Marinha Cubana

Marinha de Guerra Revolucionária
Marina de Guerra Revolucionaria
Bandeira naval de Cuba.
PaísCuba Cuba
FidelidadePartido Comunista de Cuba
Corporação FAR
Subordinação MINFAR
MissãoGuerra naval
Tipo de unidadeMarinha
SiglaMGR
Criação1909 (117 anos)
1959 (67 anos)
Aniversários9 de setembro
CoresVermelho, branco e azul
História
CombatesInvasão da Baía dos Porcos
Crise dos mísseis de Cuba
Méritos em batalhaAfundamento do U-176
Incidentes do Leyla Express e do Johnny Express
Logística
Efetivo3.550 militares
Pavilhão de Cuba
Cocar aeronáutico
Sede
Quartel-generalHavana

A Marinha Cubana, oficialmente Marinha de Guerra Revolucionária (em castelhano: Marina de Guerra Revolucionaria, MGR) é a marinha de Cuba.

História

Durante a administração do primeiro presidente de Cuba, Tomás Estrada Palma, em 1902, foi formada uma Guarda Costeira para patrulhar o litoral cubano, o qual cobre mais de 1.500 milhas. Esta força foi colocada sob a direção do Secretariado do Tesouro, sendo composta por navios de pequeno porte capturados dos espanhóis pelos Estados Unidos em 1898. Estes navios foram cedidos a Cuba em 20 de maio de 1902, contando o velho Baracoa, que foi renomeado Céspedes, e o também velho Intrepido, que foi renomeado Maceo. Outros dois navios foram batizados como Agramonte e Martí. Outros navios adicionais, pesando entre 25 e 30 toneladas, foram nomeados Abeja, Abejorro, Avispa, Araña e Alacrán.[1] Em 1905, a Guarda Costeira foi aumentada com a compra do rebocador Humberto Rodríguez, de 300 toneladas e renomeado Yara. A canhoneira de 500 toneladas Baire foi encomendada da Alemanha e entregue em 1907. A Guarda Costeira foi aumentada novamente em 1907 pelo Governo Provisório com a compra de mais três navios nos Estados Unidos: o Hatuey, de 600 toneladas; o Enrique Villuendas, de 125 toneladas; e o 20 de Mayo, de 150 toneladas.[1]

Em 1909, o presidente José Miguel Gómez obteve aprovação do Congresso para converter a Guarda Costeira em uma marinha regular, chamada Marinha de Guerra Nacional (em castelhano: Marina de Guerra Nacional). Vários outros navios foram encomendados de estaleiros estrangeiros, incluindo um navio-escola e duas canhoneiras de tamanho médio. Estes navios eram o cruzador de 2.055 toneladas Cuba e o navio-escola de 2.200 toneladas Patria (ambos construídos em estaleiros na Filadélfia), e os navios de 200 toneladas 10 de Outubro e 24 de Febrero, fabricados na Grã-Bretanha. Encomendas adicionais foram feitas ao estaleiro da Havana: as quatro canhoneiras de 90 toneladas Pinar del Río, Havana, Matanzas e Villas. A maioria destes navios teriam incorporado na força até 1912.[1]

A Marinha foi organizada em dois distritos principais, Norte e Sul. As bases principais na costa norte estavam localizadas em La Esperanza, Mariel, Cárdenas, Caibarién e Antilla, com o quartel-general em Havana. O distrito no sul tinha o quartel-general em Cienfuegos e bases em Batabanó, Nueva Gerona, Cienfuegos e Santiago de Cuba. Sua força autorizada era de 149 oficiais e 1.014 praças.[1]

A Marinha Constitucional de Cuba foi a marinha de Cuba que existiu até 1959. Durante a Segunda Guerra Mundial, afundou o submarino alemão U-176 em 15 de maio de 1943.

Durante a Guerra Fria, a Marinha Cubana capturou com sucesso os cargueiros Leyla Express e Johnny Express, ambos navios acusados de atividades relacionadas à Agência Central de Inteligência (CIA) contra Cuba. Um grande programa de expansão e modernização da Marinha Cubana foi iniciado por volta de 1977. O processo envolveu a aquisição de navios de combate construídos pelos soviéticos, a construção de novas instalações navais e a modernização de bases existentes, além de algumas melhorias no suporte logístico e no treinamento.[2]

