Nausicaä do Vale do Vento
Nausicaä do Vale do Vento
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|---|---|
| Kaze no Tani no Naushika | |
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| Em japonês | 風の谷のナウシカ |
1984 • cor • 117 min | |
| Gênero | aventura, fantasia científica |
| Direção | Hayao Miyazaki |
| Produção | Isao Takahata |
| Roteiro | Hayao Miyazaki |
| Baseado em | Kaze no Tani no Naushika, de Hayao Miyazaki |
| Elenco | Sumi Shimamoto Gorō Naya Yōji Matsuda Yoshiko Sakakibara Iemasa Kayumi |
| Música | Joe Hisaishi |
| Cinematografia | Koji Shiragami Yukitomo Shudo Yasuhiro Shimizu Mamoru Sugiura |
| Direção de arte | Mitsuki Nakamura |
| Edição | Tomoko Kida Naoko Kaneko Masatsugu Sakai |
| Companhia produtora | Topcraft |
| Distribuição | Toei Company |
| Lançamento |
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| Idioma | japonês |
| Orçamento | ¥ 180 milhões |
Kaze no Tani no Naushika (風の谷のナウシカ, Kaze no Tani no Naushika; bra/prt: Nausicaä do Vale do Vento[1][2]) é um filme de animação japonês pós-apocalíptico de 1984, escrito e dirigido por Hayao Miyazaki, baseado em seu mangá de mesmo nome publicado a partir de 1982 na revista Animage. Produzido pelo estúdio Topcraft para Tokuma Shoten e Hakuhodo, e distribuído pela Toei Company, o filme marca a primeira colaboração entre Miyazaki e o compositor Joe Hisaishi.[3]
Ambientado em um mundo pós-nuclear futurista, o filme narra a história de Nausicaä, uma princesa adolescente pacifista do Vale do Vento que se vê envolvida em um conflito com Tolmekia, um império que tenta usar uma arma ancestral para erradicar uma floresta tóxica habitada por insetos gigantes mutantes.[4] Lançado no Japão em 11 de março de 1984, Nausicaä do Vale do Vento recebeu aclamação da crítica, com elogios direcionados à história, temas, personagens e animação.[5]
Embora tenha sido produzido antes da fundação do Studio Ghibli, o filme é frequentemente considerado o trabalho inaugural do estúdio, pois seu sucesso levou diretamente à criação da empresa em 1985.[6] O filme é classificado com 91% de aprovação no Rotten Tomatoes[5] e 86 de 100 no Metacritic, indicando "aclamação universal".[7]
No Brasil, a Editora JBC anunciou a republicação do mangá para o ano de 2021.[8]
Sinopse
Mil anos após os Sete Dias de Fogo, um evento apocalíptico que destruiu a civilização industrial e grande parte do ecossistema da Terra, a humanidade se esforça para sobreviver em um mundo em ruínas.[9] Os sobreviventes estão divididos em pequenas populações e impérios, isolados uns dos outros pelo Mar da Corrupção — uma vasta floresta tóxica repleta de plantas venenosas e insetos gigantes mutantes. Tudo nesta floresta é tóxico, incluindo o próprio ar, que pode matar um humano em questão de minutos sem proteção adequada.[10]
Nausicaä é a jovem princesa do pequeno reino do Vale do Vento, um dos últimos refúgios na Terra ainda não contaminado pela floresta venenosa.[4] Diferentemente da maioria das pessoas que temem o Mar da Corrupção, Nausicaä dedica-se a compreender melhor esta floresta hostil aos humanos, acreditando que há mais nela do que apenas perigo. Ao mesmo tempo, ela tenta proteger seu povo da ação belicosa dos reinos vizinhos, especialmente do império militar de Tolmekia, que busca usar uma arma ancestral — um Guerreiro Deus — para destruir a floresta tóxica de uma vez por todas.[9]
A princesa Nausicaä é carismática, jovem e corajosa. Seu nome vem da princesa Nausicaä da mitologia grega que ajudou Odisseu.[11] Parte de sua personalidade foi inspirada no conto do folclore japonês A princesa que amava insetos.[12]
Enredo
O filme inicia com uma abertura narrativa explicando que, mil anos após os Sete Dias de Fogo — uma guerra apocalíptica global — a civilização industrial foi destruída e a superfície terrestre permanece amplamente poluída. Um vasto Mar da Corrupção — uma floresta tóxica repleta de fungos gigantes e insetos colossais mutantes chamados Ohmu — espalhou-se pela Terra, e os esporos liberados pela floresta são letais para os humanos.
