Moe aikane
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No Havaí pré-colonial, moe aikāne designava uma relação íntima entre parceiros do mesmo sexo, conhecidos como aikāne. Essas relações eram particularmente apreciadas por aliʻi nui (chefes) e por kaukaualiʻi masculinos e femininos realizando uma hana lawelawe ou um serviço esperado sem que um estigma social lhes fosse associado.[1] Havia vários termos havaianos para descrever aikāne, incluindo hoʻokamaka e noho ai (uma forma poética que se traduz como "alguém com quem se deitar").[2]
Moe aikāne foram celebrados em muitos moʻolelo (lendas e histórias), incluindo as poesias épicas de Pele e Hiʻiaka. A maioria dos chefes, incluindo Kamehameha I, tinham moe aikāne. Há relatos de que o tenente James King afirmou que "todos os chefes os tinham", e que o capitão Cook foi solicitado por um dos chefes a deixar King para trás, sendo tal pedido considerado uma grande honra. Vários membros da tripulação de Cook se referiram a essa tradição com grande desdém, e o aventureiro e marinheiro americano John Ledyard a descreveu em detalhes. Tais relacionamentos eram oficiais e de forma alguma escondidos. A relação sexual era considerada natural pelos havaianos da época.[3]
A palavra e a categoria social de aikāne refere-se a: ai ou relacionamento sexual íntimo; e kāne ou homem/marido. No moʻolelo tradicional ou cânticos, mulheres e deusas (assim como aliʻi, a nobreza tradicional das ilhas havaianas) referiam-se às suas amantes femininas como aikāne, tal como faz a deusa Hiʻiaka, com relação à sua amante Hōpoe. Durante o final do século XIX e início do século XX, a palavra aikāne foi "purificada" de seu significado sexual pelo colonialismo e, na versão impressa, significava simplesmente amigo. Contudo, nas publicações em língua havaiana, seu significado metafórico podia significar amigo ou amante sem estigmatização.[4]
Entre os homens, as relações sexuais geralmente começam quando os parceiros são adolescentes e continuam ao longo de suas vidas, mesmo que também mantenham parceiros heterossexuais.[5] Essas relações são aceitas como parte da história da antiga cultura havaiana.[6]
Enquanto o moe aikāne pode ser considerado um exemplo de relacionamento homossexual aceito em uma comunidade nominalmente heterossexual que também aceita bissexuais,[7] Kanalu G. Terry Young afirma, em seu livro Rethinking the Native Hawaiian Past, que esses relacionamentos não eram bissexuais em um sentido social. Esses relacionamentos ʻōiwi wale não eram estigmatizados no ʻano da pessoa (natureza ou caráter de alguém).
Moe aikāne é diferente de māhū, um termo havaiano tradicional que se refere a indivíduos que têm um espírito duplo: masculino e feminino.
Referências
- ↑ Kanalu G. Terry Young (25 de fevereiro de 2014). Rethinking the Native Hawaiian Past. [S.l.]: Taylor & Francis. pp. 51–52. ISBN 978-1-317-77668-0
- ↑ «God's Gay Tribe». gendertransendence (em inglês). 6 de julho de 2012. Consultado em 7 de dezembro de 2023
- ↑ Stephen O. Murray (1º de junho de 2002). Homosexualities. [S.l.]: University of Chicago Press. pp. 99–. ISBN 978-0-226-55195-1
- ↑ Noenoe K. Silva (2004). Aloha Betrayed: Native Hawaiian Resistance to American Colonialism. [S.l.]: Duke University Press Durham & London. pp. 66, 77. ISBN 0822386224
- ↑ Carol R. Ember; Melvin Ember (31 de dezembro de 2003). Encyclopedia of Sex and Gender: Men and Women in the World's Cultures Topics and Cultures A–K – Volume 1; Cultures L–Z -. [S.l.]: Springer. pp. 207–. ISBN 978-0-306-47770-6
- ↑ Michael Klarman (18 October 2012). From the Closet to the Altar: Courts, Backlash, and the Struggle for Same-Sex Marriage. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 56–. ISBN 978-0-19-992210-9 Verifique data em:
|data=(ajuda) - ↑ William Kornblum (31 de janeiro de 2011). Sociology in a Changing World. [S.l.]: Cengage Learning. 165 páginas. ISBN 978-1-111-30157-6
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