Mauro Carlesse

Mauro Carlesse
Carlesse como governador.
9.° Governador do Tocantins
Período27 de março de 2018
a 6 de abril de 2018[nota 1] 19 de abril de 2018
a 20 de outubro de 2021[nota 2]
Vice-governadorWanderlei Barbosa
Antecessor(a)Marcelo Miranda
Sucessor(a)Wanderlei Barbosa
Presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins
Período1 de fevereiro de 2017
a 24 de junho de 2018
Deputado Estadual do Tocantins
Período1 de fevereiro de 2015
a 24 de junho de 2018
Dados pessoais
Nome completoMauro Carlesse
Nascimento25 de junho de 1960 (65 anos)
Terra Boa, Paraná, Brasil
ProgenitoresMãe: Maria Olívia Carlesse
Pai: Ivo Carlesse
Prêmio(s)Medalha do Pacificador[2]
PartidoPV (2011–2013)
PTB (2013–2016)
PHS (2016–2019)
DEM (2019–2021)
PSL (2021–2022)
UNIÃO (2022)
Agir (2022–2026)
PSD (2026–presente)
Profissãoempresário
agropecuarista

Mauro Carlesse (Terra Boa, 25 de junho de 1960) é um político, empresário e agropecuarista brasileiro, filiado ao Partido Social Democrático (PSD).[3] Foi candidato à prefeitura de Gurupi nas eleições de 2012, iniciando sua trajetória política. Elegeu-se deputado estadual nas eleições de 2014, quando presidiu a Assembleia Legislativa. Em 2018, foi eleito governador do Estado do Tocantins, renunciando o cargo em 2022, após uma série de denúncias por corrupção.

Biografia

Descendente de italianos,[4] Mauro Carlesse nasceu no município de Terra Boa, no Paraná, mas passou boa parte de sua vida no estado do Tocantins, onde trabalhou como empresário, agropecuarista e iniciou sua vida política.[5]

Em 2011 e já na presidência do Sindicato Rural de Gurupi, Carlesse iniciou sua trajetória política ao filiar-se ao Partido Verde (PV).[5] No ano seguinte, foi candidato ao cargo para prefeito do município mas, mesmo angariando 16 713 votos (42,78% dos votos válidos), perdeu a eleição para Laurez Moreira, do Partido Socialista Brasileiro (PSB).[6]

Em 2013, Mauro Carlesse mudou sua filiação para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, em 2014, candidatou-se a deputado estadual, conseguindo eleger-se para a 8ª legislatura na Assembleia Legislativa do Tocantins, eleito com 12 187 votos.[5][7]

Em 8 de julho de 2016, então filiado ao Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Carlesse foi eleito presidente da Assembleia Legislativa para o biênio 2017/2019. Já nas eleições de 2018, após o partido ao qual era filiado não atingir a cláusula de barreira, Mauro Carlesse filiou-se ao Democratas (DEM) para poder assumir a vice-presidência nacional do partido.[8]

Governador do Tocantins

Carlesse recebe o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Em 2018, com a cassação do governador do Tocantins, Marcelo Miranda (MDB), e de sua vice-governadora, Cláudia Lelis (PV), pelo Tribunal Superior Eleitoral, Carlesse assumiu o comando do executivo estadual interinamente até a realização de novas eleições estaduais.[9]

Seu mandato foi brevemente interrompido, entre os dias 6 de abril e 19 de abril, com o pedido de medida cautelar acolhido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que ordenou a recondução de Marcelo Miranda e Cláudia Lélis aos seus respectivos cargos.[10][11]

Em 24 de junho de 2018, Mauro Carlesse foi eleito governador do Tocantins, tendo como vice Wanderlei Barbosa (PHS).[12] Na eleição suplementar, a chapa venceu no segundo turno o senador Vicentinho Alves, do Partido da República (PR).[13] Já nas eleições estaduais de 2018, foi reeleito, desta vez para um mandato completo de 4 anos, como o governador mais votado da história do estado, alçando mais de 400 mil votos.[14]

Desempenho em eleições

Ano Eleição Partido Cargo Votos % Resultado Ref
2012 Municipal de Gurupi PV Prefeito 16.713 42,78% Não eleito [15]
2014 Estaduais no Tocantins PTB Deputado estadual 12.187 1,61% Eleito [16]
2018 Suplementar no Tocantins PHS Governador 174.275 30,31%

(1º Turno)

Eleito [17]
368.553 75,14%

(2º Turno)

Estaduais no Tocantins 404.484 57,39% Eleito [18]

Controvérsias

Prisão e condenação

Em 2015, Mauro Carlesse, então deputado estadual, ficou preso no departamento de assessoria militar da Assembleia Legislativa, em Palmas no Tocantins. A prisão foi decretada por causa de um processo de execução de pagamento de pensão alimentícia contra o parlamentar, que corre na comarca de Barueri. Como o estado não tem uma cadeia especial, o juiz que expediu a ordem de prisão, em São Paulo, e o Tribunal de Justiça do Tocantins decidiram pela detenção do deputado no prédio da Assembleia Legislativa.[19]

