Massacre de Suzano

Massacre de Suzano
Imagem da câmera de segurança da escola no momento do início do massacre
LocalEscola Estadual Professor Raul Brasil, Jardim Imperador, Suzano, São Paulo, Brasil
Coordenadas23.53436° S 46.31549° O
Data13 de março de 2019 (6 anos)
9h30min (UTC−3)
Tipo de ataquetiroteio contra escola, assassinato em massa, assassinato-suicídio, tiroteio em massa
Arma(s)revólver calibre 38 e machadinha
Mortes10 (incluindo os 2 assassinos)
Feridos11
Responsável(is)Guilherme Taucci Monteiro (17 anos)
Luiz Henrique de Castro (25 anos)
Motivo
Massacre de Suzano está localizado em: São Paulo
Massacre de Suzano
Localização da ponte no estado de São Paulo
Localização em mapa dinâmico
Coordenadas23° 32' 3.7" S 46° 18' 55.76" O

Massacre de Suzano foi um tiroteio escolar ocorrido na manhã de 13 de março de 2019. Uma dupla de ex-alunos invadiu a Escola Estadual Raul Brasil e matou sete pessoas dentro da instituição, além de ferir outros nove. Outras duas pessoas se feriram durante a fuga antes que um dos atiradores matasse o próprio comparsa e se suicidasse.[1]

Mais cedo naquele dia, a dupla invadiu uma locadora e atingiu o proprietário do estabelecimento, que é tio de um deles, a tiros, ferindo-o gravemente. O proprietário morreu no hospital.[2]

Como resultado do ataque, dez pessoas morreram, nove na escola e uma na locadora, além disso, outras onze pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave. O massacre de Suzano foi o terceiro ataque em uma instituição educacional mais mortal no país, sendo superado pelo massacre de Realengo, por Wellington Menezes de Oliveira, deixando 13 mortos. E o massacre de Janaúba, por Damião Soares dos Santos, deixando 14 mortos. O massacre teve ampla repercussão nacional.

Ataque

O crime aconteceu por volta das 9:30 da manhã de uma quarta-feira, 13 de março de 2019, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, localizada na rua Otávio Miguel da Silva, em Suzano, Região Metropolitana de São Paulo.[3][4][5]

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, entraram encapuzados, com coturnos táticos e balaclavas de caveira na unidade escolar, efetuando diversos disparos de arma de fogo durante o horário do intervalo e atingindo dezenas de pessoas.[4][6] Antes do crime, no mesmo dia, um dos assassinos postou uma série de imagens em uma rede social, em que ele aparecia com a máscara de caveira, portando a arma de fogo utilizada e fazendo um símbolo de arma com a mão na cabeça.[7]

Conforme o Censo Escolar de 2017, a instituição possui 358 alunos da segunda etapa do fundamental (6º ao 9º ano) e 693 estudantes do ensino médio.[3] A instituição foi isolada pela polícia, que encontrou um revólver calibre 38,[8] jet loaders, dispositivos plásticos para recarregamento rápido de arma, uma besta, um arco e flecha tradicional, garrafas que aparentavam ser coquetéis molotov, uma machadinha e uma mala com fios que levou ao acionamento do esquadrão antibombas.[9]

Momentos antes do ataque à escola, por volta das 9 horas, Guilherme Taucci havia atirado em seu tio, o comerciante Jorge Antônio de Moraes, dentro de uma revendedora de veículos de Jorge, nas proximidades. O homem foi levado ao hospital mas não resistiu aos ferimentos, morrendo horas depois.[10] Segundo o que se apurou nas investigações, além de Jorge, eles também planejavam matar mais uma pessoa, um eletricista vizinho de Luiz Henrique, que seria morto por este, pois haviam tido um desentendimento meses antes. Era uma espécie de pacto entre os dois criminosos, em que cada um mataria um desafeto antes do massacre na escola. Uma hora e meia antes do ataque à escola, Luiz Henrique foi até a casa do vizinho. Ao encontrar o portão trancado, passou a chamá-lo insistentemente, mas o homem não atendeu e Luiz foi embora.[11]

