Museu das Comunicações e Humanidades
Museu das Comunicações e Humanidades
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| Tipo | museu |
| Página oficial (Website) | |
| Geografia | |
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| Localização | Rio de Janeiro - Brasil |
O Museu das Comunicações e Humanidades (MUSEHUM) está localizado na cidade do Rio de Janeiro, em um casarão histórico no bairro da Urca, com vista para o Pão de Açúcar. O espaço se consolidou como uma das principais instituições brasileiras dedicadas à preservação e difusão da história da comunicação humana, desde os primórdios até as tecnologias contemporâneas. O museu tem como missão aproximar o público dos processos comunicacionais que moldaram a civilização, mostrando como a forma de transmitir mensagens evoluiu ao longo do tempo, da fala e dos sinais de fumaça até os dias atuais, por meio da Internet.
O museu se dedica a contar a história da comunicação humana em todas as suas dimensões, técnica, simbólica, afetiva e social, por meio de uma narrativa que combina vídeos, aparelhos interativos, sons, objetos, documentos e imagens históricas. Ao todo, o acervo conta com cerca de 200 itens catalogados, entre peças originais, réplicas e instalações multimídia que estimulam a participação ativa do visitante. Um dos princípios curatoriais do espaço é o de que comunicar-se é um ato essencialmente humano, e compreender seus meios é compreender também as transformações da própria sociedade.
A inauguração oficial ocorreu em 2007, marcando o início de um projeto inovador que buscava integrar ciência, tecnologia e cultura. Desde então, o MUSEHUM se tornou referência em exposições que unem o rigor histórico com experiências sensoriais e educativas. Em março de 2012, após uma reforma de três anos, o museu foi reinaugurado com novas atrações e um conceito mais interativo. Entre as novidades, destacou-se a Máquina do Tempo, uma instalação que permite ao visitante “viajar” por diferentes épocas da história da comunicação, desde a invenção da escrita até os satélites modernos. A experiência é enriquecida por projeções 360°, sons imersivos e painéis táteis que simulam artefatos de cada período.
Durante essa reforma, também foram incluídos dispositivos sensíveis ao toque, tablets educativos e totens interativos, permitindo que o público explore vídeos, linhas do tempo e curiosidades sobre inventores e cientistas das comunicações. O museu passou a receber visitas guiadas de escolas públicas e privadas, oferecendo oficinas de rádio, fotografia e produção audiovisual voltadas a crianças e adolescentes.
Em 2020, o espaço passou por uma nova etapa de modernização e reestruturação conceitual, adotando oficialmente o nome Museu das Comunicações e Humanidades (MUSEHUM). Essa mudança refletiu uma ampliação de sua proposta: o museu passou a destacar não apenas a dimensão tecnológica da comunicação, mas também o aspecto humano, as emoções, os vínculos e as trocas simbólicas que sustentam qualquer forma de interação. Desde então, o MUSEHUM se define como um museu vivo, que aborda a comunicação a partir da ótica das relações humanas, culturais e afetivas.
Exposição Permanente
A Exposição Permanente do MUSEHUM ocupa vários pavimentos do casarão e foi concebida para oferecer um percurso cronológico e temático. O visitante inicia a jornada em um ambiente que representa as formas de comunicação primitivas, como sinais de fumaça, tambores e inscrições rupestres. A seguir, passa por salas que reconstituem a invenção da escrita, o desenvolvimento dos alfabetos e o papel das bibliotecas da Antiguidade.
Um dos pontos altos da exposição é o salão das telecomunicações, que apresenta objetos icônicos, como o telégrafo de Morse, os primeiros rádios de válvula, aparelhos telefônicos de discagem, máquinas de escrever, e televisores antigos. A mostra também inclui um espaço dedicado à era digital, com computadores das décadas de 1980 e 1990, consoles de videogame e um laboratório de mídia onde o visitante pode manipular interfaces antigas e modernas, percebendo a rápida transformação tecnológica do século XX.
Além da vertente tecnológica, o museu aborda temas como a comunicação entre as células do corpo humano, a linguagem dos gestos e as formas não verbais de expressão, propondo paralelos entre os sistemas biológicos e os sistemas sociais de transmissão de informação. Essa abordagem multidisciplinar, que integra biologia, filosofia e tecnologia, é um dos diferenciais do MUSEHUM, e tem atraído pesquisadores de diferentes áreas.
Exposições Temporárias Realizadas
O Casarão de Exposições Temporárias é um espaço dinâmico do museu, que acolhe mostras nacionais e internacionais ao longo do ano. As exposições temporárias são concebidas para dialogar com o acervo permanente, promovendo uma reflexão sobre a história da cidade, da comunicação e das transformações sociais. Abaixo estão algumas das mostras que marcaram a trajetória recente do museu:
Divina Geometria – Cristo Redentor | Oskar Metsavaht (2016)
Apresentou uma interpretação artística do ícone do Rio de Janeiro por meio de obras do estilista e artista visual Oskar Metsavaht. A exposição combinou moda, fotografia e geometria sagrada, destacando o Cristo Redentor como símbolo de fé e equilíbrio estético.
O Rio de Janeiro de Estácio de Sá (2017)
Explorou a fundação da cidade e sua evolução ao longo dos séculos, com mapas antigos, documentos históricos e maquetes interativas. O visitante podia acompanhar, por meio de projeções, a expansão urbana da cidade desde o século XVI.
