Neagu Djuvara

Neagu Djuvara
Djuvara em novembro de 2008
Nome completoMarcel Djuvara-Neagu-Bunea
Nascimento
Predefinição:Nascimento data

Morte
Predefinição:Falecimento data e idade

Bucareste, Romênia
Alma materUniversidade de Paris
Ocupação
  • Escritor
  • Historiador
  • Filósofo
  • Jornalista
  • Diplomata
PrêmiosPrix Broquette-Gonin
Ordem da Estrela da Romênia

Neagu Bunea Djuvara (ro; 18 de agosto de 191625 de janeiro de 2018) foi um historiador, ensaísta, filósofo, jornalista, romancista e diplomata romeno.[1]

Biografia

Primeiros anos

Nascido em Bucareste, Djuvara era descendente de uma família aristocrática aromana. Seu pai, Marcel, formado pela Technische Hochschule de Charlottenburg (atualmente Universidade Técnica de Berlim) e capitão do Corpo de Engenheiros do Exército Real Romeno, morreu vítima da Gripe espanhola em 1918; sua mãe, Tinca, era a última descendente da família Grădișteanu, de origem boiarda. Os tios de Djuvara, Trandafir e Alexandru Djuvara, foram figuras públicas notáveis.

Djuvara nasceu durante a Primeira Guerra Mundial; quando bebê, foi levado pela família para Iași após a ocupação do sul da Romênia pelas Potências Centrais, e depois, através do Império Russo, para a Bélgica, onde Trandafir Djuvara era Ministro Plenipotenciário.

Ele cursou o lycée em Nice, na França, e se formou em Letras (1937) e Direito (1940) na Universidade de Paris (sua tese de Direito tratou da legislação antissemita promulgada pelos governos do rei Carol II da Romênia).[2]

Djuvara afirmou posteriormente que, à época, suas simpatias políticas pendiam à extrema-direita: tornou-se apoiador da organização fascista Guarda de Ferro e participou dos distúrbios de fevereiro de 1934 contra o governo radical-socialista francês de Édouard Daladier.

Durante a Segunda Guerra Mundial, voltou à Romênia, casou-se e teve uma filha. Ele ingressou nas Forças Armadas Romenas e foi destacado para Ploiești sob o governo nacional legionário da Guarda de Ferro.

Diplomata

Posteriormente, Djuvara decidiu ingressar no corpo diplomático romeno, foi aprovado em concurso e enviado pelo Ministro das Relações Exteriores Mihai Antonescu como correio diplomático à Suécia, justamente no dia em que Ion Antonescu foi deposto por um golpe de Estado e a Romênia saiu do Eixo para se juntar aos Aliados (23 de agosto de 1944).[3]

Sua missão era informar o embaixador romeno em Estocolmo, Frederic Nanu, para que sondasse a representante soviética Alexandra Kollontai sobre a validade de termos anteriores propostos por Josef Stalin para a paz com a Romênia, sem informar os Aliados Ocidentais.[3]

Djuvara, em retrospectiva, contestou as alegações de Nanu de que Antonescu teria sinalizado disposição de transferir o poder ao rei Mihai I da Romênia.[3] Segundo ele, a proposta soviética previa a ocupação total da Romênia pelo Exército Vermelho, com exceção de um condado aleatório no oeste do país como centro administrativo provisório, além de um prazo de 15 dias para a Romênia alcançar um armistício com a Alemanha Nazista — o que considerava irrealista. Ele afirmou: "Nem eu nem Nanu estávamos autorizados a assinar qualquer documento ou iniciar um processo de paz".

Nomeado secretário de legação em Estocolmo pelo governo de Constantin Sănătescu, foi demitido após a nomeação de Ana Pauker como Ministra das Relações Exteriores (1947).

Exílio

Acusado de espionagem e julgado à revelia durante os julgamentos públicos promovidos após o Caso Tămădău pelo regime comunista da República Socialista da Romênia, decidiu permanecer no exterior. Mudou-se para Paris, onde se envolveu com causas anticomunistas e a comunidade de exilados romenos. Trabalhou brevemente na Organização Internacional para Refugiados, participou do Comitê Nacional Romeno (1948) e ajudou a coordenar lançamentos de paraquedistas em apoio à resistência anticomunista romena — a maioria capturada pela Securitate. Deixou o comitê em 1951 e passou a colaborar com a revista exilada Casa Românească.

Em 1961, transferiu-se para o Níger, onde atuou como assessor do Ministério das Relações Exteriores do Níger até 1984. Foi professor de Direito Internacional e História Econômica na Universidade Abdou Moumouni de Niamey, tendo acompanhado o presidente Hamani Diori em missão oficial à Adis Abeba, na fundação da Organização da Unidade Africana (1963).

