Movimento Mulher, Vida, Liberdade
| Movimento Mulher, Vida, Liberdade | |
|---|---|
| Parte de Protestos contra a morte de Mahsa Amini e Protestos no Irã contra o uso obrigatório do hijab | |
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| Período | setembro de 2022 – presente |
| Local | Irã |
| Objetivos |
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| Métodos |
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| Situação | Em andamento |
O Movimento Mulher, Vida, Liberdade é um movimento que surgiu no Irã em setembro de 2022, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem curda presa pela polícia da moralidade por não usar o hijab corretamente.[1] O movimento exige o fim das leis que obrigam o uso do hijab e de outras formas de discriminação e opressão contra as mulheres no Irã, além de reivindicar maior liberdade de expressão, política e religiosa.[2] O incidente provocou indignação no Irã, onde a raiva contra o governo já era intensa, e desencadeou protestos amplos e contínuos.
O movimento foi recebido com brutal repressão pelas autoridades iranianas, que mataram centenas de manifestantes e prenderam milhares. Durante meses, os protestos ofereceram esperança de mudanças significativas. As mulheres apareciam frequentemente em público sem usar o hijab obrigatório, a polícia da moralidade aparentemente desapareceu e rumores circulavam de que o governo poderia abolir completamente a obrigatoriedade do uso do hijab.[3][4][5][6][7][8] O movimento também conquistou apoio e reconhecimento internacional e recebeu o Prêmio Liberdade de 2023 da Freedom House[9] e o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, ambos em outubro de 2023.[10]
Etimologia

O lema “Mulher, Vida, Liberdade” tem origem no movimento de mulheres curdas, que luta pelos direitos e pela autonomia das mulheres no Oriente Médio há décadas. O lema expressa a ideia de que os direitos das mulheres são essenciais para a vida e a liberdade, e que as mulheres devem ter a liberdade de escolher como se vestir, viver e participar da sociedade. O movimento evoluiu sob o confederalismo democrático de Abdullah Öcalan para o paradigma teórico da jineologia. Em curdo, o lema é conhecido como “Jin, Jiyan, Azadî” e em persa como “Zan, Zendegī, Āzādī”.
História
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Mahsa Amini (em curdo: مەھسا ئەمینی, em persa: مهسا امینی) também conhecida como Zhina Amini ou Jina Amini (em curdo: ژینا امینی), então com 22 anos, foi detida e morta pela polícia da moralidade iraniana por supostamente usar o hijab islâmico obrigatório de forma muito frouxa. Mulheres e meninas que vivem sob o regime da República Islâmica sempre viveram em sistemas estruturais extremos, focados em oprimi-las. O movimento busca ampliar o conjunto de ferramentas morais, políticas e jurídicas disponíveis para mobilizar a ação internacional contra o regime que oprime mulheres por causa de seu gênero e, em última instância, acabar com ele.[11] A morte de Mahsa Amini refletiu o autoritarismo crescente e implacável do regime iraniano em um momento de profunda instabilidade econômica.[12] A canção “The Air of Freedom”, com letra de Fatemeh Dogoharani, interpretada por Parastoo Ahmadi e lançada em junho de 2023, é uma homenagem ao movimento.[13]
Situação
O movimento permanece ativo no Irã, apesar da dura repressão das autoridades iranianas.[14] Grandes protestos de rua em todo o país, como os ocorridos entre o final de 2022 e o início de 2023, foram amplamente reprimidos por meio de violência estatal, prisões em massa e execuções. Apesar disso, grupos de direitos humanos e pesquisadores descrevem uma revolução silenciosa, na qual muitas mulheres continuam a desafiar as regras do hijab obrigatório, a contestar a segregação de gênero e a resistir ao controle estatal no cotidiano.
Após a República Islâmica censurar as redes sociais do “Pacto” e da “Aliança da Juventude de Bairro do Irã”, a liderança do movimento passou para uma coalizão de líderes da oposição iraniana, incluindo o príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi. Eles disseminaram suas mensagens principalmente por meio de canais de televisão como a BBC. No entanto, apesar de seus esforços, o movimento acabou se desintegrando.
