My Funny Valentine
| "My Funny Valentine" | |
|---|---|
| Canção de Mitzi Green do álbum Babes in Arms | |
| Lançamento | 1937 |
| Gênero(s) | pop tradicional e jazz |
| Idioma(s) | inglês |
| Gravadora(s) | Chappell & Co. |
| Letra | Lorenz Hart |
| Composição | Richard Rodgers |
"My Funny Valentine" é uma canção do show tune de amadurecimento de Richard Rodgers e Lorenz Hart de 1937, Babes in Arms, na qual foi apresentada pela estrela adolescente Mitzi Green. A música tornou-se um popular standard de jazz, aparecendo em mais de 1300 álbuns e interpretados por mais de 600 artistas. Um deles foi Chet Baker,[1] que se tornou sua Canção-assinatura.[2][3] Em 2015, a versão de 1953 do quarteto de Gerry Mulligan (com Chet Baker) foi incluída no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso por sua "significância cultural, artística e/ou histórica para a sociedade americana e o legado sonoro da nação". Posteriormente, Mulligan a regravou com sua Concert Jazz Band em 1960.[4]
História
Babes in Arms estreou no Teatro Shubert na Broadway, em Nova Iorque, em 14 de abril de 1937, permanecendo em cartaz por 289 apresentações.[5] Na montagem original, uma personagem chamada Billie Smith (interpretada por Mitzi Green) canta a canção para Valentine “Val” LaMar (interpretado por Ray Heatherton).[6] O nome da personagem foi alterado para corresponder à letra da canção.[7]
Na canção, Billie descreve as características de Valentine em termos pouco lisonjeiros e depreciativos (em certo momento, Billie afirma que a aparência de Valentine é “risível”, em conformidade com o título), mas afirma, ao final, que ele a faz sorrir e que ela não deseja que ele mude. A descrição de Valentine era consistente com as próprias inseguranças de Lorenz Hart e sua crença de que era baixo e feio demais para ser amado.[8] As letras são suficientemente neutras quanto ao gênero, permitindo que a canção seja cantada sobre uma pessoa de qualquer gênero, e grande parte das versões cover foi gravada por homens descrevendo uma mulher hipotética.
Versões nas paradas e covers
A canção entrou nas paradas pela primeira vez em 1945, interpretada por Hal McIntyre com vocais de Ruth Gaylor.[9] Permaneceu por apenas uma semana, atingindo a 16ª posição.[10] Frank Sinatra gravou uma versão de sucesso em 1955.
Além da gravação de Chet Baker em 1954, a canção também recebeu versões de Kenny Rogers, Elvis Costello, Miles Davis, Ella Fitzgerald, Steve Goodman, Rickie Lee Jones, Julie London, Harpo Marx, Gerry Mulligan, Josipa Lisac, Tom Barman e Guy Van Nueten, e Barbra Streisand, entre outros.[11][12][13][14][15]
Na cultura popular
As versões da canção interpretadas por Chet Baker e Julie London foram creditadas no filme Sharky's Machine (1981), estrelado e dirigido por Burt Reynolds. Doc Severinsen produziu a trilha sonora do filme,[12] juntamente com Al Capps e Bob Florence. Enquanto na trilha sonora do longa-metragem Waiting to Exhale (1996) a cantora Chaka Khan faz um cover inclinado para o Soul jazz de "My Funny Valentine".[16] No Brasil, a versão feita pela banda Nouvelle Cuisine está incluída na banda sonora da telenovela Kananga do Japão (1989) sendo a música-tema da personagem Letícia (Tônia Carrero).[17]
Um episódio do anime Cowboy Bebop, intitulado “My Funny Valentine”, recebeu esse nome em referência à canção e apresenta uma trama centrada na personagem Faye Valentine.[18] No popular mangá Steel Ball Run, o principal antagonista, Funny Valentine, recebeu esse nome em homenagem à música.
