Marjorie Courtenay-Latimer

Marjorie Courtenay-Latimer
Marjorie Courtenay-Latimer
Conhecido(a) pordescobriu o celacanto[1]
Nascimento
Morte
17 de maio de 2004 (97 anos)

ResidênciaÁfrica do Sul
Nacionalidadebritânica
Prêmiosdoutorado honorário da Rhodes University[2]
Carreira científica
InstituiçõesEast London Museum
Campo(s)História natural e paleontologia

Marjorie Eileen Doris Courtenay-Latimer (24 de fevereiro de 190717 de maio de 2004) foi uma naturalista sul-africana que ficou conhecida pela descoberta do celacanto, em 1938, um peixe até então conhecido apenas por fósseis e que se pensava que tivesse sido extinto desde o Cretáceo, há 65 milhões anos.[3]

Biografia

Courtenay-Latimer nasceu em East London, na África do Sul, filha de um chefe de estação da South African Railways. Nasceu prematura, de sete meses e passou por uma infância de doenças, quase morrendo por causa de uma difteria. Apesar da fragilidade, já desde pequena Marjorie gostava da vida ao ar livre.[4] Quando visitou a avó, no litoral, ficou fascinada pelo farol da Ilha Bird. Com 11 anos, expressou o desejo de se tornar uma especialista em pássaros.[2][1]

Após a escola, ela foi treinada para ser enfermeira, em King William's Town, mas antes de terminar a formação, ficou sabendo de uma vaga recentemente aberta no Museu de East London. Sem ter recebido qualquer treinamento ou formação para a vaga, ela impressionou os entrevistadores com seu conhecimento sobre ciências naturais da África do Sul e foi contratada, aos 24 anos, em agosto de 1931.[2][1]

Marjorie fez toda a sua carreira no museu, tendo se aposentado em 1973 para viver numa fazenda em Tsitsikamma, onde hoje fica o Parque Nacional Tsitsikamma, e escreveu um livro sobre flores, depois retornando para East London.[2][1]

Morte

Nunca se casou devido à morte do amor de sua vida, por volta dos vinte anos.[4] Marjorie morreu em 17 de maio de 2004 de causa indeterminada, aos 97 anos, em East London.[3][2]

A descoberta do celacanto

Marjorie Courtenay-Latimer descobriu o celacanto, antes visto apenas em fósseis de milhões de anos. Foi nomeado Latimeria chalumnae em sua homenagem.

Ela ativamente trabalhou na coleta de rochas, penas, conchas e semelhantes, para seu museu, e expressou o desejo de ver espécimes incomuns conhecidos dos pescadores locais.[3][5] Em 22 de dezembro de 1938, ela recebeu um telefonema, dizendo que um peixe estranho tinha sido achado. Marjorie foi para as docas para inspecionar a captura do capitão Hendrik Goosen, da traineira Nerine.[2][1][6]

Marjorie então levou o peixe, de táxi, para o museu e passou a buscá-lo, sem sucesso, em vários livros.[5] Ansiosa para preservar o peixe e não tendo um laboratório no museu, ela se dirigiu ao necrotério da cidade, que se recusou a ajudá-la.[3] Então, ela contatou James Smith, ictiólogo amador e amigo que lecionava na Universidade Rhodes, em Grahamstown, para que a ajudasse a identificá-lo, mas ele estava viajando. Relutantemente, ela acabou enviando o peixe para um taxidermista para empalhá-lo.[2][1][6]

Quando Smith, finalmente, chegou em 16 de fevereiro de 1939, ele instantaneamente reconheceu o celacanto. "Não havia sombra de dúvida", ele disse. "Era como se um dinossauro tivesse ganhando vida novamente na minha frente." Smith o nomeou como Latimeria chalumnae, em homenagem a Marjorie e ao Rio Chalumna, onde ele foi pescado.[2][6]

Foram necessários mais 14 anos até que outro celacanto fosse encontrado.[1][2][3][6]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g Jeremy Pearce (ed.). «Marjorie Courtenay-Latimer, Naturalist, Is Dead at 97». The New York Times. Consultado em 1 de setembro de 2019 
  2. a b c d e f g h i j Anthony Smith (ed.). «Marjorie Courtenay-Latimer». The Guardian. Consultado em 31 de agosto de 2019 
  3. a b c d e «Marjorie Courtenay-Latimer». The Telegraph. Consultado em 31 de agosto de 2019 
  4. a b Weinberg, Samantha (2000). A Fish Caught in Time: The Search for the Coelacanth. [S.l.]: Fourth Estate. ISBN 9781857029079 
  5. a b Peter Tyson (ed.). «Moment of Discovery». PBS. Consultado em 31 de agosto de 2019 
  6. a b c d Kat Eschner (ed.). «In the 1930s, This Natural History Curator Discovered a Living Fossil–Well, Sort of». Smithsonian Mag. Consultado em 1 de setembro de 2019