Piet Mondrian

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Piet Mondrian
NascimentoPieter Cornelis Mondriaan
7 de março de 1872
Amersfoort
Morte1 de fevereiro de 1944 (71 anos)
Nova Iorque
SepultamentoCemitério de Cypress Hills
NacionalidadePaíses Baixos
CidadaniaReino dos Países Baixos
Progenitores
  • Pieter Cornelis Mondriaan
Alma materAcademia Real de Arte
OcupaçãoPintor
Obras destacadasVictory Boogie-Woogie, Broadway Boogie-Woogie, Composição II em Vermelho, Azul e Amarelo
Movimento estéticoNeoplasticismo, Cubismo e Abstracionismo
Causa da mortepneumonia

Pieter Cornelis Mondrian, geralmente conhecido por Piet Mondrian (Amersfoort, 7 de março de 1872 - Nova Iorque, 1 de fevereiro de 1944), foi um pintor neerlandês modernista. Criou o movimento artístico neoplasticismo e colaborou com a revista De Stijl e depois com as formas da pintura concreta.

Carreira

Mondrian é considerado como um dos maiores artistas do século XX, e conhecido por ser um dos pioneiros da arte abstrata, pois mudou sua direção artística da pintura figurativa para um estilo cada vez mais abstrato, até chegar a um ponto em que seu vocabulário artístico foi reduzido a simples elementos geométricos.[1][2][3][4][5]

A arte de Mondrian era altamente utópica e preocupava-se com a busca de valores universais e estéticos. Ele proclamou em 1914: "A arte é superior à realidade e não tem relação direta com a realidade. Para abordar o espiritual na arte, far-se-á o menor uso possível da realidade, pois a realidade se opõe à espiritual. Encontramo-nos na presença de uma arte abstrata. A arte deveria estar acima da realidade, caso contrário não teria valor para o homem".[1][2][3][4][5]

Piet Mondrian painting Gray Tree, 1911, in the Gemeentemuseum Den Haag
Gray Tree, 1911, Kunstmuseum Den Haag, uma experimentação inicial com o cubismo[6]

Foi colaborador do movimento e grupo artístico De Stijl, que co-fundou com Theo van Doesburg. Ele desenvolveu uma forma não-representacional que ele chamou de Neoplasticismo. Essa era a nova "arte plástica pura" que ele acreditava ser necessária para criar a "beleza universal". Para expressar isso, Mondrian finalmente decidiu limitar seu vocabulário formal às três cores primárias (vermelho, azul e amarelo), aos três valores primários (preto, branco e cinza) e às duas direções primárias (horizontal e vertical). A chegada de Mondrian a Paris, vindo da Holanda em 1911, marcou o início de um período de profundas mudanças. Encontrou experiências no cubismo e, com a intenção de integrar-se na vanguarda parisiense, retirou um "a" da grafia holandesa de seu nome (mondriaano).[1][2][3][4][5]

O trabalho de Mondrian teve uma enorme influência na arte do século XX, influenciando não apenas o curso da pintura abstrata e inúmeros estilos e movimentos artísticos importantes (por exemplo, pintura de campo de cores, expressionismo abstrato e minimalismo), mas também campos fora do domínio da pintura, como design, arquitetura e moda. O historiador do design Stephen Bayley disse: "Mondrian passou a significar Modernismo. Seu nome e sua obra resumem o ideal modernista. Não gosto da palavra 'icônico', então digamos que ele se tornou totêmico – um totem para tudo o que o modernismo se propôs a ser".[1][2][3][4][5]

Piet Mondriaan abstract painting "Composition No. 10" from 1939–42
Composição nº 10 (1939-1942), óleo sobre tela, coleção particular. O artista Theo van Doesburg sugeriu uma ligação entre obras de arte não representacionais e ideais de paz e espiritualidade[7]
A painting of yellow, red, and blue lines arranged in a woven lattice or grid-like pattern.
New York City (1942), Paris, Centre Pompidou

