Me ne frego

"Me ne frego"
Canção de Aldo Masseglia
do álbum Era Fascista, Vol. 5
Lançamento1936
Gênero(s)Canção de guerra
Duração3:20
Gravadora(s)Odeon Records
LetraE. A. Mario
ComposiçãoR. Prisco

"Me ne frego" é uma canção italiana escrita pelo compositor R. Prisco e pelo poeta E. A. Mario em 1936, e lançada pela Odeon Records. Em 1997, a canção, em sua gravação original, foi incluída no quinto álbum da coletânea Era Fascista.

Significado da música

A frase me ne frego, oriunda do dialeto romanesco,[1] significa literalmente "não me importo" de um modo rude. Ela vem do verbo idiomático fregarsene, que descreve emocionalmente o desdém. Assim, a expressão "me ne frego" pode ser traduzida com a mesma conotação emocional de "não me importo", "não dou a mínima", etc. Num sentido militar-nacionalista, o slogan foi mencionado pela primeira vez em 15 de junho de 1918 em Giavera del Montello, entre o capitão Pietro Zaninelli do 27º Batalhão dos Arditi e o major Freguglia durante a Segunda Batalha do Rio Piave, na Primeira Guerra Mundial. Freguglia disse a Zaninelli que ele e sua companhia atacariam os austríacos no prédio em Giavera del Montello; Freguglia acrescentou que era uma missão suicida, mas que tinha de ser realizada a qualquer custo. Zaninelli olhou para Freguglia e respondeu: "Senhor comandante, não me importo, o senhor fará o que tiver de fazer pelo rei e pela pátria" (em italiano: Signor comandante io me ne frego, si fa ciò che si ha da fare per il re e per la patria). Zaninelli morreu em combate.[2] Mais tarde, esse lema, que implica desprezo pelo perigo e indiferença à morte, difundiu-se entre os Arditi e, após a Primeira Guerra Mundial, tornou-se um dos lemas dos grupos militar-nacionalistas leais a Benito Mussolini durante a Itália fascista. Embora supostamente a expressão tenha perdido sua conotação política e seja usada somente como um sinal de bravura e de indiferença ao perigo,[3][4] grupos ligados à extrema-direita ainda a exibem como um desafio ao "sistema".[5]

A canção, referindo-se ao lema, fala sobre a coragem diante da ameaça e a disposição de rejeitar o próprio conforto em nome da pátria. O segundo verso afirma que o próprio Mussolini poderia tê-la proferido em resposta às reivindicações de "Albion" (isto é, a Grã-Bretanha), e o quarto verso afirma que ela é dirigida diretamente pela Itália a todos aqueles que discordam de suas ambições: uma referência à Segunda Guerra Ítalo-Etíope, durante a qual a Itália travou uma guerra de agressão contra a Etiópia, que levou à fundação da África Oriental Italiana. O quinto verso afirma que até mesmo um Askari de pele escura que aprendeu italiano, está pronto para repetir alegremente o slogan como prova de seu patriotismo italiano. Todos os versos conduzem ao refrão de tal forma que sempre se assemelha a uma citação:

Me ne frego non so se ben mi spiego,
Me ne frego con quel che piace a me

"Não me importo, não sei se me faço entender,
Não me importo. [Farei] o que eu quiser".

Referências

Bibliografia

  • De Marzi, Giacomo (2004). I canti del fascismo (em italiano). Genoa: Frilli Editori. ISBN 8875630461 
  • Mastrangelo, Emanuele (2006). I canti del littorio: storia del fascismo attraverso le canzoni (em italiano). Turin: Lo Scarabeo. ISBN 8884780942