NGC 6960

NGC 6960
Descoberto por William Herschel
Data 1784
Dados observacionais (J2000)
Tipo remanescente de supernova
Constelação Cygnus
Asc. reta 20h 45m 58.1s
Declinação +30° 35' 43"

[1]

Dimensões 70.0' x 6.0' minutos de arco
Outras denominações
LBN 191, GN 20.49.5.01, Sh2-109

NGC 6960 é um remanescente de supernova na direção da constelação de Cygnus. O objeto foi descoberto pelo astrônomo William Herschel em 1784, usando um telescópio refletor com abertura de 18,6 polegadas. Dado o seu formato também é conhecida como Nebulosa do Véu ou Nebulosa Vassoura de Bruxa.[2]

A Nebulosa do Véu Ocidental (NGC 6960) é também conhecida como “Witch’s Broom Nebula” ou “Vassoura da Bruxa”. Compõe a porção ocidental do grande complexo conhecido como Nebulosa do Véu ou Cicatriz do Cisne, um dos mais belos e estudados exemplos de remanescente de supernova visíveis a partir da Terra. O brilho da NGC 6960 é causado pela emissão de gás ionizado, principalmente hidrogênio, oxigênio e enxofre, expelido pela explosão estelar há cerca de 10.000 anos.

Vista por binóculos sob céus escuros, a NGC 6960 aparece como uma faixa tênue e levemente ondulada, atravessando o campo visual nas imediações da estrela 52 Cygni, de magnitude 4,2, que serve como excelente referência para sua localização. Seu brilho superficial é baixo (magnitude aparente ~7,0), o que exige técnicas especiais para visualização e fotografia.


Descoberta e visualização

A NGC 6960 foi descoberta por William Herschel em 5 de setembro de 1784, durante sua extensa pesquisa sobre nebulosas e aglomerados. Herschel a descreveu como “um filamento de névoa extraordinariamente tênue, quase invisível ao telescópio”, catalogando-a como a entrada I.52 de seu catálogo. Embora a porção ocidental do Véu (NGC 6960) seja a mais observada por astrônomos amadores devido à sua proximidade com 52 Cygni, todo o complexo inclui outras designações, como NGC 6992 e NGC 6995 (porção leste) e NGC 6979 (região central).

Em imagens de longa exposição, a nebulosa revela um intrincado emaranhado de filamentos azulados e avermelhados, enquanto visualmente, em binóculos ou telescópios pequenos, a cor tende ao cinza-prateado, devido à baixa sensibilidade do olho humano em ambientes pouco iluminados. [3]

A Nebulosa do Véu permanece um dos remanescentes de supernova mais amplamente estudados, servindo como laboratório natural para o entendimento da física de choques interestelares, ionização de gases e reciclagem de material estelar no meio interestelar.


Características

O sistema da Nebulosa do Véu cobre uma área de aproximadamente 3 graus no céu, quase seis vezes o diâmetro aparente da Lua cheia. A NGC 6960, componente ocidental, se estende por cerca de 70 minutos de arco e está situada a uma distância estimada de 2.400 anos-luz da Terra. [4]

A explosão de supernova que originou a nebulosa liberou energia equivalente a milhões de sóis e espalhou elementos pesados (oxigênio, enxofre, ferro) pelo espaço. Na região da NGC 6960, ondas de choque atravessam o gás interestelar a velocidades superiores a 600.000 km/h, comprimindo e excitando os átomos, que então emitem luz em comprimentos de onda característicos. Os filamentos azulados correspondem à emissão do oxigênio duplamente ionizado ([O III]), enquanto regiões avermelhadas indicam emissão de hidrogênio (Hα) e enxofre ([S II]).

A estrela 52 Cygni (de magnitude 4,2) está na linha de visão, mas não está associada fisicamente à nebulosa — trata-se apenas de um alinhamento aparente.


Astronomia amadora

A NGC 6960 é um dos alvos favoritos entre astrofotógrafos e observadores experientes, especialmente sob céus de baixa poluição luminosa. Apesar do brilho superficial baixo, revela uma estrutura filamentar rica, com detalhes acentuados em fotografias de longa exposição ou com o uso de filtros de banda estreita.


