Muralhas de Portimão
| Castelo de Portimão | |
|---|---|
![]() Fotografia aérea de uma secção da Muralha, em Janeiro de 2025 | |
| Informações gerais | |
| Nomes alternativos | Muralhas de Portimão |
| Tipo | Castelo |
| Estado | Ruínas |
| Aberto ao público | |
| Património de Portugal | |
| Classificação | IIP |
| Ano | 1993 |
| DGPC | 74640 |
| SIPA | 1298 |
| Geografia | |
| País | |
| Localidade | Portimão |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
O Castelo de Portimão, também denominado como Muralhas de Portimão, é um monumento militar na cidade de Portimão, na região do Algarve, em Portugal.
Descrição
O recinto amuralhado de Portimão, quando estava completo, formava um polígono de planta irregular, com uma área interior de mais de seis hectares.[1] As muralhas estavam dispostas numa configuração de dentes de serra,[2] e tinham caminhos de ronda no topo, como se pode comprovar nalguns dos lanços sobreviventes.[1] Contava com quatro portas principais, protegidas por torres geminadas, e o lanço junto das margens do rio tinha um baluarte e um barbacã.[2]

O percurso das muralhas acompanhava parcialmente as margens do Rio Arade, e encerrava a zona mais elevada da vila, onde se encontrava igualmente a Igreja Matriz.[1] No interior, a malha urbana estava disposta principalmente em três eixos viários, que se associavam às portas da Ribeira, Serra e São João.[1] A Porta da Ribeira situava-se sensivelmente na extremidade ocidental da moderna Rua Júdice Fialho, na margem do rio, sendo então a principal passagem para as pessoas e mercadorias vindos por via fluvial e marítima.[3] A Porta da Serra ligava-se à estrada para Monchique, e ficou na toponímia local como a Rua da Porta da Serra, localizando-se sensivelmente no ponto em que esta se une à Rua da Igreja.[3] A Porta de São João erguia-se na presente Rua Direita, no acesso entre Portimão e Alvor, função que este eixo continua a desempenhar.[3] Também existiam várias portas de dimensões mais reduzidas, conhecidas como postigos, sendo o de Santa Isabel situado na extremidade da rua com o mesmo nome, dando para o rio, enquanto que o dos Fumeiros encontrava-se no Largo Francisco A. Maurício, e o da Igreja abria-se nas imediações da Igreja Matriz.[3]
A área mais antiga de Portimão situava-se nas imediações da Porta da Ribeira, no ponto mais próximo das margens do rio, e onde ainda sobreviveram alguns elementos manuelinos, como uma porta na Rua de Santa Isabel.[1] Grande parte das muralhas foi destruída, tendo restado apenas alguns pequenos lanços, adossados a prédios.[1] O maior situa-se entre a Porta da Serra e o Postigo dos Fumeiros, sendo ainda visível parte do caminho de ronda, tendo também sobrevivido parte do antigo lanço entre o Postigo da Igreja e a Porta de São João.[1] Também foram encontrados vestígios das muralhas no interior de uma loja, no lado oriental da Praça da República, nas imediações do edifício da Igreja dos Jesuítas,[4] e no interior de um prédio na Rua Ernesto Cabrita, tendo neste último caso sido identificado um lanço da muralha, com uma possível poterna.[5]

História
Nos finais da Idade Média, a vila de Portimão já se tinha afirmado como um importante centro urbano, devido sobretudo à sua situação geográfica, junto ao oceano e à foz do Rio Arade, que era então o principal eixo fluvial na província.[1] Assim, tornou-se necessário construir um círculo de muralhas para proteger o burgo,[1] tendo a sua instalação sido ordenada pelo rei D. Afonso V em 1476.[2] O responsável pelas obras foi o primeiro donatário, Gonçalo Vaz Castelo Branco,[1] que também foi responsável pela edificação da Igreja Matriz.[6] Desta forma, tanto as muralhas como a igreja constituem importantes testemunhos de um período de grande desenvolvimento de Portimão.[6]