Já em abril de 2018, após vinte anos de processo, Mauro Carlesse foi condenado a pagar aluguéis e teve seus recursos bloqueados pelo valor de mais de R$ 300 000 das contas e dos bens de três empresas. A ação tratava-se de um despejo de imóvel no estado de São Paulo por falta de pagamento cumulada com cobrança movida pelo credor de Carlesse, Ephrain Guilherme Neitzke.[20]

Cassação

O Ministério Público Eleitoral pediu a cassação do governador e de seu vice em dois processos. No primeiro pedido, Carlesse foi acusado de, durante a irregularidades durante a eleição suplementar, comprar apoio político, se utilizar de bens públicos em campanha eleitoral, usar de forma promocional serviços de caráter social e fazer pagamentos irregulares de despesas. Já no segundo pedido foi baseado em um documento que extinguiu, no primeiro dia do iniciou do seu segundo governo, 15 mil cargos, o que, segundo o MPE, é um indício de que foram criados para fins eleitorais. [21] O pleno do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins rejeitou, em 2019, as duas denúncias, afirmando que havia uma ausência de provas e que as ações do governador não configuravam crime.[22]

Em dezembro de 2021, a Justiça Eleitoral decidiu tornar Carlesse inelegível por oito anos, contados a partir de 2020. O juizado da 2.ª Zona Eleitoral constatou irregularidades do politico durante a campanha eleitoral de Josi Nunes à prefeitura de Gurupi. Na campanha, Carlesse usou carros oficiais, financiou sites de notícias e distribuiu cestas básicas para favorecer a eleição de Josi.[23]

Interferência na liberdade de imprensa

Em março de 2019 Mauro Carlesse aprovou um decreto que interfere na liberdade de imprensa. Com o decreto, passou a ser necessário que o delegado-geral da polícia civil do Tocantins aprove o que deve ou não ser divulgado aos meios de comunicação. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota:

Servidores fantasmas

Mauro Carlesse foi alvo de busca e apreensão emitido pelo Superior Tribunal de Justiça no âmbito da Operação Assombro. O governador é suspeito de desviar recursos na contratação de ao menos cinco funcionários fantasmas para obter apoio nas duas eleições em que se candidatou em 2018, o que pode configurar peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.[25] No mesmo caso está sendo investigada a deputada estadual Valderez Castelo Branco (PP). Mauro Carlesse refutou tentativas de ligação de sua gestão aos fatos citados e Valderez Castelo Branco afirmou que está tranquila e colaborando com a Justiça.[26]

Tráfico de drogas e aparelhamento indevido na Secretaria de Estado de Segurança Pública

Em 14 de novembro de 2023, o ex-governador e outras 6 pessoas foram declarados réus em crimes de tráfico de drogas, organização criminosa e abuso de autoridade pela Terceira Vara Criminal de Palmas, cuja denúncia foi feita pelo Ministério Público do estado do Tocantins.[27] Meses antes, em fevereiro do mesmo ano, ele e outros 13 já haviam sido denunciados por utilizarem a Secretaria de Estado de Segurança Pública para crimes de espionagem e atrapalharem investigações contra o seu então governo.[28] Parte da organização criminosa, incluíndo Carlesse, já eram réus em mais um inquérito, que apurava irregularidades em planos de saúde dos servidores estaduais.[29]

Fraude em licitações

Em 26 de agosto de 2024, Carlesse foi alvo de investigações da Polícia Federal que investigam supostas fraudes em licitações quando existia a Secretaria de estado de Infraestrutura e Habitação em 2018.[30] Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão, por crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato.[31] Um carro de luxo foi apreendido na garagem da casa do ex-governador do TO.[32]

Suspeito de planejar fuga para o exterior

Na manhã do dia 15 de dezembro de 2024, o ex-governador foi preso em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual do Tocantins (MPTO) em São Salvador, na região sul do estado, onde ele estava a caminho de uma fazenda. De acordo com o Ministério Público Estadual, ele é suspeito de planejar fuga para o exterior.[33] Segundo o documento da Justiça de Palmas, as conversas entre Mauro Carlesse e o sobrinho dele, Claudinei Quaresemin, interceptadas pelos investigadores revelam supostas tratativas de enviar dinheiro para contas no exterior e obter identidade uruguaia e passaporte italiano.[34]

Afastamento

No dia 20 de outubro de 2021, Mauro Carlesse foi alvo das operações Éris e Hygea da Polícia Federal, com base em supostos pagamentos de propina para obstruir investigações que apuravam irregularidades no governo estadual. O Superior Tribunal de Justiça determinou o seu afastamento temporário do cargo de governador por um período de seis meses.[1][35]

Renúncia

No dia 11 de março de 2022, estando afastado e em meio a um processo de impeachment, Mauro Carlesse renunciou ao mandato.[36]

