Necroviolência
Necroviolência, conforme definido pelo antropólogo Jason De León [en], refere-se à "violência realizada através do tratamento específico de cadáveres" de maneiras ofensivas que permitem a uma parte ou grupo poderoso negar a responsabilidade pelas mortes de pessoas associadas a uma parte ou grupo menos poderoso.[1][2]
Necroviolência israelense contra palestinos
No conflito Gaza–Israel
As forças israelenses foram acusadas de necroviolência em 2020 em Gaza, incluindo o ato de violentamente recolher um cadáver com uma escavadeira.[3]
Uso israelense contínuo
Aymun Moosavi, estudante de MA em Estudos de Conflito Internacional no King's College London,[4] e Randa May Wahbe, candidata a PhD em antropologia em Harvard, descreveram a necroviolência israelense como incluindo:[5]
- 'Perda ambígua'; a retenção de corpos palestinos em freezers, impedindo assim que as famílias palestinas lamentem seus entes queridos;
- Os cemitérios dos números (cemitérios onde as sepulturas são marcadas apenas com números e não com nomes, desumanizando assim os mortos);
- A demolição de locais históricos de sepultamento.
Frontera México–Estados Unidos
No livro The Land of Open Graves [en] de Jason De León, De León e seus colegas descobrem o corpo morto de uma migrante que parece ter sofrido necroviolência, que ele afirma ser a personificação da aparência da política de "Prevenção por Dissuasão" do Departamento de Segurança Interna.[6]
Contra pessoas trans e de gênero diverso
No artigo acadêmico Necropolítica e Identidades Trans: Uso da Linguagem como Violência Estrutural, os autores Kinsey Stewart e Thomas Delgado argumentam que a linguagem também pode prejudicar os mortos e que o uso (indevido) da linguagem na investigação médico-legal da morte reflete e reforça a violência estrutural contra pessoas transgênero e de gênero diverso.[7]
Ver também
Referências
- ↑ «THE LAND OF OPEN GRAVES: LIVING AND DYING ON THE MIGRANT TRAIL» [A TERRA DOS TÚMULOS ABERTOS: VIVER E MORRER NA TRILHA MIGRANTE]. Criminal Law and Criminal Justice Book Reviews. 6 de março de 2017. Consultado em 12 de janeiro de 2024
- ↑ De León, Jason (2015). The Land of Open Graves : Living and Dying on the Migrant Trail [A Terra dos Túmulos Abertos: Viver e Morrer na Trilha Migrante]. Oakland, California: University of California Press. p. 69. ISBN 9780520282759. OCLC 908448301
- ↑ Alsaafin, Linah (24 de fevereiro de 2020). «Israel slammed for necroviolence on bodies of Palestinians» [Israel criticado por necroviolência contra corpos de palestinos]. Al Jazeera
- ↑ «Necroviolence in Palestine» [Necroviolência na Palestina]. Words of Solidarity. Consultado em 17 de janeiro de 2024
- ↑ Wahbe, Randa May (setembro de 2020). «The politics of karameh: Palestinian burial rites under the gun» [A política de karameh: ritos funerários palestinos sob a mira da arma]. Critique of Anthropology (em inglês): 323–340. doi:10.1177/0308275X20929401. Consultado em 17 de janeiro de 2024
- ↑ «THE LAND OF OPEN GRAVES: LIVING AND DYING ON THE MIGRANT TRAIL» [A TERRA DOS TÚMULOS ABERTOS: VIVER E MORRER NA TRILHA MIGRANTE]. Criminal Law and Criminal Justice Book Reviews. 6 de março de 2017. Consultado em 12 de janeiro de 2024
- ↑ «Necropolitics and Trans Identities: Language Use as Structural Violence» [Necropolítica e Identidades Trans: O Uso da Linguagem como Violência Estrutural]. MDPI. Consultado em 12 de janeiro de 2024