Milly Lacombe
| Milly Lacombe | |
|---|---|
![]() Milly na Campus Party Brasil de 2012 | |
| Nascimento | Maria Emília Cavalcanti Lacombe 1 de julho de 1967 (58 anos) |
| Nacionalidade | brasileira |
| Educação | rádio e TV |
| Alma mater | Fundação Armando Alvares Penteado |
| Principais trabalhos | Trip (revista) Tpm (revista) SporTV RecordTV UOL Folha de S.Paulo |
| Website | https://revistatrip.uol.com.br/autores/milly-lacombe |
Maria Emília Cavalcanti Lacombe (Rio de Janeiro, 1 de julho de 1967), mais conhecida como Milly Lacombe, é uma jornalista, escritora e roteirista brasileira.[1][2][3] Ao longo de sua carreira profissional, traballhou em veículos de comunicação do Brasil como Folha de S.Paulo, SporTV, Rede Globo, TV Record, Revista Trip e UOL, especialmente como comentarista esportiva e cultural. É também autora de seis obras, entre as quais Segredos de uma Lésbica para Homens (2004), Tudo é Só Isso (2010) e O Ano em Que Morri em Nova York (2017), e foi roteirista do programa Amor & Sexo, da Globo, em 2018. Feminista e homossexual assumida, é notória por seu estilo de escrita franco e muitas vezes provocativo.[1][2]
Biografia
Nascida no Rio de Janeiro em 1967, viveu seus primeiros anos no bairro das Laranjeiras.[1][4] Comecou a trabalhar com 16 anos numa pequena editora de revistas. Mudou-se para São Paulo em 1984 para cursar Rádio e TV na Fundação Armando Alvares Penteado,[2][5] tendo trabalhado no período com venda de espaços publicitários em revistas.
Carreira no jornalismo
Aos 28 anos, Lacombe mudou-se para os Estados Unidos e cursou uma pós-graduação em marketing na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Nesse período, conseguiu emplacar a cobertura jornalística de uma “corrida de aventura” no Canadá para a Revista Trip, e assim decidiu que não trabalhar com marketing. De Los Angeles, passou a colaborar como freelancer para a Folha de São Paulo, em 2001, tendo coberto cinema e também os atentados de 11 de Setembro.[6][7]
De volta ao Brasil ainda na primeira metade da década de 2000, Lacombe começou a trabalhar na Revista Tpm, inicialmente como colunista, depois como redatora e então como diretora antes de se mudar para Nova Iorque, de onde escrevia para revistas no Brasil.[8] Retornou novamente ao Brasil, onde recebeu um convite para atuar como comentarista esportiva no SporTV, tendo sido uma das mulheres pioneiras no país a comentar partidas de futebol.
Em 2006, Lacombe envolveu-se em uma polêmica com Rogério Ceni, então goleiro do São Paulo, durante o programa vespertino Arena SporTV. A jornalista acusou o atleta de falsificar uma assinatura em uma proposta do Arsenal, da Inglaterra, para conseguir um aumento salarial no clube paulista.[9] Ceni telefonou no mesmo momento para rebater a acusação e defender sua integridade, o que gerou uma discussão acalorada entre os dois ao vivo e uma grande repercussão nos meios esportivos.[9][10][11] Embora tenha posteriormente reconhecido o erro, a jornalista foi afastada da programação da Globo e Rogério a procesou por calúnia, tendo ganhado ambas.[12] Na ação cível, foi pedido o valor de 150 mil reais por difamação.[13] Após o encontro em uma audiência conciliatória, a queixa-crime por calúnia foi retirada após pedido de desculpas da jornalista em 2011.[9][14][15]
Depois de sua saída do Grupo Globo, Lacombe foi contratada pela TV Record, onde trabalhou principalmente como comentarista da Liga dos Campeões da UEFA entre 2007 e 2009.[16] Nos anos seguintes, trabalhou como colunista, com destaque para a Revista TPM e o portal UOL Esporte.[17]
Carreira como escritora e roteirista
Lacombe realizou sua estreia na literatura no ano de 2003, ao publicar o livro Como Ser uma Modelo de Sucesso, com a empresária Costanza Pascolato.[18][19] Em 2004, publicou sua primeira publicação solo, Segredos de uma Lésbica para Homens.[20] No ano seguinte, publicou juntamente com o futebolista Raí e a jornalista Soninha Francine, Para Ser Jogador de Futebol.[21]
Em 2010, publicou o livro, Tudo é Só Isso, um livro de crônicas, relacionamentos, descobertas e confissões da autora.[22] Três anos depois, foi lançado Mara Gabrilli — Depois daquele dia, sobre a história da política paulista Mara Gabrilli.[23] Em 2016, escreveu um conto para Over the Rainbow, um livro em que cinco autores revisitam contos famosos e os reescrevem contos com uma roupagem LGBT.[24]