Os assassinos supostamente buscaram ajuda para planejar o atentado no Dogolachan, um imageboard, fórum onde todos os participantes são anônimos, também conhecido como chan, abreviatura de channel. O fórum é conhecido por sua apologia ao terrorismo e à violência, com conteúdos pautados em intolerâncias às minorias e machismo.[12][13][14]

De acordo com as apurações, entre as motivações que levaram ao massacre estavam o bullying, isolamento social e o desejo de superar o massacre em uma escola de Columbine, nos Estados Unidos, pois queriam ser lembrados pela quantidade de mortes e armas. Tinham o pensamento de que faziam um "ato heroico". Um terceiro suspeito, que não participou do ato e esteve envolvido diretamente, afirmou que eles também tinham a intenção de realizarem estupros.[4][15]

Antes deste ataque, outros oito já haviam ocorrido em escolas brasileiras, entre 2002 e 2018.[16]

Responsáveis

Guilherme Taucci Monteiro

Armas utilizadas pelos assassinos durante o ataque

Guilherme Taucci Monteiro (5 de julho de 2001–13 de março de 2019), então com 17 anos de idade, foi aluno da Escola Estadual Professor Raul Brasil e teria largado a escola alegando estar sofrendo bullying.[17] O jovem morava com os avós, pois sua mãe era uma usuária de drogas. Guilherme gostava da cultura gótica e simpatizava com o nazismo. O pai de Luiz Henrique, seu melhor amigo e com quem invadiu a escola, havia prometido arrumar uma vaga para ele no mesmo serviço de limpeza e conservação de praças em São Paulo. Segundo seu avô, Guilherme frequentava uma LAN house com Luiz Henrique e não estranhava que ele tivesse dinheiro para os jogos ou para compras pela internet, porque o neto sempre fazia bicos. O último deles havia sido como vendedor num quiosque de cachorro quente, onde ganhou 600 reais.[18] Com a morte da avó quatro meses antes do crime, Guilherme passou a dar sinais de depressão clínica. Guilherme e Luiz se conheceram na infância e, desde então, andavam sempre juntos. Os programas da dupla dos últimos tempos eram passeios pelo shopping e visitas regulares à LAN house do bairro, onde costumavam jogar jogos de tiro em primeira pessoa.[19]

Luiz Henrique de Castro

Luiz Henrique de Castro (16 de março de 1993 – 13 de março de 2019), de 25 anos de idade, também foi aluno da Escola Estadual Professor Raul Brasil. Vivia com os pais, um irmão mais velho e o avô, de 80 anos. Segundo seus vizinhos, trabalhava com jardinagem em uma empresa na Zona Leste de São Paulo. César Expedito, amigo de Luiz havia 14 anos, declarou que ele gostava de jogar bola e videogame e nunca havia demonstrado comportamento agressivo. Segundo César, Luiz estudou um ano na Escola Raul Brasil mas concluiu o ensino médio em supletivo em outra escola, nunca havia sido expulso e trabalhava em Guaianases.[20]

A Justiça condenou um jovem de 17 anos acusado de ser o terceiro envolvido no massacre, que foi internado provisoriamente por 45 dias em uma unidade da Fundação CASA. Na casa do adolescente, os policiais encontraram desenhos de pessoas mortas, mensagens criptografadas e uma bota militar muito semelhantes às achadas na casa dos dois atiradores. Um vídeo mostrava que Guilherme Taucci e o jovem de 17 anos foram até um estande de tiros e treinaram disparos com armas airsoft e arco e flechas, cinco dias antes do ataque. Segundo a Polícia Civil, o adolescente teria participado ainda da compra do machado usado para ferir alunos e professores. Após a apreensão do jovem, a delegacia de Suzano considerou que ele foi o autor intelectual do ataque à escola, ao lado de Guilherme, embora ainda não soubesse o que teria provocado a saída dele da efetivação do ataque. Os detalhes do processo correm em segredo de Justiça. A defesa do adolescente apreendido contestou as acusações.[21]

Vítimas

Escola Raul Brasil em 13 de março de 2019
Carro da Polícia Científica ao entrar na escola atacada
Culto Ecumênico realizado na Escola Estadual Professor Raul Brasil após o ataque
Memorial às vítimas feito em frente ao colégio

