Nacionalismo integral

Nacionalismo Integral, também conhecido como maurrassismo, é uma doutrina política teorizada por Charles Maurras no início do século XX. Expressou-se principalmente nos círculos monarquistas da Action Française. A base desta doutrina reside na união da sociedade.[1]

Origem Francesa

O Nacionalismo Integral foi uma tentativa de integrar elementos sociais, na política; Charles Maurras, filósofo político, defendia que a integração, era a melhor forma de defender a nação francesa.

Maurras cria que a França estava em decadência desde a ascensão do Liberalismo na Revolução Francesa.[2] Para ele, a República seria um sistema que desintegrava a nação; os partidos políticos, dominados por elites, representavam ideologias políticas, e nunca o "interesse comum".[3]

Segundo o filósofo, as piores invasões francesas[4] ocorreram durante a república e regimes Bonapartistas, enquanto na Monarquia, a França nunca foi invadida. Assim, Maurras defendia que somente a monarquia unia uma nação como a França.

A diferença com o nacionalismo Nazista e Fascista, seria que, enquanto o primeiro defendia a união de Sangue e Solo (sendo mais eugenista e territorialista) da nação, e o segundo defendia um estado centralizado (Totalitarismo), enquanto que Maurras defendia a monarquia como unificadora, e uma descentralização, aonde, segundo ele, municípios e núcleos teriam autonomia e cooperariam entre si, diferente da república, aonde entre si conflitavam.[5]

No Brasil

Segundo o intelectual carlista espanhol Francisco Elías de Tejada, o Integralismo Brasileiro de Plínio Salgado, de raízes católicas, nada tem a ver com o nacionalismo integral de Maurras, herdeiro do positivismo.[6] Miguel Reale diferencia ambos pelo fato da doutrina de Maurras adotar um catolicismo positivista, enquanto que o Integralismo Brasileiro propõe uma "frente única espiritual", aceitando brasileiros de diversos credos, segundo a prática proposta pelos Papas Pio XI e Pio XII nas encíclicas Caritate Christi Compulsi e Divini Redemptoris. Também cita o fato de Maurras adotar um exclusivismo patriótico que coloca a Pátria como valor supremo, enquanto que o Integralismo defende um universalismo cristão e, de acordo com as Diretrizes Integralistas, faz prevalecer o espiritual sobre o moral, o moral sobre o social, o social sobre o nacional e o nacional sobre o particular.[7]

Em vez do lema maurrasiano politique d’abord, Plínio Salgado propôs o lema Christ d’abord, afirmando Jesus Cristo antes de tudo.[8]

Referências

  1. Maurras, Charles (1943). «Pour un réveil français». http://maurras.net/. Consultado em 14 de Janeiro de 2019 
  2. http://maurras.net/textes/39.html
  3. «Le Bien de tous» 
  4. «Pour un réveil français» 
  5. «Le Nationalisme intégral» 
  6. SALGADO, Carmela Patti; TEJADA, Francisco Elías (1986). Plinio Salgado, In Memoriam. Plínio Salgado na Tradição do Brasil. vol. 2. São Paulo: Voz do Oeste. 223 páginas 
  7. REALE, Miguel (1983). Obras Políticas: 1ª fase — 1931-1937. Tomo 3. Brasília: Editora Universidade de Brasília. pp. 226–227 
  8. SALGADO, Plínio (1979). PRIMEIRO, CRISTO! 4ª ed. São Paulo: Editora Voz do Oeste. pp. 16–17