Santuário de São Miguel Arcanjo

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O Santuário de São Miguel Arcanjo (em italiano: Santuario di San Michele Arcangelo), às vezes chamado simplesmente de Monte Sant'Angelo, é um santuário católico na região do também chamado Monte Gargano, na Itália, parte do município de Monte Sant'Angelo, na província de Foggia, no norte de Apúlia.[1]
É o mais antigo santuário na Europa Ocidental dedicado ao arcanjo São Miguel e tem sido um importante local de peregrinação desde a Idade Média.[1] O sítio histórico e seus arredores são protegidos pelo Parque Nacional do Gargano.
Em 2011, tornou-se Património Mundial pela UNESCO como parte de um grupo de sete, inscritos como Lombardos na Itália. Locais do poder (568-774).
História
A aparição do arcanjo São Miguel no Monte Gargano está relacionada no Breviário Romano de 8 de maio, bem como na Legenda Áurea, o compêndio sobre os santos cristãos que foi compilado por Jacopo de Varazze entre 1260-1275.
Segundo os relatos, por volta do ano 490 o Arcanjo São Miguel apareceu várias vezes ao Bispo de Siponto perto de uma caverna, pedindo que a caverna fosse dedicada ao culto cristão[1] e que se desse proteção a cidade vizinha de Siponto de invasores pagãos. Estas foram as primeiras aparições do Arcanjo Miguel na Europa Ocidental.
O Papa Gelásio I (492–496) determinou que uma basílica fosse erigida no local. A Basílica de São João na Tumba é o lugar de descanso final do rei lombardo Rotário (falecido em 652), a designação de tumba é agora aplicada à cúpula sobre "squinches". A Tumba de Rotário é um batistério do século II com cobertura em forma de arredondada.
As aparições de São Miguel Arcanjo
As aparições tradicionalmente associadas ao santuário são quatro:[2]
Primeira aparição: o episódio do touro
Segundo narrado no Liber de apparitione Sancti Michaelis sucedeu-se da seguinte forma:
| “ | Nessa cidade vivia um homem muito rico chamado Gargano, que, em virtude de suas aventuras, deu nome à montanha. Enquanto seus rebanhos pastavam aqui e ali nas encostas íngremes da montanha, aconteceu que um touro, que desprezava a proximidade de outros animais e tinha o costume de vagar sozinho, não retornou ao estábulo ao voltar do rebanho. O senhor, tendo reunido um grande número de servos, procurou-o em todos os lugares mais inacessíveis e finalmente o encontrou no topo da montanha, em frente a uma gruta. Movido pela raiva por o touro estar pastando sozinho, pegou seu arco e tentou acertá-lo com uma flecha envenenada. A flecha, desviada pelo vento, atingiu o próprio homem que a atirara.
Perturbado com o ocorrido, ele foi até o bispo, que, após ouvir a história da extraordinária aventura, ordenou três dias de oração e jejum. Ao final do terceiro dia, o Arcanjo Miguel apareceu ao Bispo Maiorano e lhe disse: "Fizeste bem em pedir a Deus o que estava oculto aos homens. Um milagre atingiu o homem com sua própria flecha, para que ficasse claro que tudo isso acontece por minha vontade. Eu sou o Arcanjo Miguel e estou sempre na presença de Deus. A gruta é sagrada para mim. E como decidi proteger este lugar e seus habitantes na terra, quis testemunhar desta forma que sou o patrono e guardião deste lugar e de tudo o que ali acontece. Onde a rocha se abre, os pecados dos homens podem ser perdoados. Tudo o que for pedido aqui em oração será concedido. Portanto, vá à montanha e consagre a gruta ao culto cristão." |
” |
— Le quattro apparizioni.[3].