A jovem Nausicaä, princesa do Vale do Vento — um pequeno reino à beira-mar protegido da floresta tóxica pelos ventos oceânicos —, explora o Mar da Corrupção usando uma máscara protetora e coleta esporos e plantas para estudar em seu laboratório secreto. Ela descobre que as plantas da floresta não são naturalmente tóxicas, mas tornam-se venenosas devido ao solo contaminado. Quando cultivadas em água pura, as plantas produzem ar limpo e cristais não tóxicos, sugerindo que o Mar da Corrupção está, na verdade, purificando lentamente a Terra da poluição causada pela antiga civilização.
Um dia, uma grande nave de carga do império Tolmekia cai perto do Vale do Vento durante a noite. Antes de morrer, uma das passageiras — a princesa Lastelle de Pejite — implora a Nausicaä que queime a carga da nave. A nave estava transportando o embrião de um Guerreiro Deus, uma das armas biológicas gigantescas usadas nos Sete Dias de Fogo, que Tolmekia havia roubado de Pejite.
Na manhã seguinte, forças de Tolmekia invadem o Vale do Vento para garantir a segurança do embrião do Guerreiro Deus. A força é comandada pela princesa Kushana, filha do imperador tolmekiano, que planeja usar o Guerreiro Deus para queimar o Mar da Corrupção. Durante a invasão, o idoso rei Jihl, pai de Nausicaä, é assassinado tentando proteger sua filha. Nausicaä, tomada pela raiva, mata vários soldados tolmekianos antes de ser detida pelo Mestre Yupa, um renomado espadachim e mentor de Nausicaä que estava visitando o vale.
Kushana toma Nausicaä e cinco anciãos do vale como reféns, forçando-os a acompanhá-la de volta a Tolmekia em sua armada de naves. Durante a viagem, a frota tolmekiana é atacada por naves de Pejite lideradas por Asbel, irmão de Lastelle, que busca vingança pela invasão de sua cidade. No ataque, insetos voadores gigantes atacam ambas as forças. Nausicaä, pilotando seu planador movido a vento, resgata Kushana e afasta os insetos usando uma técnica que aprendeu estudando seu comportamento. Porém, durante o combate, ela e Asbel são derrubados e caem no interior do Mar da Corrupção.
Sob a camada tóxica superficial da floresta, Nausicaä e Asbel descobrem uma caverna subterrânea com ar puro, árvores petrificadas e areia cristalina — evidências de que o Mar da Corrupção está lentamente purificando o solo contaminado. Nausicaä explica sua teoria a Asbel: as plantas da floresta absorvem as toxinas do solo e as cristalizam em areia inofensiva, enquanto os Ohmu protegem a floresta para que este processo de purificação continue. Ela conclui que queimar a floresta interromperia a única forma de limpar a Terra da poluição acumulada pela antiga humanidade.
Os dois são resgatados da caverna e Asbel leva Nausicaä até Pejite, onde ela descobre que a cidade foi quase completamente destruída por Tolmekia e está deserta. A mãe de Asbel revela que os sobreviventes de Pejite estão escondidos em túneis subterrâneos e planejam atrair uma horda de Ohmu enfurecidos para atacar o Vale do Vento, onde o Guerreiro Deus e a guarnição tolmekiana estão estacionados. Nausicaä fica horrorizada ao saber que os pejiteanos usaram um Ohmu bebê ferido como isca para enfurecer a horda, sacrificando deliberadamente o Vale do Vento para se vingar de Tolmekia.
Determinada a salvar seu povo, Nausicaä escapa de Pejite e voa de volta ao Vale do Vento. Enquanto isso, no vale, o Mestre Yupa tenta convencer Kushana a não ressuscitar o Guerreiro Deus, mas ela ignora seus avisos. O povo do Vale do Vento se levanta contra os ocupantes tolmekianos quando a horda de Ohmu se aproxima, mas é brutalmente suprimido. Em desespero, Kushana ordena que o Guerreiro Deus ainda incompleto seja ativado para deter a horda.
