Marie Colvin

Marie Colvin
Nome completoMarie Catherine Colvin
Nascimento
Morte
22 de fevereiro de 2012 (56 anos)

Nacionalidadenorte-americana
Ocupaçãojornalista
correspondente de guerra

Marie Catherine Colvin (Nova York, 12 de janeiro de 1956Homs, 22 de fevereiro de 2012) foi uma premiada jornalista norte-americana que trabalhou para o jornal britânico The Sunday Times de 1985 até sua morte em 2012, ocorrida enquanto ela cobria o Cerco de Homs, na Síria.[1]

Após sua morte, a Universidade Stony Brook estabeleceu o Centro Marie Colvin de Reportagem Internacional em sua homenagem. Sua família também estabeleceu o Fundo Memorial Marie Colvin através da Fundação Comunidade Long Island, que se esforça para dar doações em nome de Marie em homenagem ao seu humanitarismo. Em julho de 2016, os advogados da família de Colvin entraram com uma ação civil contra o governo da República Árabe da Síria, alegando que haviam obtido provas de que o governo sírio havia ordenado diretamente o assassinato dela.[2][3]

Primeiros anos

Marie Colvin nasceu em Astoria, no Queens, Nova York, e cresceu em East Norwich, na cidade de Oyster Bay, no Condado de Nassau, em Long Island. Ela se formou na Oyster Bay High School em 1974.[4] Ela passou seu primeiro ano do ensino médio no exterior em um programa de intercâmbio no Brasil e mais tarde frequentou a Universidade de Yale. Ela formou-se em antropologia, mas fez um curso com o escritor ganhador do Prêmio Pulitzer, John Hersey. Ela também começou a escrever para o The Yale Daily News. Ela obteve um bacharel em antropologia em 1978.[5]

Carreira

Colvin trabalhou brevemente para um sindicato em Nova York, antes de iniciar sua carreira jornalística na United Press International (UPI), um ano depois de se formar em Yale. Ela trabalhou para a UPI primeiro em Trenton, depois em Nova York e Washington. Em 1984, Colvin foi nomeada gerente do escritório de Paris da UPI, antes de se mudar para o The Sunday Times em 1986.[6]

A partir de 1986, ela foi correspondente do jornal no Oriente Médio e, em 1995, foi correspondente do Foreign Affairs. Em 1986, ela foi a primeira a entrevistar Muammar Gaddafi depois da Operação El Dorado Canyon. O líder líbio Moammar Gaddafi disse nesta entrevista que ele estava em casa quando os aviões dos Estados Unidos bombardearam Trípoli em abril de 1986, e que ele ajudou a resgatar sua esposa e filhos enquanto "a casa estava caindo ao nosso redor". Gaddafi também disse que a reconciliação entre a Líbia e os Estados Unidos era impossível enquanto Reagan estivesse na Casa Branca.

Em maio de 1988, Colvin fez uma extensa aparição no programa de discussão, After Dark, do Canal 4, ao lado de Anton Shammas, Gerald Kaufman, Moshé Amirav, Nadia Hijab e outros.

Especializada no Oriente Médio, ela também cobriu conflitos na Chechênia, Kosovo, Serra Leoa, Zimbábue, Sri Lanka e Timor-Leste. Em 1999, no Timor-Leste, foi-lhe atribuída a salvação das vidas de 1500 mulheres e crianças de um complexo sitiado por forças apoiadas pela Indonésia. Recusando-se a abandoná-los, ela ficou com uma força das Nações Unidas, relatando em seu jornal e na televisão. Eles foram evacuados depois de quatro dias. Ela ganhou o prêmio da Fundação Internacional de Mulheres pela Coragem no Jornalismo por sua cobertura do Kosovo e da Chechênia.[7][8] Ela escreveu e produziu documentários, incluindo Arafat: Behind the Myth, para a BBC.[9] Ela foi destaque no documentário 2005 Bearing Witness.

