Mestre Robledo

MESTRE ROBLEDO
Mestre Robledo. Foto: Guto Nunes.
Informações gerais
Nome completoRozenildo Marcio da Silva Nunes
Também conhecido(a) comoMestre Robledo
Nascimento17 de setembro de 1968
Salvaterra, Pará, Brasil
Gênero(s)Carimbó, toada, xote, samba, brega
OcupaçãoCantor, compositor e mestre de Carimbó e de Boi-Bumbá
Período em atividade1981-presente

Mestre Robledo, nome artístico de Rozenildo Márcio da Silva Nunes (Salvaterra, Pará), é cantor, compositor, intérprete e mestre da cultura popular brasileira. É reconhecido por sua atuação nas tradições do Carimbó, do Boi-Bumbá e do Samba marajoara, destacando-se como uma das principais referências da cultura popular de Salvaterra (Pará), na Ilha do Marajó.[1]

Filho do também mestre de cultura Raimundo Máximo Nunes, conhecido artisticamente como Mestre Pau Que Ronca (falecido em 2022), Robledo herdou os ofícios do pai, que foi um importante colocador de boi-bumbá e animador cultural da região. Desde jovem, dedica-se à preservação e à difusão das manifestações tradicionais marajoaras, como o carimbó, os cordões de pássaros e o boi-bumbá.[1]

Início da trajetória

Mestre Robledo iniciou sua vida cultural como brincante de boi-bumbá em 1981, no boi do Mestre Damasceno, de Salvaterra. Em 1983, participou do boi de Mestre Vivi, e em 1986 colocou o seu primeiro boi, intitulado Ver no que dá, ao lado do pai, Mestre Pau Que Ronca.

Em 1998, compôs sua primeira toada para o Boi-Bumbá Madeira Fina e, no mesmo ano, fundou o Boi Garantido, também em parceria com o pai, tradição que mantém viva até hoje nas festividades juninas de Salvaterra.[2]

Atuação no Carimbó e na música

Na década de 1990, Robledo ampliou sua atuação para o Carimbó, sendo um dos fundadores do Grupo Paracauari, no qual foi vocalista por vários anos. Atuou também como cantor e compositor nos grupos Raízes da Terra (por nove anos) e M’Barayó, além de colaborar com os grupos Itaocas e Nativos Marajoara, de Mestre Damasceno.[3]

Em 1999, participou do álbum coletivo Salvaterra Canta Carimbó, com as composições Vida de Vaqueiro, Quero Xotear e Baliza dos Navegantes. Em 2004, foi agraciado com o Prêmio Cultura de Música do Pará, na categoria Mestre de Carimbó, em cerimônia realizada no Theatro da Paz, em Belém.[4][5]

Reconhecimento e eventos culturais

Ao longo de sua carreira, Mestre Robledo tem se apresentado em diversas festas e celebrações populares. É presença constante nas festividades do Círio de Nossa Senhora da Conceição, tendo uma composição gravada no CD do Círio de 2021, intitulada Manto Sagrado.

Em 2021, foi homenageado pelo Festival de Cultura do Marajó, em reconhecimento à sua trajetória como mestre da cultura popular. No ano seguinte, participou do Cordão da Arraia e do desfile da Semana da Pátria em Salvaterra, representando o Batalhão dos Mestres da Cultura Popular ao lado de Mestre Damasceno e Mestre General.

Ainda em 2022, participou das gravações do documentário O Boi-Bumbá de Salvaterra e suas Comunidades Quilombolas, dirigido por Guto Nunes e lançado em janeiro de 2023.[6][7][8]

Em 2023, Robledo integrou o Búfalo-Bumbá Junino de Mestre Damasceno, participou do Festival de Cultura do Marajó, do Festival das Canções de Salvaterra e fez apresentações com o Boi Tinfica.[9][10]

Durante 2024, continuou ativo em diversos cortejos e celebrações culturais, incluindo o tradicional Arraial do Mestre Pau Que Ronca, evento originalmente criado por seu pai.[11][12]

Em março de 2025, participou do lançamento do livro Carimbó: Ritmo Coreográfico da Resistência, com entrevista concedida em 2021, realizado na Casa das Onze Janelas, em Belém.[13]

Também em 2025, além de sua própria história artística, atua junto ao grupo M’Barayó[14][15] e também junto aos grupos de Mestre Damasceno, que faleceu em 26 de agosto, deixando a Mestre Robledo a incumbência de continuar a sua história.[1][16][17][18]

Oficinas e transmissão de saberes

Além da atuação musical, Mestre Robledo é reconhecido como artesão e educador popular. Em 2019, realizou uma oficina de confecção de curimbó em parceria com o artesão Agnaldo Vasconcelos, contribuindo para a formação de novos fazedores de cultura.

