Michel-Rolph Trouillot
| Michel-Rolph Trouillot | |
|---|---|
| Nascimento | |
| Morte | 5 de julho de 2012 (62 anos) |
| Nacionalidade | haitiana e estadunidense |
| Progenitores | Pai: Ernst Trouillot |
| Parentesco | Ertha Pascal-Trouillot (madrasta) Henock Trouillot (tio) Lyonel Trouillot (irmão) Évelyne Trouillot (irmã) Jocelyne Trouillot (irmã) |
| Ocupação | antropólogo e professor universitário |
Michel-Rolph Trouillot (Porto Príncipe, 26 de novembro de 1949 – Chicago, 5 de julho de 2012) foi um antropólogo, pesquisador e professor universitário haitiano-estadunidense, tendo lecionado Antropologia e de Ciências Sociais na Universidade de Chicago.[1][2][3][4][5]
Suas obras mais conhecidas Open the Social Science (1990), Silencing the Past: Power and the Production of History (1995) e Global Transformations (2003) exploraram as origens e a aplicação das Ciências Sociais na academia e suas implicações no mundo.[6] Trouillot foi um dos pensadores mais influentes da diáspora afro-caribenha, tendo desenvolvido um amplo trabalho acadêmico centrado em questões da realidade do Caribe.[7][8]
Segundo Alyssa Goldstein Sepinwall, “Trouillot foi uma das vozes mais originais e ponderadas da academia. Seus escritos influenciaram estudiosos em todo o mundo em muitos campos, da antropologia à história e aos estudos caribenhos”.[9]
Biografia
Primeiros anos

Trouillot nasceu em 26 de novembro de 1949, em Porto Príncipe, Haiti. Sua família incluía intelectuais, acadêmicos e, segundo registros, pelo menos um juiz. Seu pai, Ernst Trouillot, era advogado e professor em um prestigioso liceu, além de apresentar um programa televisivo sobre a história haitiana como parte de suas contribuições acadêmicas.[10][1] Seu tio, Henock Trouillot, era um escritor prolífico e historiador público, foi diretor do Arquivo Nacional do Haiti. Sua família também tinha inclinações políticas; a madrasta de Trouillot, Ertha Pascal-Trouillot, uma advogada e juíza renomada, foi nomeada presidente interina do Haiti em 1990, quando o país se estabilizou e se preparou para as eleições democráticas.[7][10] Seus irmãos, Lyonel Trouillot, Évelyne Trouillot e Jocelyne Trouillot, seguem atuando como escritores e acadêmicos.[11]
A vida de Trouillot foi marcada pela experiência pessoal da imigração e do exílio. Antes de iniciar seus estudos acadêmicos, ele foi compositor e ativista, envolvido em protestos políticos contra a Dinastia Duvalier no Haiti e contra o tratamento dado pelo governo estadunidense aos imigrantes haitianos indocumentados.[7] Em 1968, assim como vários outros estudantes que fugiam da Ditadura Duvalier, Trouillot deixou o Haiti.[10]
Em 1971, Trouillot se refugiou com sua tia, que estava empobrecida, no Brooklyn, Nova Iorque. Eles viviam em um porão e dormiam no chão. Foi lá que Trouillot começou os ensaios para uma companhia de teatro de exilados haitianos, a Tanbou Libète (em português, Tambor da Liberdade).[7][9] Ele estava convencido de que o teatro poderia ser usado para instigar mudanças sociais e alterar o curso da política de seu país.[9] Em 1978, enquanto trabalhava como taxista e participava do ativismo político e cultural da diáspora haitiana, ele concluiu o bacharelado em História e Cultura Caribenha na Universidade da Cidade de Nova Iorque.[7][10] Ainda no mesmo ano, ele deixou o Brooklyn para se matricular no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Johns Hopkins, onde concluiu seu doutorado e iniciou sua carreira como antropólogo.[10]
Vida acadêmica
Trouillot ingressou no corpo docente da Universidade de Chicago em 1998, após atuar como professor de Antropologia e diretor do Instituto de Estudos Globais em Cultura, Poder e História da Universidade Johns Hopkins.[3] Considerado uma das vozes mais originais, disciplinares, inovadoras e ponderadas da academia, seus referenciais teóricos expandiram o conhecimento das Ciências Sociais nos Estudos Caribenhos.[10] Seus escritos também influenciaram acadêmicos em muitas áreas — da Antropologia e Sociologia à História e aos Estudos Caribenhos.[8] Seu legado explora subcampos da Antropologia em relação ao conhecimento nas Ciências Sociais. Como explica em Global Transformations (2003), ele via o trabalho acadêmico como algo mais do que uma simples busca por fatos: “O que eu quero saber neste caso nunca é meramente um fato empírico, muito menos o que eu poderia aprender com outra pessoa — com um livro, por exemplo. É o conhecimento que eu quero produzir. É o que eu quero dizer sobre este tópico, este local, estas pessoas — as 'questões candentes' que eu quero compartilhar até comigo mesmo como interlocutor.”[3][7]
Morte
Trouillot aposentou-se de sua vida acadêmica devido a uma doença crônica, tendo vindo a falecer em sua casa, em Chicago, no dia 5 de julho de 2012, aos 62 anos, após uma luta de uma década para se recuperar de um aneurisma cerebral.[7]
