Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro

Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro
Informações gerais
Inauguração8 de julho de 2016
Geografia
PaísGuiné-Bissau
CidadeCacheu
Coordenadas🌍
Localização em mapa dinâmico

O Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro é um museu localizado na cidade de Cacheu, na Guiné-Bissau, inaugurado em 8 de julho de 2016. O espaço foi criado para preservar a memória histórica do tráfico transatlântico de escravos e homenagear as vítimas desse período.[1]

História

Contexto Histórico

Cacheu, localizada na região noroeste da Guiné-Bissau, foi um dos principais centros de comércio de escravos na África Ocidental entre os séculos XVI e XIX. A cidade era um ponto estratégico para o embarque de escravos capturados no interior da Guiné, que eram transportados para as Américas, especialmente para o Brasil. O comércio de escravos em Cacheu estava intimamente ligado ao arquipélago de Cabo Verde, que funcionava como um entreposto intermediário no tráfico transatlântico.[2]

A região da Guiné-Bissau, habitada por diversas etnias como os Balantas, Fulas, Manjacos e Papéis, foi profundamente afetada pelo tráfico de escravos. A captura e venda de milhões de africanos escravizados desestruturou sociedades locais, causando perdas humanas, econômicas e culturais significativas. Além disso, o tráfico de escravos moldou as relações internacionais e econômicas entre África, Europa e as Américas, com Cacheu desempenhando um papel importante neste comércio global.[1][2]

A Casa Gouveira, onde o memorial está instalado, é um edifício histórico que remonta ao período colonial português. Originalmente construída como uma residência ou armazém, a casa foi utilizada durante séculos como um ponto de apoio para o comércio de escravos e outras atividades comerciais na região. O edifício, que estava em ruínas, foi restaurado e adaptado para abrigar o memorial, preservando sua arquitetura colonial e seu significado histórico.[2]

Projeto e financiamento

A ideia do memorial foi desenvolvida a partir do 1º Festival Quilombola, ocorrido em 2010 em Cacheu, como parte do projeto "O Percurso dos Quilombos: de África para o Brasil e o Regresso às Origens", uma iniciativa que buscava promover o legado cultural quilombola através da relação das comunidades no Brasil com as suas raízes africanas em Cabo Verde e na Guiné-Bissau.[2]

A construção recebeu financiamento da União Europeia e contou com a colaboração de diversas entidades, incluindo a ONG guineense Ação para o Desenvolvimento (AD), a Associazione Interpreti Naturalistici (AIN) da Itália, a COAJOQ (Cooperativa Agropecuária de Jovens Quadros) e a Fundação Mário Soares de Portugal.[2][3][4]

O memorial está instalado em um edifício histórico, a antiga Casa Gouveia, que posteriormente serviu como "Armazém do Povo". A restauração do edifício exigiu técnicas inovadoras, como o encamisamento das paredes com betão armado, e a importação de materiais de construção de Portugal. A obra foi complexa e demorada, mas resultou em um espaço funcional que abriga exposições permanentes e temporárias.[3][5]

O complexo do memorial inclui, além do edifício principal, um pavilhão multiusos, salas de formação e residências para investigadores.[5]

Acervo e exposições

Fotografia do interior da exposição permanente do museu.

O acervo do memorial inclui objetos históricos relacionados ao tráfico de escravos, como correntes, chicotes, tachos e instrumentos de metal usados para marcar os escravos.[1][6] Além dos artefatos físicos, o memorial oferece exposições permanentes que exploram a história da escravidão, exibindo documentos e narrativas que contam a história dos africanos escravizados e suas lutas por liberdade.[2] Entre os temas abordados estão:

  • O papel de Cacheu no tráfico transatlântico de escravos.
  • A resistência das comunidades locais e a formação de quilombos.
  • O impacto do tráfico de escravos nas sociedades africanas e nas Américas.

Além das exposições, o memorial promove eventos culturais e educacionais, como palestras, workshops e atividades comunitárias, visando fortalecer a identidade cultural e a memória coletiva da região.[2]

Referências

  1. a b c «Memorial da escravatura e tráfico negreiro na Guiné-Bissau». RFI. 8 de julho de 2016. Consultado em 13 de junho de 2018. Cópia arquivada em 6 de janeiro de 2018 
  2. a b c d e f g Catálogo: Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro (PDF). Cacheu: Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro. 2016 
  3. a b «Inaugurado primeiro memorial de escravatura em Cacheu, norte da Guiné-Bissau». Sapo viagens. 8 de julho de 2016. Consultado em 13 de junho de 2018. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2016 
  4. «Inauguração do Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro». Fundação Mário Soares. 8 de julho de 2016. Consultado em 13 de junho de 2018. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2017 
  5. a b «Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro em Cacheu». casacomum.org. 2016. Consultado em 15 de março de 2025 
  6. «Memorial de Cacheu: Resgatando a Memória Africana - RDN Radiodifusão Nacional da Guiné Bissau». 31 de janeiro de 2025. Consultado em 15 de março de 2025 

Ligações externas