Maria Amélia Martins-Loução
| Maria Amélia Martins-Loução | |
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| Cidadania | Portugal |
| Alma mater | |
| Ocupação | botânica, ecologista, bióloga |
| Distinções |
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| Empregador(a) | Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa |
Maria Amélia Martins-Loução (nome completo Maria Amélia Botelho de Paulo Martins Campos Loução) é bióloga, professora catedrática aposentada da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Biografia
Filha de Vicente de Paulo Martins e de Maria Ermelinda Botelho de Paulo Martins, nasceu em Lisboa em Outubro de 1949, sendo a segunda de dois filhos do casal.
Doutorou-se em Biologia – especialidade Ecologia - na Universidade de Lisboa, 1985, fez a agregação em Ecologia em 1995 e, mais tarde o mestrado em Comunicação de Ciência na Universidade Nova de Lisboa em 2014. Actualmente, é investigadora no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c), e Presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO, 2017).
Aprofundou as estratégias do uso de azoto pelas plantas, desenvolveu investigação sobre o azoto no continuum solo-planta-atmosfera e o estabelecimento de relações simbióticas planta-bactéria e planta-fungo. A presença de azoto no ecossistema e o seu papel na biodiversidade e alteração das funções do ecossistema tem sido tema recorrente da sua investigação, já que é muito mediada pela microbiota do solo. Desenvolveu estratégias de conservação de plantas, in situ e ex situ. Foi Vice-Reitora da Universidade de Lisboa, Directora do Jardim Botânico de Lisboa, Presidente da Direcção do Museu Nacional de História Natural e Presidente do Departamento de Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências. É, desde 2006, Académica Correspondente da Real Academia Nacional de Farmácia (Espanha), recebeu o Prémio IberoAmericano de Botânica, Prémio Cortes de Cadiz (2010) e foi considerada uma das 100 Mulheres Cientistas Ciência Viva (2016)[1]. É, actualmente consultora científica da European Science Foundation (desde 2018) e consultora para a sustentabilidade da Green Media (2020). Foi coordenadora e tem sido revisora de projetos a nível nacional e internacional: FCT, NATO, ADI, COST, EU-FP-5 a EU-FP-7 e CNRS. Foi editora de livros e volumes temáticos em revistas, como Plant and Soil e Journal of Soil and Sediments.
Percurso Académico
Durante o Curso Geral dos Liceus, no Liceu D. Filipa de Lencastre, foi colocada numa turma especial (6º e 7º ano) para testar a adequação de textos didácticos elaborados por José Sebastião e Silva, professor catedrático de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, no âmbito de um projecto da OCDE com vista à actualização, à escala europeia, do ensino secundário da disciplina de Matemática. Terminado o Liceu matriculou-se em Biologia (1967-1972) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Logo após a licenciatura iniciou o percurso científico na área da genética ecológica e biotecnologia (Universidade de Heidelberg, Alemanha, 1972 e Instituto de Ciências Avançadas em Szeged, Hungria, 1976). Só anos mais tarde (1980-1984) deu início ao trabalho de doutoramento na área da fisiologia nutricional da alfarrobeira e da interacção planta-microrganismo, sob orientação do Professor Fernando Catarino (FCUL) e do Professor Claudino Rodriguez-Barrueco (Centro Superior de Investigação Científica, Salamanca).
Apesar do convite para defender a tese na Universidade de Salamanca, em 1985, opta pela submissão e defesa da tese na Universidade de Lisboa, especialidade Ecologia e Sistemática, com um trabalho inédito sobre a fisiologia nutricional da alfarrobeira e a sua associação com bactérias fixadoras de azoto atmosférico. Com esta defesa foi convidada a pertencer como sócia honorária à Associação Interprofissional para o Desenvolvimento da Alfarrobeira e ao lugar de investigadora consultora do Centro Superior de Investigação Científica de Salamanca (1986-1989).