Biografia de Piet Mondrian

Piet Mondrian nasceu a 7 de março de 1872 em Amersfoort, na Kortegracht 11, como o segundo de cinco filhos de Pieter Cornelis Mondriaan (1839–1915) e da sua esposa Johanna Christina Mondriaan (nascida Kok, 1839–1909). Em 1880, a família mudou-se para Winterswijk, perto da fronteira alemã.[8] Os seus irmãos eram Johanna Christina, Willem-Frederik, Louis Cornelis e Carel. A mãe estava frequentemente doente e a única filha, Christina (* 1870), teve de "gerir" a casa com apenas oito anos de idade, enquanto o pai, que seguiu a carreira docente, preferia fazer horas extraordinárias voluntárias e, como ferrenho calvinista, viajava frequentemente ao serviço da sua igreja. Mondrian, que teve de abdicar da proximidade com o pai, perdeu a confiança básica nos seus semelhantes após o fim da infância, de modo que nunca estabeleceu uma relação duradoura.[9]

A partir de 1886, teve aulas de desenho com o seu tio Frits Mondriaan, um estimado pintor de paisagens e interiores,[10] e com o seu pai.[11] Mondrian deveria tornar-se professor por vontade do pai e ambicionou a carreira de professor de desenho. Para tal, obteve em 1889 a habilitação para o ensino em escolas primárias e, em 1892, a habilitação como professor de desenho para escolas secundárias. Contudo, como Mondrian não sentia vocação para o magistério, decidiu iniciar os seus estudos de arte na Rijksakademie van beeldende kunsten, em Amesterdão, ainda em novembro de 1892,[12] os quais prosseguiu até 1894, com cursos noturnos subsequentes até 1897. No mesmo ano, ingressou na Gereformeerde Kerk, uma comunidade religiosa calvinista ortodoxa.

Autorretrato, c. 1900, Phillips Collection, Washington, D.C.

Durante o inverno de 1899/1900, a questão da Teosofia ganhou importância para Mondrian, que passou a ler livros diretamente relacionados com o tema. Entusiasmou-se especialmente pela obra Les Grands Initiés (Os Grandes Iniciados), de Édouard Schuré, cuja primeira edição fora publicada em 1889.[13] Nos anos de 1898 e 1901, candidatou-se ao "Prix de Rome" neerlandês, o prémio de arte mais prestigiado dos Países Baixos. O júri rejeitou-o em ambas as ocasiões.[14]

Mondrian, 1899
Simon Maris: Mondrian a pintar no Rio Gein, 1906, Kunstmuseum Den Haag

Após Piet Mondrian ter vendido duas naturezas-mortas e executado uma encomenda de retrato, viajou para a Espanha em 1901 com o seu amigo, o pintor Simon Maris. Como não se sentiu confortável lá, regressou rapidamente à sua terra natal. Não conseguiu pintar nada na Espanha – a luz era demasiado distinta em comparação com a da sua pátria. Em 1904, viveu isolado em Uden, onde se aprofundou no estudo da teosofia, um processo que duraria até ao fim da sua vida.[15]

Em 1905, Mondrian mudou-se para o seu primeiro ateliê em Amesterdão, onde produziu principalmente trabalhos naturalistas e desenhos científicos para a Universidade de Leiden até 1908.[11] Em 1908, instalou-se em Domburg, em Walcheren, na Zelândia, onde passou os meses de verão até 1910. Foi nomeado, ao lado de Jan Toorop e Jan Sluijters, para a direção do "Moderne Kunstkring", fundado em 1910 pelo pintor e crítico de arte neerlandês Conrad Kickert, que existiu até 1916.[16]

