Mariana Grajales

Mariana Grajales Cuello (Santiago de Cuba, 12 de julho de 1815Kingston, 28 de novembro de 1893) foi uma patriota cubana e ícone dos direitos das mulheres e da luta pela independência de Cuba e abolição da escravatura.

Mariana Grajales Cuello[1]
Nascimento
12 de julho de 1815

Espanha vila de Santiago de Cuba, Cuba Espanhola
Morte
28 de novembro de 1893 (78 anos)

vila de Kingston,
governadoria da Jamaica,
Reino Unido Reino Unido
CônjugeFructuoso Regüeiferos (-†1840)
Marcos Maceo (1851–†1869)
Filho(a)(s)Felipe, Fermín, Manuel, Justo, Antonio, José, Rafael, Miguel, Julio, Tomás, Marcos, Dominga e Baldomera

Vida Pregressa

Mariana Grajales Cuello nasceu em Santiago de Cuba em 12 de julho de 1815, filha de Teresa Cuello Zayas e José Grajales Matos, com pai dominicano e mãe cubana foi a quinta filha do casal de raça mulata[2].

Mariana passou a infância e adolescência no município de El Cristo, que fica próximo a Santigo de Cuba, onde ouviu e aprendeu sobre a Revolução Haitiana, a Revolução Francesa e a escravidão em Cuba.

Em 1831, aos dezesseis anos, se casou com Fructuoso de Los Santos Regüeyferos Echevarría, de trinta anos, e teve quatro filhos homens com ele. Porém, se tornou viúva em 1838 e enfrentou grandes desafios financeiros até que, em 1841, aos vinte e seis anos, conheceu o venezuelano Marcos Maceo de trinta e um anos. Ele tinha se mudado de Cuba com a mãe e os irmãos e possuía uma boa condição financeira. Ela se casou com Marcos Maceo em 6 de julho de 1851, aos trinta e seis e quarenta e três anos, respectivamente, na Igreja Paroquial de San Nicolás Morón em Santiago de Cuba, e deu à luz a mais onze filhos, sendo eles: Justo Germán Grajales, José Antonio de la Caridad Maceo Grajales, María Baldomera Maceo Grajales, José Marcelino Maceo Grajales, Rafael Maceo Grajales, Miguel Maceo Grajales, Júlio Maceo Grajales, Dominga de la Calzada Maceo Grajales, José Tomás Maceo Grajales, Marcos Maceo Grajales e María Dolores Maceo Grajales, a qual deu à luz com cinquenta e dois anos e faleceu quinze dias após seu nascimento.

Mariana, com sua família, viveu no refúgio de La Delicia, no bairro Majaguabo de San Luis, em Santiago de Cuba, administrando posteriormente um assentamento de montanha e um hospital improvisado no mato.

Serviço ao país

Durante a Guerra da Independência de Cuba (1868–1878), Mariana Grajales Cuello desempenhou funções de apoio às forças do movimento independentista cubano. Mesmo em idade avançada, ela organizou e administrou áreas de atendimento para combatentes feridos, fornecendo cuidados básicos, alimentos e suporte logístico às tropas envolvidas no conflito contra o domínio espanhol.[3]

Diversos membros de sua família participaram ativamente da luta, entre eles seu filho Antonio Maceo, que se tornou uma das figuras mais conhecidas do processo independentista. A atuação contínua da família Grajales-Maceo contribuiu para consolidar sua imagem dentro do contexto do patriotismo cubano e da resistência de caráter anticolonial realizada na ilha.[4]

Após o exílio da família na Jamaica, Grajales manteve envolvimento com comunidades cubanas expatriadas, participando de iniciativas organizadas para apoiar combatentes e famílias afetadas pela guerra. Esses grupos de exilados desempenharam papel relevante na circulação de informações, na produção de materiais e no debate político que influenciou parte da historiografia e da literatura produzida sobre o período posterior.[5]

Em 1957, o Exército Rebelde atribuiu o nome de Mariana Grajales a um dos hospitais de campanha da Sierra Maestra. Desde então, seu nome passou a figurar em diferentes expressões culturais de Cuba, incluindo produções de poesia social, estudos de artigos científicos, obras do modernismo e materiais do audiovisual, consolidando sua presença como referência histórica nos debates sobre participação feminina, nacionalismo e processos de emancipação na ilha.

Reconhecimento Póstumo

Durante o século XX, a imagem e memória de Mariana Grajales Cuello foi intensamente utilizada no contexto da consolidação da Revolução Cubana e no processo de criação de uma identidade nacional[6]. Em 4 de setembro de 1958, Fidel Castro criou o pelotão exclusivamente feminino "Mariana Grajales". Posteriormente, em seu discurso proferido no ato de fusão de todas as organizações revolucionárias de mulheres em 23 de agosto de 1960, a figura de Grajales é novamente exaltada[7].