Nesse período, a Marinha redistribuiu seus ativos de frota para melhorar a defesa do centro e leste de Cuba. As entregas navais soviéticas a Cuba permitiram uma melhoria constante no inventário da Marinha. As suas forças de defesa costeira foram modernizadas com os barcos de patrulha com mísseis guiados Osa-II, dos barcos torpedeiros hidrofólios Turya e dos caça-minas das classes Yevgenya e Sonya.[2] Os dois submarinos da classe Foxtrot e uma fragata da classe Koni da URSS melhoraram a capacidade de Cuba de se defender contra um bloqueio naval, enquanto a entrega de dois navios de desembarque da classe Polnocny aumentou a capacidade de transporte anfíbio da Marinha. Alguns dos navios no inventário da Marinha eram capazes de operar no leste do Caribe e no Golfo do México, e poderiam ser usados ​​para apoiar os aliados de Cuba na região.[2]

Este crescimento exigiu bases adicionais, além de instalações logísticas e de treinamento. Uma base de submarinos foi construída em Punta Movida e as instalações em Cayo Loco, na Baía de Cienfuegos, foram expandidas. Uma base naval foi construída em Nicaro, no nordeste de Cuba, e as bases navais de Cabañas e Mariel foram expandidas. Além disso, uma nova academia naval foi construída em Punta Santa Ana, perto de Havana.[2] Era esperado que os cubanos receberiam dos soviéticos pelo menos mais quatro submarinos da classe Foxtrot até 1987. Nesse período, a Marinha também planejava adquirir de seis a oito torpedeiros hidrofólios adicionais, de oito a treze barcos de patrulha de mísseis guiados e um número igual de caça-minas; além de pelo menos uma fragata Koni adicional, bem como mais dois navios de desembarque anfíbios da classe Polnocny.[2]

Esta expansão foi de natureza primariamente defensiva, aumentando a capacidade cubana de impor um alto custo a possíveis ações militares dos Estados Unidos contra Cuba.[3] A expansão contínua da Marinha aumentou a capacidade de Cuba de conter uma invasão ou responder a um bloqueio naval. A expansão da Marinha Cubana representou, no mínimo, uma ameaça potencial às rotas marítimas vitais, com as quais os Estados Unidos teriam que lidar mesmo na ausência de um confronto direto com Cuba.[3] A União Soviética continuou a apoiar os programas de melhoria da força naval cubana, de forma a melhorar sua imagem na região como um aliado confiável. Ao fomentar o aumento da capacidade da Marinha Cubana, também esperaria que esta Marinha assediasse as forças dos EUA em tempos de guerra, forçando Washington a desviar recursos de missões de alta prioridade.[3]

Em 1988, a Marinha Cubana contava com 12.000 homens,[4] três submarinos, duas fragatas modernas de mísseis guiados, um navio de inteligência e um grande número de navios-patrulha e caça-minas.[5] As mudanças decorrentes do colapso da União Soviética e do fim da Guerra Fria tiveram um grande impacto nas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR). Como resultado das mudanças ocorridas desde o final da década de 1980 e da crise econômica que elas geraram, as FAR foram obrigadas a reduzir o efetivo sob seu comando e tornaram-se apenas uma sombra do que foram no passado.[6] A maioria dos navios de fabricação soviética foram desativados ou afundados para construir recifes. Em 2007, a Marinha Cubana foi avaliada como tendo 3.000 homens (incluindo mais de 550 soldados de infantaria) pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), com seis corvetas Osa-II e uma corveta da classe Pauk.

A Marinha Cubana também inclui um pequeno batalhão de fuzileiros navais chamado Desembarco de Granma, em homenagem ao desembarque do iate Granma por Fidel Castro e seus revolucionários em 2 de dezembro de 1956.[7] Até a década de 1980, contava com 550 homens com limitada capacidade anfíbia, embora seu tamanho atual seja desconhecido.[8] A Marinha Revolucionária realizou o seu primeiro exercício anfíbio significativo com o batalhão em 1983.[8] O seu uniforme era uma cópia do modelo soviético preto, com a camisa de listras azuis telnyashka - símbolo de elite - e a boina preta com sinal vermelho e âncora.[9] As insígnias dos postos eram iguais às do exército, com exceção de oficiais de campanha e companhia, além de suboficiais, os quais usavam dragonas com tranças amarelas.[7]

A Marinha Cubana hoje

Um submarino cubano da classe Foxtrot em 1986.