Em 1995 apresenta-se a provas de agregação, especialidade Ecologia, com o trabalho sobre o impacto da deposição de amónia nas plantas e no ecossistema.
Para além de coordenadora e participante portuguesa em projectos europeus foi delegada portuguesa em acções COST e presidente da European Nitrate Ammonium Assimilation Group (ENAAG), de 1996-1998. Como Directora do Jardim Botânico foi membro da direcção da Associação Ibero Macaronésica de Jardins Botânicos, onde estimulou a divulgação de trabalhos científicos e educativos através do lançamento de uma revista (El (O) Botanico) bilingue, a organização de projectos de conservação a nível ibérico e o intercâmbio de pessoal técnico entre jardins.
Estimulada pelo Prof. José Mariano Gago e pressionada pelo Prof. Arsélio Pato de Carvalho organiza e responsabiliza-se pelo desenvolvimento de um novo centro de investigação, Centro de Ecologia e Biologia Vegetal, sobre diversidade vegetal e estratégias adaptativas às alterações ambientais (1998-2004).
Mais tarde em 2014, matriculou-se no mestrado em Comunicação de Ciência, na Universidade Nova de Lisboa, o que permitiu a incursão na área da educação e promoção da ciência junto dos jovens.
No decurso da vida académica, Maria Amélia Martins-Loução recebeu bolsas de estudo ou de investigação concedidas pela DAAD (German Academic Exchange), INIC (Instituto Nacional de Investigação Científica), JNICT (Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica), FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), British Council, Jacob Blaustein Institut for Desert Research (Israel) e EU (European Union).
Foi coordenadora e tem sido revisora de projetos a nível nacional e internacional: FCT, NATO, ADI, COST, EU-FP-5 a EU-FP-7, CNRS, Fonds de la Recherche Scientifique - FNRS (França), PRIMA Foundation, National Science Center (Polónia), Slovak Research and Development Agency (Eslováquia). Foi editora de livros e volumes temáticos em revistas, como Plant and Soil e Journal of Soil and Sediments. Tem sido revisora de livros editados pelas Universidades do Porto e Coimbra. Em 2007 foi convidada pela Universidade do Algarve para fazer parte do júri ao Prémio Ceratonia (prémio de investigação científica) e mais recentemente, em 2019, para fazer parte do júri ao Prémio Manuel Gomes Guerreiro.
Carreira Académica
Iniciou a carreira docente universitária em 1972, na Universidade de Lisboa, logo após a licenciatura. Dois anos antes, foi convidada para monitora de Biologia Vegetal. Contratada como Professora Auxiliar em 1985, foi nomeada Professora Associada em 1993 e Professora Catedrática em 1998, após a sequência de concursos públicos abertos. Durante todo este percurso candidatou-se ao lugar de Presidente do Departamento de Biologia Vegetal, cargo que exerceu de 1999 a 2002, foi nomeada Directora do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural (2002-2009), Presidente da Direcção do mesmo Museu (2004 -2006) e convidada para o cargo de Vice-Reitora da Universidade de Lisboa (2006-2011).
Na sequência da nomeação como directora do Jardim Botânico (2002), reescreveu a missão deste museu vivo, implementou grupos de investigação diversificados, estimulou o conhecimento científico em prol de serviços à comunidade ligados a pareceres e estudos de impacto em que a flora é fundamental e divulgou o Jardim Botânico como espaço de investigação, conservação e educação. Criou de raiz o espaço educativo, desenvolveu projectos educativos, posteriormente premiados pelo Ciência Viva e submeteu ao Instituto Português da Juventude um projecto de voluntariado jovem europeu que, ao longo de três anos, levou ao jardim nove estudantes estrangeiros que ali desenvolveram projectos diversificados. O Banco de Sementes, reestruturado em 2001, foi relançado e alargado como estrutura nacional de conservação de plantas endémicas ameaçadas, contribuindo significativamente para a implementação da Estratégia Global para a Conservação das Plantas em Portugal, que obrigava à conservação de 75% das plantas ameaçadas em colecções ex situ, até 2020. Foi o único banco de sementes nacional com protocolo com o ICNF para conservação de espécies ameaçadas que, em 2016, conservava 57% das espécies protegidas pela Directiva Habitats no continente Português.