A Comunicação e a Sociedade (2018)
Apresentou um panorama dos diferentes meios de comunicação e seus impactos sociais. A mostra incluía experiências sonoras e uma instalação em que os visitantes podiam participar de um “telejornal do futuro”, refletindo sobre o papel da mídia contemporânea.
Imagens do Rio Oitocentista (2018)
Exibiu fotografias e ilustrações raras do século XIX, mostrando o cotidiano do Rio de Janeiro Imperial. A curadoria destacou a importância da fotografia como ferramenta documental e artística.
Os Múltiplos Olhares de Augusto Malta (2018–2019)
Reuniu obras do fotógrafo Augusto Malta, considerado o cronista visual do Rio no início do século XX. Suas imagens retratam o surgimento de avenidas, bondes e construções históricas.
Corpo de Fuzileiros Navais, Inclusão e Arte (2019)
Fruto de uma parceria com o Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, a mostra reuniu obras que tratavam da inclusão social e da diversidade, com produções de militares e artistas civis.
Vagalumes 21 (2022)
Reuniu artistas contemporâneos como Antônio Bokel e Marcos Prado, explorando o contraste entre luz e sombra na arte. As instalações utilizavam projeções, reflexos e movimentos automatizados, convidando o público à contemplação sensorial.
Júlia Lopes de Almeida – 160 anos (2022–2023)
Celebrou a obra da escritora Júlia Lopes de Almeida, uma das pioneiras da literatura feminina brasileira, com manuscritos, cartas e leituras dramatizadas de suas obras.
Tesouros Naturais de Visegrád (2023)
Apresentada em parceria com o Consulado Geral da Hungria, destacou o patrimônio natural de quatro países da Europa Central, Hungria, Eslováquia, Tchéquia e Polônia, por meio de fotografias e vídeos de alta definição.
Águas do Brasil (2023)
Organizada pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, abordou a relação histórica e simbólica do Brasil com seus rios, mares e recursos hídricos, enfatizando a importância da preservação ambiental.
Poética do Desconhecido (2023)
Do artista Heli Freireg, reuniu esculturas e pinturas que exploram o mistério e o inconsciente na arte contemporânea. A mostra foi acompanhada de um catálogo digital acessível por QR Code.
I-Yú Ñanderu Yara (2023)
De Eduardo Santos, destacou a identidade e a cultura indígena através de obras que combinam materiais naturais e recursos tecnológicos, simbolizando o diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade.
Conexões (2023)
Em parceria com Médicos Sem Fronteiras, abordou o papel da comunicação em contextos de crise humanitária, com depoimentos, vídeos e registros fotográficos de operações em campo.
MHC: História e Acervo (2023)
Uma retrospectiva sobre a própria trajetória do museu, apresentando bastidores da museologia e processos de restauração de peças históricas.
Te Amarei para Sempre (2023)
Do artista Marcus Penido, explorou o tema do amor e da afetividade na arte, reunindo pinturas, esculturas e instalações que tratam da memória emocional.
Omolu – A Cura (2023)
Curada por Robson de Paula, apresentou obras que discutem espiritualidade, rituais e práticas de cura nas tradições afro-brasileiras.
Mancha de Dendê não sai – Moraes Moreira (2023–2024)
Homenageou o músico Moraes Moreira, com objetos pessoais, capas de discos, vídeos e trilhas sonoras que marcaram gerações.
Pavilhão Maxwell Alexandre 3 | Clube (2024)
Exposição de Maxwell Alexandre sobre identidade e cultura afro-brasileira, marcada pelo uso expressivo de cores e representações do cotidiano periférico.
Rio 64: A Capital do Golpe (2024)
Curadoria de Heloisa Starling, discutiu o golpe militar de 1964 e seus impactos no Rio de Janeiro, com arquivos de imprensa e registros audiovisuais inéditos.
Giras na Terra, Giras no Mar (2024–2025)
Da curadora Fernanda Pequeno, explorou as relações entre a terra e o mar na cultura afro-brasileira por meio de vídeos e instalações sonoras.
O Mistério das Coisas por Baixo das Pedras e dos Seres (2024–2025)
Reuniu artistas contemporâneos em torno da temática do desconhecido, com obras que convidam à introspecção e à curiosidade poética.[2]
Programas Educativos e Impacto Cultural
Além das exposições, o MUSEHUM mantém um programa educativo ativo, com visitas mediadas, oficinas e cursos de curta duração. O museu recebe anualmente cerca de 80 mil visitantes, entre turistas, estudantes e pesquisadores. Também realiza parcerias com universidades e centros de pesquisa, fomentando a produção de conhecimento sobre a história das comunicações.
O museu ainda oferece um laboratório de preservação digital, responsável por restaurar fitas, áudios e documentos históricos, garantindo sua preservação para as próximas gerações. Há também um espaço de convivência que abriga um café e uma livraria temática, além de eventos culturais como lançamentos de livros, palestras e debates sobre tecnologia e sociedade.
Por sua relevância cultural, o MUSEHUM é considerado um centro de referência em comunicação e humanidades na América Latina, promovendo a integração entre memória, inovação e cidadania. Sua proposta é reafirmar que a comunicação, em todas as suas formas, é o elo que conecta a história humana.
Ligações externas
Referências
- ↑ a b «Museu das Telecomunicações». Oi Futuro. Consultado em 21 de setembro de 2017
- ↑ «MUSEUM – Museu das Comunicações e Humanidades». Catraca Livre. 2025. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ «MUSEUM – Museu das Comunicações e Humanidades». Catraca Livre. 2025. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ «Musehum». Instituto Futuros. 22 de maio de 2018. Consultado em 29 de outubro de 2025