Bibliografia

Notas

  1. Em razão de liminar, Marcelo Miranda retornou ao cargo em 6 de abril de 2018, tendo Carlesse voltado ao posto no dia 19 do mesmo mês, uma vez que a liminar perdeu efeito.
  2. Por ordem do STJ, foi afastado do cargo em 20 de outubro de 2021. Renunciou definitivamente o cargo em 11 de março de 2022.[1]

Referências

  1. a b STJ determina afastamento do governador do Tocantins Mauro Carlesse por 6 meses
  2. «Boletim do Exército do Brasil de julho de 2020». Secretaria Geral do Exército do Brasil (pdf). Consultado em 10 de setembro de 2020 
  3. «Ex-governador Mauro Carlesse se filia ao Agir para disputar eleições ao Senado». G1. Consultado em 18 de abril de 2022 
  4. Redação (20 de fevereiro de 2021). «A força da ascendência italiana no comando do Brasil». Italianismo. Consultado em 3 de novembro de 2023 
  5. a b c Portal Tocantins.
  6. G1 TO 2012.
  7. G1 TO 06/10/2014.
  8. JM Notícia 2019.
  9. G1 TO 22/03/2018.
  10. G1 TO 06/04/2018.
  11. G1 TO 19/04/2018.
  12. Jornal TSE 2014.
  13. G1 TO 24/06/2018.
  14. G1 TO 07/10/2018.
  15. «Apuração em tempo real - 1° turno - Gurupi». UOL Eleições 2012. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  16. «Resultado das Apurações dos votos das Eleições 2014 no Tocantins para Governador, Senador, Deputados Federais e Deputados Estaduais». Eleições 2014 no TO. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  17. «Mauro Carlesse é eleito governador do Tocantins para o mandato-tampão». G1. 24 de junho de 2018. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  18. «Resultado da apuração do 1º turno das Eleições 2018 - Tocantins (TO) para governador, senador, deputado federal e deputado estadual.». G1. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  19. G1 TO 03/08/2015.
  20. T1 Notícias 04/04/2018.
  21. «Ministério Público pede cassação do governador de Tocantins, Mauro Carlesse». Poder360. 8 de janeiro de 2019. Consultado em 28 de maio de 2020 
  22. «Pleno do TRE rejeita pedido de cassação do mandato de Mauro Carlesse». O Norte. Consultado em 28 de maio de 2020 
  23. «Justiça Eleitoral torna inelegível Mauro Carlesse, governador do Tocantins». Uol. 4 de dezembro de 2021. Consultado em 5 de dezembro de 2021 
  24. Abraji 2019.
  25. «PF investiga o governador do Tocantins, Mauro Carlesse. Agentes estão na sua casa e no palácio». Opção. 17 de março de 2020. Consultado em 28 de maio de 2020 
  26. «Operação Assombro investiga se servidores fantasmas foram usados como cabos eleitorais de Carlesse e Valderez». G1. Consultado em 28 de maio de 2020 
  27. «Ex-governador Mauro Carlesse e mais oito viram réus por tráfico de drogas e organização criminosa». g1. Grupo Globo. 14 de novembro de 2023. Consultado em 23 de abril de 2025 
  28. «Mauro Carlesse,ex- secretários e delegados viram réus por frupo de espionagem na Polícia Civil». g1. Grupo Globo. 11 de fevereiro de 2023. Consultado em 23 de abril de 2025 
  29. «Ex-governador Mauro Carlesse, filha e sobrinho viram réus em ação penal por esquema de corrupção no Plansaúde». g1. Grupo Globo. 3 de setembro de 2022. Consultado em 23 de abril de 2025 
  30. «Operação da PF investiga suposta fraude em contratos de secretaria do governo do Tocantins». g1. Grupo Globo. 26 de agosto de 2024. Consultado em 23 de abril de 2025 
  31. «Ex-governador do Tocantins é alvo de operação da PF que investiga suposta fraude em licitação». g1. Grupo Globo. 26 de agosto de 2024. Consultado em 23 de abril de 2025 
  32. «PF apreende Camaro em prédio onde mora o ex-governador do Tocantins: vídeo». g1. Grupo Globo. 26 de agosto de 2024. Consultado em 23 de abril de 2025 
  33. Patrício Reis e Ana Paula Rehbein (15 de dezembro de 2024). «Ex-governador Mauro Carlesse é preso suspeito de planejar fuga para o exterior». G1. Grupo Globo. Consultado em 15 de dezembro de 2024 
  34. Ana Paula Rehbein e Patrício Reis (16 de dezembro de 2024). «Contas no exterior, identidade uruguaia e passaporte italiano: decisão mostra plano de fuga do ex-governador do TO, Mauro Carlesse». G1. Grupo Globo. Consultado em 16 de dezembro de 2024 
  35. STJ determina afastamento do governador do Tocantins Mauro Carlesse por 6 meses
  36. Vilela, Pedro (11 de março de 2022). «Mauro Carlesse renuncia ao cargo de governador do Tocantins». Agência Brasil. Consultado em 1 de abril de 2022 

Precedido por
Marcelo Miranda
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2018 — 2022
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