Max Feffer

Max Feffer
Max Feffer
Industrialização da celulose de eucalipto
Consolidação e diversificação do Grupo Suzano
Fundação do Instituto Ecofuturo
Mecenato cultural
Nascimento11 de dezembro de 1926
São Paulo, SP, Brasil
Morte2 de abril de 2001 (74 anos)
São Paulo, SP, Brasil
NacionalidadeBrasileiro
CidadaniaBrasil
CônjugeBetty Feffer
Filho(a)(s)David Feffer
Daniel Feffer
Ruben Feffer
Susana Feffer
Alma materUniversidade Presbiteriana Mackenzie (Engenharia Química)
OcupaçãoEngenheiro, empresário, mecenas e ambientalista
Distinções
CargoSecretário de Estado da Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo (1975–1979)
Serviço militar
Condecorações
Ordem do Mérito Militar
Ordem do Mérito Militar
(Grau de Comendador)

Max Feffer ComMM (São Paulo, 11 de dezembro de 1926São Paulo, 2 de abril de 2001) foi um engenheiro, empresário, mecenas das artes e ambientalista brasileiro. Herdeiro e sucessor de seu pai, Leon Feffer, no comando do Grupo Suzano, Max foi a força motriz por trás da consolidação da empresa como uma potência global, liderando a implementação industrial da revolucionária produção de celulose de eucalipto. Sua atuação transcendeu o mundo corporativo; como Secretário de Cultura de São Paulo, revitalizou a cena artística do estado e, mais tarde, tornou-se um dos pioneiros do conceito de sustentabilidade empresarial no Brasil com a criação do Instituto Ecofuturo.[1]

Juventude e Formação

Nascido em São Paulo, Max Feffer era o filho mais velho de Antonietta e Leon Feffer, o imigrante ucraniano que fundou a precursora da Suzano Papel e Celulose em 1924. Desde jovem, esteve imerso no ambiente empreendedor da família, acompanhando o crescimento da modesta fábrica de papel de seu pai.

Demonstrando uma aptidão para as ciências exatas, formou-se em Engenharia Química pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sua sólida base técnica seria fundamental para transformar as visões de seu pai em realidades industriais de larga escala, combinando o ímpeto empreendedor herdado com a disciplina e o rigor do método científico.[2]

Carreira na Suzano: Inovação e Expansão

A Revolução do Eucalipto: Da Teoria à Escala Industrial

Enquanto seu pai, Leon, foi o visionário que primeiro desafiou o dogma de que apenas fibras longas (como o pinus) poderiam produzir celulose de qualidade, foi Max Feffer quem liderou a aplicação industrial dessa descoberta. A partir da década de 1950, Max assumiu a liderança da equipe de cientistas e técnicos da Suzano. Com sua formação em engenharia, ele sistematizou as pesquisas e desenvolveu os processos que permitiram a produção de celulose de fibra curta de eucalipto de forma consistente e economicamente viável.[3]

Em 1958, a Suzano fabricou os primeiros lotes comerciais de papel utilizando 100% de celulose de eucalipto. O sucesso da empreitada foi estrondoso e transformador. O Brasil, que possuía condições climáticas ideais para o rápido crescimento do eucalipto, deixou de ser um importador de celulose para se tornar um dos maiores exportadores do mundo. A inovação liderada por Max Feffer não apenas garantiu a hegemonia da Suzano, mas redefiniu o mapa global da indústria de papel e celulose.[1]

Visão Estratégica e Diversificação

Após suceder plenamente o pai no comando do grupo, Max Feffer iniciou um agressivo processo de modernização e diversificação, consolidando a Suzano como um dos maiores conglomerados do Brasil. Sua visão estratégica ia além do papel e celulose. Ele acreditava que a expertise da companhia em processos químicos e sua robustez financeira poderiam ser alavancadas em outros setores.

Os movimentos mais notáveis foram:

  • Petroquímica: Em 1974, em uma joint-venture com a Petroquisa, fundou a Polipropileno S.A., uma das primeiras produtoras de resina termoplástica do país, marcando a entrada pioneira do grupo no setor petroquímico.[4]
  • Seguros: Também expandiu os negócios para o setor de serviços, com a criação da companhia de seguros do grupo.