Colvin perdeu a visão em seu olho esquerdo devido a uma explosão de uma granada propelida por foguete (RPG) do Exército do Sri Lanka em 16 de abril de 2001, enquanto atravessava de uma área controlada pelo LTTE para uma área controlada pelo governo; depois disso ela passou a usar um tapa-olho.[10][11] Ela foi atacada mesmo depois de gritar "jornalista, jornalista!".[12][13][1] Ela disse a Lindsey Hilsum do Channel 4 News que seu agressor "sabia o que estava fazendo".[14] Apesar de sofrer ferimentos graves, Colvin, que tinha 44 anos na época, conseguiu escrever um artigo de 3000 palavras na hora certa para cumprir o prazo.[15]

Ela também foi testemunha e intermediária durante os últimos dias da guerra no Sri Lanka e relatou osmcrimes de guerra contra os tâmeis cometidos durante essa fase.[12] Vários dias após seu ferimento, o governo do Sri Lanka disse que permitiria que jornalistas estrangeiros viajassem para zonas controladas pelos rebeldes. O diretor de informações do governo, Ariya Rubasinghe, declarou: "Jornalistas podem ir, não os impedimos, mas eles devem estar totalmente cientes e aceitar o risco de suas vidas."[16]

Em 2011, enquanto informava sobre a Primavera Árabe na Tunísia, Egito e Líbia, ela teve a oportunidade de entrevistar Muammar Gaddafi, junto com outros dois jornalistas que ela poderia nomear. Para a primeira entrevista internacional de Gaddafi desde o início da guerra, Colvin levou Christiane Amanpour da ABC News e Jeremy Bowen da BBC News.[17][18]

Colvin observou a importância de lançar uma luz sobre a "humanidade nos extremos, empurrada para o insuportável", afirmando: "Meu trabalho é dar testemunho. Nunca me interessei em saber que tipo de avião tinha acabado de bombardear uma aldeia ou se a artilharia que disparou era 120 mm ou 155 mm."[19]

Vida pessoal

Colvin casou duas vezes com o jornalista Patrick Bishop; ambos os casamentos terminaram em divórcio. Ela também se casou com o jornalista boliviano Juan Carlos Gumucio, que era correspondente do jornal espanhol El País em Beirute durante a guerra civil libanesa. Ele cometeu suicídio em fevereiro de 2002 na Bolívia porque "o mundo não era mais um lugar amável, agradável e digno", segundo seu colega repórter Robert Fisk.

Marie Colvin residia em Hammersmith, no oeste de Londres. Ela não teve filhos.

Morte

Em fevereiro de 2012, Colvin atravessou a fronteira para a Síria em uma motocicleta de motocross, ignorando as tentativas do governo sírio de impedir que jornalistas estrangeiros entrassem na Síria para cobrir a Guerra Civil Síria sem autorização. Colvin estava alocada no distrito de Baba Amr, a oeste da cidade de Homs. Ao chegar à cidade, foi recebida por ativistas locais ansiosos para revelar ao mundo a destruição em curso em Homs. Colvin relatou que forças pró-Assad disparavam repetidamente contra seu carro com granadas e metralhadoras, forçando-a a se abrigar em prédios vazios.[20][19]

Colvin fez sua última transmissão na noite de 21 de fevereiro, aparecendo na BBC, Channel 4, CNN e ITN News via telefone por satélite. Ela descreveu bombardeios e ataques de franco-atiradores contra prédios civis e pessoas nas ruas de Homs pelas forças sírias como "implacáveis", expressando imenso choque com o total descaso das tropas governamentais pelas vidas dos moradores da cidade.[19][21]

Colvin morreu junto com o premiado fotógrafo francês, Rémi Ochlik. Uma autópsia realizada em Damasco pelo governo sírio concluiu que Marie Colvin foi morta por um "dispositivo explosivo improvisado cheio de pregos".[22] O governo sírio afirma que o dispositivo explosivo foi plantado por terroristas em 22 de fevereiro de 2012 enquanto fugia de um prédio de mídia não oficial que estava sendo bombardeado pelo exército sírio. Essa versão foi refutada pelo fotógrafo Paul Conroy, que estava com Colvin e Ochlik e sobreviveu ao ataque. Conroy lembrou que Colvin e Ochlik estavam empacotando seus equipamentos quando o fogo da artilharia síria atingiu seu centro de mídia.[23]

Repercussão

O jornalista Jean-Pierre Perrin e outras fontes informaram que o prédio havia sido alvo do exército sírio, identificado por meio de sinais telefônicos via satélite.[24][25] Sua equipe planejava uma estratégia de saída algumas horas antes.[14]