Duas vítimas fatais eram funcionárias da escola. A primeira a receber os disparos foi a professora Marilena Ferreira Vieira Umezo, coordenadora pedagógica. A outra funcionária morta, Eliana Regina de Oliveira Xavier, era inspetora (agente de organização escolar).[22] Logo depois de atingir as funcionárias, um dos atiradores se dirigiu ao pátio, enquanto o outro em seguida entra na escola e com uma machadinha começou a desferir golpes nas vítimas já caídas. Os alunos, desesperados, correram escola afora, enquanto o segundo atirador a entrar tentava acertar com golpes de machadinha a todos que por ele passavam correndo. Cinco alunos do ensino médio foram mortos, sendo que quatro morreram ainda na instituição de ensino e um no hospital.[23]

O ataque também deixou onze estudantes feridos, que foram levados para hospitais próximos.[3] Duas dessas vítimas, que apresentavam estado clínico mais grave, foram transferidas para o Hospital das Clínicas, em São Paulo.[3][4] Segundo a polícia, Guilherme Taucci, o atirador mais jovem, matou o comparsa Luiz Henrique de Castro e logo em seguida cometeu suicídio.[24] Ambos eram ex-alunos da escola.[25][26]

Mortos

Fonte: Portal G1[3]

Nome Idade Obs.
Jorge Antônio de Moraes 51 anos Tio de Guilherme, morto por este antes do ataque à escola
Marilena Ferreira Vieira Umezo[nota 1] 59 anos Coordenadora pedagógica
Eliana Regina de Oliveira Xavier 38 anos Inspetora
Caio Oliveira 15 anos Aluno
Claiton Antônio Ribeiro 17 anos
Douglas Murilo Celestino 16 anos
Kaio Lucas da Costa Limeira 15 anos
Samuel Melquíades Silva de Oliveira 16 anos
Luiz Henrique de Castro 25 anos Agressor, morto pelo comparsa Guilherme
Guilherme Taucci Monteiro 17 anos Agressor, cometeu suicídio

Investigações

Diversas investigações se iniciaram após o massacre. A investigação aponta que a dupla planejou o ataque por mais de 1 ano. Além de terem planejado o ataque em um fórum obscuro da internet. [28]

Uma investigação procurou por suspeitos do grupo que é suspeito de estimular, comemorar e incentivar o ataque na Deep Web. Dez suspeitos foram investigados, encontrados em Franca, Cidade de São Paulo e no estado do Rio de Janeiro. Dois dias antes do ataque, Taucci comentou no fórum: "Muito obrigado pelos conselhos e orientações... esperamos não cometer esse ato em vão".[29]

Também, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) iniciou uma investigação se a dupla participava de alguma organização criminosa, se houve alguma motivação ou também se houve algum grupo que atuou e tinha conexão com o ataque.[30]

As autoridades também começaram uma investigação se o Facebook foi o aplicativo para a dupla trocar mensagens e que se vingariam das pessoas que o fizeram mal. Uma das hipóteses é que o ataque foi motivado por raiva, já que Taucci sofreu bullying.[31]

De acordo com as apurações, entre as motivações que levaram ao massacre estavam o bullying, isolamento social e o desejo de superar o massacre em uma escola de Columbine, nos Estados Unidos, pois queriam ser lembrados pela quantidade de mortes e armas. Tinham o pensamento de que faziam um "ato heroico". Um terceiro suspeito, que não participou do ato e esteve envolvido diretamente, afirmou que eles também tinham a intenção de realizarem estupros.[32][33]

Prisões e apreensões

Na manhã do dia 19, um adolescente não identificado de 17 anos foi detido, suspeito de estar conectado ao ataque. Ele negou estar envolvido no ataque e pode pegar 45 dias até 3 anos de medidas socioeducativas.[34][35]

Em 4 de maio, o adolescente passou por audiência no Fórum de Suzano por volta das 10h e encerrou às 15h daquele dia.[36]

