Miriam Pillar Grossi

Miriam Pillar Grossi
Nascimento1958
Porto Alegre
CidadaniaBrasil
Alma mater
Ocupaçãoantropóloga
Empregador(a)Universidade Federal de Santa Catarina

Miriam Pillar Grossi (Porto Alegre, 1958) é uma antropóloga e acadêmica brasileira. Professora emérita da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) onde atua desde 1989, atualmente aposentada e atuando como voluntária junto ao Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) [1]e pesquisadora destacada pelos trabalhos na área de gênero, sexualidade e violências, educação, história da antropologia e ciências [1][2]. Atribui ao ativismo político [2] [3] aproximação ao seu campo de pesquisa, tendo tido cargos de relevância política e institucional no campo da ciência como na presidência da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), presidência da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), na vice- presidência da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES) e como membro da diretoria da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), entre outros, ao longo da carreira[1][4][5][6].

Vida

Miriam Pillar Grossi nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul[1]. De uma família de professores, seu pai foi pediatra e professor da Faculdade de Medicina da atual Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), ao passo que sua mãe, Esther Pillar Grossi, além de carreira na política, é renomada educadora, tendo sido uma das fundadoras, na década de 1970, do Grupo de Estudos Sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (GEEMPA). Miriam se habituou desde muito nova com a circulação de intelectuais, cientistas e artistas envolvidos nos ideais políticos progressistas, devido ao engajamento de seus pais, que se conheceram nos anos 1950 na JUC (Juventude Universitária Católica). Mudou-se pela primeira vez para França em 1968, acompanhada dos pais, onde frequentou a escola primária em Boulogne Billancourt, retornando ao Brasil em 1970[3]. Após sua volta, estudou na Aliança Francesa de Porto Alegre, onde, após finalização dos 3 anos de Diploma Superior de Língua Francesa da Universidade de Nancy - atuou por vários anos como professora de francês[7]. Em Porto Alegre estudou no Colégio Israelita Brasileiro, onde teve participação em Grêmios Estudantis e no campo do teatro.

Estudou na Universidade Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS), onde concluiu sua graduação em Antropologia, em 1981, atribuindo a Maria Noemi Castilhos de Brito e Cláudia Fonseca a mentoria[2] na sua formação inicial na área de gênero.

Em 1983, obteve o título de DEA (Dipôme d'Études Approfondies) em Antropologia Social e Cultural pela Université de Paris, Paris V com pesquisa de campo sobre alimentação na região da Bretanha[3]. Na continuidade desenvolveu seu doutorado sobre feministas e frequentadores do SOS Mulher de Porto Alegre, defendido na Université Paris Descartes em 1988, com título “Représentations sur les femmes battues - la violence contre les femmes au Rio Grande do Sul”, sob a orientação de Louis Vincent Thomas[7].

É companheira de Carmen Rial, antropóloga brasileira.[3] [8]

Realizações

Desde 1991 é docente e pesquisadora na Universidade Federal de Santa Catarina, onde é fundadora e coordenadora Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (Nigs)[9] e pesquisadora do Instituto de Estudos de Gênero (IEG)[10], grupos de pesquisa referência nacional nas áreas do feminismo, educação, gênero e sexualidade[5][2]. Orientou, desde o final dos anos 1980 mais de 200 estudantes em pesquisas de Iniciação Cientifica, Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado[9].

Fo professora visitante na Universidade de Brasília (UNB), Universidad de Chile, Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS), Instituto Universitário de Lisboa (ICTE) e ocupou as cátedra Ruth Cardoso junto à Columbia University[11] em 2017 e Chercheur invité no IHEAL – Institut des Hautes Études en Amérique Latine da Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 em 2022[9].

Ao longo da carreira se destacou também pela contribuição na gestão de instituições ligadas ao desenvolvimento do ensino e da pesquisa no Brasil e no exterior, de associações cientificas e em conselhos. Foi presidente da ABA – Associação Brasileira de Antropologia (gestão 2004/2006)[1][3][5][8], vice-presidente da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES) na gestão 2013-2018 e 2024-2027 [12], presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciências Sociais - ANPOCS (gestão 2019-2020)[13], do Conselho Deliberativo (CD) do CNPq [14]como representante da comunidade científica (2020/2024) e Membro da diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC (gestão 2021-2023)[4].