Depois que os antigos submarinos soviéticos foram colocados fora de serviço, Cuba buscou ajuda na experiência da Coreia do Norte com minissubmarinos. Desertores norte-coreanos alegaram ter visto cubanos em meados ou no final da década de 1990 em uma base secreta de submarinos e, anos depois, apareceram em público uma única foto de um pequeno submarino nativo preto no porto de Havana. Há rumores de que ele será chamado de "Delfin" e será armado com dois torpedos. Apenas um único barco está em serviço e o projeto parece original, mesmo que influenciado pelos desenhos da Coreia do Norte e da União Soviética.[10][11]

A Marinha Cubana reconstruiu um grande barco de pesca espanhol, o Rio Damuji. O BP-390 está agora armado com dois mísseis C-201W, um suporte duplo de canhão 57mm, dois suportes duplos de canhão 25mm e metralhadoras 14,5mm. Este navio é maior que a classe Koni e é usado como navio-patrulha de transporte de helicópteros. Uma segunda unidade - o BP-391 - foi convertida e entrou em serviço em 2016.[12]

A Marinha Cubana opera hoje seus próprios sistemas de mísseis, o Bandera, fabricado em Cuba (uma cópia dos antigos mísseis soviéticos Styx, P-15 Termit), e os sistemas de mísseis anti-navio Remulgadas, bem como o lançador múltiplo de foguetes autopropulsado de defesa costeira Frontera, produzido nacionalmente. As principais ameaças à Marinha são o tráfico de drogas e a emigração ilegal. A posição geográfica do país e a presença naval limitada permitiram aos traficantes utilizarem as águas territoriais e o espaço aéreo cubanos.[13] A ala aérea da Marinha Cubana é uma operadora exclusiva de helicópteros anti-submarinos e está equipada com 2 helicópteros Mi-14 Haze, a versão naval do Mil Mi-8 Hip.

Frota

Atual

Equipamentos da frota

O navio patrulha porta-helicóptero Rio Damuji n° 390 em Havana, em julho de 2011.
  • 2 fragatas da classe Rio Damuji, 1 × canhão de 57mm, 2 mísseis superfície-superfície Styx, 1 × metralhadora 12,7mm, 2 × canhões automáticos de 25mm.
  • 1 submarino da classe Delfin, possivelmente 2 lançadores de torpedos. Rumores derivados da Coréia do Norte de um submarino da classe Yugo.[14]
  • 1 corveta de patrulha rápida classe Pauk II, costeira com 1 × canhão de 76mm, 4 tubos de torpedos antissubmarinos, 2 lançadores de foguetes antissubmarinos – 495 toneladas de carga total – comissionado em 1990.
  • 6 antigos barcos de mísseis PFM da classe Osa II da União Soviética (FSU); 13 Tipo II transferidos.
  • 3 caça-minas da classe Sonya da União Soviética (FSU); 4 transferidos.
  • 5 caça-minas da classe Yevgenya da União Soviética (FSU); 11 transferidos.
  • 1 Navio de coleta de informações.

Organização das forças terrestres

  • 2 batalhões de assalto anfíbio.
  • 1 regimento de artilharia de campanha de defesa costeira
  • 1 regimento de artilharia de mísseis de defesa costeira
  • 1 batalhão blindado leve (anfíbio)

Equipamentos para forças terrestres navais

  • Obuseiro de 120mm.
  • Obuseiro M-1931/3.
  • Obuseiro M-46 de 130mm.
  • Obuseiro M-1937 de 152mm.
  • ≈10 sistemas de mísseis superfície-superfície SSC-3.
  • 18–24 lançadores múltiplos de mísseis de superfície de defesa costeira Remulgadas.
  • 20 lançadores múltiplos de mísseis de superfície de defesa costeira Bandera.
  • 12 lançadores múltiplos de foguetes de defesa costeira RBU-6000 Frontera.
  • 18–22 tanques leves PT-76.

Aeronaves de aviação naval

Aviação naval cubana
Aeronave Origem Tipo Quantidade
Mil Mi-14  URSS ASW 2

Os guardas de fronteira têm: 2 barcos patrulha da classe Stenka e, em 2007, aproximadamente uma dúzia, em vez de 30/48, barcos patrulha Zhuk. Cuba fabrica aeronaves de patrulha Zhuk e algumas são vistas com um SPG-9 montado na frente dos dois canhões de 30mm.[15][16]

Histórico

  • 1 submarina da classe Foxtrot com tubos de torpedo de 533mm e 406mm (não-operacional); 3 transferidos.
  • 3 corvetas soviéticas da classe Koni com 2 lançadores de foguetes anti-submarinos (não-operacionais); 3 transferidos.
  • 4 barcos de mísseis soviéticos da classe Osa I/II com 4 mísseis superfície-superfície SS-N-2 Styx ou mais.
  • 1 corveta soviética de patrulha rápida da classe Pauk II, costeira com 2 lançadores de foguetes antissubmarinos, 4 tubos de torpedos antissubmarinos.
  • 1 navio de desembarque médio soviético-polonês da classe Polnocny, capacidade para 180 soldados e 6 tanques (não-operacional).