Na noite de 22 de fevereiro de 2012, pessoas de Homs lamentaram nas ruas em homenagem a Colvin e Ochlik. Homenagens foram pagas a Colvin através da indústria da mídia e do mundo político após sua morte.[26][27]

Os pertences pessoais de Colvin vieram com ela. Isso incluía uma mochila contendo suprimentos básicos: uma muda de roupa, dois telefones via satélite e uma caixa preta contendo um manuscrito de 387 páginas de seu amigo, Gerald Weaver. A irmã de Colvin, Cathleen "Cat" Colvin começou a se encontrar com Weaver e, junto com Sean Ryan, então editor estrangeiro do The Sunday Times, ajudou a publicar seu livro.[28][29]

O funeral de Colvin ocorreu em Oyster Bay, Nova York, em 12 de março de 2012, em uma solenidade com cerca de 300 pessoas.[30]

Ação civil

Em julho de 2016, advogados representando a família de Colvin entraram com uma ação civil contra o governo da República Árabe da Síria por assassinato extrajudicial, alegando que haviam obtido provas de que o governo sírio havia ordenado diretamente o assassinato de Colvin.[24] Em abril de 2018, as acusações foram reveladas em documentos judiciais apresentados por sua família.[31]

No cinema

Em 2018 a jornalista foi retratada no filme A Private War dirigido por Matthew Heineman. Estrelado por Rosamund Pike,[32] é baseado no artigo "Marie Colvin's Private War", escrito pela autora Marie Brenner para a Vanity Fair.[33][34][35] O filme foi escrito por Arash Amel e conta com a participação de Jamie Dornan, Tom Hollander e Stanley Tucci.[36]

Prêmios

  • 2000: Journalist of the Year: Foreign Press Association
  • 2000: Courage in Journalism: International Women's Media Foundation
  • 2001: Foreign Reporter of the Year: British Press Awards
  • 2010: Foreign Reporter of the Year: British Press Awards