O Guerreiro Deus desperta e dispara um poderoso raio que vaporiza vários Ohmu, mas seu corpo incompleto começa a se desintegrar rapidamente devido à ressurreição prematura. Ele dispara mais alguns raios antes de colapsar completamente em uma massa derretida, falhando em deter a horda furiosa de Ohmu. Os sobreviventes do vale fogem aterrorizados enquanto os Ohmu avançam implacavelmente em direção ao assentamento.
Nausicaä chega e confronta os soldados de Pejite que estão usando o Ohmu bebê ferido como isca. Ela luta contra eles e liberta o filhote, colocando-o em seu planador. Asbel, arrependido, ajuda-a a escapar. Nausicaä e o Ohmu bebê pousam na frente da horda enfurecida que avança, e ela tenta acalmá-los, mas é atropelada e morta pela horda imparável.
Os Ohmu, percebendo o sacrifício de Nausicaä, param abruptamente. O bebê ferido rasteja até o corpo dela, seguido por toda a horda. Os Ohmu usam seus tentáculos dourados — que possuem poderes curativos — para ressuscitar Nausicaä, cujo vestido rosa fica completamente tingido de azul pelo sangue do Ohmu bebê. Ela acorda caminhando sobre os tentáculos dourados dos Ohmu, como se estivesse em campos dourados, cumprindo uma antiga profecia local sobre um salvador que viria vestido em um campo azul para guiar o povo à salvação.
Com o Vale do Vento salvo, os Ohmu e os tolmekianos partem. Os pejiteanos permanecem no vale para ajudar na reconstrução. Kushana, tocada pelos eventos, parte pacificamente com respeito por Nausicaä. Yupa e Asbel partem juntos para explorar o Mar da Corrupção. Em uma cena final reveladora, profundamente abaixo da floresta tóxica, uma árvore não tóxica brota na areia cristalina purificada — um sinal de esperança para o futuro da Terra.
Produção
Contexto e desenvolvimento
Nausicaä do Vale do Vento teve origem em 1982, quando Hayao Miyazaki começou a escrever e ilustrar o mangá homônimo na revista Animage.[13] Miyazaki havia concluído seu primeiro longa-metragem como diretor, Lupin III: The Castle of Cagliostro, em 1979.[10] O mangá rapidamente tornou-se popular entre os leitores, atraindo a atenção de Toshio Suzuki, editor da Animage, que sugeriu a Miyazaki criar uma adaptação animada.
Miyazaki foi abordado inicialmente para produzir uma adaptação como OVA de sessenta minutos. Em uma contraproposta, a Tokuma Shoten concordou em patrocinar um filme de longa-metragem para lançamento teatral.[14]
Como a Tokuma Shoten era uma editora e não possuía um estúdio de animação próprio, Miyazaki e o produtor Isao Takahata precisaram contratar um estúdio externo para produzir o filme. Eles escolheram o Topcraft, um pequeno estúdio conhecido por seu trabalho em produções americanas para a Rankin/Bass, incluindo The Hobbit (1977) e The Return of the King (1980).[3]
A pré-produção do filme começou oficialmente em 31 de maio de 1983.[3]
Roteiro e adaptação
Miyazaki enfrentou dificuldades significativas na criação do roteiro, pois apenas dezesseis capítulos do mangá haviam sido escritos na época da produção do filme.[3] Para resolver este problema, ele adaptou e alterou elementos da história, refocalizando a narrativa e os personagens na invasão tolmekiana da terra natal de Nausicaä. O mangá seria eventualmente publicado em sete volumes, com o último capítulo lançado em março de 1994.[3]
Processo de animação