"My Funny Valentine" inspirou o designer italiano Ettore Sottsass na escolha do nome da icônica máquina de escrever Olivetti Valentine, lançada no fim da década de 1960.[19][20][21] Na série da Netflix The Good Cop (2018), a suposta misoginia da canção fazem parte da trama do episódio 6, “Did the TV Star Do It?”, servindo também como piada final do capítulo.[22]
Salman Rushdie, autor de The Satanic Verses, recebia todos os anos, desde 1990, uma carta do governo do Irã em 14 de fevereiro.[23] Segundo o próprio Rushdie, a mensagem tinha o objetivo de lembrá-lo da fatwa (decisão legal islâmica) emitida em 14 de fevereiro de 1989 pelo clérigo e então líder do Irã, Ruhollah Khomeini, conclamando seu assassinato por conta do conteúdo de The Satanic Verses, que Khomeini considerava insultuoso ao Islã.[23] Em 1999, Rushdie já não temia a ameaça anual e, em um artigo publicado em The New Yorker, referiu-se ironicamente à carta como “My Unfunny Valentine” (título também do artigo), em referência à canção e ao fato de que 14 de fevereiro é o Dia dos Namorados nos países anglófonos, comparando a carta a “uma espécie de cartão de Dia dos Namorados”.[23]
Em 2022, um gênero e espécie de aranha receberam o nome Funny valentine.[24]
Leitura Adicional
- Bragalini, Luca (1997). «My Funny Valentine: The Disintegration of the Standard». Originally published in Musica Jazz
- Cook, Richard (12 de fevereiro de 1999). «The Hart of the Matter». New Statesman. 128 (4423). p. 45. ISSN 1364-7431
- Fox, Dan (2007). World's Greatest Wedding Music: 50 of the Most Requested Wedding Pieces. [S.l.]: Alfred Music Publishing. ISBN 978-0-7390-4674-6
- Friedwald, Will (2002). «My Funny Valentine (1937)». Stardust Memories: The Biography of Twelve of America's Most Popular Songs. New York: Random House. pp. 348–373. ISBN 0-375-42089-4
- Gabbard, Krin (2004). Black Magic: White Hollywood and African American Culture
. [S.l.]: Rutgers University Press. ISBN 0-8135-3384-8 - Hischak, Thomas S. (2007). The Rodgers and Hammerstein Encyclopedia. [S.l.]: Greenwood Press. p. 189. ISBN 978-0-313-34140-3
- Studwell, William Emmett (1994). The Popular Song Reader: A Sampler of Well-Known Twentieth Century-Songs. [S.l.]: Routledge. p. 127. ISBN 1-56024-369-4
Referências
- ↑ «Jazz Standards Songs and Instrumentals (My Funny Valentine)». Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ Schwanebeck, Wieland; McFarland, Douglas (8 de Outubro de 2018). Patricia Highsmith on Screen. [S.l.]: Springer. ISBN 9783319960500
- ↑ «My Funny Valentine». Jazz Messengers. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ «National Recording Registry To "Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive"». The Library of Congress. 25 de Março de 2015. Consultado em 17 de Novembro de 2025. Cópia arquivada em 23 de Junho de 2016
- ↑ Trager, James (2005). The People's Chronology: A Year-by-Year Record of Human Events from Prehistory to the Present 3 ed. Detroit: Gale. ISBN 0805031340
- ↑ Playbill da apresentação teatral de Babes in Arms, 1937.
- ↑ Rodgers, Richard (1975), Musical Stages: an autobiography. Nova Iorque: Random House, p. 181.
- ↑ Holden, Stephen (6 de janeiro de 1999). «TELEVISION REVIEW; Thou Rodgers, Thou Hart, So Fizzy, So Smart». The New York Times (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ Orodenker, M. H. (27 de janeiro de 1945). «Popular Record Reviews». Billboard. 27 (4). ISSN 0006-2510. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ Whitburn, Joel (1992). Joel Whitburn's Pop Memories 1890–1954: The History of American Popular Music. [S.l.]: Record Research, Inc. ISBN 0-89820-083-0 Conforme citado em My Funny Valentine (1937), compilado por jazzstandards.com.
- ↑ Zollo, Paul (15 de fevereiro de 2021). «Seven Favorite Covers of "My Funny Valentine"». American Songwriter (em inglês). Consultado em 14 de março de 2024
- ↑ a b «Sharky's Machine (1981)». B&S About Movies. 9 de Julho de 2021. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ Wallace, Steve (30 de janeiro de 2020). «My (Not So) Funny Valentine: A Brief History». The WholeNote (em inglês). Consultado em 16 de abril de 2024
- ↑ Janjatović, Petar (2024). Ex YU rock enciklopedija 1960–2023. Belgrade: self-released / Makart. p. 178
- ↑ «Recensie: Barman, Tom & Nueten, Guy Van - Live (album)». OOR (em neerlandês). Consultado em 2 de maio de 2025
- ↑ Lawson, Tai. «Milestones: Waiting to Exhale (Original Soundtrack Album) by Various Artists». www.shatterthestandards.com (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ Xavier, Nilson. «Kananga do Japão». Teledramaturgia. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Cowboy Bebop (TV) [Episode titles]». Anime News Network. 22 de Maio de 2025. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ «Perché Valentine è l'oggetto di design assoluto». Rivista Studio (em italiano). 12 de abril de 2018. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ «1969, odissea nel design: così Olivetti inventò la tecnologia che ha stile». La Stampa (em italiano). 6 de Dezembro de 2018. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ «Valentine, Italy's Iconic Ruby Red Typewriter». ELLE Decor. 28 de maio de 2020. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ Lewis, Bethany (23 de setembro de 2018). «The Good Cop season 1, episode 6 recap: 'Did the TV Star Do It?'». Show Snob (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ a b c Rushdie, Salman (7 de fevereiro de 1999). «My Unfunny Valentine». The New Yorker (em inglês). ISSN 0028-792X. Consultado em 17 de Novembro de 2025
- ↑ Lin, Yejie; Zhao, Huifeng; Koh, Joseph K H; Li, Shuqiang (2022). «Taxonomy notes on twenty-eight spider species (Arachnida: Araneae) from Asia». Zoological Systematics. 47 (3): 198-270. doi:10.11865/zs.2022303. Consultado em 17 de Novembro de 2025