No dia 10 de abril, um homem foi preso, Cristiano Cardias de Souza, 47, suspeito de entregar a arma de fogo e munição para os atiradores.[37] No dia seguinte, o comerciante Tathiano Oliveira de Queiroz e o vigilante particular Adeilton Pereira dos Santos foram presos, também suspeitos de fornecerem as armas.[38][39]

No dia 3 de maio, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) aplicou medidas socioeducativas para o adolescente detido de 17 anos.[40] O advogado, Marcelo Feller, disse que o adolescente não planejou o ataque junto com a dupla, mas fantasiou o ataque.[41]

Em 6 de maio, Márcio Germano Masson, 33, também foi preso; ele é suspeito de ter fornecido a arma de fogo para um dos homens que entregou a arma de fogo para os atiradores.[42] Em novembro, Germano foi solto em decisão de justiça.[43]

Em 4 de junho, o inquérito policial foi concluído e os quatro homens presos foram indiciados; eles já respondiam por diversos outros crimes.[44]

Em fevereiro de 2020, os três homens presos por terem fornecido as armas foram liberados do presídio em Tremembé, após a decisão da Vara Criminal de Suzano.[45]

Reações

Secretários da Segurança Pública participam de coletiva de imprensa na Escola Raul Brasil
Viaturas da PMESP em frente ao local do ataque
Policiais na entrada da escola

Diversas autoridades, políticos, parlamentares, artistas[46] e demais personalidades lamentaram as mortes ocorridas diante do massacre na região metropolitana de São Paulo.[47] O atentado foi comemorado por células neonazistas, e o túmulo de Taucci passou a ser visitado por admiradores.[48]

Governo municipal

Além disso, o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, decretou três dias de luto na cidade. As aulas na cidade, além da cidade de Ferraz de Vasconcelos, tiveram as aulas canceladas por dois dias.[49][50] Além disso, João Doria decretou três dias de luto no estado de São Paulo por causa do ataque.[51]

Governo estadual

O governador João Doria cancelou a agenda do dia e chegou à escola em um helicóptero,[52] acompanhado do secretário Estadual de Educação, Rossieli Soares, do secretário de Segurança, o general João Camilo Pires de Campos, e do comandante da PM, o coronel Salles.[3] Doria e os secretários lamentaram profundamente o ocorrido e decretou luto de 3 dias no estado.[53]

Na noite do dia, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo havia informado que iniciaram procedimentos de segurança em mais de 4 mil escolas do estado. Todas as instituições educacionais de Suzano tiveram suas aulas canceladas até o dia 15.[54]

Em 3 de abril, representantes da Polícia Civil, membros do Governo do Estado, a diretoria de ensino, pais, alunos e a direção da escola atacada se reuniram no pátio da escola e, durante 3 horas, discutiram sobre a segurança, a volta às aulas, entre outros.[55] No mesmo dia, o Governo do Estado informou que a escola atacada terá uma forma gradativa aplicada nos estudantes da instituição.[56]

No dia 12 de abril, dos estudantes que receberam alta até esse momento, dois retornaram à instituição: os estudantes Samuel Silva Félix e José Vitor Ramos. Já o colega, Leonardo Vinícius, chegou à instituição, mas chegou a passar mal, então decidiu trocar de escola.[57]

No dia 25 de abril, o secretário de saúde de Suzano, Luís Claudio Guillaumon, havia informado que cerca de 1,3 mil pessoas que presenciaram o ataque necessitavam de psicólogo. O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) chegou a receber entre 10 a 20 pedidos de pacientes para tratar o trauma do ataque.[58] Ainda em abril, o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, anunciou que gastará 3,1 milhões de reais para fazer a Escola Estadual Raul Brasil passar por uma revitalização, além de garantir a segurança da instituição a pedido dos pais.[59]

Em 1° de julho, um grupo de psicólogos chegou a Suzano para atender os afetados do ataque e iniciou uma semana de capacitação, sendo que são cerca de 40 psicólogos contratados pela Secretaria de Estado da Saúde. Alguns dos profissionais iriam trabalhar diretamente na escola atacada.[60][61]

Em 10 de julho, os psicólogos começaram a atender as vítimas e sobreviventes do ataque; a previsão é que ocorram cerca de 40 mil atendimentos até o final do ano.[62]

