Marivaldo Pereira
Marivaldo de Castro Pereira | |
|---|---|
![]() Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça | |
| Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil (interino) | |
| Presidente | Dilma Rousseff |
| Antecessor(a) | José Eduardo Cardozo |
| Sucessor(a) | José Eduardo Cardozo |
| Ministério da Justiça e Segurança Pública | |
| Período | 2005 - 2025 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 06 de julho de 1979 (46 anos) Brasília, DF |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Partido | PT (2003-2009) PSOL (2017-2024) PT (2025-atual) |
| Ocupação | Advogado |
| Website | https://marivaldopereira.com.br/ |
Marivaldo de Castro Pereira (Brasília, 06 de julho de 1979) é auditor federal de finanças e controle da Secretaria do Tesouro Nacional.
Advogado, mestre em direito processual civil pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Marivaldo de Castro Pereira também é professor voluntário em cursinhos pré-vestibulares voltados para alunos de baixa renda[1]. Foi Secretário Executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Dilma Rousseff, tendo ocupado interinamente o cargo de Ministro da Justiça. Foi o primeiro negro a assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Além disso, foi Secretário[2] de Assuntos Legislativos (2011-2013), Secretário[3] de Reforma do Judiciário (2010) e Subchefe Adjunto para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, ambos no governo Lula (2008).
No terceiro mandato do presidente Lula (2022-2026) esteve como Secretário de Acesso à Justiça (2023-2024)[4] na gestão do Ministro Flávio Dino à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Atualmente é Secretário de Assuntos Legislativos (2024-2026)[5] na gestão do Ministro Ricardo Lewandoviski, tendo sido anteriormente Secretário Executivo Adjunto (2023-2024)[6].
Biografia
Filho de migrantes baianos que foram tentar a vida em Brasília e depois na periferia da cidade de São Paulo, aos nove anos de idade Marivaldo já trabalhava na feira livre aos finais de semana. Também foi auxiliar de pedreiro e office boy[7]. Mesmo trabalhando, jamais deixou os estudos. Marivaldo e seus irmãos estudaram em escolas públicas a vida inteira (educação infantil, ensino fundamental e médio). Após a conclusão do ensino médio, Marivaldo estudou no Cursinho da Poli, cursinho popular mantido, à época, pelo Grêmio Politécnico da Universidade de São Paulo, e conseguiu ser aprovado no vestibular de Direito da Universidade de São Paulo. Em 2003, concluiu a graduação em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Em 2007, defendeu dissertação de mestrado em Direito Processual pela mesma instituição.[8]
Desde a graduação, atua na política estudantil, engajando-se na luta dos movimentos de moradia. Trabalhou com José Eduardo Cardozo na Câmara Municipal de São Paulo, até 2002,[8] e na Câmara dos Deputados, até 2005. Em 2005, foi nomeado Diretor do Departamento de Modernização da Administração de Justiça da Secretaria de Reforma do Judiciário.[9] Em 2007, assumiu a Chefia de Gabinete da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República,[10] órgão no qual assumiu, em 2008, o cargo de Subchefe-Adjunto da Subchefia para Assuntos Jurídicos. Em 2010, foi nomeado Secretário de Estado da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça.[3] Em 2011, foi nomeado Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça,[2] cargo que ocupou até 2014, quando foi nomeado Secretário-Executivo do mesmo Ministério.
Enquanto esteve no Ministério da Justiça e Segurança Pública ocupou interinamente o cargo de Ministro da Justiça, sendo o primeiro negro nessa posição. Enquanto esteve à frente do Ministério, interinamente, assinou legislações fundamentais para o país como a Lei Complementar nº 150/2015[11], que ampliava o direito para os trabalhadores e trabalhadoras domésticas, e a Lei nº 13.146/2015 que instituiu a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência)[12].
Depois da deposição da presidenta Dilma Roussef, trabalhou na Câmara dos Deputados como Chefe de Gabinete do Deputado Federal Alessandro Molon e como assessor do Deputado Federal Ivan Valente. Atuou também como professor voluntário em cursinhos pré-vestibulares voltados para alunos de baixa renda em Brasília.
Foi candidato ao Senado Federal pelo PSOL-DF nas eleições de 2018. Recebeu 83.112 votos, pouco mais de 3% dos votos válidos. Ficou na décima colocação entre os 18 candidatos.[13] Em 2022 foi candidato a Deputado Distrital pelo PSOL-DF obtendo mais de 9 mil votos, tornando-se primeiro suplente.[14]
Ministério da Justiça e Segurança Pública
Em 2005, retornou a Brasília. Marivaldo passou por vários cargos e posições estratégicas no governo federal, nas gestões do Presidente Lula e da Presidenta Dilma, chegando a exercer o cargo de Ministro da Justiça interinamente.
Quando esteve no Ministério da Justiça passou pela Secretaria da Reforma do Judiciário (SRJ)[15], assumindo a titularidade em 2010 contribuindo com a modernização do sistema judiciário. Trabalhou em conjunto com outros órgãos e a sociedade civil para implementar mudanças que tornassem o judiciário mais rápido, acessível e eficiente.
Em 2011 esteve como Secretário de Assuntos Legislativos (SAL)[16], pasta responsável pela articulação entre o Ministério e o Congresso Nacional, acompanhando projetos de lei de interesse da pasta. A SAL também mantém comunicação com governos estaduais, municipais e assembleias legislativas, além de promover estudos sobre temas legislativos relacionados ao Ministério, como imigração e segurança pública.