Em 2017, publicou seu primeiro romance, intitulado O ano em que morri em Nova York, lançado pela Editora Planeta Brasil.[25][26] A obra narra a história de uma mulher de meia-idade e sua experiência com o término de um longo relacionamento.[27] Neste mesmo ano, foi convidada para ser roteirista e integrar a bancada de convidados do programa televisivo Amor & Sexo, comandando por Fernanda Lima, que aborda sexualidade e temas afins.[28][29] A jornalista permaneceu no programa da Globo durante toda a temporada do ano de 2018.[30] Também foi roteirista dos programas Superbonita, Tempero de Família e do Bem Juntinhos, ambos do GNT. Esse período a transformou em uma figura de destaque na paisagem midiática brasileira, sendo reconhecida como uma voz influente e proeminente em debates e conversas sobre questões de gênero, sexualidade e cultura.[16]
Em setembro de 2025, cancelou sua participação na FLIM (Feira Litero Musical) de São José dos Campos após a repercussão de declarações que concedeu em um podcast sobre família. A escritora contou que sofreu ameaças de extremistas e que participar do evento seria um risco para a segurança dela. [31][32][33]
Vida pessoal
A jornalista afirma ter se assumido lésbica somente após a morte do pai e, ao se abrir para a mãe, elas ficaram sem se falar por alguns anos, até que reconciliaram em um Natal.[9] Posteriormente, também reconheceu ser demissexual.[9] Em 2023, Lacombe revelou ter sido abusada sexualmente por homens em diferentes momentos da vida.[9]
Durante a infância, Milly Lacombe era torcedora do Fluminense, o mesmo clube pelo qual o pai torcia.[4] Já adulta, ela tornou-se corintiana por influência de Roberta, uma namorada.[1][9]
Em sua vida afetiva, Milly Lacombe foi casada com Tati Isler por dez anos.[34][35] Envolveu-se mais tarde com Roberta, com quem namorou por cinco anos, e foi vítima de um atropelamento em 2011 quando as duas já eram apenas amigas.[9][36] Teve um relacionamento de cerca de dez anos com "Buche", sua segunda esposa.[9][37][38] Em 2017, começou a namorar Paola Lins, com quem esteve por cerca de seis anos.[38][39]
Obras publicadas
- Como ser uma modelo de sucesso: A-Z : o que é e como é vencer na mais desejada das profissões. São Paulo: Jaboticaba, 2003.[19]
- Segredos de uma lésbica para homens. São Paulo: Jaboticaba, 2004.[20]
- Para ser jogador de futebol: dicas de um campeão para você se tornar um jogador profissional de sucesso. São Paulo; Rio de Janeiro: Jaboticaba: Ed. SENAC Rio, 2005.[40]
- Tudo é Só Isso. São Paulo: Benvirá, 2010.[22]
- Mara Gabrilli: despois daquele dia. São Paulo: Benvirá, 2013.[23]
- Over the rainbow: um livro de contos de fadxs. São Paulo: Planeta, 2016.[24]
- O ano em que morri em Nova York. São Paulo: Planeta, 2017.[25]
Notas
Referências
- ↑ a b c d Júnior, Marcos. «Milly Lacombe - Que fim levou?». Terceiro Tempo. Consultado em 5 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 30 de julho de 2023
- ↑ a b c «Milly Lacombe». Trip. Consultado em 5 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 18 de outubro de 2023
- ↑ Rodrigues, Bruna Mariano (dezembro de 2011). «Mídia e Sexualidade: a relação lésbica na revista TPM». Sexualidad, Salud y Sociedad (Rio de Janeiro) (9): 91–108. ISSN 1984-6487. doi:10.1590/s1984-64872011000400005. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2023
- ↑ a b Lacombe, Milly (4 de novembro de 2023). «Milly Lacombe: Carta ao meu pai tricolor». UOL. Consultado em 5 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 4 de novembro de 2023
- ↑ «GuIgO NewS entrevista: Milly Lacombe». GuIgO NewS. 16 de março de 2012. Consultado em 5 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 5 de novembro de 2023
- ↑ Lacombe, Milly (27 de julho de 2001). «Passado a limpo». Folha de S.Paulo. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ Lacombe, Milly (21 de setembro de 2001). «Manobras de guerra». Folha de S.Paulo. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ «Estação Plural: Milly Lacombe fala sobre machismo e homofobia no futebol». Estação Plural. Empresa Brasil de Comunicação. 24 de abril de 2018. Consultado em 27 de maio de 2022. Cópia arquivada em 27 de maio de 2022
- ↑ a b c d e f g h i «Milly Lacombe fala de morte de ex: 'Achei que não valia a pena viver'». UOL. 22 de julho de 2023. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ «Cleber Machado revela bastidores de treta entre Ceni e Milly Lacombe». UOL. 27 de abril de 2023. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 30 de abril de 2023
