Mel de engenho

Mel de engenho (pré-AO 1990: mel-de-engenho), também conhecido como mel de cana,[1][2] é um tipo de xarope denso,[3] produzido na fase de fabricação do açúcar imediatamente anterior à sua cristalização.[1][3][4]

Fabricação

Da cana-de-açúcar, quando moída, se extrai o caldo de cana.[1] Este é levado a aquecimento lento, para evaporação e concentração do açúcar.[1] A última fase, de alta concentração de sacarose é, então, posta para cristalização.[1][3] O que o difere do melaço, que é o líquido resultante da etapa de centrifugação, no processo de fabricação de açúcar.[1]

Melaço, produto semelhante ao mel de engenho, porém mais viscoso.

Culinária

No Brasil

O mel de engenho é também comercializado na forma líquida, sendo, para tanto, retirado antes do ponto, ou seja, quando seu resfriamento ainda não provoca a cristalização da sacarose.[5]

Muito apreciado na culinária brasileira,[1] o seu consumo é mais disseminado na culinária nordestina,[6] onde o seu uso é popularizado e pode acompanhar diversos pratos[2] e sobremesas[3][7] ou então na substituição a outros açúcares e adoçantes.[8]

Em Portugal

Na Ilha da Madeira o mel de cana é um dos ingredientes centrais da gastronomia local, sendo frequentemente referido pelos madeirenses simplesmente como "mel", em contraposição ao "mel de abelhas".

É amplamente utilizado em diversas especialidades da doçaria regional, nomeadamente o bolo de mel, as broas de mel, o bolo preto e o bolo de família, todos eles populares e típicos da época natalícia madeirense. [9][10] Também é usado em bebidas tradicionais, como a macia (preparada com aguardente e mel de cana). Destaca-se ainda o seu uso como acompanhamento, especialmente nas malassadas, doces fritos consumidos tradicionalmente durante o Carnaval.

Para além da sua aplicação na doçaria e em bebidas, o mel de cana é ocasionalmente utilizado como adoçante natural, sendo adicionado a infusões, como chá ou café, ou simplesmente barrado no pão.

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g Lody, Raul (2019). «Doce Pernambuco». Companhia Editora de Pernambuco. Recife. ISBN 978-85-7858-769-7. Consultado em 11 de dezembro de 2020 
  2. a b Lody, Raul (2019). «Vocabulário do Açúcar: Histórias, cultura e gastronomia da cana sacarina no Brasil». Editora Senac. São Paulo. ISBN 978-85-3960-533-0. Consultado em 11 de dezembro de 2020 
  3. a b c d Galvão, José Arno (5 de maio de 2013). «Mel de Engenho» (html). Tribuna do Norte. Consultado em 11 de dezembro de 2020 
  4. Fundaj - Mel de engenho
  5. Tribuna do Norte - Mel de engenho
  6. «Encantos do Norte: Receitas com ingredientes bem brasileiros» (html). Casa e Comida. revistacasaejardim.globo.com. 19 de maio de 2015. Consultado em 11 de dezembro de 2020 
  7. Araújo, Romulo Soares de (Agosto de 2018). «Características Culinárias Pernambucanas nos Restaurantes Regionais da Região Metropolitana de Recife-PE.» (pdf). Recife: Universidade Federal Rural de Pernambuco. Consultado em 11 de dezembro de 2020 
  8. Almeida, Abigail Mirian Schiavon; Lemos, Radamés Gonçalves; Teixeira, Carlos Leandro Brito (2019). «Dos Saberes Populares ao Conhecimento Científico: Uma reflexão sobre mel da cana, açúcares e adoçantes – do artesanal ao industrial – uma proposta para o ensino de ciências». 2018: VIII Congreso Internacional sobre Formación de Profesores de Ciencias. Revista Pedagógigica. Consultado em 11 de dezembro de 2020 
  9. FRANCO, José Eduardo; TRINDADE, Cristina (2019). Madeira Global - Grande Dicionário Enciclopédico da Madeira. [S.l.]: Theya. pp. 831–832. ISBN 9789898916846 
  10. FRANCO, José Eduardo (2022). Madeira Global - Grande Dicionário Enciclopédico da Madeira. 2. [S.l.]: Theya. p. 831. ISBN 9789899012684