Metroxylon sagu

Metroxylon sagu
Metroxylon sagu com inflorescência/infrutescência terminal característica (Regência de Ceram Ocidental [en], Província de Molucas, Indonésia)
Metroxylon sagu com inflorescência/infrutescência terminal característica (Regência de Ceram Ocidental [en], Província de Molucas, Indonésia)

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Planta vascular
Clado: Angiosperma
Clado: Monocotiledôneas
Clado: Comelinídeas
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae
Gênero: Metroxylon
Espécie: M. sagu
Nome binomial
Metroxylon sagu
Rottb.[2]
Sinónimos[2]
  • Metroxylon hermaphroditum Hassk.
  • Metroxylon inerme (Roxb.) Mart.
  • Metroxylon laeve (Giseke) Mart.
  • Metroxylon longispinum (Giseke) Mart.
  • Metroxylon micracanthum Mart.
  • Metroxylon oxybracteatum Warb. ex K.Schum. & Lauterb.
  • Metroxylon rumphii (Willd.) Mart.
  • Metroxylon squarrosum Becc.
  • Metroxylon sylvestre (Giseke) Mart.
  • Sagus americana Poir.
  • Sagus genuina Giseke
  • Sagus inermis Roxb.
  • Sagus koenigii Griff.
  • Sagus laevis Jack
  • Sagus longispina (Giseke) Blume
  • Sagus micracantha (Mart.) Blume
  • Sagus rumphii Willd.
  • Sagus sagu (Rottb.) H.Karst.
  • Sagus spinosa Roxb.
  • Sagus sylvestris (Giseke) Blume

Metroxylon sagu[1] é uma espécie de arecácea do gênero Metroxylon, nativa do sudeste asiático tropical. A árvore constitui a principal fonte de sagu, um amido extraído do tronco.

Descrição

Metroxylon sagu é uma arecácea que forma múltiplos caules, sendo cada caule monocárpico (floresce apenas uma vez na vida). Um caule atinge entre 7 e 25 m de altura antes de terminar em uma grande inflorescência terminal ereta.[3]

Antes da floração, cada caule possui cerca de 20 folhas pinadas com até 10 metros de comprimento. Cada folha apresenta de 150 a 180 folíolos de até 175 centímetros de comprimento. A inflorescência, com 3 a 7,5 metros de altura e largura, consiste na continuação do caule e de 15 a 30 ramos primários curvados para cima, dispostos em espiral. Cada ramo primário possui 15 a 25 ramos secundários rígidos, e cada ramo secundário tem 10 a 12 ramos terciários também rígidos. Os pares de flores estão dispostos em espiral nos ramos terciários, sendo cada par formado por uma flor masculina e uma flor hermafrodita. O fruto é uma drupa de cerca de 5 centímetros de diâmetro, coberta por escamas que passam de verde-vivo a cor de palha ao amadurecer.[3]

A aracácea reproduz-se por frutificação. Cada caule floresce e frutifica ao final da sua vida, mas o indivíduo como um todo sobrevive por meio dos brotos basais (rebentos que surgem continuamente do caule ao nível ou abaixo do solo).[3]

Distribuição e habitat

Metroxylon sagu é nativa das Ilhas Molucas e da Nova Guiné. Foi naturalizada em outras regiões do sudeste asiático tropical, incluindo Sumatra, Bornéu e Tailândia.[1][2] O seu habitat natural são florestas alagadas de terras baixas.[1]

Usos

A árvore tem grande importância comercial como principal fonte de sagu, um amido obtido do tronco mediante lavagem dos grânulos de amido da medula triturada com água. Um caule cortado pouco antes ou no início da floração contém sagu suficiente para alimentar uma pessoa durante um ano.[4] O sagu é utilizado na culinária para pudins, massas, pães e como espessante. Na região do rio Sepik, na Nova Guiné, panquecas de sagu são um alimento básico, muitas vezes servidas com peixe fresco. Os folíolos também são usados como telhado de colmo para cobertura de casas, podendo durar até cinco anos.[5] Os pecíolos secos (chamados gaba-gaba em indonésio) são empregados na construção de paredes e tetos; por serem muito leves, também são usados na fabricação de jangadas.

Para a colheita do amido, o caule é abatido pouco antes ou no início da fase final de floração, quando o teor de amido é máximo. A propagação é feita pelo homem através da coleta e replantio de rebentos jovens, e não por sementes.[3]

A parte superior da medula do tronco pode ser torrada e consumida; os frutos jovens, brotos tenros e o palmito também são comestíveis.[4]

Pesquisas publicadas em 2013 indicam que Metroxylon sagu foi uma importante fonte alimentar para as populações antigas da costa sul da China, antes do cultivo do arroz.[6]

O sagu foi registrado pelo historiador chinês Zhao Rukuo (1170–1231) durante a Dinastia Sung. Em sua obra Zhu Fan Zhi (1225), uma coletânea de descrições de países estrangeiros, ele escreve que o “reino de Boni (ou seja, Brunei) … não produz trigo, mas cânhamo e arroz, e usam sha-hu (sagu) como cereal”.[7]

Referências

  1. a b c d Rahman, W.; IUCN SSC Global Tree Specialist Group; Botanic Gardens Conservation International (BGCI) (2021). «Metroxylon sagu». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2021. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-1.RLTS.T155290240A155290242.enAcessível livremente. Consultado em 7 de fevereiro de 2023 
  2. a b c «Metroxylon sagu Rottb.». Plants of the World Online (em inglês). Royal Botanic Gardens, Kew. Consultado em 22 de fevereiro de 2023 
  3. a b c d Schuiling, D.L. (2009), Growth and development of true sago palm (Metroxylon sagu Rottbøll) with special reference to accumulation of starch in the trunk: a study on morphology, genetic variation and ecophysiology, and their implications for cultivation, Wageningen University 
  4. a b United States Department of the Army (2009). The Complete Guide to Edible Wild Plants (em inglês). New York: Skyhorse Publishing. p. 88. ISBN 978-1-60239-692-0. OCLC 277203364 
  5. «Metroxylon sagu». Palm and Cycad Societies of Australia. Consultado em 28 de fevereiro de 2012. Cópia arquivada em 1 de julho de 2023 
  6. Yang, Xiaoyan; Barton, Huw J.; Wan, Zhiwei; Li, Quan; Ma, Zhikun; Li, Mingqi; Zhang, Dan; Wei, Jun (2013). «Sago-Type Palms Were an Important Plant Food Prior to Rice in Southern Subtropical China». PLOS ONE. 8 (5). Bibcode:2013PLoSO...863148Y. PMC 3648538Acessível livremente. PMID 23667584. doi:10.1371/journal.pone.0063148Acessível livremente 
  7. Harrisson, Tom (1969). Brunei Museum. 1 (1): 106 

Ligações externas