A Secretaria Estadual de Educação começou a reformar a Escola Estadual Raul Brasil a partir do dia 29 de outubro para os alunos terem uma nova relação com a instituição, transferindo estudantes para uma faculdade a cerca de 1 quilômetro de distância, o que não deixou alunos e pais contentes.[63] Cerca de 2,3 mil estudantes foram transferidos para um prédio da faculdade por causa de um contrato de 44 mil reais.[64]

Em maio de 2020, a equipe do Gabinete Integrado de Segurança da Secretaria da Educação esteve na Escola Estadual Raul Brasil para instalar cerca de mais de 35 câmeras em pontos estratégicos na escola.[65][66]

No mesmo mês, a reforma na escola foi concluída, após seis meses de reforma. Um laboratório maker, e a biblioteca foi adicionada na escola, e a quadra conta agora com meia quadra de basquete e tatame. A obra custou 3,1 milhões.[67][68]

Ainda em 2020, o muro da instituição foi pintado novamente; diversos estudantes participaram do concurso e deixaram o muro cheio de mensagens e pinturas.[69]

Governo federal

Após seis horas da tragédia, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou pelo Twitter, prestando condolências aos familiares das vítimas.[70] O Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, expressou solidariedade: "Meus sentimentos às famílias. Expresso meu repúdio a essa manifestação de violência. Acompanharei de perto a apuração dos fatos".[47] O Ministro-Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, mandou condolências às famílias das vítimas através de sua conta no Twitter.[71] A Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, lamentou o ocorrido e colocou o Ministério à disposição para prestar a assistência necessária.[72]

Poder legislativo

Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados, manifestou sua solidariedade às famílias das vítimas e falou que "é hora de o Brasil unir forças e competências para compreender o que houve e impedir a repetição de massacres como este".[73] Após a tragédia ser noticiada, parlamentares levantaram novamente a questão polêmica do desarmamento, bem como da ampliação na facilidade do acesso a armas de fogo no Brasil. Personalidades políticas utilizaram das redes sociais para fazerem críticas ao acesso de armas de fogo.[47][74] O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também se solidarizou com os familiares das vítimas, através de sua conta no Twitter, e falou que espera "que as reais causas dessa tragédia sejam descobertas".[75]

Poder judiciário

O Supremo Tribunal Federal, através do seu presidente, o ministro Dias Toffoli, divulgou nota de pesar e solidariedade para com as famílias e amigos das vítimas, que foi lida na abertura da sessão ordinária do Plenário na tarde do dia 13 de março. O ministro também manifestou preocupação com toda a sociedade que, segundo a nota, "é vítima deste tipo de tragédia" e que "não podemos aceitar que o ódio entre em nossa sociedade".[76]

Imprensa

A tragédia ganhou notoriedade na imprensa nacional e chamou a atenção também da imprensa internacional, sendo veiculada em jornais como BBC News, Le Figaro, Focus, El País, The Guardian, entre outros.[77] Parte da imprensa repercutiu também o fato do presidente Jair Bolsonaro não ter se pronunciado publicamente sobre a tragédia tão logo as informações se confirmavam, fazendo-o apenas seis horas após o ocorrido, via Twitter. A postagem por meio de seu perfil na rede social veio após pronunciamentos de ministros de estados e do vice-presidente Hamilton Mourão.[78][79][80][81]

Homenagens

Memorial às vítimas feito em frente ao colégio
Culto Ecumênico realizado na Escola Estadual Professor Raul Brasil após o ataque

No dia 17, familiares e vizinhos das vítimas fatais fizeram uma homenagem no primeiro fim de semana pós-ataque.[82] Dois dias antes, outra homenagem foi feita. Moradores caminharam em torno da Escola Estadual Raul Brasil, eles estavam segurando cartazes, penduraram faixas, colocaram flores e acenderam velas como parte da homenagem. Eles deram um abraço no muro como um abraço.[83]

No dia 18, uma nova homenagem às vítimas na frente da escola ocorreu. Estudantes de outras escolas, da universidade e de uma igreja de Suzano participaram dessa homenagem gritando "presente!".[84]