Obteve o título de doctorat d'État em Filosofia da História pela Sorbonne, com a tese Civilisations et lois historiques, sob orientação de Raymond Aron. Posteriormente, obteve diploma em Filologia pelo INALCO.

Após 1984, voltou à Europa, reassumiu atividades com a Casa Românească e com instituições culturais romenas no exílio. Foi colaborador ativo da Radio Free Europe e dividia seu tempo entre Paris e Munique, com visitas ao Canadá e aos Estados Unidos.

Pós-1989

Djuvara retornou à Romênia após a Revolução Romena de 1989. Entre 1991 e 1998, foi professor associado na Universidade de Bucareste. Nos anos 1990, destacou-se como crítico dos rumos políticos do país, especialmente das Mineríadas e do governo da Frente de Salvação Nacional.

Filiou-se ao Partido Nacional Liberal (Romênia), criticou a incapacidade do presidente Traian Băsescu de realizar reformas após a adesão do país à União Europeia, e expressou receio de que ex-membros da Securitate ainda detinham poder. Era também um crítico do multiculturalismo europeu.

Em agosto de 2016, ao completar 100 anos, foi condecorado com a Ordem da Estrela da Romênia. Sua última aparição pública foi em 5 de dezembro de 2017, em uma entrevista na qual lamentou a morte do rei Miguel I da Romênia.[4]

Faleceu em Bucareste, em 25 de janeiro de 2018, de pneumonia, aos 101 anos e 147 dias.[5][6] Foi sepultado no Cemitério Bellu.[7]

Djuvara deixou uma filha, netas e bisnetas. A maior parte de sua obra em romeno foi publicada pela Editora Humanitas.

Trabalhos como historiador

Grande parte da obra de Djuvara trata da história da Romênia e do povo romeno, embora também tenha abordado temas de filosofia da história, questionando a existência de uma "história verdadeira".[8]

Defendia pesquisas aprofundadas sobre áreas ainda pouco exploradas da história romena, o que gerava críticas por supostamente minar a identidade nacional. Djuvara questionava a precisão científica da historiografia romena desde 1918 e propôs hipóteses controversas sobre a origem dos romenos, como a de que a maioria da nobreza medieval seria de origem cumana.

Escreveu extensivamente sobre a posição da Romênia entre o Oriente e o Ocidente, considerando-a a última a ingressar no "concerto europeu". Criticava o multiculturalismo na União Europeia.

Também se opôs à visão excessivamente pró-Ocidente na política da Romênia, argumentando que a sociedade romena não pode ser considerada ocidental, citando a predominância da Ortodoxia, elementos não latinos na língua romena e a história recente.

Djuvara analisou a hegemonia dos Estados Unidos como uma "Guerra de Setenta e Sete Anos" (1914–1991), considerando-a base para a dominação americana sobre a Europa e outras regiões.

Publicou livros para o público jovem, desmistificando a história e abordando figuras míticas como Drácula e Negru Vodă. Também lançou memórias sobre seu exílio.

Afirmava que o marechal Ion Antonescu, governante da Romênia na Segunda Guerra Mundial, era na verdade um albanês da Romênia, ou como ele dizia, um arnăut.[9] O historiador Ion Teodorescu concordava com essa visão.[10]

Referências

  1. «A murit istoricul Neagu Djuvara, unanim recunoscut drept unul dintre cei mai importanți intelectuali români. De la istorie și diplomație la jurnalism și sport, o personalitate complexă». mediafax.ro 
  2. Butu, Alina Grigoraș (18 de agosto de 2016). «Romanian historian Neagu Djuvara turns 100» (em inglês). The Romania Journal. Consultado em 28 de março de 2019 
  3. a b c Dennis Deletant, Communist Terror in Romania: Gheorghiu-Dej and the Police State, 1948–1965, C. Hurst & Co. Publishers, Londres, 1999 ISBN 1-85065-386-0
  4. Butu, Alina Grigoras (25 de janeiro de 2018). «Historian Neagu Djuvara dies at 101». The Romania Journal (em inglês). Consultado em 28 de março de 2019 
  5. «A murit Neagu Djuvara. Cine a fost și ce a însemnat pentru cultura și istoria României». www.digi24.ro 
  6. «Romanian historian Neagu Djuvara dies aged 101». 25 de janeiro de 2018 
  7. «Istoricul Neagu Djuvara este înmormântat la Cimitirul Bellu din capitală» (em romeno). Agência de notícias RADOR. 28 de janeiro de 2018. Consultado em 3 de fevereiro de 2022 
  8. Există istorie adevarată? ("Existe história verdadeira?"), Humanitas, 2004
  9. «Neagu Djuvara despre Regele Mihai și Monarhie» (em romeno). Radio România Cultural. 25 de janeiro de 2018 
  10. «Portret: Ion Teodorescu, târgovișteanul care a scris despre istoria Albaniei». Adevărul (em romeno). 23 de janeiro de 2010 

Ligações externas