O trabalho de animação começou em agosto de 1983, produzido por animadores que eram pagos por quadro.[3] Entre os maiores talentos da animação japonesa recrutados para trabalhar no projeto estava Hideaki Anno, que posteriormente se tornaria famoso por criar Neon Genesis Evangelion. Anno foi designado para desenhar a desafiadora sequência de ataque do Guerreiro Deus, que segundo Toshio Suzuki, é um "ponto alto do filme".[3]
O filme foi produzido com um cronograma de apenas nove meses e com um orçamento equivalente a US$ 1 milhão.[3]
Inspirações
A história do filme foi inspirada por várias fontes. Miyazaki foi fortemente influenciado pela história em quadrinhos Arzach (1975), do artista francês Jean Giraud (também conhecido como Moebius).[3] A história também foi parcialmente inspirada pela história em quadrinhos de 1971 Rowlf, do cartunista americano Richard Corben.[3]
Relação com o Studio Ghibli
Embora Nausicaä do Vale do Vento tenha sido produzido antes da fundação do Studio Ghibli, o filme é frequentemente considerado o trabalho inaugural do estúdio.[6] O sucesso comercial e crítico do filme levou diretamente à criação do Studio Ghibli em 15 de junho de 1985.[6] O Topcraft já estava enfrentando dificuldades financeiras quando Nausicaä foi produzido e entrou em falência em 1985. Miyazaki, Takahata e Suzuki adquiriram os ativos do estúdio e o incorporaram ao recém-formado Studio Ghibli.[6]
Elenco de vozes
Versão original japonesa
O elenco de vozes da versão original japonesa incluiu:[3]
- Sumi Shimamoto como Nausicaä
- Gorō Naya como Mestre Yupa
- Yōji Matsuda como Asbel
- Yoshiko Sakakibara como Kushana
- Iemasa Kayumi como Kurotowa
- Mahito Tsujimura como Jihl (pai de Nausicaä)
- Hisako Kyōda como Oh-Baba
- Ichirō Nagai como Mito
- Kōhei Miyauchi como Goru
Versão dublada em inglês (2005)
Em 2005, a Walt Disney Studios produziu uma nova dublagem completa em inglês do filme, substituindo a controversa versão editada de 1985 Warriors of the Wind.[3] O elenco da dublagem Disney incluiu:[10]
- Alison Lohman como Nausicaä
- Patrick Stewart como Lorde Yupa
- Shia LaBeouf como Asbel
- Uma Thurman como Kushana
- Chris Sarandon como Kurotowa
- Edward James Olmos como Mito
Versão editada "Warriors of the Wind" (1985)
A primeira versão em inglês de Nausicaä do Vale do Vento foi lançada pela Manson International sob o título Warriors of the Wind em 1985.[3] A distribuidora cortou aproximadamente 23 minutos do filme, deixando apenas cenas de ação e uma narrativa confusa, reduzindo sua duração para 95 minutos.[3] Miyazaki ficou horrorizado com a edição radical.
Quando Harvey Weinstein abordou Miyazaki para discutir a distribuição de seu filme seguinte, Princess Mononoke (1997), e insistiu em uma versão similarmente editada, Miyazaki deixou a reunião com raiva.[3] Dias depois, o produtor do Studio Ghibli, Toshio Suzuki, enviou uma espada katana ao escritório de Weinstein com as palavras "NO CUTS" ("SEM CORTES") embutidas em sua lâmina.[3] Durante uma entrevista posterior, Miyazaki comentou sobre o incidente sorrindo e declarando: "Eu o derrotei." Nausicaä foi o único filme de Miyazaki a sofrer edição pesada em seu primeiro lançamento.[3]
Música
A trilha sonora de Nausicaä do Vale do Vento foi composta por Joe Hisaishi, marcando a primeira colaboração entre o compositor e Hayao Miyazaki — uma parceria que se tornaria uma das mais duradouras e aclamadas na história do cinema de animação.[13]