No dia 20, alguns estudantes de Poá chegaram na frente da escola. Estudantes, professores, funcionários e outras pessoas fizeram um abraço coletivo e bateram palmas. Eles deixaram diversas mensagens no muro da instituição.[85]

Na noite do dia 20, uma cerimônia ocorreu na Paróquia São Sebastião, feita pelo bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, além do pároco Cláudio Taciano e o padre Antônio Maria. O prefeito da cidade, Rodrigo Ashiuchi, compareceu ao evento de homenagem às vítimas.[86] Antes da cerimônia na igreja, outra homenagem ocorreu, na quadra da escola. Estudantes, professores, funcionários, familiares e outras pessoas participaram dessa cerimônia e fizeram um outro abraço coletivo.[87]

No dia 25, o artista plástico e morador do Guarujá, Francisco Kleison, pintou o muro da instituição com as imagens das vítimas fatais.[88][89]

No dia 12 de abril, os estudantes das escolas de Sorocaba, SP, fizeram uma homenagem. Alunos fizeram cartazes e a professora cantou um texto, pedindo mais paz e união. Os funcionários da instituição se vestiram de branco.[90]

No dia seguinte, um evento para homenagear as vítimas ocorreu. Um evento chamado "Suzano pela Paz" foi criado e ocorreu no Parque Max Feffer, com o objetivo de promover reflexão e união nos moradores e naqueles que presenciaram o massacre.[91]

Um ano depois, moradores de Suzano se reuniram na frente da escola para cantar, rezar e se abraçar. Alunos de uma rede municipal fizeram um evento de reflexão para incentivar a cultura da paz.[92][93]

Indenizações

No dia seguinte ao massacre, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que irá indenizar as famílias das sete vítimas mortas no massacre na escola com 100 mil reais, caso elas não processem o estado. Os dois perpetradores não tiveram esse benefício.[94][95]

No dia 15, o governo de São Paulo criou uma comissão executiva. Eles iriam indenizar cada vítima a 100 mil reais. Segundo a defensoria do caso, a indenização irá ter que passar pelo crivo da comissão, da qual os defensores públicos farão parte e estarão à disposição para auxiliar as famílias.[96]

Até abril, cinco das 18 famílias das vítimas se manifestaram e aceitaram o acordo. Os valores das indenizações não foram divulgados, mas as famílias das vítimas fatais receberiam a mesma quantia.[97][98]

Em junho, o governo de São Paulo indenizou 45 pessoas, entre elas, os onze estudantes feridos e seus familiares. Os valores não foram divulgados a pedido pelas famílias indenizadas.[99]

Anos após o ataque, o estado ainda indenizou outros estudantes, sendo que, em junho de 2021 e julho de 2025, duas ex-alunas receberam uma indenização; ambas receberam cerca de 20 mil reais por danos morais.[100][101] E também em abril de 2023, em que um aluno também foi indenizado e recebeu 10 mil reais por danos morais.[102]

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. Em conformidade com publicações no Diário Oficial do Estado de São Paulo, a grafia correta do sobrenome final da funcionária é Umezu.[27]

