Maria Amélia Furtado Luzes
| Maria Amélia Furtado Luzes | |
|---|---|
| Nascimento | 14 de outubro de 1931 Portugal |
| Morte | 30 de julho de 2020 (88 anos) Lisboa |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Cidadania | Portugal |
| Cônjuge | Pedro Rodrigues Formigal Luzes |
| Ocupação | Enfermeira, política e dirigente associativa |
Maria Amélia Macedo Teixeira Alves Furtado Luzes (Portugal, 14 de outubro de 1931 - Lisboa, 30 de julho de 2020), foi uma enfermeira, política (militante do Partido Socialista) e dirigente associativa portuguesa, que dedicou a sua vida ao voluntariado e a causas humanitárias, em defesa das pessoas mais vulneráveis, no seio da Cruz Vermelha Portuguesa, que representou no Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, e onde foi presidente da delegação de Lisboa, e nas ONG’s CSARA (Comissão Socialista de Apoio aos Retornados) e ASAS (Associação para Serviços de Apoio Social), em que foi vice-presidente da direção.
Biografia
Atividade política e de assistência social
- de 1975 a 1980, integrou a equipa de colaboradores voluntários da CSARA - Comissão Socialista de Apoio aos Retornados, que deu a apoio a milhares de pessoas que abandonaram Angola, Guiné e Moçambique e chegaram a Lisboa durante o processo de descolonização e independência das ex-colónias portuguesas de África, providenciando-lhes alimentação, roupas, medicamentos, brinquedos, assistência médica e apoio jurídico (com advogados e médicos que trabalharam pro bono), oportunidades de emprego, em Portugal e no estrangeiro, bem como alojamento, temporário e definitivo. Com efeito, oferecidas pela organização Norsk Folkehjelp (Ajuda Popular da Noruega), a CSARA montou e entregou a carenciados de habitação, dezenas de casas pré-fabricadas, em terrenos cedidos pelas autarquias, em Aveiro, Cantanhede, Ermesinde, Marco de Canaveses, Vila da Feira, Mirandela, Porto, Vila Praia de Âncora e nos Bairros de Santa Maria (Loures) e Arroja (Odivelas), e ainda móveis e utensílios domésticos;[1][2]

- em 1976, nas primeiras eleições autárquicas em democracia, integra a lista do Partido Socialista para a assembleia de freguesia de São Sebastião da Pedreira, encabeçada por Maria José Gama, de que fizeram também parte, entre outros, o ator Raul Solnado e os médicos Miller Guerra e Joshua Ruah;[1][2]
- em 1977, foi, com Maria José Gama e Maria Irene Salgado Zenha, fundadora da ASAS - Associação para Serviços de Apoio Social, instituição particular de solidariedade social, dirigida à terceira idade, onde, em diversos mandatos e por eleição, foi, entre 1982 e 2020, vice-presidente de direção, ocupou outros cargos na direção, sendo ainda responsável técnica pelo setor de enfermagem. ASAS que, para além do lar residencial, centro de dia e apoio domiciliário facultado aos seus utentes, igualmente desenvolveu ajuda à comunidade em situações de crise ou catástrofe, sendo de destacar a atribuição de bolsas de estudo e instrumentos de trabalho, visitas e apoio a bairros carenciados, em Lisboa e na sua periferia, e ainda do subsídio destinado à reconstrução de casas após o grande sismo dos Açores de 1980;[3][2][1][4]


- entre 1997 e 2003, foi presidente da delegação da Cruz Vermelha Portuguesa de Lisboa;[1][5][6]
- na Expo’98, foi comissária do pavilhão da Cruz Vermelha;[7]
- em junho de 2000, foi designada, pelo ministro do trabalho e da solidariedade, Eduardo Ferro Rodrigues, membro do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, em representação da Cruz Vermelha Portuguesa.[8][9]
Vida pessoal
Nasceu em 14 de outubro de 1931, sendo filha do militar e médico, Diogo Guilherme da Silva Alves Furtado, que foi professor da faculdade de medicina, diretor do Hospital Militar Principal, diretor dos serviços de neurologia dos hospitais civis de Lisboa, investigador do instituto nacional de oncologia, dirigente do Sporting Clube de Portugal e fundador da Casa de Saúde de Carnaxide, de que Maria Amélia foi coproprietária, por herança do pai.[10][11][12]
Era irmã de Maria Manuela Furtado (1935-2021), apresentadora, locutora e a primeira mulher a ocupar um cargo na direção na RTP, tendo sido diretora das Relações Internacionais daquela estação de televisão durante 20 anos.[13][14][15][16]
Foi casada com o professor universitário (da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa), médico neurologista e psiquiatra Pedro Rodrigues Formigal Luzes (1927-2012), que conheceu na Suíça, quando ali cursou enfermagem e ele, em Genebra, se formava em psicanálise, na sequência do que viria a fundar a Sociedade Portuguesa de Psicanálise, tendo sido seu presidente, bem como foi fundador da Revista Análise Psicológica e seu primeiro diretor, e também diretor da Revista da Associação Portuguesa de Psicologia.[17][18][19][20][21]