Em 1983, Hisaishi foi recomendado pela Tokuma Shoten, que havia publicado seu álbum Information, para criar um álbum de imagens para o filme de Miyazaki.[14] Isao Takahata recrutou o compositor experimental e minimalista para fazer a trilha do filme.[14] Foi o trabalho solo de Hisaishi que levou o produtor Isao Takahata a recomendá-lo a Hayao Miyazaki, um diretor emergente que estava trabalhando em Nausicaä do Vale do Vento naquela época.[14]
A primeira colaboração entre Hisaishi e Miyazaki, Nausicaä do Vale do Vento (1984), marcou o início de uma sinergia musical e criativa que se estenderia por décadas.[15] A trilha sonora foi diferente de qualquer coisa ouvida antes em filmes animados até aquele ponto — sintetizadores e baterias eletrônicas misturados organicamente com orquestras tocadas ao vivo, criando um som profundamente emocional que espelhava os temas do filme sobre ambientalismo, resiliência e maravilhamento.[15]
A canção-tema titular "Kaze no Tani no Naushika" foi escrita por Takashi Matsumoto, composta por Haruomi Hosono (membro do Yellow Magic Orchestra e Happy End) e cantada por Narumi Yasuda.[3] A canção "Nausicaä's Requiem" foi interpretada pela então filha de quatro anos de Hisaishi, Mai Fujisawa.[3]
A colaboração entre Hisaishi e Miyazaki foi comparada à parceria entre o diretor Steven Spielberg e o compositor John Williams.[16]
Toshio Suzuki, produtor-chefe do Studio Ghibli, comentou sobre a parceria: "Há trinta e cinco anos, Joe Hisaishi conheceu Hayao Miyazaki. Não ouso imaginar as consequências, se o destino não os tivesse reunido naquele dia, naquela situação. Digo isso frequentemente, mas acho que Joe Hisaishi é a única pessoa adequada para os filmes de Hayao Miyazaki."[13]
Graças ao sucesso do filme Nausicaä, a carreira de Hisaishi ganhou uma nova dimensão.[13] Hisaishi continuaria a compor para quase todos os filmes subsequentes de Miyazaki, criando algumas das trilhas sonoras mais icônicas do cinema de animação.[17]
Numerosas trilhas sonoras e álbuns relacionados ao filme foram lançados ao longo dos anos.[18] A trilha sonora original foi lançada em 25 de março de 1984.[19]
Temas
Ambientalismo
Nausicaä do Vale do Vento é amplamente reconhecido por suas poderosas mensagens ambientalistas. O filme foi lançado com uma recomendação especial do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) em 1984.[3]
O filme explora a complexa relação entre humanidade e natureza em um mundo pós-apocalíptico. A imaginação de Miyazaki foi despertada pelo envenenamento por mercúrio da Baía de Minamata e como a natureza respondeu e prosperou em um ambiente envenenado, usando isso para criar o mundo poluído retratado no filme.[3]
Pacifismo
O pacifismo é outro tema fundamental em Nausicaä do Vale do Vento, explorado através da jornada da protagonista e suas escolhas morais. O filme defende o pacifismo através do compromisso inabalável de Nausicaä com a paz e sua capacidade de compreender e comunicar-se com todos os seres vivos, mesmo aqueles que parecem hostis.
Feminismo e protagonismo feminino
Nausicaä do Vale do Vento é notável por ter sido produzido em 1984, quando o feminismo não estava na vanguarda da representação na mídia, mas ainda assim apresenta uma protagonista feminina forte e multidimensional. Miyazaki declarou em entrevista que muitos de seus filmes têm protagonistas femininas fortes — garotas corajosas e autossuficientes que não pensam duas vezes antes de lutar pelo que acreditam com todo o coração.
