Maria Eugênia Celso
| Maria Eugênia Celso | |
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| Nome completo | Maria Eugênia Celso de Assis Figueiredo Carneiro de Mendonça |
| Nascimento | 19 de abril de 1886 |
| Morte | 6 de setembro de 1963 (77 anos) |
Maria Eugênia Celso de Assis Figueiredo Carneiro de Mendonça (São João Del Rey, 19 de abril de 1886 — Petrópolis, 6 de setembro de 1963) foi uma escritora, conferencista, articulista e cronista brasileira, tendo ganhado notoriedade no movimento feminista da época. A autora também teve destaque no campo da educação, tornando-se sócia mantenedora da Associação Brasileira de Educação.[1]
Vida
Maria Eugênia era filha do Conde Afonso Celso e da condessa Eugênia da Costa Celso, e neta do visconde de Ouro Preto.[2]
Teve uma infância difícil devido a problemas de saúde. Aos três anos de idade, contraiu paralisia infantil. Seu pai, Afonso Celso, relata em seu livro Minha Filha, dedicado a ela, que esse foi um momento extremamente delicado e doloroso para toda a família. Por não conseguir correr e brincar como as outras crianças, Maria Eugênia dedicou-se à leitura e à escrita, tendo à disposição a biblioteca particular do pai, que contava com mais de seis mil volumes.[2]
A educação de Maria Eugênia foi realizada no Colégio Notre Dame de Sion, instituição voltada exclusivamente à formação de meninas, dirigida por freiras que priorizavam a educação religiosa e moral das alunas, preparando-as para serem boas esposas, mães, professoras ou religiosas da Congregação de Sion.[3]
Em 1917, casou-se com Adolpho Carneiro de Mendonça, funcionário do Ministério da Fazenda. O casal teve dois filhos: Vicente Afonso, nascido em 1920, e Maria Victoria, em 1926. Vicente Afonso faleceu precocemente, pouco depois de completar um ano de idade. Em sua homenagem, Maria Eugênia escreveu seu primeiro livro, intitulado Vicentinho, publicado em 1925 pela Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato, por incentivo de Monteiro Lobato.[1][3]
Maria Eugênia Celso também foi ativista política, tendo participado da fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino — entidade civil criada em 1922 por um grupo de mulheres que lutavam por causas políticas, educacionais e sociais relacionadas aos direitos femininos. Esteve ao lado de outras intelectuais e ativistas reconhecidas da época, entre elas Bertha Lutz, com quem, em 1930, assumiu a vice-presidência da Federação. O grupo reunia mulheres de classe média e com alta escolaridade, familiarizadas com os movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos.[4]
Carreira
Maria Eugênia Celso ganhou notoriedade como escritora graças à sua atuação na imprensa e sua participação no movimento feminista da época. Celso também se dedicou à área assistencialista, sendo reconhecida como uma das fundadoras da Maternidade Pró-Matre.[4]
Na década de 1920, passou a atuar na imprensa carioca como articulista, trabalhado em conjunto com diversos periódicos como Revista Fon Fon, Revista da Semana, Jornal do Commércio, Correio da Manhã, O Cruzeiro, O Jornal, O Malho e Jornal do Brasil. Também trabalhou em emissoras de rádio, como Jornal do Brasil e Rádio Nacional e Sociedade, onde fazia o programa Quartos de Hora Literários.[2]
Na Revista da Semana, a autora escrevia poesia sob o pseudônimo de Baby-Flirt, que depois de um tempo se tornou simplesmente BF e, posteriormente, passou a assinar com seu nome real.[2][4]
Além de trabalhar ativamente na imprensa da época, Celso mantinha um cargo no Ministério da Educação e Cultura.[1][4]
Campo educacional
No ano de 1925, Maria Eugênia Celso se tornou sócia mantenedora da Associação Brasileira de Educação (ABE), organização criada em 1924 por cientistas e intelectuais da época, cujo objetivo era promover a difusão e o aperfeiçoamento da educação brasileira. A ABE se tornou um destaque no que se referia a promoção de atividades relacionadas à difusão científica na década de 1920, chegando a realizar cerca de 50 eventos por ano entre os anos de 1926 e 1929.[1]
Obras
Romances
- Vicentinho. São Paulo: Monteiro Lobato,1924; 2.ed.
- O diário de Ana-Lúcia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1941.
- O solar perdido. Rio de Janeiro: Zelio Valverde, 1945.
Contos e crônicas
- De relance: chronnicas de B.F. Editora Monteiro Lobato & Cia. São Paulo, 1924.
- Desdobramento. (Contos ilustrados por J Carlos). Rio de Janeiro: Pimenta de Melo, 1926.
Versos e poemas
- Em pleno sonho. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1920.
- Fantasias. São Paulo: Monteiro Lobato, 1925, 2.ed. Rio de Janeiro: |s.n.), 1931.
- Fantasias e matutadas. Rio de Janeiro: (s.n.), 1931.
- Alma vária. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1937.
- Jeunesse. (Poemas em francês) Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1938.
Ligações externas
Referências
- ↑ a b c d Azevedo, Carla Bispo (27 de fevereiro de 2024). «A intelectual Maria Eugenia Celso com a penna e a palavra em prol dos direitos das mulheres (1920-1952)». Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - UERJ. Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d MUZART, Zahidé Lupinacci. (2009). Escritoras Brasileiras Do Século XIX. vol. III. Florianópolis: Editora Mulheres
- ↑ a b Azevedo, Carla Bispo (26 de março de 2015). «Maria Eugenia Celso: entre o impresso feminino, a casa e o espaço público (1920-1941)». Consultado em 16 de outubro de 2025
- ↑ a b c d Duarte, Jussara (2023). «VOZES DO SILÊNCIO: AS INTELECTUAIS MARIA EUGÊNIA CELSO E ANNA AMÉLIA DE QUEIROZ NO IHOP (1931)». Humanidades em Revista (2): 79–92. ISSN 2674-6468. Consultado em 16 de outubro de 2025