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Segunda aparição: o episódio da vitória
A segunda aparição de São Miguel, chamada "da Vitória", é tradicionalmente datada do ano 492. Os estudiosos, no entanto, atribuem o episódio à batalha entre os bizantinos e os lombardos em 662-663: os gregos atacaram o santuário de Gargano, que era defendido por Grimualdo I de Benevento.[4]
Terceira aparição: a Dedicação
Em 493, após a vitória, o bispo Lorenzo Maiorano, com a intenção de cumprir a ordem do Arcanjo de consagrar a gruta a São Miguel como sinal de gratidão, viajou a Roma para ver o Papa Gelásio I. O Papa Gelásio deu-lhe um parecer favorável, ordenando-lhe que entrasse na gruta e a consagrasse, juntamente com os bispos da Puglia, após um jejum penitencial. Encorajado por isso, o bispo cumpriu a ordem. No entanto, o Arcanjo apareceu ao santo bispo pela terceira vez, anunciando que a cerimónia de consagração não seria necessária, uma vez que ele próprio já tinha consagrado a gruta com a sua presença. O bispo ordenou então a construção de uma igreja em frente à entrada da gruta, que foi dedicada ao Arcanjo Miguel a 29 de setembro de 493. A gruta sagrada permanece até hoje um local de culto nunca consagrado por mãos humanas e ao longo dos séculos recebeu o título de "Basílica Celestial".[5]
Quarta aparição
Era o ano de 1656 e uma terrível peste assolava o sul da Itália. O arcebispo Alfonso Puccinelli, não encontrando nenhum obstáculo humano para conter o avanço da epidemia, voltou-se para o Arcanjo Miguel com orações e jejum. O pastor chegou a considerar forçar a vontade divina, deixando uma oração escrita em nome de toda a cidade nas mãos da estátua de São Miguel. E eis que, ao amanhecer de 22 de setembro, enquanto orava em um aposento do palácio episcopal de Monte Sant'Angelo, sentiu algo como um terremoto, e então São Miguel lhe apareceu em esplendor deslumbrante e ordenou-lhe que abençoasse as pedras de sua gruta, gravando nelas o sinal da cruz e as letras M.A. (Miguel Arcanjo). Qualquer pessoa que guardasse devotamente essas pedras estaria imune à peste. O bispo fez como lhe foi dito. Logo, não só a cidade foi libertada da peste, como o Arcanjo havia prometido, mas também todos aqueles que solicitaram tais pedras, onde quer que estivessem. Em memória perpétua do milagre e em eterna gratidão, o Arcebispo ergueu um monumento a São Miguel na praça da cidade, onde permanece até hoje, de frente para a sacada do quarto onde se diz ter ocorrido a aparição. Nele está inscrita a seguinte imagem em latim: Ao Príncipe dos Anjos, Vencedor da Peste, Patrono e Guardião, monumento de eterna gratidão. Alfonso Puccinelli, 1656.[6]
O arcebispo Puccinelli também mandou esculpir uma estátua com a mesma imagem, utilizando pedras das cavernas próximas ao local da aparição, para ser doada à República de Lucca (sua cidade natal) como símbolo de agradecimento. Ela ainda se encontra hoje na Igreja de São Miguel no Fórum.[7]
Arquitetura
O complexo de edifícios consiste no Batistério de São João, danificado em 1942, e na Igreja de Santa Maria Maior. O batistério apresenta um piso retangular sobre a qual apoia um suporte octógono que suporta alta cúpula. A igreja erguida no século XI pelo Arcebispo Leoa está em cima dos restos de uma antiga necrópole.
O castelo foi ampliado pelos normandos acima de uma residência episcopal do bispo de Benevento, para proporcionar um assento apropriado para a "Honra Montis Sancti Angeli", posteriormente foi modificado por Frederico II.[8] O maciço campanário octogonal foi construído no final de XIII século também por Frederico II como uma torre de vigia. Ele foi transformado em uma torre sineira por Carlos I de Anjou.
A caverna no seu lado esquerdo,[8] com seu poço sagrado, está cheio de ofertas votivas, especialmente o trono em mármore,do século XII, apoiado sobre leões agachados.[9]
Ver também
Referências
- ↑ a b c «San Michele Arcangelo». Cripte e Santi (em italiano). enec.it. Consultado em 29 de julho de 2013
- ↑ Le quattro apparizioni. Santuario di San Michele Arcangelo. Consultado em 01 de novembro de 2025.
- ↑ Le quattro apparizioni. Santuario di San Michele Arcangelo. Consultado em 02 de novembro de 2025.
- ↑ Le quattro apparizioni. Santuario di San Michele Arcangelo. Consultado em 3 de novembro de 2025.
- ↑ Le quattro apparizioni. Santuario di San Michele Arcangelo. Consultado em 5 de novembro de 2025.
- ↑ Le quattro apparizioni. Santuario di San Michele Arcangelo. Consultado em 5 de novembro de 2025.
- ↑ Le quattro apparizioni. Santuario di San Michele Arcangelo. Consultado em 5 de novembro de 2025.
- ↑ a b «Monte Sant'Angelo (FG) e il Santuario di San Michele Arcangelo». Fuori dal Caos (em italiano). fuoridalcaos.com. 10 de agosto de 2009. Consultado em 29 de julho de 2013. Arquivado do original em 13 de julho de 2013
- ↑ As ofertas tem sido objeto de estudos por Giovanni Battista Bronzini, Ex voto e Santuari in Puglia: 1. Il Gargano (Florence:Olschki) 1993.
Bibliografia
- Arnold, J.C. "Arcadia Becomes Jerusalem: Angelic Caverns and Shrine Conversion at Monte Gargano." Speculum vol. 75 (Julho 2000), pp. 567–88
- N. Everett, "The Liber de apparitione S. Michaelis in Monte Gargano and the hagiography of dispossession", Analecta Bollandiana 120 (2002), 364-391. dates c.663-750).
Ligações externas
- Santuário de São Miguel Arcanjo – Site oficial
| O Santuário de Monte Sant'Angelo Santuário de São Miguel Arcanjo faz parte do sítio "Longobardos na Itália. Locais do poder (568-774 d.C.)", Património Mundial da UNESCO. |
