Massacre de Hama

O massacre matou entre cinco e quarenta mil pessoas.[1][2][3]

O Massacre de Hama (em árabe: مجزرة حماة) ocorreu em 2 de fevereiro de 1982, controversamente[4] quando as Forças Armadas da Síria bombardearam a cidade de Hama, contra uma sublevação comandada pela Irmandade Muçulmana.

O massacre, realizado pelo exército sírio supostamente comandado pelo general Rifaat al-Assad, irmão mais novo do então presidente Hafez al-Assad e sob ordens deste, efetivamente terminou a campanha iniciada em 1976 por grupos islâmicos sunitas, incluindo a Irmandade Muçulmana, contra o regime de Assad, cujos líderes assim como o presidente eram da seita Alauita. Segundo a imprensa oficial síria, rebeldes antigovernamentais iniciaram a luta, "lançando-se sobre os nossos companheiros enquanto dormiam nas suas casas e mataram a eles, as mulheres e crianças, mutilando os corpos dos mártires nas ruas, como cães raivosos". "As forças de segurança tiveram que enfrentar esses crimes e ensinar os assassinos uma lição".[5]

A Anistia Internacional estima entre 10 000 e 25 000 pessoas mortas em Hama.[6][7] Outras fontes colocam o total de mortos entre 5 000 e 40 000,[2][8] com outras 17 000 presos e desaparecidos forçosamente para nunca mais serem vistos.[9]

A grande maioria das vítimas eram civis. Entre os mortos haviam famílias de membros do partido Baat'h, burocratas do governo. Além da tortura feita pelo governo contra possíveis insurgentes, principalmente na cidade de Hama.[10]

Cerca de 1 000 soldados sírios foram mortos durante a operação terrestre e grande parte da cidade antiga foi destruída. Juntamente com o eventos do massacre do Setembro Negro na Jordânia,[11] o ataque tem sido descrito como:

"um dos piores atos individuais por qualquer governo árabe contra seu próprio povo no Oriente Médio moderno".

— Robin Wright, Dreams and Shadows: the Future of the Middle East, Penguin Press, 2008, pp. 243-244.

Ver também

Notas e referências

  1. Conduit, Dara (2016). «The Syrian Muslim Brotherhood and the Spectacle of Hama». Middle East Journal. 70 (2): 211. doi:10.3751/70.2.12 
  2. a b Moss, Dana M. (2022). «2: Exit from Authoritarianism». The Arab Spring Abroad: Diaspora Activism against Authoritarian Regimes. New York, NY: Cambridge University Press. 58 páginas. ISBN 978-1-108-84553-3. doi:10.1017/9781108980036 
  3. «The Massacres of Hama». SHRC. 5 de fevereiro de 2002. Cópia arquivada em 21 de julho de 2006 
  4. «Bring to real muscle to bear against Syria» (PDF). CIA. 14 de setembro de 1983. Consultado em 14 de abril de 2020 
  5. [New York Times. 24 Feb 1982. Siria explica revolta da Hama]
  6. Hama Rules - The New York Times
  7. The Massacres of Hama: Law Enforcement Requires Accountability Arquivado em 6 de dezembro de 2007, no Wayback Machine. Syrian Human Rights Committee, 1 de fevereiro de 2005
  8. Al-Labwani, Dr. Kamal (2020). «14: Epilogue». In: Moodrick-Even Khen, T. Boms, Ashraph, Hilly, Nir, Sareta. The Syrian War. [S.l.]: Cambridge University Press. 287 páginas. ISBN 978-1-108-48780-1 
  9. Ziadeh, Radwan (2011). Power and Policy in Syria: Intelligence Services, Foreign Relations and Democracy in the Modern Middle East. 175 Fifth Avenue, New York, NY 10010, USA: I.B. Tauris. 29 páginas. ISBN 978-1-84885-434-5 
  10. Fisk, Robert. 1990. Pity the Nation. London: Touchstone, ISBN 0-671-74770-3.
  11. The Media; Freedom or Responsibility: The War in Lebanon, 1982: A Case Study, Julian J. Landau, (NY 1984), pagina 67