Em 1616 as muralhas foram reparadas, tendo provavelmente sido obras de pequenas dimensões, uma vez que o povoado já então se encontrava em franca expansão para as áreas exteriores.[7] Um dos principais edifícios a serem construídos fora das muralhas foi o Colégio dos Jesuítas, inaugurado nos princípios do século XVII, numa área que então conhecida como Rossio.[4] Como forma de responder a este crescimento urbano, o engenheiro Alexandre Massai chegou a planear a instalação de um novo sistema defensivo, cobrindo as novas áreas, mas nunca chegou a ser construído.[7] Com efeito, no século XVII já se tinham começado a operar grandes alterações na defesa da faixa costeira, com a implementação de fortalezas em pontos estratégicos da costa, em detrimento das antigos antigos recintos de muralhas em torno das cidades, tendo sido como parte destas novas orientações que foi instalado o Forte de Santa Catarina.[7]
Posteriormente, a maior parte das muralhas foram demolidas devido ao desenvolvimento da cidade, com a construção de novos prédios, alterando significativamente a configuração urbana.[1] Os vestígios das muralhas foram classificados como Imóvel de Interesse Público em 1993.[8]
Entretanto, em 1974 foi publicado o livro As Muralhas de Portimão, da autoria de Francisco José Carrapiço, Jaime Aschemann Palhinha e José Manuel Brázio, que além de informar sobre o monumento, também tinha como finalidade chamar a atenção dos habitantes para a necessidade de valorizar o património da cidade.[9] A obra foi relançada em 12 de Dezembro de 2025, no âmbito das comemorações do 101º aniversário da elevação de Portimão a cidade.[10]
Em 2015 foram encontrados vestígios das muralhas, durante trabalhos arqueológicos de acompanhamento às obras de conversão de um prédio num estabelecimento hoteleiro, na Rua Ernesto Cabrita.[5] Esta descoberta teve especial interesse devido à presença de uma poterna naquele lanço da muralha, elemento que não estava presente nos documentos históricos.[5] Depois de trabalhos de recuperação, os vestígios foram incorporados no novo imóvel, de forma a promover a sua valorização.[5]
Ver também
- Lista de património edificado em Portimão
- Castelo de Albufeira
- Castelo de Alvor
- Castelo de Faro e Muralhas de Faro
- Castelo de Lagos
- Castelo de Paderne
- Castelo de São João do Arade
- Castelo de Silves
- Fortaleza de Sagres
- Forte de Santa Catarina (Portimão)
- Quinta do Morais
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k «Muralhas de Portimão». Junta de Freguesia de Portimão. Consultado em 17 de Maio de 2024
- ↑ a b c «Portimão - Muralha». Portal do Arqueólogo. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 17 de Maio de 2024
- ↑ a b c d «Componente Património Cultural» (PDF). Museu de Portimão. Consultado em 17 de Maio de 2024
- ↑ a b NETO, João; VIEGAS, Patrícia; GIEBELS, Daniel (2005) [1991]. «Colégio de São Sizenando / Colégio de São Francisco Xavier / Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Portimão». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Junho de 2024
- ↑ a b c d «Reabilitação de um imóvel para instalação do Hostel Cultural». Engobe - Arqueologia e Património. 2015. Consultado em 31 de Dezembro de 2025
- ↑ a b «História». Câmara Municipal de Portimão. Consultado em 17 de Maio de 2024
- ↑ a b c «Muralhas de Portimão». Património Cultural. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 8 de Junho de 2024
- ↑ PORTUGAL. Decreto n.º 45/93, de 30 de Novembro. Presidência do Conselho de Ministros. Publicado no Diário do Governo n.º 280, Série I-B, de 30 de Novembro de 1993.
- ↑ RODRIGUES, Elisabete (26 de Dezembro de 2025). «Sabia que Portimão tem muralhas?». Sul Informação. Consultado em 31 de Dezembro de 2025
- ↑ «Portimão lança reedição do livro 'As Muralhas de Portimão Subsídios para o estudo da história local'». Região Sul. 9 de Dezembro de 2025. Consultado em 31 de Dezembro de 2025
Ligações externas
- Muralhas de Portimão na base de dados Ulysses da Direção-Geral do Património Cultural
- Muralhas de Portimão / Cerca urbana de Portimão na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
- Portimão - Muralha na base de dados Portal do Arqueólogo da Direção-Geral do Património Cultural