Referências

  1. «Massacre em Suzano: o que se sabe até agora». G1. 13 de março de 2019. Consultado em 19 de outubro de 2025 
  2. «Tio de um dos assassinos de Suzano foi baleado antes de ataque a escola». G1. 13 de março de 2019. Consultado em 19 de outubro de 2025 
  3. a b c d e f «Veja quem são as vítimas do massacre em escola de Suzano». G1. 13 de março de 2019. Consultado em 13 de março de 2019. Cópia arquivada em 29 de maio de 2020 
  4. a b c d «Ataque a tiros deixa ao menos dez mortos em escola de Suzano, na Grande São Paulo». O Globo. 13 de março de 2019. Consultado em 14 de março de 2019 
  5. «Adolescentes atiram dentro de escola e matam 8 pessoas em Suzano, diz polícia». G1. 14 de março de 2019. Consultado em 14 de março de 2019. Cópia arquivada em 14 de março de 2019 
  6. «Tiros em escola em Suzano: o que se sabe até agora». G1. 13 de março de 2019 
  7. Giovanna Romano (13 de março de 2019). «Atirador de Suzano postou imagem com máscara e arma antes do crime». Veja 
  8. «Atiradores matam sete alunos e um funcionário em escola em Suzano, na Grande SP». Folha de S.Paulo. 13 de março de 2019. Consultado em 13 de março de 2019. Cópia arquivada em 13 de março de 2019 
  9. Laís Martins (13 de março de 2019). «Autores de massacre em Suzano eram ex-alunos da escola, diz secretário». Terra. Consultado em 13 de março de 2019 
  10. «Tio de um dos assassinos de Suzano foi baleado antes de ataque a escola». G1. 13 de março de 2019. Consultado em 13 de março de 2019 
  11. «Antes de ir à escola, atiradores planejavam matar desafetos escola». Terra. 28 de março de 2019. Consultado em 28 de março de 2019 
  12. «Frequentadores de fóruns extremistas na internet comemoram ataque em Suzano». O Globo. 14 de março de 2019. Consultado em 28 de março de 2019 
  13. «Em fórum extremista, atiradores pediram 'dicas' para atacar escola». R7.com. 13 de março de 2019. Consultado em 13 de março de 2019 
  14. Declercq, Marie; Roberto, Eduardo (13 de março de 2019). «Nos chans, já se celebra o massacre na escola de Suzano». Vice. Consultado em 13 de março de 2019 
  15. «Massacre em Suzano teria estupros e uso de granadas, diz 3º suspeito». Yahoo! Notícias. 20 de março de 2019. Consultado em 4 de abril de 2019. Cópia arquivada em 14 de março de 2019 
  16. «Realengo, Janaúba e outros: episódios de ataques em escolas no Brasil». G1. 13 de março de 2019. Consultado em 28 de março de 2023 
  17. «Mãe de um dos assassinos diz que bullying fez filho parar de estudar». VEJA. 13 de março de 2019. Consultado em 28 de março de 2023 
  18. Cleide Carvalho (14 de março de 2019). «'Ele sempre gostou dessa coisas de nazismo, gótico', diz mãe de atirador». O Globo. Consultado em 28 de março de 2023 
  19. Fernanda Mena (14 de março de 2019). «Obsessão por game, abandono dos pais e bullying marcaram vida de atirador». Folha de S.Paulo. Consultado em 28 de março de 2023 
  20. «Saiba quem são os assassinos de Suzano». G1. 14 de março de 2019. Consultado em 28 de março de 2023 
  21. Justiça condena terceiro suspeito de ataque na escola Raul Brasil, em Suzano
  22. «Assassinos planejaram massacre em escola de Suzano por mais de um ano, aponta investigação». G1. 14 de março de 2019. Consultado em 28 de março de 2023 
  23. Thaís Paranhos; Fernanda Stumpf (13 de março de 2019). «Veja quem são as vítimas do massacre em escola de Suzano». Metrópoles. Consultado em 13 de março de 2019 
  24. «Assassino mais jovem matou o outro e depois se suicidou na escola de Suzano, diz polícia». G1. 13 de março de 2019. Consultado em 13 de março de 2019 
  25. «Dupla de atiradores deixa oito mortos e comete suicídio em escola de Suzano, em SP». GaúchaZH. 13 de março de 2019. Consultado em 13 de março de 2019 
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  28. «Assassinos planejaram massacre em escola de Suzano por mais de um ano, aponta investigação». G1. 14 de março de 2019. Consultado em 19 de outubro de 2025 
  29. «Após 1 ano, MP investiga grupo criminoso suspeito de idealizar, estimular e comemorar massacre de Suzano na 'deep web'». G1. 13 de março de 2020. Consultado em 19 de outubro de 2025 
  30. Barbosa, Juliana (14 de março de 2019). «Suzano: MP apura ligação de atiradores com grupos radicais na internet». www.metropoles.com. Consultado em 19 de outubro de 2025 
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  32. «Ataque a tiros deixa ao menos dez mortos em escola de Suzano, na Grande São Paulo». O Globo. 13 de março de 2019. Consultado em 14 de março de 2019 
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