Lançamento
Nausicaä do Vale do Vento foi lançado no Japão em 11 de março de 1984, pela Toei Company.[3] O filme foi exibido juntamente com dois filmes de compilação de Sherlock Hound: The Adventure of the Blue Carbuncle e Treasure Under the Sea.[3]
Distribuição internacional
A primeira versão do filme em língua inglesa foi uma edição drasticamente alterada lançada pela Manson International em 14 de junho de 1985, nos Estados Unidos, sob o título Warriors of the Wind.[3] Esta versão cortou aproximadamente 22 minutos do filme, reduzindo sua duração para 95 minutos e removendo grande parte da narrativa complexa.[3] A versão foi lançada em VHS em novembro de 1985.[3]
Em 2005, a Walt Disney Studios produziu uma nova dublagem completa e sem cortes do filme em inglês, substituindo definitivamente a controversa versão Warriors of the Wind.[3]
Em 30 de julho de 1995, uma versão legendada do filme foi exibida no Institute of Contemporary Arts em Londres, como parte do festival de cinema "Building Bridges", marcando o quinquagésimo aniversário dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki.[3]
Recepção
Bilheteria
No Japão, Nausicaä do Vale do Vento arrecadou aproximadamente ¥ 1,48 bilhão em bilheteria.[20]
Crítica
Nausicaä do Vale do Vento recebeu aclamação crítica generalizada, com elogios direcionados à história, temas, personagens e animação.[5]
Em uma crítica contemporânea do lançamento americano inicial, Terry Lawson do Dayton Daily News elogiou o filme por seus designs de personagens e temas alegóricos, além da direção de Hayao Miyazaki e da trilha sonora de Joe Hisaishi.[3] Theron Martin da Anime News Network elogiou o filme pelas mesmas razões e afirmou que o filme "merece um lugar em qualquer lista curta dos melhores filmes de anime de todos os tempos."[3]
O Common Sense Media avaliou o filme positivamente, citando seus bons modelos e mensagens positivas, mas também alertou os pais sobre seu cenário dramático e cenas violentas.[21] No agregador de críticas Rotten Tomatoes, 91% dos 21 críticos deram avaliações positivas ao filme, com uma classificação média de 8,2/10.[5] No Metacritic, o filme tem uma pontuação média ponderada de 86 de 100 com base em 7 críticos, indicando "aclamação universal".[7]
Helen McCarthy em 500 Essential Anime Movies elogiou as técnicas de animação de Miyazaki, afirmando que "a verdadeira força deste filme é o roteiro, repleto de incidentes, emoção e paixão, e a trilha sonora" de Joe Hisaishi.[22]
Prêmios
O filme ganhou vários prêmios prestigiosos no Japão. Recebeu o Prêmio Ōfuji Noburō no 39º Mainichi Film Awards por seu mérito artístico.[23] O filme também venceu o Animage Anime Grand Prix em 1984, um prêmio votado pelos leitores da influente revista de anime.[3]
Legado
Nausicaä do Vale do Vento é frequentemente classificado entre os maiores filmes de animação já feitos. Em uma enquete conduzida pela Agência de Assuntos Culturais do Japão no Japan Media Arts Festival de 2006, o filme foi classificado como a segunda melhor animação de todos os tempos, depois de Neon Genesis Evangelion.[23]
Em 2001, a revista japonesa Animage elegeu Nausicaä do Vale do Vento como a 43ª melhor produção de anime de todos os tempos.[23] A revista de cinema japonesa Kinema Junpo nomeou o filme como o 2º Maior Filme de Animação Japonesa de Todos os Tempos em 2009.[23]
O sucesso do filme levou diretamente à fundação do Studio Ghibli em 1985.[6] Embora tecnicamente não seja um filme do Studio Ghibli (tendo sido produzido antes da fundação do estúdio), Nausicaä é geralmente incluído como parte das obras do estúdio, incluindo nas coleções de DVDs e Blu-rays do Studio Ghibli.[6]
Produtos derivados
Três videogames foram lançados baseados no mangá e no filme, todos desenvolvidos e publicados pela Technopolis Soft e lançados em 1984 em sistemas de computador japoneses populares.[3]
Em 2004, o Projeto OpenSky Aircraft, liderado por japoneses, começou tentativas de construir um planador a jato pessoal em tamanho real e funcional baseado no planador Möwe do filme.[3] Dois planadores em tamanho real sem fonte de poder com os nomes de código M01 e M02 foram construídos, junto com uma maquete de controle remoto movida a jato em meia escala chamada moewe 1/2. Uma versão movida a jato (número de registro JX0122) finalmente conseguiu decolar sob sua própria potência pela primeira vez em 3 de setembro de 2013.[3]
Um artbook para o filme, The Art of Nausicaä of the Valley of the Wind: Watercolor Impressions, foi lançado em 1996 pela Tokuma Shoten.[3]
No Brasil, a Editora JBC anunciou a republicação do mangá para o ano de 2021.[8]
Referências
- ↑ «Nausicaä do Vale do Vento». Portugal: SAPO Mag. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Nausicaä do Vale do Vento». Brasil: AdoroCinema. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai «Nausicaä of the Valley of the Wind (1984)» (em inglês). IMDb. Consultado em 17 de janeiro de 2026
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- ↑ McCarthy, Helen (2009). 500 Essential Anime Movies: The Ultimate Guide (em inglês). [S.l.]: Harper Design. ISBN 978-0061474507
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