Mohammad Khatami, ex-presidente reformista do Irã, afirmou que o “belo slogan” “Mulher, Vida, Liberdade” demonstra que a sociedade iraniana caminhava rumo a um futuro melhor.[15]
Resultados
O movimento gerou uma resistência social irreversível entre a jovem geração do Irã, que acredita que os direitos das mulheres são o principal marco para mudar seu futuro e um símbolo de resistência à influência corrupta do governo, responsável pela pobreza, insegurança e desemprego.[16] Em 28 de maio de 2024, a cidade de Los Angeles proclamou o dia 16 de setembro de cada ano como o Mahsa Day (Dia de Mahsa)[17] e também votou para que um cruzamento em Westwood fosse chamado de Women, Life, Freedom Square.[18] A solidariedade fora do Irã se estendeu: no Canadá, comunidades iranianas-canadenses realizaram protestos em larga escala em grandes cidades como Vancouver. Um exemplo disso ocorreu em 16 de setembro de 2023, quando centenas de manifestantes se reuniram na Galeria de Arte de Vancouver em um protesto que marcou o aniversário da morte de Mahsa Amini.[19] Juntos, eles entoaram o lema pelas ruas do centro da cidade. Pessoas em todo o mundo têm se mobilizado para obter reconhecimento pelas ações do governo iraniano e pelas causas dessa tragédia. Também houve uma manifestação em Berlim, na Alemanha com a presença de mais de oitenta mil pessoas.[20]
Lemas
- “Zan, Zendegī, Āzādī” (Mulher, Vida, Liberdade)
- “Marg Ba Jomhouri Eslami” (Morte à República Islâmica)[25]
- “Marg Ba Dictator” (Morte ao ditador)[26]
- “Rahbar Dictator” (O Líder Supremo é um ditador)
- “Whether with or without a hijab; forward to the revolution” (Com ou sem hijab; vamos para a revolução)[27]
Ver também
Referências
- ↑ «Iraniana que morreu por 'usar véu errado' recebeu golpe na cabeça dos policiais, afirma primo». G1. 28 de setembro de 2022. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Dagres, Holly (14 de dezembro de 2022). «Iran's protests intensify calls for Shia clerics to step back from politics». Atlantic Council (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Woman, Life, Freedom | Iran, Movement, History, & Jina Mahsa Amini | Britannica». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Iran: International community must stand with women and girls suffering intensifying oppression». Amnesty International (em inglês). 26 de julho de 2023. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Women's Rights in Iran | Human Rights Watch» (em inglês). 28 de outubro de 2015. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Iranian Women's Demands for Freedom Must Be Heard | Human Rights Watch» (em inglês). 16 de novembro de 2022. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Iranian Women Are Protesting, And They're All Using This Rallying Cry». Women's Health (em inglês). 16 de novembro de 2022. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Unveiling Resistance: The Struggle for Women's Rights in Iran | Human Rights Watch» (em inglês). 26 de junho de 2023. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «'Women, Life, Freedom' Movement Wins 2023 Freedom House Award». www.iranintl.com (em inglês). 10 de maio de 2023. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Top EU human rights prize awarded to Mahsa Amini». euronews (em inglês). 19 de outubro de 2023. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «What's changed for women in Iran one year after Mahsa Amini's death». PBS News (em inglês). 16 de setembro de 2023. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Woman, Life, Freedom | Iran, Movement, History, & Jina Mahsa Amini | Britannica». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «پرستو احمدی و «کنسرت فرضی» کاروانسرا؛ قوه قضاییه از برخورد قضایی خبر داد». BBC News فارسی (em persa). 12 de dezembro de 2024. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «'Women, Life, Freedom' Movement Wins 2023 Freedom House Award». www.iranintl.com (em inglês). 10 de maio de 2023. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Iran protests: Ex-president Khatami says rulers must heed protesters' demands» (em inglês). 6 de dezembro de 2022. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «What's changed for women in Iran one year after Mahsa Amini's death». PBS News (em inglês). 16 de setembro de 2023. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Goode, Jason (20 de setembro de 2023). «PHOTOS: Mahsa Day in downtown Los Angeles». Annenberg Media (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Folven, Edwin (19 de setembro de 2024). «Women Life Freedom Square honors legacy of Mahsa Amini». Beverly Press & Park Labrea News (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Williams, Pippa Norman, Michael (17 de setembro de 2023). «Vancouver protest marks Masha Amini death». CityNews Vancouver (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Mahsa Amini: 80 mil pessoas vão às ruas de Berlim em apoio a protestos no Irã». O Globo. 22 de outubro de 2022. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ سردادن شعار رضاشاه روحت شاد در تجمعات شبانه مردم گلپایگان (em persa), 18 de maio de 2022, consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ لندن, کیهان. «مردم ایذه در همبستگی با تظاهرات خوزستان: رضاشاه روحت شاد! از خوزستان تا تهران جانم فدای ایران! بختیاری با عرب، اتحاد اتحاد!» (em persa). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «گسترش اعتراضها در شهرهای ایران؛ کشتهشدن بیش از ۱۰ معترض». ایران اینترنشنال (em persa). 16 de novembro de 2019. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ فردا, رادیو (18 de setembro de 2022). «خشم عمومی از جانباختن مهسا امینی؛ معترضان شعار «زن، زندگی، آزادی» سر دادند». رادیو فردا (em persa). Consultado em 16 de janeiro de 2026
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- ↑ شعار «چه با حجاب، چه بیحجاب؛ پیش بسوی انقلاب»؛ شعار دانشجویان (em persa), 2 de novembro de 2022, consultado em 16 de janeiro de 2026