"Las Marianas" do Pelotão "Mariana Grajales" durante a Caravana - 8 de janeiro de 1959 na revolução cubana
Desenho de Mariana Grajales. Artista e data de publicação desconhecidos

"E não é novo, a história já nos contou de grandes mulheres em nossas lutas pela independência, e uma delas as simboliza através do todos eles: Mariana Grajales (Aplausos), aquela que disse ao filho mais novo: "Levante-se, para que você possa ir lutar também para o seu país! [...]" [8]

No ano de 1957, o prefeito de Havana, Justo Luiz Pozo del Puerto, em reconhecimento de suas virtudes e incansável devoção a causa da emancipação cubana do domínio espanhol, declara Mariana Grajales Cuello a "mãe de Cuba", exaltando-a como símbolo de abnegação e patriotismo. O segundo domingo de maio tornou-se o dia em que se prestam tributos em sua memória, e todos os municípios foram instruídos a criarem um espaço conhecido como "Rincón de las Madres"[9] contendo uma imagem de seu busto. De 14 a 21 de junho é comemorado em Cuba a "Semana Maceísta" com o objetivo de reforçar os ideais e ensinamentos dessa figura.[7] No âmbito da literatura, autores como Manuel Navarro Luna, poeta do século XX associado ao modernismo e a poesia social revolucionária, retomam essa personagem histórica visando endossar a resistência no contexto da Revolução Cubana. O poema "Santiago de Cuba" (1957) exalta ideais nacionalistas cubanos, o espírito revolucionário e a resistência feminina encarnadas na figura de Grajales.[10]

"Plaza de la revolución Mariana Grajales" construída em Guantánamo, Cuba, sendo inaugurada em 26 de Julho de 1985

"É Santiago de Cuba!

Nada deve surpreender vocês!

Os olhos das mães estão secos

como rios sem água!

Estão secos os olhos de todas as mulheres!

São fontes ressecadas pela cólera

que estão ouvindo o grito

heroico de Mariana:

“Fora. Fora daqui!

Não quero lágrimas! [...]” [10]

Em 2020, no 205º aniversário de Mariana, foram divulgados dois produtos de software [11] destinados ao ensino e disseminação de conhecimento acerca de sua história. Os aplicativos de nome "La Madre de la Patria - Mariana Grajales Cuello" têm como base os resultados de pesquisa do projeto "O conhecimento histórico pedagógico no Ensino da História de Cuba e da América" [12], contando com uma série de materiais de audiovisual, artigos científicos, documentos e os debates historiográficos mais recentes envolvendo a biografia da "Mãe da Pátria". Seus desenvolvedores são Felipe de J. Pérez Cruz, professor do Centro de Estudios Educacionales Varona de la Universidad de Ciencias Pedagógicas “Enrique José Varona” e Julio Macías Macías do Departamento de Lengua Inglesa de la Facultad de Lenguas Extranjeras na Universidade de Havana[11].

O Aeroporto Mariana Grajales e o Aeroporto Antonio Maceo foram dedicados à memória das contribuições de Mariana e seus filhos à luta cubana. Anualmente, uma coroa de flores depositada em frente ao seu monumento no Cemitério de Santa Ifigênia por uma guarda de honra feminina todo dia 27 de novembro.[7]

Referências

  1. Pullés, Víctor Manuel (2015): «Algunas informaciones necesarias sobre Mariana Grajales Cuello», artículo del 25 de junio de 2015 en el periódico Granma (La Habana).
  2. Méndez-Méndez, Serafin Cueto Gail (2003). Notable Caribbeans and Caribbean Americans: A biographical Dictionary. Connecticut: ABC - CLIO. p. p. 187. ISBN 978-0313093203 
  3. «Mariana Grajales Cuello». Encyclopaedia Britannica. Consultado em 19 de outubro de 2025 
  4. «Mariana Grajales Cuello: Mother of the Cuban Nation». Cuban Heritage Collection. Consultado em 19 de outubro de 2025 
  5. «Grajales Cuello, Mariana (1815–1893)». Encyclopedia.com. Consultado em 19 de outubro de 2025 
  6. «VI Encontro Nacional do GT Estudos de Gênero da Anpuh Brasil - Mariana Grajales Cuello: a construção da memória da mãe da pátria cubana». www.engteg.anpuh.org. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  7. a b c NA, NA (30 de abril de 2016). Engendering History: Caribbean Women in Historical Perspective (em inglês). [S.l.]: Springer. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  8. «DISCURSO PRONUNCIADO POR EL COMANDANTE FIDEL CASTRO RUZ, PRIMER MINISTRO DEL GOBIERNO REVOLUCIONARIO, EN EL ACTO DE FUSION DE TODAS LAS ORGANIZACIONES FEMENINAS REVOLUCIONARIAS. SALON-TEATRO DE LA CTC, 23 DE AGOSTO DE 1960.». www.cuba.cu. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  9. López, César O. Gómez. «A LAS MADRES». Flickr. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  10. a b «Santiago de Cuba, por Manuel Navarro Luna». Poeticous (em espanhol). Consultado em 18 de outubro de 2025 
  11. a b Tribuna. «APK-Multimedia La Madre de la Patria Mariana Grajales Cuello». www.tribuna.cu (em espanhol). Consultado em 18 de outubro de 2025 
  12. Cruz, Felipe de J. Pérez; Macías, Julio Macías (3 de maio de 2021). «MARIANA GRAJALES CUELLO - MADRE DE LA PATRIA: UNA APLICACIÓN PARA EL APRENDIZAJE MÓVIL». CIENCIAS PEDAGÓGICAS (em espanhol) (2): 51–64. ISSN 1605-5888. Consultado em 18 de outubro de 2025