Postos militares

Postos de oficiais comissionados

A insígnia de patente dos oficiais comissionados.

Grupo de patente Oficiais-generais Oficiais superiores Oficiais subalternos
 Marinha Cubana[17]
Almirante Vicealmirante Contralmirante Capitán de flotilla Capitán de navío Capitán de fragata Capitán de corbeta Teniente de navío Teniente de fragata Teniente de corbeta Alférez

Outros postos

As insígnias de posto de suboficiais e praças.

Grupo de patente Suboficiais seniores Suboficiais subalternos Alistados
 Marinha Cubana[17]
Sem insígnia Sem insígnia
Suboficial mayor Primer suboficial Segundo suboficial Suboficial Sargento primero Sargento de segunda Sargento de tercera Cabo Marinero de primera Marinero

Ver também

Referências

  1. a b c d Fermoselle, Rafael (1987). «Creation of the Cuban Navy». The Evolution of the Cuban Military, 1492-1986. Col: Colección Cuba y sus jueces (em inglês). Miami, Flórida: Ediciones Universal. p. 117. ISBN 978-0897294287. OCLC 15151168. Consultado em 16 de outubro de 2025 
  2. a b c d e CIA (abril de 1983). «The Cuban Navy: A Growing Deterrent Force» (PDF). Central Intelligence Agency (em inglês): iii. Consultado em 13 de outubro de 2025 
  3. a b c CIA (abril de 1983). «The Cuban Navy: A Growing Deterrent Force» (PDF). Central Intelligence Agency (em inglês): iv. Consultado em 13 de outubro de 2025 
  4. Jurado, Carlos Caballero; Thomas, Nigel (1990). Central American Wars 1959–89. Col: Men-at-Arms 221 (em inglês). Oxford: Osprey Publishing. p. 6. ISBN 978-0850459456. OCLC 24263333 
  5. Williams, John Hoyt (1 de agosto de 1988). «Cuba: Havana's Military Machine»Subscrição paga é requerida. The Atlantic (em inglês). ISSN 2151-9463. Consultado em 23 de outubro de 2024 
  6. Walker, Phyllis Greene (1996). «Cuba's Revolutionary Armed Forces: Adapting in the New Environment». University of Pittsburgh Press. Cuban Studies: 61–74. ISSN 0361-4441. JSTOR 24487709. Consultado em 13 de outubro de 2025 
  7. a b Jurado, Carlos Caballero; Thomas, Nigel (1990). Central American Wars 1959–89. Col: Men-at-Arms 221 (em inglês). Oxford: Osprey Publishing. p. 38. ISBN 978-0850459456. OCLC 24263333 
  8. a b Rottman, Gordon L. (2012) [1989]. World Special Forces Insignia. Col: Elite 22 (em inglês). Oxford: Osprey Publishing. p. 52. ISBN 978-1782004509. OCLC 869381822. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  9. Jurado, Carlos Caballero; Thomas, Nigel (1990). Central American Wars 1959–89. Col: Men-at-Arms 221 (em inglês). Oxford: Osprey Publishing. p. 38, lâmina B2. ISBN 978-0850459456. OCLC 24263333 
  10. Sutton, H. I. (27 de fevereiro de 2020). «Delfin: Mystery of the Cuban Navy's midget sub». Covert Shores (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2024 
  11. Sutton, H. I. (1 de março de 2020). «New Photo Reveals Cuban Navy's Secret Submarine»Subscrição paga é requerida. Forbes (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2024 
  12. Elizalde, Alejandra García (28 de agosto de 2017). «Un baluarte sobre el mar». Granma (em espanhol). Consultado em 23 de outubro de 2024 
  13. Pike, John (5 de abril de 2013). «Revolutionary Navy». Global Security (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2024 
  14. Sutton, H. I. (17 de maio de 2021). «New Photos Reveal Details of Cuba's Tiny, Lethal Attack Submarine». United States Naval Institute (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2024 
  15. «Project 1400 Grif class». Weaponsystems.net (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2024 
  16. Pike, John (5 de abril de 2013). «Border Guard [ Tropas Guarda Fronteras - TGF]». Global Security (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2024 
  17. a b «Grados militares». minfar.gob.cu (em espanhol). Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (Cuba). Consultado em 28 de maio de 2021 

Bibliografia

Ligações externas