Prêmios

  • Prêmio Pierre Verger, “Mauss e suas alunas”, Associação Brasileira de Antropologia - ABA, 2000 [15]
  • Melhor livro acadêmico sobre Sexualidade para o livro “Conjugalidades, Parentalidades e Identidades Lésbicas, Gays e Travestis” - Sociedade Brasileira de Sexologia, 2007[15]
  • Medalha Roquette Pinto de Contribuição à Antropologia Brasileira, Associação Brasileira de Antropologia - ABA, 2008[16]
  • Medalha Professor João David Ferreira Lima pela prestação de serviços relevantes serviços ao ensino superior no Município de Florianópolis - Câmara Municipal de Florianópolis, 2008[17]
  • Prêmio de Excelência no Ensino de Antropologia no Brasil, Associação Brasileira de Antropologia - ABA, 2022[16]

Referências

  1. a b c d e BONETTI, OLIVEIRA, Alinne, Amurabi (2022). «Miriam Pillar Grossi - uma antropóloga feminista educadora». Novos Debates: Fórum de Antropologia (Associação Brasileira de Antropologia). Novos Debates, 8 (2) (v. 8 n. 2 (2022)). Consultado em 13 de setembro de 2024 
  2. a b c d Lesnovski, Melissa Merino. «podcast #45 Miriam Grossi». Edu Voices - Instituto para Inovação em Educação. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  3. a b c d e Castro, Celso (8 de junho de 2014). «FGV/ Memorias das Ciências Sociais - Miriam Grossi». Fundação Getulio Vargas - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 15 de setembro de 2024 
  4. a b «Miriam Grossi Participa de Programa UFSC Entrevista». Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. 12 de abril de 2023. Consultado em 13 de setembro 2024 
  5. a b c «Antropóloga Miriam Grossi ministra conferência na UFBA». Univerdade Federal da Bahia. 25 de julho de 2016. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  6. Grossi, Miriam (12 de abril de 2023). «UFSC Entrevista - Miriam Grossi». TV UFSC. Consultado em 15 de setembro de 2024 
  7. a b "Ferreira", "Rea", "Vinicius", "Caterina" (22 de abril de 2012). «DE UM PAÍS AO OUTRO: PASSAGENS ENTRE A FRANÇA E O BRASIL - ENTREVISTA COM MIRIAM PILLAR GROSSI». Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França. Passagens de Paris (7-2012): p.19. Consultado em 23 de setembro de 2024 
  8. a b «Miriam Pillar - Professora e pesquisadora de Estudos de Gênero e do Departamento de Antropologia». Aqui tem Diversidade UFSC 
  9. a b c «Coordenadoras do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades». Universidade Federal de Santa Catarina. Consultado em 13 de setembro 2024 
  10. «Equipe e Pesquisadoras do IEG». Consultado em 13 de setembro de 2024 
  11. Dequech, Gabriela (23 de abril de 2015). «Programa 'Cátedra doutora Ruth Cardoso' da Universidade de Columbia seleciona professora da UFSC». Notícias da UFSC. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  12. «Leadership/ Executive Committee». Consultado em 13 de setembro de 2024 
  13. «Diretorias, Comissões, Secretaria». anpocs.org.br. Consultado em 23 de setembro de 2024 
  14. «Dalila Andrade Oliveira e Miriam Grossi assumem vaga no CD-CNPQ a partir de indicação da área». ANPEd - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação -. 16 de setembro de 2020. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  15. a b Diana, Alita (23 de abril de 2010). «Presença das mulheres na antropologia do século XX em debate na UFSC». Noticias da UFSC. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  16. a b «Prêmios da ABA - Associação Brasileira de Antropologia, fundada em 1955». Associação Brasileira de Antropologia. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  17. «Professores da UFSC recebem a Medalha João David Ferreira Lima». Agencia de Notícias da UFSC. 11 de março de 2008. Consultado em 13 de setembro de 2024 

Ligações externas