Teve dois filhos: a médica Bárbara Furtado Luzes Padeira[22][23] e Diogo Furtado Luzes, precocemente falecido, bem como sua mulher, tendo Maria Amélia sido tutora, até à maioridade, da neta Marta Luzes, economista, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington.[24][25]
Referências
- ↑ a b c d BORGES, Augusto Moutinho [et.al.] (2023). Joaquim Carvalho dos Santos, sua vida e sua obra, 1867-1934: descendência 🔗. Carviçais: Lema d' Origem. p. 181-187 e 194. ISBN 978989-9114-48-7. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ a b c GAMA, Maria José (2015). A Memória é Vital Angola, 25 de abril e a Csara 2ª ed. Albufeira: Arandis. p. 74, 77, 81, 102, 114, 136 e 152. ISBN 978-989-8769-59-6. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ Conforme cópias das atas da assembleia-geral da ASAS (Associação para Serviços de Apoio Social) e relações dos membros dos órgãos sociais da instituição, enviadas ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e arquivadas naquele departamento governamental, consultadas em 28 de agosto de 2025, bem como aos seus Estatutos publicados no Diário da República n.º 54 (IIIª Série), de 5 de março de 1977
- ↑ «ASAS - Associação para Serviços de Apoio Social». ASAS. 2025. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Notícias - Festa de Natal do Hospital de Marinha in Revista_Armada». Marinha Portuguesa. Março de 2002. p. 101. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Notícias - Festa de Natal do Hospital de Marinha in Revista_Armada». Marinha Portuguesa. Março de 2002. p. 101. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «António Guterres, primeiro-ministro, assina uma petição antiminas na presença de Kofi Annan, secretário-geral da ONU, Maria Barroso, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, e de Maria Amélia Furtado Luzes, comissária do Pavilhão da Cruz Vermelha no dia de Honra das Nações Unidas». Arquivo Municipal de Lisboa. 9 de agosto de 1998. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Análise Jurídica - Despacho n.º 14976/2000 (2.ª série) - membros do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado». Diário da República. 22 de julho de 2000. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Despacho n.º 14976/2000 (2.ª série)» (PDF). Diário da República. 22 de julho de 2000. p. 12182. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Diogo Guilherme da Silva Alves Furtado - Presidente». Sporting Clube de Portugal. 17 de Junho de 2009. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Medical care activity of the Casa de Saude de Carnaxide, por Fernandes, B.; Furtado, D., in Jornal do Médico, n.º 41». Eurekamag. 1960. p. 614-615. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Casa de Saúde de Carnaxide». Booking senior. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Morreu Manuela Furtado, a primeira mulher a ocupar um cargo na direção na RTP e porta-voz de Portugal no Festival da Eurovisão». SAPO Mag. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ TEVES, Vasco Hogan. «O difícil caminho para a nacionalização». museu.rtp.pt. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Acordo RTP/TSS». Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Da Revolução à Normalização». Arquivos RTP. 27 de março de 2004. Consultado em 1 de setembro de 2025
- ↑ «Pedro Luzes». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Seara Nova - Luzes, Pedro Formigal (1927-2012) psicanalista, psiquiatra português». Seminário Livre de História das Ideias. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Pedro Rodrigues Formigal Luzes – aluno de 1944 a 1990». Universidade de Lisboa. 28 de dezembro de 2020. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Insight ISPA – Instituto Universitário - Boletim Informativo n.º 8 - (1927-2012) Pedro Luzes» (PDF). Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida. Maio 2012. p. 61-62. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Sob o Manto Diáfano do Realismo, de: Pedro Luzes». Bokay. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Despacho (extracto) n.º 595/2000 (2.ª série)» (PDF). Diário da República. 21 de janeiro de 2000. p. 36. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Júri n.º 17 (Lisboa e Vale do Tejo) obtenção do grau de consultor» (PDF). Diário da República. 25 de janeiro de 2007. p. 2112. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Marta Luzes, Specialist, Interamerican Development Bank». Scholar google. 17 de junho de 2025. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ «Presenting migration data for and through the media to improve availability, accuracy and understanding». Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Consultado em 31 de agosto de 2025