Marivaldo foi Secretário Executivo do Ministério da Justiça e pode, quando assumiu interinamente, assinar leis importantes como a Lei Complementar nº 150/2015, conhecida como Lei das Domésticas, fundamental para a garantia histórica de direitos para essa categoria de trabalhadores, majoritariamente mulheres negras. Contribuindo para o fortalecimento dos direitos dos grupos socialmente vulnerabilizados assinou a Lei nº 13.146/2015 que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência[12]. Ao assumir o Ministério da Justiça, ele se tornou o primeiro ministro negro a ocupar essa histórica pasta.
Durante esse período, participou da elaboração e implementação de marcos legais relevantes, tais como:[3]
- Marco Civil da Internet: Atuação na construção da regulação sobre direitos e deveres na rede.
- Combate à Corrupção: Formulação de novos marcos legais.
- Segurança Pública: Gestão do Plano Nacional de Segurança Pública e programas voltados à redução da violência contra a juventude negra.
Em 2023 retornou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública como Secretário de Acesso à Justiça, pasta recém criada com o propósito de ampliar o acesso aos direitos, colocando grupos vulneráveis, como negros, indígenas, mulheres e pessoas LGBTQIA+, no centro das discussões. Enquanto Secretário construiu projetos de políticas públicas inovadoras e com olhar para os grupos socialmente mais vulnerabilizados. Foi o responsável pelo financiamento da primeira experiência de cursinhos populares[17] com subsídios para os estudantes para reduzir a evasão.
Na perspectiva do acesso à justiça e de políticas de direito à memória, verdade, justiça e reparação direcionou recursos para a Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado[18], uma iniciativa que promove saúde psicossocial, direitos humanos e acesso à justiça para pessoas que sofreram com a violência de Estado, especialmente no Rio de Janeiro. A rede articula coletivos de mães e familiares, grupos clínicos, universidades e organizações de direitos humanos para acolher vítimas e fortalecer movimentos de favelas. No momento está novamente como Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, anteriormente esteve como Secretário Executivo Adjunto.
Nesses anos de militância e vida pública Marivaldo trabalhou por acesso à justiça, por regularização fundiária rural e urbana, pela reforma administrativa, pela reforma do Judiciário, pela modernização da administração pública, pela aproximação entre as pesquisas realizadas nas universidades e a elaboração de políticas públicas, pela proteção dos dados pessoais, pela liberdade de expressão e pelo Marco Civil da Internet. Brigou pela prevenção e pelo combate à tortura, contra a violência policial e também por um modelo de segurança pública que efetivamente proteja o cidadão e não gere mais violência e medo.[1]
Atuação Política
Marivaldo defende a ocupação de espaços de poder por grupos historicamente excluídos, como forma de romper ciclos de desigualdade social. Sua plataforma política baseia-se na eficiência da gestão pública voltada à população de baixa renda, com foco em saúde, educação e segurança.[8] Em sua trajetória eleitoral, destaca-se a candidatura ao Senado Federal pelo Distrito Federal nas eleições de 2018 na qual obteve 83.112 votos, consolidando-se como uma liderança progressista na região.[19] Na ocasião estava como filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Em 2021 tornou-se presidente[20] do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) no Distrito Federal permanecendo na função até o ano seguinte quando foi candidato na eleição para Deputado Distrital, obtendo 9.142 votos e conquistando a primeira suplência.
Ligações externas
Referências
- ↑ a b «Melanina Sim: superação do racismo na Educação». www.youtube.com
- ↑ a b «Portaria CC n. 170, de 11 jan. 2011. DOU de 12 jan. 2011». pesquisa.in.gov.br
- ↑ a b c «Portaria CC n. 585, de 27 ago. 2010. DOU de 30 ago. 2010». pesquisa.in.gov.br
- ↑ Casa Civil, Presidência da República (23 de janeiro de 2023). «PORTARIAS DE 23 DE JANEIRO DE 2023»
- ↑ Casa Civil, Presidência da República (31 de julho de 2024). https://www.in.gov.br/web/dou/-/portarias-de-31-de-julho-de-2024-575624113 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ Casa Civil, Presidência da República (16 de fevereiro de 2024). «Portaria de 16 de fevereiro de 2024»
- ↑ «Como cursinho comunitário transformou a vida de 3 jovens brasilienses». Metrópoles. Consultado em 26 de março de 2018
- ↑ a b c «Folha de S.Paulo - Minha História - Marivaldo de Castro Pereira, 31: Da favela à Esplanada - 11/12/2010». www1.folha.uol.com.br
- ↑ «Portaria CC n. 712, de 24 ago. 2005. DOU de 25 ago. 2005». pesquisa.in.gov.br
- ↑ «Portaria CC n. 129, de 14 set. 2007. DOU de 17 set. 2007». pesquisa.in.gov.br
- ↑ «Lcp 150». www.planalto.gov.br. Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ a b «L13146». www.planalto.gov.br. Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ «Leila do Vôlei (PSB) e Izalci (PSDB) são eleitos senadores pelo Distrito Federal». G1
- ↑ Distrito Federal, Câmara Legislativa (3 de outubro de 2022). «Suplentes da CLDF». Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ «Wayback Machine». pesquisa.in.gov.br. Consultado em 21 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2017
- ↑ «Wayback Machine». pesquisa.in.gov.br. Consultado em 21 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2017
- ↑ «IFB firma parceria com o Ministério da Justiça para ofertar cursinhos populares». www.ifb.edu.br. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ Brasil, Ministério da Justiça e Segurança Pública (18 de março de 2024). «Recursos do MJSP para a RAAVE». Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ TSE. https://sig.tse.jus.br/ords/dwapr/seai/r/sig-eleicao-resultados/home?p0_ano=2018. Consultado em 27 de dezembro de 2025 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ «Presidente do PSol-DF, Marivaldo Pereira defende unidade da esquerda». www.metropoles.com. 15 de setembro de 2021. Consultado em 21 de janeiro de 2026