Enquanto vice-reitora ficou responsável pela coordenação do Gabinete de Relações Internacionais, e da Rede entre Universidades de Países Lusófonos. Esteve na 1ª comissão de constituição da EuroMediterranean University, sediada na Eslovénia, onde chegou a ser membro do Senado e responsável pela Comissão Pedagógica. Foi responsável pela organização e fundação do Instituto Confúcio na Universidade de Lisboa.
Obras
É autora de mais de 200 títulos (capítulos de livros e artigos internacionais) e de mais de 40 artigos de divulgação científica.[2][3]
Livros
- Cruz, C.; Martins-Loução, M.A.; Varma, A. (2010) The influence of plant co-culture of tomato plants with Piriformospora indica on biomass accumulation and stress tolerance.
- Magos Brehm, J.; Mitchell, M.; Maxted, N.; Ford-Lloyd, B.V.; Martins-Loução, M.A.; Brehm, J.M.; Ford-Lloyd, B. V.; Martins-Loução, M.A. (2007) IUCN red listing of crop wildrelatives: Is a national approaches difficult as some think? CABI. 10.1079/9781845930998.0211
- Romano, A.; Martins-Loução, M.A. (2003) Water loss and morphological modifications in leaves during acclimatization of cork oak micropropagated plantlets.
- Romano, A.; Martins-Loução, M.A. (2003) Strategies to improve rooting and acclimatization of cork oak.
- Marques, P.M.; Ferreira, L.; Correia, O.; Martins-Loução, M.A. (2001) Tree shelters influence growth and survival of carob (Ceratonia siliqua L.) and cork oak (Quercus suber L.) plants on degraded Mediterranean sites. WIT Press. Southampton. Boston.
- Martins-Loução, M.A.; Carvalho, J. H. Brito de. (1989) A cultura da alfarrobeira. Direcção Geral de Planeamento e Agricultura.
Edição de livros
- Martins-Loução, M.A. (2021) Riscos Globais e Biodiversidade. Lisboa, Portugal: Fundação Francisco Manuel dos Santos.
- Martins Loução, M.A. (2020) Aventuras num admirável mundo invisível. Lisboa, Portugal: Flamingo Edições.
- Martins-Loução, M.A. (2011) A Aventura da Terra. Um Planeta em Evolução. Lisboa, Portugal: Esfera do Caos.
Prémios e distinções
- 2021 - Grande Prémio Ciência Viva 2021 - Ciência Viva, Portugal [4][5]
- 2019 - Prémio de Distinção com o filme “As duas faces do nitrogénio”, Casa das Ciências, Portugal [6]
- 2016 - 100 Mulheres Cientistas - Ciência Viva, Portugal [7]
- 2010 - Prémio Iberoamericano de Botânica - Cortes de Cadiz, Espanha
- 2006 - Estrangeiro da Academia - Real Academia Nacional de Farmacia, Espanha
- 1986 - Correspondente Estrangeiro - Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Espanha
- 1985 - Membro Honorário - Associação Interprofissional para o Desenvolvimento e Valorização da Alfarrobeira, Portugal
Referências
- ↑ «Mulheres na Ciência edição 2016»
- ↑ «Página pessoal na Ciência Vitae»
- ↑ «Página pessoal no ORCID»
- ↑ «Artigo no Público»
- ↑ «RTP Notícias»
- ↑ «As duas faces do nitrogénio | Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa». ciencias.ulisboa.pt. Consultado em 24 de fevereiro de 2024
- ↑ «Mulheres na Ciência». Ciência Viva. Consultado em 24 de fevereiro de 2024