Astrofotografia amadora da Nebulosa do Véu Ocidental
Exclusiva astrofotografia amadora da Nebulosa do Véu Ocidental (NGC 6960) realizada em Brasília (Latitude: –15,77°; Longitude: –47,86°), em 23/07/2025, Hemisfério Sul. Capturada com telescópio de 50mm f/5 e montagem Alt-Azi, a imagem revela os delicados filamentos azul-esverdeados e avermelhados que caracterizam este remanescente de supernova na constelação de Cygnus, demonstrando o potencial da astrofotografia amadora mesmo sob céus urbanos.

A magnificência das cores da NGC 6960

Astrofotografia amadora da Nebulosa do Véu Ocidental

Imagem capturada em Brasília (Latitude: –15,77°; Longitude: –47,86°), em 23/07/2025, com telescópio de 50mm f/5 sobre montagem Alt-Azi.

A imagem obtida ao se observar a NGC 6960 com telescópio amador e câmera CMOS/CCD revela as cores distintas que decodificam a física dos gases:

  • Azul-esverdeado: causado pela emissão [O III] a 500,7 nm, característico das regiões onde o choque da onda de supernova excita o oxigênio duplamente ionizado.
  • Vermelho: corresponde à emissão Hα (656,3 nm) e [S II], presentes nos filamentos mais densos, indicando zonas ricas em hidrogênio e enxofre.

O contraste entre os filamentos azulados e avermelhados permite não só um espetáculo visual, mas também a identificação de regiões de maior energia e densidade.


Equipamento e técnicas básicas

  • Telescópios: Refratores de 80–120 mm ou refletores de 150–200 mm, com razão focal entre f/5 a f/7, proporcionam campo e contraste ideais. Para astrofotografia de campo amplo, lentes de 50mm a 200mm também capturam todo o complexo do Véu.
  • Oculares e filtros: Oculares de campo médio (20–32 mm) ajudam a enquadrar a NGC 6960, enquanto filtros de banda estreita O III são altamente recomendados, realçando os filamentos e suprimindo a poluição luminosa.
  • Montagem: O rastreamento preciso é fundamental; preferencialmente, utilize montagens equatoriais motorizadas. Montagens Alt-Azi podem ser empregadas com exposições curtas (<10 s) por 20 minutos e empilhamento posterior.
  • Câmeras: Câmeras CMOS/CCD com filtros LRGB, ou coloridas de alta sensibilidade, são ideais para captar detalhes e cores sutis.

Condições de observação

  • Local: Céus de classe Bortle 4 ou melhores são fortemente recomendados. Mesmo em áreas periurbanas, o uso de filtros O III faz grande diferença no contraste.
  • Época: No Hemisfério Sul, a observação da Nebulosa do Véu Ocidental é favorecida durante os meses de inverno, especialmente entre junho a agosto, quando a constelação de Cygnus atinge sua maior elevação nas primeiras horas da noite, próxima ao meridiano, permitindo melhores condições para registro e contemplação do objeto.
  • Fase lunar: Lua nova ou crescente, pois a nebulosa é tênue e sensível à poluição luminosa natural.

Astrofotografia amadora

  • Aquisição de dados: Realize 20 a 30 exposições de 2–5 min cada em montagem equatorial; em montagem Alt-Azi, use exposições de 10 segundos por cerca de 20 minutos, empilhando posteriormente.
  • Calibração: Capture frames de dark, flat e bias para otimizar a qualidade final.
  • Filtros de banda estreita: Filtros O III e Hα maximizam o contraste dos filamentos e minimizam os efeitos da poluição luminosa.
  • Processamento: Use softwares de empilhamento e pós-processamento para alinhamento, remoção de ruídos e realce das cores, revelando toda a riqueza estrutural da NGC 6960.

Veja também

Referências

  1. «SIMBAD Astronomical Database». Results for NGC 6960. Consultado em 22 de julho de 2012 
  2. «Nebulosa do Véu, ou Nebulosa Vassoura de Bruxa: foto» 
  3. «NGC 6960». simbad.u-strasbg.fr. Consultado em 26 de julho de 2025 
  4. Blair, William P.; Sankrit, Ravi; Raymond, John C. (maio de 2005). «Hubble Space TelescopeImaging of the Primary Shock Front in the Cygnus Loop Supernova Remnant». The Astronomical Journal (5): 2268–2280. ISSN 0004-6256. doi:10.1086/429381. Consultado em 26 de julho de 2025 

Ligações externas