- ↑ «Assinatura com o Arsenal, ligação ao vivo e processo na Justiça: relembre a treta entre Milly Lacombe e Ceni». Lance!. 23 de março de 2021. Consultado em 27 de maio de 2022. Cópia arquivada em 24 de março de 2021
- ↑ «Rogério Ceni ganha processo contra a jornalista Milly Lacombe». Extra. 27 de maio de 2011. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 23 de dezembro de 2021
- ↑ «Rogério Ceni encerra processo contra Milly Lacombe e recebe R$ 60 mil de indenização». Portal IMPRENSA - Notícias, Jornalismo, Comunicação (em inglês). 5 de novembro de 2010. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 30 de abril de 2016
- ↑ Rímoli, Cosmo (8 de novembro de 2010). «O importante caso Rogério Ceni versus Milly Lacombe». R7. Consultado em 10 de novembro de 2010. Arquivado do original em 10 de novembro de 2010
- ↑ «Rogério Ceni recebe indenização de comentarista por danos morais, diz jornal». UOL. 27 de maio de 2011. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 30 de maio de 2011
- ↑ a b «Milly Lacombe deixou a Record na semana passada». Portal Mídia Esporte. 18 de dezembro de 2009. Consultado em 22 de maio de 2022. Cópia arquivada em 13 de abril de 2016
- ↑ Lacombe, Milly (2002). «Textos de Milly Lacombe». Trip. Consultado em 20 de agosto de 2025
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- ↑ a b Lacombe, Milly (2010). Tudo é só isso: Amor, conquistas e outros prazeres fundamentais. [S.l.]: Benvirá. Cópia arquivada em 5 de novembro de 2023
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- ↑ a b Lacombe, Milly; Jr, Renato Plotegher; Bressanim, Eduardo; Santini, Maicon; Fox, Lorelay (2016). Over the rainbow: um livro de contos de fadxs. [S.l.]: Planeta. Cópia arquivada em 5 de novembro de 2023
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- ↑ Moraes, Layse (24 de abril de 2021). «"O ano em que morri em Nova York", de Milly Lacombe: o caminho da autoficção como cuidado de si». Leitura. Universidade Federal de Alagoas. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 7 de outubro de 2022
- ↑ Ribeiro, Ana (22 de julho de 2017). «CRÍTICA: Obra sobre fim de relacionamento disseca intimidade e amor». Folha de S.Paulo. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 22 de julho de 2017
- ↑ «revista piauí - Milly Lacombe». piauí. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2023
- ↑ «'Minha vida mudou quando me dei conta dos meus privilégios', diz Fernanda Lima». Folha de S. Paulo. 19 de dezembro de 2018. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 19 de dezembro de 2018
- ↑ Bittencourt, Julinho (22 de outubro de 2020). «Milly Lacombe arrasa no Amor e Sexo: "a classe média tem que se reconhecer como classe operária"». Fórum. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2022
- ↑ «Quem é Milly Lacombe, jornalista que teve presença cancelada em feira literária em São José dos Campos». G1. 17 de setembro de 2025. Consultado em 17 de setembro de 2025
- ↑ «Prefeito de São José manda cancelar participação de Milly Lacombe na Flim». G1. 16 de setembro de 2025. Consultado em 17 de setembro de 2025
- ↑ «Quem é a jornalista Milly Lacombe. Veja Wikipédia». OsPaparazzi. Consultado em 17 de setembro de 2025
- ↑ Lacombe, Milly (30 de outubro de 2024). «De férias com a ex». UOL. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ Lacombe, Milly (4 de maio de 2012). «Ele é meu cara». Trip. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ Lacombe, Milly (12 de dezembro de 2011). «De como passei a acreditar em anjos». Trip. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ Gabrilli, Mara (11 de setembro de 2013). «Um retrato». Trip. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ a b Lins, Paola (22 de janeiro de 2022). «Opinião - Casos do Acaso: Namoro hoje com a colunista cujo texto me ensinou a lidar com meu divórcio». Folha de S.Paulo. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ Lacombe, Milly (13 de dezembro de 2021). «Eu nasci para ser pai». Trip. Consultado em 20 de agosto de 2025
- ↑ «Para ser jogador de futebol : dicas de um campeão para você se tornar um jogador profissional de sucesso». Biblioteca Nacional do Brasil. Consultado em 6 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2023
Ligações externas
- Coluna na TRIP
- Coluna no UOL
- Milly Lacombe no Instagram
- Milly Lacombe no X