Referências

  1. a b Wardrop, Murray (22 de fevereiro de 2012). «Syria: Sunday Times journalist Marie Colvin 'killed in Homs'». The Daily Telegraph. London, UK. Consultado em 22 de fevereiro de 2012 
  2. "Two Western Journalists Killed in Syria Shelling". The New York Times.
  3. "Journalist Killed in Syria Attended Yale". NBC Connecticuc
  4. Víctor Manuel Ramos; William Murphy (12 de março de 2012). «Marie Colvin funeral draws hundreds of mourners». Newsday (em inglês). Long Island. Consultado em 7 de agosto de 2025. Arquivado do original em 30 de outubro de 2020 
  5. James Barron (22 de fevereiro de 2012). «Recalling Her Determined Daughter, a Journalist Killed in Syria». The New York Times. Consultado em 7 de agosto de 2025 
  6. Sherry Ricchiardi (abril de 2000). «Highway to the Danger Zone». American Journalism Review (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2025. Arquivado do original em 26 de fevereiro de 2012 
  7. Karppi, Dagmar Fors. «Woman Journalist Gets Her Story: In Spite of Grenade Attack, Marie Colvin Files Her Report». Anton News. Consultado em 22 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 25 de fevereiro de 2012 
  8. Spillius, Alex (22 de fevereiro de 2012). «Marie Colvin killed in Syria: life and times of distinguished war correspondent». The Daily Telegraph. London, UK. Consultado em 22 de fevereiro de 2012 
  9. Fatima, Nazish (22 de fevereiro de 2012). «Death of Marie Colvin, American journalist of war». AllVoices.com. Consultado em 22 de fevereiro de 2012 
  10. «Peter Popham: Prabhakaran talked of peace. But the man I met was». independent.co.uk. 20 de abril de 2014. Consultado em 2 de novembro de 2018 
  11. «War photographer Paul Conroy on working with Marie Colvin, the formidable journalist killed in Syria». independent.co.uk. 19 de setembro de 2018. Consultado em 2 de novembro de 2018 
  12. a b Colvin, Marie (25 de maio de 2009). «Slain Tamil chiefs were promised safety». The Australian. Consultado em 22 de fevereiro de 2012 
  13. Hodgson, Jessica (18 de abril de 2001). «Sunday Times journalist may lose sight». The Guardian. London, UK 
  14. a b Hilsum, Lindsey (22 de fevereiro de 2012). «My friend, Marie Colvin». World News Blog. Channel 4. Consultado em 24 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 25 de fevereiro de 2012 
  15. Colvin, Marie (24 de maio de 2009). «Tigers begged me to broker surrender». The Sunday Times. Consultado em 24 de outubro de 2018 
  16. «Sri Lanka To Allow Press Into Areas». Associated Press. 22 de abril de 2001. Consultado em 24 de outubro de 2018 
  17. Amanpour, Christiane (1 de março de 2011). «Col Gaddafi 'brushed off the international pressure'». ABC News 
  18. Joe Morgenstern (1 de novembro de 2018). «'A Private War' Review: Dateline Truth, Somewhere in Hell». The Wall Street Journal. Consultado em 14 de dezembro de 2018 
  19. a b c Greenslade, Roy (22 de fevereiro de 2012). «Marie Colvin obituary». The Guardian. London, UK. Consultado em 25 de fevereiro de 2012. Cópia arquivada em 7 de setembro de 2013 
  20. Nordland, Rod; Cowell, Alan (22 de fevereiro de 2012). «Two Western Journalists Killed in Syria Shelling». The New York Times. Cópia arquivada em 23 de fevereiro de 2012 
  21. «Veteran war reporter Marie Colvin killed in Syria». Channel 4. UK. 22 de fevereiro de 2012. Consultado em 22 de fevereiro de 2012. Cópia arquivada em 25 de fevereiro de 2012 
  22. «Syrie – La vérité sur la mort de la journaliste américaine Marie Colvin». Algeria ISP (em francês). 5 de março de 2012. Consultado em 7 de março de 2012. Arquivado do original em 27 de março de 2012 
  23. Wood, Paul (9 de julho de 2016). «Marie Colvin's Family Blames Assad for Her Death». The Daily Beast. Consultado em 10 de julho de 2016 
  24. a b Priest, Dana (9 de julho de 2016). «War reporter Marie Colvin was tracked, targeted and killed by Assad's forces, family says». The Washington Post. Consultado em 2 de novembro de 2018 
  25. Ramdani, Nabila; Allen, Peter (22 de fevereiro de 2012). «Marie Colvin: Britain summons Syria ambassador over killing». The Daily Telegraph. London, UK. Consultado em 22 de fevereiro de 2012 
  26. «Syrian activists pay tribute to journalists Marie Colvin and Remi Ochlik killed in Homs». The Daily Telegraph. London, UK. 23 de fevereiro de 2012. Consultado em 24 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 24 de fevereiro de 2012 
  27. «Tributes paid to Sunday Times reporter Marie Colvin». BBC News. 22 de fevereiro de 2012. Consultado em 2 de março de 2012 
  28. Copps, Alan (22 de fevereiro de 2015). «Book boost to Colvin fund». The Sunday Times. Consultado em 24 de outubro de 2018. Arquivado do original em 21 de agosto de 2015 
  29. Maughan, Philip (4 de junho de 2015). «Marie Colvin: her Yale sweetheart remembers». New Statesman (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2025 
  30. Joanna Walters (12 de março de 2012). «Marie Colvin: mourners say farewell to 'talented, compassionate' war reporter». the Guardian (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2025 
  31. «Syria 'assassinated reporter Marie Colvin'». BBC News. 10 de abril de 2018 
  32. Carey, Matthew (22 de dezembro de 2017). «Director Matthew Heineman On His Oscar-Shortlisted Doc 'City Of Ghosts': "The Hardest Film I've Made By Far"». Deadline Hollywood. Consultado em 30 de abril de 2018 
  33. Galuppo, Mia (21 de novembro de 2017). «Tom Hollander Joins Rosamund Pike in 'A Private War'». The Hollywood Reporter. Consultado em 30 de abril de 2018 
  34. N'Duka, Amanda (21 de novembro de 2017). «Tom Hollander Enlists In 'A Private War'». Deadline Hollywood. Consultado em 30 de abril de 2018 
  35. Mudano, Mike (18 de janeiro de 2018). «Stanley Tucci Joins Rosamund Pike in Forthcoming Biopic A Private War». Paste. Consultado em 30 de abril de 2018 
  36. Lang, Brent (2 de fevereiro de 2018). «Aviron Buys 'Serenity' With Matthew McConaughey, 'A Private War' With Rosamund Pike (EXCLUSIVE)». Variety (magazine). Consultado em 30 de abril de 2018 

Ligações externas