Em Salvaterra, é conhecido por construir e doar bonecos de boi para grupos iniciantes, repassando conhecimentos sobre o processo de montagem e sobre as tradições do boi-bumbá. Também orienta jovens em comunidades quilombolas e participa de ações culturais em escolas e projetos comunitários.

Legado

Com quase quatro décadas de atuação, Mestre Robledo é uma das figuras mais respeitadas da cultura popular de Salvaterra e do arquipélago do Marajó. Sua trajetória reflete a continuidade de uma linhagem familiar de mestres, marcada pela transmissão oral, pela força das tradições juninas e pela resistência cultural do povo marajoara.[19][15]

Ligações externas

Ver também

Referências

  1. a b c «Bate-papo na Feira Pan-Amazônica celebra a vida e a obra do Mestre Damasceno, ícone da cultura popular marajoara». Agência Pará de Notícias. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  2. Mestre Robledo (18 de março de 2025), Mestre Robledo em Cortejo Cultural, em Salvaterra, Ilha do Marajó, cantando toadas de Boi-Bumbá, consultado em 11 de outubro de 2025 
  3. Mestre Robledo (20 de março de 2025), Baliza dos Navegantes (Mestre Robledo - Carimbó), Salvaterra - Marajó - Pará, consultado em 11 de outubro de 2025 
  4. Mestre Robledo (25 de março de 2025), Quero Xotear (Mestre Robledo - Xote), Salvaterra - Marajó - Pará, consultado em 11 de outubro de 2025 
  5. Mestre Robledo (21 de março de 2025), Vida de Vaqueiro (Mestre Robledo - Carimbó), Salvaterra - Marajó - Pará, consultado em 11 de outubro de 2025 
  6. Online, DOL-Diário (19 de janeiro de 2023). «Boi-bumbá de Salvaterra é tema de documentário». DOL - Diário Online. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  7. Documentário “O Boi-Bumbá de Salvaterra e suas Comunidades Quilombolas”, que Mestre Robledo foi um dos protagonistas: https://www.youtube.com/watch?v=4Er7ISu-RZ4
  8. Terra, Chico (19 de janeiro de 2023). «O boi-bumbá de Salvaterra e suas comunidades quilombolas é tema de documentário - AMAZÔNIA BRASIL RÁDIO WEB». AMAZÔNIA BRASIL RÁDIO WEB. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  9. «Mestre Damasceno promove Festival de Boi-Bumbá em Salvaterra». Diário do Pará. 4 de novembro de 2023. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  10. «Mestre Damasceno promove Festival de Boi-Bumbá em Salvaterra». Diário do Pará. 4 de novembro de 2023. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  11. Online, DOL-Diário (12 de junho de 2024). «Mestre Damasceno coloca seu Búfalo-Bumbá nas ruas». DOL - Diário Online. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  12. «Cortejo cultural celebra 70 anos de Mestre Damasceno, no Marajó». G1. 20 de julho de 2024. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  13. Carimbó: Ritmo Coreográfico da Resistência Cultural. [S.l.: s.n.] 2024. p. 36 
  14. Prefeitura de Salvaterra (6 de outubro de 2025). «EVENTO CULTURAL! – Prefeitura Municipal de Salvaterra | Gestão 2025-2028». Consultado em 11 de outubro de 2025 
  15. a b Prefeitura de Salvaterra (6 de outubro de 2025). «GRUPO M' BARAÓ ENCANTA O PÚBLICO COM APRESENTAÇÃO NO VERÃO 2025 DE SALVATERRA – Prefeitura Municipal de Salvaterra | Gestão 2025-2028». Consultado em 11 de outubro de 2025 
  16. «Cortejo do Búfalo-Bumbá, documentário e bate-papo celebram Mestre Damasceno na Feira Pan-Amazônica do Livro». Agência Pará de Notícias. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  17. Prefeitura de Salvaterra (6 de outubro de 2025). «Cultura Marajoara em Movimento: Cortejo do Carimbúfalo de Mestre Damasceno encanta as ruas de Salvaterra – Prefeitura Municipal de Salvaterra | Gestão 2025-2028». Consultado em 11 de outubro de 2025 
  18. «28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes abre com grande público em Belém». Agência Pará de Notícias. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  19. Veloso, Lucas (9 de outubro de 2025). «Sem direito à aposentadoria, mestres da cultura popular sustentam a velhice com ajuda das comunidades». Nonada Jornalismo. Consultado em 11 de outubro de 2025