Essas iniciativas demonstravam sua capacidade de antecipar tendências e de gerir riscos, transformando a Suzano de uma empresa familiar em uma corporação diversificada e com gestão profissionalizada.[1]

Atuação Pública e Mecenato Cultural

Apaixonado por música erudita e um violoncelista amador, Max Feffer acreditava que o acesso à cultura era uma ferramenta essencial para o desenvolvimento social. Em 1975, aceitou o convite do governador Paulo Egydio Martins para assumir a recém-criada Secretaria de Estado da Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo, cargo que ocupou até 1979.[5]

Sua gestão foi marcada por projetos de grande impacto que visavam a "democratização da cultura":

  • Festival de Inverno de Campos do Jordão: Ele revitalizou e internacionalizou o festival, transformando-o no mais importante evento de música clássica da América Latina, trazendo renomados maestros e orquestras e, ao mesmo tempo, oferecendo bolsas de estudo para jovens músicos brasileiros.[6]
  • Festival de Jazz de São Paulo: Criou um dos primeiros grandes festivais de jazz do Brasil, trazendo lendas internacionais do gênero para apresentações populares, muitas vezes gratuitas ou a preços acessíveis.

Sua passagem pelo governo solidificou sua imagem como um empresário-humanista, que aplicava sua capacidade de gestão para o bem público.

Legado Socioambiental: O Instituto Ecofuturo

Na década de 1990, Max Feffer voltou seu foco para uma preocupação crescente: a relação entre a atividade industrial e o meio ambiente. Ele antecipou que a sustentabilidade não era apenas uma questão ética, mas um fator crucial para a perenidade dos negócios. Com base na filosofia de que era preciso "produzir e conservar", idealizou uma organização que pudesse materializar essa visão.

Em 1999, fundou o Instituto Ecofuturo, uma organização não governamental mantida pela Suzano, com a missão de promover o desenvolvimento sustentável por meio da conservação ambiental e da promoção da leitura. O instituto tornou-se referência em projetos de recuperação de matas nativas, gestão de parques e bibliotecas comunitárias, sendo a concretização da crença de Feffer de que o capital e o conhecimento gerados por uma empresa deveriam retornar à sociedade na forma de progresso social e ambiental.[7]

Vida Pessoal, Morte e Homenagens

Max Feffer foi casado com Betty Feffer, com quem teve quatro filhos: David Feffer, Daniel, Ruben e Susana. Em 1999, iniciou o processo de sucessão, passando o comando da Suzano a seu filho David, que continuou o processo de expansão global da companhia.

Faleceu em São Paulo no dia 2 de abril de 2001, aos 74 anos.[8]

Por suas contribuições ao país, foi admitido à Ordem do Mérito Militar em 1992, no grau de Oficial especial, pelo presidente Fernando Collor, e promovido em 1995 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao grau de Comendador.[9][10]

Seu legado é celebrado de forma proeminente no Centro Cultural Max Feffer, localizado em Pardinho, São Paulo. O complexo, projetado para integrar cultura, educação e meio ambiente, é considerado a materialização de sua visão de mundo e um tributo duradouro a um dos mais completos e visionários líderes empresariais da história do Brasil.

Referências

  1. a b c «O herdeiro que formou um império». IstoÉ Brasileiro do Século. Consultado em 26 de maio de 2024. Cópia arquivada em 15 de maio de 2021 
  2. «Nossa História: Conheça o legado de nossos fundadores». Suzano S.A. Consultado em 26 de maio de 2024 
  3. «A revolução do eucalipto». Exame. 16 de outubro de 2008. Consultado em 26 de maio de 2024 
  4. «Polipropileno: Uma nova era para a indústria». O Estado de S. Paulo. 22 de novembro de 1974. p. 36. Consultado em 26 de maio de 2024 
  5. «Diário Oficial do Estado de São Paulo - Nomeação de Max Feffer». Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. 16 de março de 1975. Consultado em 26 de maio de 2024 
  6. «Festival de Inverno de Campos do Jordão começa neste sábado». A Cidade ON. 30 de junho de 2020. Consultado em 26 de maio de 2024 
  7. «Quem Somos - Nosso Legado». Instituto Ecofuturo. Consultado em 26 de maio de 2024 
  8. «Morre Max Feffer, presidente do Grupo Suzano». Folha de S.Paulo. 3 de abril de 2001. Consultado em 26 de maio de 2024 
  9. Brasil, Decreto de 21 de julho de 1992 de 21-07-1992.
  10. Brasil, Decreto de 29 de março de 1995 de 29-03-1995.

Ligações externas