Segundo o documentário Exterminate All the Brutes, um marcapasso defeituoso havia sido implantado no coração de Trouillot, o que acabou sendo descoberto tarde demais. Como resultado, Trouillot morreu enquanto dormia.[3][4]
Publicações
Trouillot foi autor e coautor de vários livros.[12] Como ativista e estudante de graduação, publicou o primeiro livro de não ficção em crioulo haitiano em 1977, Ti difé boulé sou istwa Ayiti (em português, Uma Pequena Chama Ardendo na História Haitiana), que lança luz sobre o conhecimento e oferece novas interpretações da história haitiana.[4] Sua dissertação, que mais tarde se tornou seu segundo livro, de 1988, Peasants and Capital: Dominica in the World Economy (em português, Camponeses e Capital: Dominica na Economia Mundial), focou em como os camponeses da Dominica lidaram com as transformações da indústria global da banana.[3][4] Em 1990, publicou a versão em língua inglesa da obra Les racines historiques de l'état duvaliérien (em português, Haiti: Estado Contra Nação. As Origens e Legados do Duvalierismo), um importante livro sobre a repressão e o legado nos Estudos Afro-Caribenho. Além disso, em 1995 publicou Open the Social Sciences (em português, Silenciando o Passado: Poder e a Produção da História), que se tornou um texto fundamental tanto para os Estudos Haitianos quanto para a História. Ele também fez parte de um distinto grupo internacional de acadêmicos que publicou, em 1996, Open the Social Sciences (em português, Abrir as Ciências Sociais), que traça a história das Ciências Sociais, descreve os debates recentes em torno delas e discute de que maneiras elas podem ser inteligentemente reestruturadas.[3] Finalmente, em 2003, publicou Global Transformations: Anthropology and the Modern World (em português, Transformações Globais: Antropologia e o Mundo Moderno) obra que examina os fundamentos históricos da Antropologia — seus fundamentos epistêmicos e consequências políticas.[3][2][6]
Honrarias
A Associação Filosófica Caribenha concedeu a Trouillot, em 2011, o Prêmio Frantz Fanon de Realização ao Longo da Vida, pela "originalidade de suas investigações nas Ciências Humanas, especialmente Antropologia e História". Ele também foi reconhecido por sua articulação da importância e dos desafios do Haiti nas discussões contemporâneas sobre liberdade e recuperação do passado.[3]
Obras selecionadas
- 1977 Ti difé boulé sou Istoua Ayiti. Nova York: Koléksion Lakansièl.
- 1988 Camponeses e Capital: Dominica na Economia Mundial. Johns Hopkins University Press.
- Haiti, 1990: Estado contra Nação. As Origens e o Legado do Duvalierismo. Monthly Review Press.
- 1995 Silenciando o Passado: Poder e a Produção da História. Beacon Press.
- Transformações Globais de 2003: Antropologia e o Mundo Moderno . Palgrave.
Referências
- ↑ a b Mello, Marcelo; Pires, Rogério (2018). «Truoillot, o Caribe e a Antropologia». Universidade Federal da Bahia. Afro-Asia (58): 189-232. Consultado em 19 de novembro de 2025
- ↑ a b «Décès de l'éminent intellectuel et universitaire : Michel-Rolph Trouillot». Haiti Press Network (em francês). 5 de julho de 2012. Consultado em 7 de março de 2019
- ↑ a b c d e f g h Harms, William (10 de julho de 2012). «Michel-Rolph Trouillot, scholar of Caribbean history, 1949-2012». University of Chicago News. Consultado em 7 de março de 2019
- ↑ a b c d Woodson, Drexel G.; Williams, Brackette F. (2012). «In Memoriam Dr. Michel-Rolph Trouillot (1949–2012)». Caribbean Studies. 40 (1): 153–156. doi:10.1353/crb.2012.0010
- ↑ Popkin, Jeremy D. (3 de setembro de 2018). «Un-Silencing the Haitian Revolution and Redefining the Revolutionary Era 1». The Atlantic World (em inglês). [S.l.]: Routledge. pp. 229–250. ISBN 978-0-429-46842-1. doi:10.4324/9780429468421-15
- ↑ a b Trouillot, Michel-Rolph (2003). Global Transformations: Anthropology and the Modern World. [S.l.]: Palgrave Macmillan. ISBN 0312295219
- ↑ a b c d e f g Bonilla, Yarimar (2013). «Burning Questions: The Life and Work of Michel-Rolph Trouillot, 1949–2012». NACLA Report on the Americas. 46 (1): 82–84. doi:10.1080/10714839.2013.11722019
- ↑ a b Dubois, Laurent (2012). «Eloge Pour Michel-Rolph Trouillot». Transition (109): 21–32. ISSN 0041-1191. JSTOR 10.2979/transition.109.21. doi:10.2979/transition.109.21
- ↑ a b c Sepinwall, Alyssa Goldstein (2013). «Still Unthinkable?: The Haitian Revolution and the Reception of Michel-Rolph Trouillot's Silencing the Past». Journal of Haitian Studies. 19 (2): 75–103. doi:10.1353/jhs.2013.0036
|hdl-access=requer|hdl=(ajuda) - ↑ a b c d e f Bonilla, Yarimar (2014). «Remembering the Songwriter: The Life and Legacies of Michel-Rolph Trouillot». Cultural Dynamics. 26 (2): 163–172. doi:10.1177/0921374014526021
- ↑ Danticat, Edwidge (1 de janeiro de 2005). «Interview: Evelyne Trouillot by Edwidge Danticat». Bomb Magazine. Consultado em 2 de novembro de 2025
- ↑ Dayan, Colin (18 de julho de 2012). «Remembering Trouillot». Boston Review. Consultado em 18 de abril de 2019