Massangano (Angola)

Massangano

Província Cuanza Norte

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Massangano é uma cidade e município angolano que se localiza na província do Cuanza Norte.[1]

Anteriormente uma vila-comuna do município de Cambambe,[2] em 5 de setembro de 2024 foi elevada a condição de cidade e município da província do Cuanza Norte.[1]

O município de Massangano é administrativamente subdividido, além da comuna-sede — que corresponde a cidade de Massangano —, na comuna de Zenza do Itombe.[1]

História

Nesta vila ocorreu, em 1580, a Batalha de Massangano, na qual as forças portuguesas derrotaram o Reino do Dongo. Em 1583 foi construído o Forte de Massangano que assegurou a ocupação portuguesa na região.

Durante a ocupação holandesa de Angola os dongos e congos a mantiveram um grande cerco contra as tropas luandenses e residentes lusitanas abrigadas no Forte de Massangano, entre 1641 e 1648.

Em função das grandes reservas de ferro no vale do rio Luinha, o governador colonial Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho moveu, em 1765, a mão de obra especializada em processos de fundição e forja praticados em Luanda para a foz do rio Lucala no rio Cuanza, onde estava localizado o Forte de Massangano.[3] Este empreendimento estatal tinha objetivo de suprir as demandas comerciais por ferro fundido em Angola e no Brasil.[3] Em 1766, Sousa Coutinho iniciou a construção de uma fábrica de fundição de ferro, denominada Real Fábrica do Ferro de Nova Oeiras, dando novo ímpeto assim a Massangano. Esta é tida como a primeira fábrica do seu género na África subsaariana.[4] A construção empregou mão de obra escravizada, mas encontrou obstáculos consideráveis para sua continuação, principalmente dado a grande mortalidade por doenças tropicais dos mestres fundidores, latoeiros e carpinteiros europeus trazidos de Portugal e da Biscaia para concretizar o projeto.[3] Porém, o projeto metalo-mineral de Massangano era grandioso, contando com uma represa de águas, um aqueduto de arcos, condutor de águas para mover engenhos, rodas hidráulicas, forno de fundição, ferraria com três armazéns e um canal para escoar a água.[5] Em 1769 a represa foi concluída e a fábrica já produzia para exportação ao Brasil em 1771, porém com partes do empreeendimento ainda por concluir.[3] O regime de trabalho era majoritariamente composto por trabalhadores africanos escravizados, ocupados na recolha e lavagem do minério, recolha de lenha, fundição e mesmo como artífices, totalizando cerca de quatrocentas pessoas.[3] A repentina saída de Sousa Coutinho de Angola em 1772 fez o projeto encontar dificuldades para continuar, sendo definitivamente encerrado em 1800.[3]

A localidade chamou-se Nova Oeiras até 1975.[3]

Infraestrutura

Embora a sede da municipalidade não seja atravessada pelo Ramal do Dondo, o município de Massangano dispõe das estações de Zenza do Itombe e Cassoalala.

A principal via de ligação do município é a EN-321, com a sede da municipalidade sendo ligada pela EN-321-1.

Referências

  1. a b c «Lei n.° 14/24 de 5 de Setembro» (PDF). Imprensa Nacional de Angola. Diário da República (171): 9800–10505. 5 de setembro de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024 
  2. «Comunas». Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado. 2018. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2020 
  3. a b c d e f g «Nova Oeiras». HPIP. Consultado em 20 de novembro de 2025 
  4. «BNP adquire quatro valiosos manuscritos». Biblioteca Nacional de Portugal. Consultado em 2 de janeiro de 2020 
  5. «Real Fábrica do Ferro». HPIP. Consultado em 20 de novembro de 2025