Massacre de Al-Khisas

Massacre de Al-Khisas
Ruínas de uma casa destruída no ataque
LocalAl-Khisas, Palestina Mandatária
Coordenadas🌍
Data18 de dezembro de 1947
Tipo de ataqueIncêndio criminoso, Massacre
Alvo(s)Árabes palestinos
Mortes10-15 moradores, incluindo 5 crianças

O massacre de al-Khisas foi um ataque à aldeia palestina de al-Khisas realizado pela milícia judaica Palmach em 18 de dezembro de 1947, durante a guerra da Palestina. De 10 a 15 moradores palestinos foram mortos no ataque, incluindo 5 crianças.

Contexto

O ataque ocorreu durante a fase de guerra civil da Guerra da Palestina de 1948, e foi uma represália pelo assassinato de um judeu perto de Al-Khisas. Os comandantes locais do Palmach decidiram lançar um ataque de retaliação à aldeia, argumentando que "se não houvesse reação ao assassinato, os árabes interpretariam isso como um sinal de fraqueza e um convite a novos ataques".[1] O Alto Comando doHaganá aprovou o ataque sob a condição de que ele atingisse apenas "homens e que [apenas] algumas casas fossem queimadas".[1]

O ataque

De acordo com Haim Levenberg:

Uma unidade atacou com granadas de mão uma casa de quatro cômodos, matando dois homens e cinco crianças e ferindo outros cinco homens. Ao mesmo tempo, outra unidade atacou uma casa de propriedade de Amir Al-Fa'ur, da Síria, na qual um sírio e dois camponeses libaneses foram mortos e outro libanês e dois homens locais ficaram feridos. De acordo com o QG das tropas britânicas na Palestina, os aldeões não usaram nenhuma arma de fogo para se defender.[2]

10 a 15 aldeões palestinos foram mortos no ataque, 5 deles crianças.

Consequências e reações

Após o ataque, muitos moradores de al-Khisas fugiram de suas casas, juntando-se a milhares de palestinos de outras regiões que fugiram nesse mesmo período.

Os acontecimentos levaram a uma escalada de violência que se espalhou rapidamente pela região da Alta Galileia,[1] que tinha estado em relativa calma antes do massacre.

A liderança judaica da época criticou duramente o ataque. Três semanas depois, forças árabes cruzaram a fronteira síria e realizaram um ataque de retaliação ao kibutz Kfar Szold, mas sofreram pesadas perdas e foram repelidas.[1]

Em 1 de janeiro de 1948, David Ben-Gurion escreveu em seu diário sobre o ataque:[3]

"A questão não é se há necessidade de retaliação... Precisamos de uma retaliação forte e dura... Quando a família é conhecida, devemos ser implacáveis ao agredi-la; incluindo mulheres e crianças, ou nossa retaliação não será eficaz. Não há necessidade de diferenciar... entre culpados e inocentes."

Durante a operação, uma mulher do batalhão do Palmach recusou-se a atirar uma granada em uma sala onde podia ouvir uma criança chorando; após o acontecimento, o comandante do batalhão, Moshe Kelman, usou o ocorrido para argumentar que as mulheres não deveriam ser usadas em tarefas de linha da frente, mas sim como "cozinheiras e auxiliares de serviço".[4]

Na noite de 5 de junho de 1949, os palestinos que restavam em al-Khisas foram expulsos à força como parte das expulsões palestinas de 1949-1956. Algum tempo depois a aldeia foi destruída.[1]

Referências

  1. a b c d e Benvenisti, M. (2000). Sacred Landscape: The Buried History of the Holy Land Since 1948Registo grátis requerido. [S.l.]: University of California Press. ISBN 9780520211544 
  2. Levenberg, H.; Lewenberg, H. (1993). Military Preparations of the Arab Community in Palestine, 1945-1948. [S.l.]: Frank Press. ISBN 978-0-7146-3439-5. Consultado em 12 de dezembro de 2021 
  3. Abdel Jawad, Saleh (2007). Zionist Massacres: the Creation of the Palestinian Refugee Problem in the 1948 War. [S.l.: s.n.] 
  4. Kurzman, Don (1970). Genesis 1948. The First Arab-Israeli War. New York: New American Library (NAL). 65 páginas. LCCN 77-96925