Minha Formação

Minha Formação
Minha Formação, primeira edição
Autor(es)Joaquim Nabuco
Idiomaportuguês
País Brasil
AssuntoAutobiografia, política, abolicionismo, diplomacia
GêneroMemórias, Autobiografia
Linha temporalSéculo XIX
Localização espacialBrasil, Europa e Estados Unidos
FormatoLivro
Lançamento1900

Minha Formação é um livro de memórias do político, diplomata e escritor brasileiro Joaquim Nabuco, publicado em 1900. Considerada uma das principais obras autobiográficas da literatura brasileira, a obra reúne reflexões sobre a formação intelectual, política e moral do autor, bem como relatos de sua atuação no movimento abolicionista e de sua experiência como diplomata.[1]

No livro, Nabuco discorre livremente sobre sua trajetória pessoal, suas leituras, suas viagens e as influências exercidas por países como a Inglaterra, os Estados Unidos e a França, onde viveu por períodos prolongados. A obra também registra o contato do autor com importantes personalidades do pensamento e da política do século XIX, como o filósofo Ernest Renan e o papa Leão XIII.

Contexto e temática

Escrito no final do século XIX, Minha Formação reflete o momento de balanço intelectual e político vivido por Joaquim Nabuco após a abolição da escravidão e a queda da monarquia. O livro articula memórias pessoais com amplas digressões sobre filosofia política, literatura, diplomacia e identidade nacional.

Um dos temas centrais da obra é a tensão entre a formação cultural europeia das elites brasileiras e a busca por uma identidade nacional própria, questão recorrente no pensamento de Nabuco.

O “Mal de Nabuco”

Uma das passagens mais célebres da obra deu origem à expressão Mal de Nabuco (ou Moléstia de Nabuco), utilizada para designar o sentimento de pertencimento cultural à Europa, em detrimento do Brasil, experimentado por parte da elite intelectual brasileira.

Nós, brasileiros — o mesmo pode-se dizer dos outros povos americanos — pertencemos à América pelo sedimento novo, flutuante, do nosso espírito, e à Europa, por suas camadas estratificadas. Desde que temos a menor cultura, começa o predomínio destas sobre aquele. [...] O sentimento em nós é brasileiro, a imaginação europeia.[2]

— {{{2}}}

Esse trecho tornou-se referência central nos estudos sobre identidade cultural brasileira.

Estrutura

Minha Formação é composta por 26 capítulos relativamente breves, cada um com título próprio, nos quais o autor combina narrativa autobiográfica e ensaio reflexivo.

Divisão dos capítulos

  • Capítulo I — Colégio e Academia
  • Capítulo II — Bagehot
  • Capítulo III — 1871–1873. A reforma
  • Capítulo IV — Atração do mundo
  • Capítulo V — Primeira viagem à Europa
  • Capítulo VI — A França de 1873–1874
  • Capítulo VII — Ernest Renan
  • Capítulo VIII — A crise poética
  • Capítulo IX — Adido de legação
  • Capítulo X — Londres
  • Capítulo XI — Grosvenor Gardens
  • Capítulo XII — A influência inglesa
  • Capítulo XIII — O espírito inglês
  • Capítulo XIV — Nova York
  • Capítulo XV — O meu diário de 1877
  • Capítulo XVI — Traços americanos
  • Capítulo XVII — A influência dos Estados Unidos
  • Capítulo XVIII — Meu pai
  • Capítulo XIX — Eleição de deputado
  • Capítulo XX — Massangana
  • Capítulo XXI — Abolição
  • Capítulo XXII — Caráter do movimento — A parte da dinastia
  • Capítulo XXIII — Passagem pela política
  • Capítulo XXIV — Passagem pelo Vaticano
  • Capítulo XXV — O barão de Tautphoeus
  • Capítulo XXVI — Últimos dez anos (1889–1899)

Importância e recepção

Minha Formação é amplamente reconhecida como uma obra fundamental para a compreensão do pensamento político e cultural brasileiro do final do século XIX. Além de documento autobiográfico, o livro constitui importante ensaio sobre a formação das elites intelectuais brasileiras e suas relações com a cultura europeia.[3]

Referências

Referências

  1. Bosi, Alfredo (2017). História Concisa da Literatura Brasileira. [S.l.]: Cultrix. p. 284 
  2. Nabuco, Joaquim (1999) [1900]. Minha Formação. Rio de Janeiro: Topbooks 
  3. Candido, Antonio (2009). Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos. [S.l.]: Ouro sobre Azul. p. 432 

Bibliografia

  • NABUCO, Joaquim. Minha Formação. Rio de Janeiro: Editora Três, 1974.
  • NABUCO, Joaquim. Minha Formação. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999.