Memórias de Martha

Memórias de Martha é um romance publicado por Júlia Lopes de Almeida em 1899[1][2] e publicada em folhetins no jornal Tribuna Liberal.[3]

O livro é considerado a primeira obra da escritora sendo classificado como um romance memorialista.[4]

No ano de 2025, a obra foi adicionada para a lista de leitura obrigatória do vestibular da Fuvest.[5]

Enredo

O enredo básico do livro é o conto das memórias de Martha, narradas pela própria protagonista, sobre sua trajetória de vida indo para um cortiço durante sua infância até o momento presente em que a história é narrada.[6]

A narrativa apresenta a trajetória de duas personagens: Martha, a narradora, e sua mãe. Após a mãe ficar viúva, as duas enfrentam sérias dificuldades financeiras que as levam a uma drástica mudança de vida - da classe média para a pobreza. Sem condições de manter a residência anterior, elas passam a viver num pequeno cômodo de cortiço no Rio de Janeiro, durante o período de transição entre o fim do Império e os primeiros anos da República.[5]

A mãe assume o trabalho de lavadeira para garantir o sustento, enquanto a menina Martha enfrenta desafios tanto na escola quanto em relação à saúde, já que o ambiente insalubre do cortiço - úmido e sem iluminação adequada - afeta sua condição física.[5]

A obra segue o desenvolvimento da protagonista desde a infância até a vida adulta. Martha descobre na educação uma possibilidade de transformação: ao vislumbrar a carreira no magistério, ela enxerga um caminho para melhorar a situação financeira da família e finalmente deixar o cortiço para trás. Seus esforços são recompensados quando consegue aprovação nos exames necessários para exercer a profissão, conquistando assim a independência econômica que tanto almejava.[5]

Entretanto, pressionada pela mãe, Martha acaba se casando por questões de conveniência social, mesmo sem nutrir sentimentos amorosos ou o desejo genuíno de formar uma família. Pouco tempo depois do casamento, sua mãe falece, provocando um profundo vazio existencial na protagonista. É nesse momento de luto e desesperança que Martha encerra o relato de suas memórias, marcadas por adversidades, perdas e pela constante luta pela sobrevivência.[5]

Referências

  1. Almeida, Júlia Lopes de (1899). «Memorias de Martha (Narrativa)». Consultado em 13 de setembro de 2024 
  2. «Memórias de Martha». www.janelaamarelaeditora.com.br. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  3. «Memórias de Marta(1012) - UmLivro | Estante Virtual». www.estantevirtual.com.br. Consultado em 13 de setembro de 2024 
  4. RETRATOS DE UMA ÉPOCA: MEMÓRIAS DE MARTA, DE JULIA LOPES DE ALMEIDA
  5. a b c d e Claudia, Claudia Costa (2 de julho de 2025). «"Memórias de Martha" traz uma análise política e sociológica do Brasil pós-abolição». Jornal da USP. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  6. «Memórias de Martha». www.janelaamarelaeditora.com.br. Consultado em 13 de setembro de 2024