Em 1909, Mondrian ingressou na Sociedade Teosófica em Amesterdão.[17] A morte da sua mãe no mesmo ano perturbou-o e a sua paleta de cores mudou de tons claros e alegres para cores sombrias e intensas.[18] Em junho de 1911, viajou para Paris por dez dias, presumivelmente para preparar a exposição seguinte do Moderne Kunstkring. Um noivado ocorrido no outono com Greet Heybroek foi por ele dissolvido.[19]

De 6 de outubro a 5 de novembro de 1911, ocorreu a primeira exposição do Moderne Kunstkring no Stedelijk Museum, em Amesterdão, com um total de 166 peças expostas, entre as quais 93 obras de artistas estrangeiros. O evento constituiu uma homenagem a Paul Cézanne e apresentou 28 das suas obras, além de trabalhos de Georges Braque, Pablo Picasso, André Derain, Raoul Dufy e outros artistas modernos. Mondrian exibiu seis obras, incluindo Evolução e O Moinho Vermelho.[16]

Obras

Algumas das seguintes obras referem-se a nomes genéricos repetidos exaustivamente por Mondrian.

  • Árvores a luz da Lua - 1908
  • Paisagem - 1909
  • A Igreja de Domburg - 1910
  • Macieira em flor - 1912
  • Composição (árvore) - 1913
  • Composição com cores B - 1917
  • Composição com vermelho, amarelo e azul - 1921
  • Composição com amarelo - 1930
Mondrian dresses by Yves Saint Laurent shown with a Mondrian painting in 1966
Vestidos Mondrian de Yves Saint Laurent mostrados com uma pintura de Mondrian em 1966

Ver também

Referências

  1. a b c d Gardner, Helen; Kleiner, Fred S.; Mamiya, Christin J. (2006). Gardner's Art Through the Ages: The Western Perspective (em inglês). [S.l.]: Wadsworth/Thomson Learning 
  2. a b c d Bois, Yve-Alain (4 de maio de 1993). Painting as Model (em inglês). [S.l.]: MIT Press 
  3. a b c d Faerna, José María (ed.) (1997). Mondrian Great Modern Masters. New York: Cameo/Abrams. ISBN 0-8109-4687-4
  4. a b c d anssen, Hans (2008). Mondriaan in het Gemeentemuseum Den Haag. [The Hague]: Gemeentemuseum Den Haag. ISBN 978-90-400-8443-0
  5. a b c d Welsh, Robert P., Joop J. Joosten, and Henk Scheepmaker (1998). Piet Mondrian: Catalogue Raisonné, translated by Jacques Bosser. Blaricum: V+K Publishing/Inmerc.
  6. SHAPIRO, Meyer; Mondrian - a dimensão humana da pintura abstrata; São Paulo: Cosac e Naify, 2001; ISBN 857503077
  7. Lodder, Kokkori & Mileeva 2013, p. 57.
  8. Michel Seuphor: Piet Mondrian. Leben und Werk. Verlag M. DuMont Schauberg, Colónia 1957, p. 44.
  9. Susanne Deicher: Mondrian. p. 7 f., 93.
  10. Michel Seuphor: Piet Mondrian. Leben und Werk. Colónia 1957, p. 45.
  11. a b Katrin Sello (Prefácio): Malewitsch-Mondrian. Konstruktion als Konzept. Alexander Dorner gewidmet. Kunstverein Hannover, Hanover 1977, p. 200.
  12. Michel Seuphor: Piet Mondrian. Leben und Werk. p. 46.
  13. Michel Seuphor, p. 54.
  14. Susanne Deicher: Mondrian. p. 15.
  15. Michel Seuphor, p. 54 f.
  16. a b De Moderne Kunstkring. In: kubisme.info, consultado em 16 de fevereiro de 2012.
  17. Michel Seuphor, p. 58.
  18. Susanne Deicher: Mondrian. p. 24 f.
  19. Joop M. Joosten, Robert P. Welsh: Piet Mondrian. Catalogue Raisonné. Volume I, p. 131 f.

Ligações externas