é altamente diferenciada.
Referências bibliográfics
- Sørensen, H. 1974. The alkaline rocks. 1st Edition. John Wiley & Sons Ltd. 634 p. ISBN 0-471-81383-4.
- Streckeisen, A. L. 1978. IUGS Subcommission on the Systematics of Igneous Rocks. Classification and Nomenclature of Volcanic Rocks, Lamprophyres, Carbonatites and Melilite Rocks. Recommendations and Suggestions. Neues Jahrbuch für Mineralogie, Abhandlungen, 141, 1–14.
- Motoki, A., Sichel, S. E., Vargas, T., Aires, J. R., Iwanuch, W., Mello, S. L. M., Motoki, K. F., Silva, S., Balmant, A., Gonçalves, J. 2010. Geochemical evolution of the felsic alkaline rocks of Tanguá, Rio Bonito, and Itaúna intrusive bodies, State of Rio de Janeiro, Brazil. Geociências, Rio Claro, 29–3, 291–310.
- Motoki, A., Araújo, A. L., Sichel, S. E., Motoki, K. F., Silva, S. Nepheline syenite magma differentiation process by continental crustal assimilation for the Cabo Frio Island intrusive complex, State of Rio de Janeiro, Brazil. Geociências, Rio Claro, 2011, in press.
Referências
- ↑ João Alves Sampaio (Engenheiro de Minas/CETEM-MCT), Silvia Cristina Alves França (Engenheira Química/CETEM-MCT) e Paulo Fernando A. Braga (Engenheiro Químico/CETEM-MCT) (dezembro de 2008). «Comunicação Técnica elaborada para o Livro Rochas Minerais Industriais: Usos e Especificações Parte 2 – Rochas e Minerais Industriais: Usos e Especificações. Capítulo 30.» (PDF). pp. 663 – 680. Consultado em 7 de junho de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 16 de novembro de 2009 line feed character character in
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